Eu sentia um imenso prazer em vê-lo sangrando. Por todas as vezes que ele mentiu pra mim.

Aquela lágrima de sangue...

Era algo imensamente prazeroso de ver em seu rosto: a dor, ouvir seus gritos de pavor.

Estava cada vez mais excitante ficar o observando. Ele sempre dizia que vivia por mim, talvez seja a hora de morrer por mim... De uma forma bem dolorosa.

Aquela lágrima de sangue...

Era impossível desviar o olhar, era impossível sair dali.

Era tão bom sentir seu sangue quente e fresco tocando a ponta de meus dedos. Nada melhor do que observa-lo gritar.

Como ele pode ser tão mal pra mim? Eu que nunca tinha mentido para ele. Mas ele me machucou, machucou muito meu coração. E agora ele estava pagando caro por isso. Eu queria mais do que seu arrependimento. Eu precisava saber se ele estava sofrendo, queria ver a dor estampada em seus olhos. Ver seu sangue escorrendo... Até seu coração parar.

Aquela lágrima de sangue...

Era tudo que eu precisei ver a minha vida toda. É claro que era. Os fatos que nos levaram até aqui, tinham sido causados por ele mesmo, e eu só o estava ajudando a sentir a dor das consequências de seus atos.

Parecia até um garotinho indefeso agora. Mas não do tipo que eu acho tão fofo e logo em seguida esqueço, Mas do tipo que eu imagino “como essa criança reagiria a ser submetida a dor? Será que toda sua doçura continuaria ali estampada em seu rosto?” E bom, era isso que eu estava fazendo agora.

Sentir seu gosto foi algo surreal. Como ele podia ser tão bom nisso mesmo estando naquele estado?

Aquela lágrima de sangue...

Tão vermelha. Tão viva. Escorrendo por aquele lindo rosto pálido, os lábios já ficando sem cor também, a não ser pelo sangue que a deixava tão convidativa para mim.

Tudo poderia ser tão diferente se não fosse a indiferença dele. É claro que eu perdoaria qualquer coisa que ele fizesse. Dessa vez não era diferente, eu o perdoava por tudo. Mas dessa vez ele precisava sentir mais dor que eu. E já que eu não podia atingir diretamente no coração, deixaria que a dor física o fizesse por mim.

Aquela lágrima de sangue...

Não pude evitar toca-la. Ele estava tão assustado, talvez eu devesse mata-lo de uma vez. Hm... Não! Claro que não! Devagar... Bem devagar, como estava sendo. O daria tempo para pensar em tudo que aconteceu durante a sua vida.

Eu queria muito eu sua morte fosse adiada, que eu pudesse o observa-lo por mais algumas horas, mas era visível seu desgaste. Ele estava me deixando...

- Eu sempre vou te amar, querido! – murmurei próximo a seu rosto.

Aquela lágrima de sangue que parecia querer me dizer algo, queria me mostrar enfim o arrependimento dele. “Querido, essa foi tarde demais, adeus”.

Seus olhos se mantiveram abertos; sem cor, sem foco... Sem vida. Aquela lagrima de sangue que agora passava por seus lábios entreabertos. Assim que ela tocou o chão eu soube que aquilo estava completo. Eu não sentia arrependimento, eu não sentia nada... Foi assim desde o começo. Talvez ele realmente precisasse conhecer o inferno, e ele não precisava ter medo... Porque em breve eu estaria com ele novamente... Porque a maldita lagrima de sangue agora habitava em meu rosto.

Notas finais
A criatividade veio de repente e saiu isso que você leu. rsrs
Historia escrita a meses atrás, então vá ali em baixo e deixei um review pra me fazer feliz, ok?
Xoxo
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!