Lá E De Volta Outra Vez
80 Noitada
Notas iniciais
Eu estava sonolenta depois do horário do almoço, mas não a ponto de sonhar com a presença de Kentin. Pisquei, reparando que o garoto realmente tinha aparecido, sentado ao lado de Kim no fundo da sala. Assim que o professor fez a chamada, a preocupação com o sumiço do garoto foi evidente, ao que ele só respondeu em tom de deboche que seu despertador não tinha tocado.
Eu simplesmente não entendia. Ok, ele era amigo de Evan e queria agradar o amigo, ou sei lá, mas Evan não estava ali agora. E mesmo se estivesse, uma amizade é baseada em respeito. Ninguém é obrigado a agir de acordo com as ideias do outro. Assim como eu muitas vezes discordava dos planos mirabolantes de Rosa, ele poderia muito bem não concordar com aquilo.
Assim que a aula acabou, sai correndo atrás dele. Eu realmente tinha que dar um sacode naquele garoto. Ele passou no seu armário, por sorte, e eu o alcancei, chamando-o pelo corredor.
— Oi. — Ele falou, prestando só meia atenção em mim. Respirei fundo.
— A gente pode conversar?
— Sobre?
— Bom, eu ando meio preocupada com você esses dias.
— Comigo? — A surpresa nos olhos dele me deram um relance do meu amigo Kentin, mas aquele brilho logo sumiu.
— É, me contaram sobre a Moondance…
— Contaram? Quem?
— Ah, os gêmeos, óbvio. Quer dizer, o que está acontecendo com você pra sair caçando briga com desconhecidos?
— Ah, relaxa, era só pra gente rir. — Ele resmungou, fechando a cara depois de me responder. Claramente ele não estava tão aberto assim para me ouvir. Deixei pra lá.
— Se cuida. — Falei antes de ir embora, só para desencargo de consciência. Eu realmente queria que ele pensasse sobre aquilo, talvez a mensagem ficasse no seu subconsciente.
Eu tinha que ir para casa e pensar em uma estratégia de fazer Kentin enxergar o quão escroto ele era quando estava com Evan. Claro, que como todo bom dia, enquanto eu pensava eu ouvi a voz da diaba loira que me perseguia.
— Oh, Anna, me deixe respirar. — Ela imitou a voz de Kentin e logo em seguida riu. Revirei os olhos. — Parece que não sou só eu que te acha extremamente irritante. Nem seus amigos te toleram.
— Tchau, Ambre. — E fui para casa. Depois disso, os dias se passaram voando, com o mesmo clima desagradável criado pela presença de Kentin. E a gente só percebeu a gravidade da situação quando ele quase arrumou uma briga bem na frente da escola. E justamente por minha causa.
— A boneca está mais gostosa que nunca. — Eu quase tropecei quando ouvi isso, ainda mais porque nunca achei que Kentin falaria uma coisa daquelas tão alto, num lugar tão cheio e menos ainda pra mim.
— Kentin, que porra é essa? — Falei, ainda embasbacada, mas Lysandre estava pronto para cometer um crime de ódio.
— Não me vem desrespeitar a Anna, nem sonha. — Ele ainda mantinha a voz no tom normal, mas bem mais firme que o normal. Tentei manter a mão dele na minha, mas ele se soltou.
— Ah, ou então você faz o que? Vai me pôr pra dormir com uma canção de ninar? Se enxerga, você nunca foi do tipo briguento.
— Quer descobrir?
— Lys, para. Isso é ridículo. — Pulei na frente dele no exato momento em que ele ia avançar para cima de Kentin. Castiel apareceu perto da gente, mas não se intrometeu. Tive a impressão de que ele já tinha presenciado alguma explosão de Lysandre. — E você é um escroto insuportável, Kentin.
Sinceramente, estava ficando insustentável conviver com ele assim, pelo simples fato de que ele não nos deixava o ignorar. Ele queria receber toda aquela atenção. Chegou ao ponto de Delanay o pôr na detenção, mas os comentários infames não paravam.
— Então, temos um plano? — Perguntei, jogando minhas chaves na mesa da lanchonete e me sentando, estressada. O assunto Kentin com certeza deixou todos nos nervos. Lysandre não falou nada sobre meu mau humor. — Ei, Lys.
— Bom dia. Espero não incomodar.
— Imagina, Lys, você foi um dos envolvidos nessa presepada toda. — Alexy sorriu pro meu namorado, compreensivo. — Bem, não temos um plano. E além de tudo o sonso do Evan nos convidou para ir de novo na Moondance.
— Eu prefiro morrer a voltar naquele antro. — Armin resmungou, tomando mais da sua limonada.
— E vocês recusaram? Mas é justamente o que a gente precisa.
— O que, você endoidou? — O Armin parecia mais descrente do que Alexy, mas eu me endireitei antes de responder.
— Armin, pensa um segundo. Primeiro de tudo, por mais irritada que eu esteja eu ainda não quero ver o Kentin ser esculhambado em uma briga com algum estranho. Número dois, é o melhor tipo de cenário se a gente quer mostrar para ele quão babaca ele anda sendo.
— Não sei se estou muito confiante nesse plano. — Alexy comentou, parecendo desanimado.
— Talvez, mas eu ainda vou. A última coisa que eu preciso é de um segundo amigo com ficha criminal.
— Muito obrigado. — Armin resmungou e fui forçada a dar uma risadinha.
— Eu não vou te deixar sozinha, muito menos com aqueles dois. — Lysandre murmurou, decidido a vir comigo até a tal boate. Os gêmeos acabaram aceitando depois disso, como se fossem os responsáveis por Evan. — Muito bem então, nos encontramos lá.
Com tudo combinado, eu só precisava revirar meu armário por uma roupa descente e convencer a fera que eu chamava de mãe a me deixar ir. Voltei para o apartamento, encontrando-a na sala, lendo uma revista.
— Voltou cedo. E então?
— Bem, na verdade eu preciso te pedir um favor. — Sentei na poltrona perto dela, enquanto ela esperava que eu continuasse, deixando a revista ao seu lado. — Eu queria sair hoje, pra ir em uma boate, a Moondance.
— Boate? Pra quê? — Ela perguntou. O difícil é que minha mãe sabia muito bem que eu não era uma pessoa de baladas.
— Como o nome do lugar sugere, para dançar. Eu acho que uns programas novos poderiam ser legais, ainda mais nessa idade. — Dei de ombros, claramente evitando a parte do plano de vigília sobre Kentin.
— Com a Rosa?
— Não, Alexy e os irmãos dele. Eu não sei se te contei direito, mas os gêmeos descobriram que têm um irmão mais velho, o Evan. E ai eles queriam que eu fosse com eles, para ajudar a se descontraírem. Eu juro que vou ter todo o juízo do mundo.
— Bom, eu não vejo problema nenhum se é só isso. Desde que você não chegue muito tarde, óbvio.
— Oh, obrigada, mãe. — Dei um abraço apertado nela, que sorriu dispensando o agradecimento.
— Agora aprendemos que não precisamos sair as escondidas, sim? — Ela me cutucou, mas eu confirmei, sem mais alarde. — Confio em você, meu bem.
Algumas horas tinham se passado e eu, depois de olhar todas as peças do meu guarda roupa, cheguei à conclusão de que não tinha nada que servisse para uma boate. Ou pelo menos, foi o que Alexy me confirmou. Nada tinha brilho o suficiente. Então eu fui com meu amigo até a loja de Leigh, para encontrarmos algo.
— Fico feliz que você esteja solicitando essa consultoria de moda, senhora. O preço amigo é de quinhentos a hora. — Alexy falou assim que eu parei ao seu lado na porta da loja. Suspirei.
— Engraçadinho você.
— Eu tentei, ao menos. Vamos, quero achar a roupa mais bonita possível para você hoje. — E fomos ver alguns dos vestidos que ele tinha a oferecer.
— Ei, Anna, como vai? Alexy…
— Oi, Leigh. Tudo bem?
— Ah, sim. Vocês parecem ter uma noitada pela frente.
— Bom, pode-se dizer que sim. — Alexy e eu afirmamos, pensando na nossa intervenção. Por mais que só durasse alguns minutos, ainda seria uma longa noite.
— A Rosa também vai?
— Ah, não. A gente nem está indo por diversão propriamente dito. — Alexy deixou a questão no ar, Leigh também não insistiu.
— Bem, aquela arara tem uns modelos que acho que podem te agradar, Anna. Fiquem à vontade.
Era incrível como Rosa já tinha me trazido tanto aqui que o namorado dela aprendeu meus gostos para roupa. Agradeci, enquanto Alexy já revirara a arara mencionada. Ele suspirou.
— Ele é tudo de bom, né?
— E comprometido com sua melhor amiga, sossega. — Respondi, também estudando as peças de roupa.
— Olhar não tira pedaço. E vocês duas decidiram namorar os irmãos e me abandonar, não é minha culpa.
— É verdade, isso tudo era o objetivo desde o início. — Rimos e voltamos a olhar as roupas. Com certeza as etiquetas tinham mais dígitos do que eu gostaria, mas eram roupas de qualidade, eu poderia usar em outras ocasiões. Suspirei, pegando dois vestidos e entrei no provador.
Normalmente não era o tipo de coisa que eu usaria, mas talvez fosse justamente a oportunidade para tentar coisas diferentes. O vestido vermelho coberto de paetê era mais justo do que eu normalmente usaria, mas pela primeira vez eu me sentia bem com tanta pele exposta. E as mangas compridas me confortavam sobre não estar tão pelada assim.
— Deixa eu ver. — Alexy bateu na porta do provador justo quando eu ia sair. — Oh, minha nossa.
— Minha nossa bom ou minha nossa ruim? — Perguntei, tentando posar com o vestido. Eu sabia que se pensasse demais eu começaria a notar tudo de errado em mim mesma e desistiria do vestido.
— Minha nossa sensacional. A boate inteira vai parar pra ficar babando. Eu aproveitei e peguei umas pecinhas novas pra mim também.
— Bom, vamos logo então. Temos pouco tempo. — Pagamos e cada um foi para sua casa para terminar de se aprontar. Tomei um banho, tentei deixar meu cabelo o mais apresentável possível, e passei uma maquiagem bem marcada com os olhos pretos e a boca vermelha. Era minha melhor chance de esconder que eu era menor de idade.
Juntei minhas coisas, mais uma vez me despedi dos meus pais, e fui para o ponto de ônibus encontrar os meninos, que por sorte já tinham chegado. Alexy estava muito bem vestido, ainda mais que o normal. Sorri e ele sorriu de volta.
— Uau, você está a maior beldade desse planeta. Quem te convenceu a comprar esse vestido?
— Bobo. Você está um arraso também.
— Eu sei. Vamos logo.
Armin tinha conferido que o ônibus passaria logo, mas eu tive uns minutinhos para ficar abraçada com Lysandre, conversando baixo. Ele me prendia pela cintura, sorrindo.
— Ele tem razão, você é a mulher mais bonita desse mundo. Confesso que nunca te vi nesse tipo de roupa.
— Eu confesso que nunca me senti muito confiante para usar um vestido assim antes. — Ele sorriu, entendo que ele me dava um pouco mais de confiança em mim mesma. O ônibus finalmente chegou e lá fomos nós.
Eu entendia o horror de Armin àquele lugar. A rua tinha alguns jovens fumando e bebendo em copos de plástico, o segurança carrancudo na porta e a música que alcançava a esquina. Péssima música, na minha opinião.
— Eu vou na frente, não queremos levantar suspeitas. — Lysandre falou, ajeitando o casaco. Observamos, enquanto o guarda nem pestanejou e o deixou entrar. Aquilo me deixou ainda mais nervosa.
— Bom, vamos lá. É só sorrir e acenar, como alguém que vai em boates todo fim de semana. — Armin falou, enquanto Alexy tentava se acalmar. Os dois quase começaram a brigar pela escolha de roupas do gamer, mas eu mandei os dois pararem e caminhei na direção da entrada.
— Oi, boa noite. — Falei sorridente. Eu tenho quase certeza de que eu estava indo bem, mas ele lançou um olhar desconfiado depois que os gêmeos ficaram ao meu lado. Mantive o sorriso de qualquer jeito.
Ele pediu um minuto e foi até a entrada conversar com alguém, antes de voltar e nos olhar mais uma vez. Armin parecia pronto para uma segunda visita à delegacia, mas o segurança finalmente se pronunciou.
— Eu confesso que não tenho certeza da idade de vocês. — Eu mantinha a pose, quase como um manequim, esperando ele terminar. — Porém o movimento feminino está meio fraco hoje. Pelo menos, não vi nenhuma que fosse tão bonita assim.
E nos pos pra dentro. Eu quase não acreditei que tinha conseguido passe livre porque o segurança me achou bonita, mas com certeza eu não ia reclamar. Agora, daquele lugar eu com certeza tinha do que reclamar. Além da música alta demais, que fazia meu peito vibrar ao som da batida, a iluminação em luzes estroboscópicas azuis e vermelhas não facilitava nem um pouco na visibilidade. Pra não falarmos do calor.
— Lys está bem ali no bar, vamos. — Tive que sair me apertando por entre as pessoas, que nos estudavam enquanto passávamos. Eu estava quase chegando ao bar, quando alguém me segurou pelo braço. O cara loiro sorria, chegando perto do meu rosto pra me oferecer uma bebida.
— Não, valeu. Licença. — Ele pareceu querer segurar meu braço, mas eu puxei de uma vez só e voltei a andar. Eu nunca ia entender essa mania que os homens têm de achar que segurar alguém contra a vontade delas é uma boa estratégia.
— Anna, tudo bem? Você conhecia a figura? — Alexy finalmente perguntou, me ajudando a sair do tumulto de gente.
— Nunca vi, não faço questão de ver. — Finalmente alcançamos Lysandre, isolado no bar. Ele me perguntou se estava tudo bem, mas não me demorei no assunto. — Você encontrou os dois?
— Não foi difícil. — Ele nos apontou a dupla num canto da boate, conversando com um grupo de garotos que pareciam pouco interessados na ladainha deles. E com a paciência curta.
A gente não entendeu bem sobre o que era toda a confusão, mas chegamos justo quando Kentin estava pronto para partir para cima do sujeito. Foi Lysandre quem pulou no meio e segurou o garoto pelo braço.
— Calma, Kentin. A não ser que você queira sair daqui numa maca, eu sugiro abaixar a bola. — Ele falou e, por incrível que pareça, Kentin não resistiu muito. Só que o cara provocou de novo, e ai Kentin quase se soltou. Quase, porque Alexy correu pra segurá-lo pelo outro lado.
Finalmente conseguimos afastar Kentin dos caras, não antes de um deles assobiar para mim. Revirei os olhos, mandando eles pro inferno. Quando chegamos no bar, Kentin se soltou e começou a falar alto conosco. E Evan se sentou numa das cadeiras, rindo.
— Sinceramente Kentin, seus amigos sempre aparecem para cuidar do bebezinho deles. Parecem seus pais.
— Eu cansei disso, vocês só me enchem o saco. Sai. — Ele gritou com Armin, que parecia indignado com a atitude do amigo. Aquilo foi a gota d’água. Fiquei tão perto de Evan em tão pouco tempo que até ele estranhou, tendo que olhar para cima para me enxergar de sua cadeira.
— Vocês aprendem a ter essa masculinidade frágil na escola militar também ou isso é uma insegurança só sua? — Evan parecia chocado o suficiente para não conseguir reagir. — Você se diz amigo do garoto e só o que você faz é enfiá-lo em um monte de brigas imbecis e tirar a paz de todo mundo. Seu conceito de amizade é meio deturpado, sinceramente.
Eu estava fervendo por dentro e ouvir aquele sujeito que assobiou para mim se aproximar só para rir da cara do Evan não ajudou em nada. Virei para ele, ainda com as mãos na cintura.
— E você, está afim de levar uma surra de uma mulher hoje? — Ele começou a rir, mas não o dei muito tempo. — Se bem que eu duvido que você aguente dois minutos de porradaria comigo.
Até os amigos dele tiveram que rir, mas eu estava pouco me lixando para a expressão ofendida do sujeitinho. Por via das dúvidas, Lysandre tinha se aproximado caso precisasse intervir em alguma confusão. Finalmente me afastei de Evan.
— Eu vou atrás do Kentin. — Falei somente para Lys, que concordou e disse para eu ir logo. Antes de sair, falei alto mais uma vez. — Vocês deviam ter vergonha de se chamar de homem com essa atitude de merda suas.
Kentin não estava tão longe, atravessando o estacionamento com passos tão duros que quase poderiam rachar o concreto. Tentei correr atrás dele o melhor que pude equilibrada nos saltos.
— Kentin. Kentin, espera. Eu sei que você está me ouvindo.
— Me deixa em paz.
— Kentin, é sério, o que infernos é esse comportamento?
— Ah, sim. E você e sua mania de dramatizar tudo e ser a heroína? Sempre metendo o nariz onde não foi chamada, sempre. — Ele esbravejava no meio do estacionamento, atraindo alguns olhares na nossa direção. Não que importasse àquela altura.
— Você deve estar de sacanagem. Eu fui a pessoa com quem você sempre pôde contar, bem antes de virmos para cá.
— Você nunca se importou comigo, Anna, você sentia pena no máximo.
— Eu não acredito que eu estou ouvindo um absurdo desses. Eu fui parar na detenção por sua causa. Esse cara fez uma lavagem cerebral em você e apagou isso da sua memória, foi? Ele só te influencia de maneiras negativas, pelo amor de Deus.
— Nem vem. Evan foi o único que me ensinou a não me deixar ser feito de capacho e humilhado pelos outros, que não zombou de mim e...E agora você quer que eu volte a ser uma vítima?
— Eu nunca disse que ele não te ajudou, mas esse comportamento não é o seu, esse não é você! — Eu estava exausta daquela briga idiota e de ouvir aqueles absurdos.
— Eu só não sou mais um idiota, mas você deve sentir falta de toda a atenção que recebia. — Aquilo foi mais como um soco inglês na minha cara do que uma afirmação dele. — Quer saber, tanto faz. Se você me despreza tanto, me esquece. Eu não faço questão da sua amizade de todo jeito.
E ele foi embora. Eu ainda o chamei, mas dessa vez ele realmente nem olhou para trás. Ele caminhou e foi embora, se afastando cada vez mais. Quando ele já tinha sumido os meninos saíram da boate, me encontrando feito uma estátua no meio do estacionamento.
— Anna, ele te machucou? — Lysandre entrou em pânico, o que me deixou perceber que eu estava chorando. Neguei com a cabeça, tentando limpar o rosto com a mão.
— Vamos embora, por favor. — Minha voz quase não saia, mas todo mundo entendeu o recado. Pegamos o ônibus e eu me sentei perto da janela, com Lys ao meu lado. Ele acariciava meu joelho enquanto eu me desfazia de chorar, tentando me manter quieta.
— Desculpa. — Consegui falar, ao que ele parou de mover seu polegar no meu joelho e ficou esperando eu continuar. — Eu estou chorando por outro com você bem do meu lado.
— Eu só queria saber o que ele te fez para te deixar assim. — Ele comentou, o tom sereno de sempre. Era impossível não se deixar levar pela voz dele.
— Além de todas as coisas horríveis sobre eu sentir pena dele e nunca ter ligado, que ele não fazia questão alguma da minha amizade. Eu não deveria, mas me sinto mal.
— Por que? Ele estava nervoso, ele tem andado muito explosivo atualmente. Com certeza ele só quis te ferir.
— É, funcionou. — Sequei o rosto mais uma vez. — Mas ele tem razão em dizer que eu sempre me meto onde não sou chamada e estrago tudo. Desde o segredo das suas cópias das chaves do porão da escola até a vida em família do Nath.
— Ele é um idiota, você não. Sabe que todas essas coisas aconteceram do jeito que tinham que acontecer. Sem a história de fantasma a gente nem falaria. Sem encarar a Debrah ninguém teria tomado conhecimento daquela víbora, Nathaniel não podia continuar em casa daquele jeito…
— Eu sei, eu sei, mas ainda machuca todo mundo envolvido, não é?
Ele negou de leve com a cabeça, mas não dei muita atenção. Pelo contrário, voltei a me sentar direito no banco, apoiando minha cabeça em seu ombro. Ele me abraçou da melhor forma possível, até chegarmos em casa.
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