Rain encarou Apolo, ele estava com uma camisa de manga comprida branca que se encontrava encharcada marcando a abdômen sarado dele, seus olhos azuis cintilava feito o céu num dia ensolarado, seu cabelo caia-lhe no rosto como raios de sol louros, seu jeans estava surrado. Ele era perfeito e aparentava a idade dela.

Rain não pode conter soltar um suspiro, mas Apolo não pareceu perceber, agora seus olhos estavam vidrados no dela. Ele disse:-Você poderia por favor fazer parar de chover, eu sou o deus do sol e essa chuva toda não me é agradável!!

–Ah desculpe é que toda vez que estou feliz chove, e eu não costumo controlar minha felicidade...- Rain fez a chuva cessar. Apolo encarou-a por alguns segundos que pareceram horas, e ele viu algo. Ele sentiu algo fluir dentro dele, algo adormecido a décadas. Ele disse:- Obrigada e por favor tente controlar sua felicidade...

Apolo se afastou e Rain notou que suas roupas já estavam completamente secas. Ele sumiu na floresta e ela sentiu um vazio crescendo dentro de si, por um instante enquanto ele estivera por perto, ela havia ficado bem e esquecido seus problemas, mas agora que ele havia partido ela sentia como se alguém tivesse arrancado toda a felicidade de seu coração. Ela deitou-se novamente no seu galho de árvore e olhou pro céu agora coberto de estrelas, ao longe ela viu Lady Artemis derramando seu brilho prata e perguntou mais pra si do que pra Artemis:- O que o seu irmão fez comigo??- e sem sequer perceber adormeceu.

Apolo entrava na sua carruagem mas Rain ainda estava em sua cabeça. Ele resmungou:- Isso não pode ser possível!!

–O que não pode ser possível?? – Ele olhou surpreso para Afrodite, que estava sentada num dos bancos acolchoados.

–Nada, estou falando sozinho...

–Você viu a Rain??

–O que você esta aprontando dessa vez Afrodite??

–Nada, juro que dessa vez não tenho nada a ver com isso...

Afrodite desapareceu. E Apolo se jogou no banco olhando pra lua e dizendo:- Eu só tive essa sensação uma vez na vida, irmã, e foi exatamente isso que me destruiu... Elas tem o mesmo nome, Dafne, e ate os mesmos olhos verdes penetrantes... Eu não quero, eu não posso, estar me jogando do mesmo abismo de novo!! Eu não aguentarei toda a dor que aquilo me causou... Estar apaixonado é a coisa mais dolorosa e torturante que existe!!- Apolo fechou os olhos e disse:- E pra completar ela é a deusa da chuva, e eu do sol, isso nunca dará certo!!

O dia amanheceu, e os primeiros raios solares penetraram os olhos de Rain, a sensação do sol na sua pela frágil era extremamente desagradável, mas foi inevitável a lembrança de Apolo vir em sua mente. Mas tirando-a de seu transe, uma voz chamou-a:-Dafne Rain...

Ela olhou para baixo e avistou a garota de cabelos negros e olhos azuis elétrico encarando-a:-Thalia!!

Rain saltou da árvore e encarou a sua irmã. Thalia disse:-Estou pronta para conversar com você...

–Eu quero que você saiba, que eu não tenho nada haver com as coisas que nosso pai fez a você, eu nem sabia da frieza dele em lidar contigo, eu sempre quis te conhecer, mas ele não me permitia, então eu acabei por desistir. E não que eu esteja dizendo que ele é inocente, mas Hera também tem muita influencia sobre ele, então talvez tenha o dedo dela nisso!! Mas eu acho que o que realmente importa é que eu estou aqui, agora, e estou disposta a te proteger!! Você é minha irmã e eu a amo!!

Thalia a encarava, ela parecia confusa ao dizer:-Olha eu sei que você é tão vitima quanto eu, eu demorei, mas entendi que a culpa não é sua, você apenas teve o azar de nascer uma deusa e ter que morar no Olimpo, sem a menor chance de escapatória...

–E então amigas??

–Irmãs...

Thalia sorriu e Rain a abraçou dizendo:-Ficaremos juntas para toda a eternidade!! No inverno me juntarei a você e as caçadoras de Artemis!! Nunca mais vou te deixar sozinha!!

–Ai meus deuses ganhei uma irmã pentelha!!- Elas gargalharam e sentaram-se refugiando-se na sombra de uma árvore, logo uma doce conversa fluiu. E elas passaram a tarde juntas e sendo em fim felizes como deveria ser.

A noite logo pesou e Thalia foi para seu chalé. Rain fazia sua caminhada noturna, quando colidiu contra uma pessoa, a pele dele era quente, Rain caiu no chão e logo a pessoa estendeu a mão para ela. Ela olhou-o nos olhos e disse:-Apolo!!

–Rain... Venha eu ajudo-a a se levantar!!

–Não, não toque em mim por favor, seu toque é letal...

Apolo olhou para o braço que a menina abraçava e viu que uma feia queimadura havia se formado:- Eu sinto tanto...

–Não, tudo bem, eu estou bem...- Seus olhos se encontraram por um instante, e eles pareceram se envolver, ela podia ver a alma dele e ele a dela, naquele momento eles permaneceram conectados. Ele murmurou:-Eu precisava te rever, por que a verdade é que: Desde que te encontrei, eu não consegui parar de pensar em você nem um segundo...

–Por que você esta me dizendo isso??

–Eu apenas achei que você merecia saber...

–E se eu te dissesse que também tenho pensado a cada batida de meu coração, em você...

–Eu diria que estamos apaixonados, e que deveríamos nos afastar...

Rain aproximou seu corpo do de Apolo, ele rodeou o braço em sua cintura coberta apenas pelo vestido de seda branco, ela sentia o calor da pele de Apolo ultrapassar o tecido, mas aquela sensação não estava incomoda. Ele passou uma mexa do cabelo dela para atrás da orelha, e murmurou:-Essa é a hora que você se afasta...

–Essa é a hora que você me beija.

Apolo levou seu rosto ate o de Rain, seus lábios tocaram-se e ouve um instantâneo prazer que se foi tão rápido quanto veio. Rain o empurrou, ela estava ofegante e suando, seus lábios estavam vermelhos por culpa da temperatura. Apolo viu a dor nos olhos dela, se eles passassem mais de alguns minutos diários juntos, ele a mataria, e isso o matou por dentro. Ela sorriu e disse:- Isso foi incrível!!

–Mas não irá se repetir!!

–Por que não??

–Preciso ir embora!!

Apolo afastou-se de Rain que gritou:- Pensei que estivéssemos apaixonados...- Mas ele não parou, apenas sumiu no horizonte. Ela desabou no chão, seus olhos entraram naquela estranha convulsão e as lágrimas douradas começaram a escorrer incontrolavelmente, a dor estava se espalhando cada vez mais, mas a intensidade daquela dor não podia partir o que já estava quebrado.