Notas iniciais
No fim dessa one-shot curtíssima tem meio que uma poesia, que eu mesma fiz.

Minha luta terminou. Kurosaki Ichigo tirou poder hollow de algo que desconheço. Entretanto, para mim não importa mais.

- Tsc – Olhei para minha asa que estava se desintegrando – Acabou o tempo para mim. – Olhei para o humano – Me mate. Rápido. Não tenho forças o suficiente nem para andar. – Ele arregalou os olhos – Se você não me matar agora, essa luta nunca terminará. – Ele rangeu os dentes.

- Não vou fazer isso. – Foi a vez de eu arregalar os olhos.

- Quê?

- Eu disse que não! Isso... – Ele pausou – Não é assim que eu queria ganhar!

Tsc, humano idiota.

- Humpf. Mesmo no fim você nunca faz o que quero.

Olhei para ela.

- Logo agora que comecei a me interessar por vocês humanos...

Olhei para a mulher; eu precisava saber.

- Você tem medo de mim? Mulher – Deve ter. Fiz muito mal a ela, a fiz passar por maus bocados. Falei mal de seus amigos, a sequestrei e a levei para Hueco Mundo. É óbvio que deve ter.

- Não tenho medo. – Respondeu sem pensar. E então pude me impressionar cada vez mais com ela.

- Entendo. – Murmurei.

Meu braço estava estendido para ela, numa tentativa insignificante de alcançá-la. Meu corpo aos poucos, reduzido ao pó. Reduzido e levado pelo vento gélido junto com os grãos de areia que, há muito tempo, são conduzidos ao ar, sendo arrastados suavemente na imensidão do vasto deserto, em leve sincronia com a brisa infinita.

Suas grossas lágrimas, caindo e molhando seu rosto singelo e contorcido, num misto de dor e perda; seus olhos cinzentos, brilhantes e expressivos eram direcionados a mim. Juntos, realizavam reflexos de meu corpo entrando em estado de decomposição; os cabelos longos e alaranjados voavam dançando conforme a música do vento, que ficara forte, talvez preparado para o meu leito de morte. Tantas vezes tive vontade de acariciá-los.

Apesar disso tudo não estava doendo.

Só fiquei desgostoso de vê-la chorar por alguém não merece.

Eu.

Seu braço direito se estendeu para o meu, enquanto o meu estava se distanciando, e num ato desesperado, alcançou, e fora reduzido a grãos. O rosto belo dela contorceu-se ainda mais. Sua boca se entreabriu, em uma frustração sofrida.

De repente me decompus rapidamente. Sem dor, nem muitos arrependimentos. Numa sensação de que deveria descansar para sempre.

Silenciosamente...

Porém...

O que é isso?

“Eu o encontraria se abrisse seu peito?”

Ah, sim...

“Eu encontraria isso... Se abrisse seu crânio?”

Sim, aquela vez...

“Vocês humanos dizem essa palavra tão facilmente.”

É como se...

Ah, entendi agora.

Então é isso... O que a mão estendida dela significa...

... O que ela deixou comigo...

O coração?

“O coração...

Ela o deixou comigo

Será que com o dela

O meu poderá ser

Reconstituído?

Através das lágrimas dela

Pude ver o reflexo das minhas

Que são eternas.”

Notas finais
Reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!