Lá E De Volta Outra Vez

66 Mais Peças Do Quebra-Cabeça


Notas iniciais
Olá pessoas, como vão? Sumi por um tempo, ando atolada com a faculdade (de novo uau) e quase me esqueci de quanto tempo já tinha desde a última postagem. Espero que gostem ♥

Alguns dias se passaram e confesso que dormi bem mal em todos eles. Não dava pra simplesmente esquecer aquele assunto por horas pra descansar. Era preciso gastar todo minuto possível bolando um plano pra ajudar a Iris.

Ainda mais agora que a gente finalmente sabia a razão para tanto segredo. Ela estava envergonhada. Provavelmente se remoendo por ter algum dia considerado ter enviado todas aquelas imagens, ter deixado o cara tirá-las, vai saber o cenário. O importante é que ela precisava enxergar que a culpa não era dela. Só do cretino quem estava a ameaçando.

Minha mãe reparou que eu andava mais pensativa, sempre com uma expressão fechada. Ela chegou a me perguntar porque tanta raiva, mas eu não conseguia dizer. Mesmo se fosse para ajudá-la, eu não queria expor Iris mais ainda.

Antes de dormir o pouco que eu conseguia, eu enviava algumas mensagens para Lysandre. Ele tinha visto o quanto aquilo tudo tinha me deixado angustiada e chegou a tentar garantir que nunca faria nada do gênero. Claro que eu já sabia disso, mas agradeci a preocupação.

Acabei de abotoar a camisa de flanela e ajeitei o cabelo. Ele já tinha crescido um tanto desde meu surto no caso de Nathaniel, mas eu estava cortando as pontinhas. Tinha gostado dele naquela altura, apesar das causas ruins que me levaram até ele.

– Meu bem, quer carona? – Minha mãe tinha aberto a porta do quarto depois de bater, olhando o relógio. Concordei. Quanto mais rápido eu encontrasse com Iris, melhor.

Minha mãe me deixou na lanchonete da esquina para tomar meu café da manhã e se foi. Peguei um sanduíche apenas para me ocupar, pois fome era algo que estava em falta. Fui caminhando, até a voz animada me chamar pelo nome, toda alegre.

– Bom dia, Priya. Tudo bem?

– Tudo ótimo. Sei que o dia vai ser esplêndido.

– Nossa, quanta empolgação. Posso saber a razão pra tanta alegria?

– Não é nada específico. E você, parece abatida. Ambre anda a atormentando?

– Até que não, eu só dormi mal nos últimos dias. Vamos entrar?

– Pode ir, estou esperando alguém. – Ela sorriu com o segredo e eu sorri de volta, mesmo que sem tanta intensidade, entrando na escola.

Peguei minhas coisas no armário e fui procurar Iris. Tinha que ter uma maneira de fazê-la entender que a gente ia resolver aquilo, juntas. Mesmo que eu tivesse que fingir que não sabia de nada.

Fui até a biblioteca na esperança de encontrar Armin, mas achei Bia. Ela deu um sorriso sem graça, que eu tentei retribuir. A situação entre nós era desconfortável. Eu tinha a ajudado, mas isso não me fazia amiga dela, nem vice versa.

– Tudo bom? – Ela tentou iniciar o assunto. Concordei, meio sem convicção.

– E você, tudo bem com o Samuel?

– Sim, tudo ótimo. Ambre parou de te incomodar depois do último episódio?

– Parece ter me esquecido por uns dias, mas nunca se sabe. – Silêncio de novo. – Bom, eu tenho que ir. Bom dia.

Ela acenou em resposta e eu finalmente respirei depois de fechar a porta atrás de mim. Pelo menos por um segundo, até a senhorita jornalista surgir com um sorrisinho cínico. Suspirei.

– Olha lá, quem eu queria ver.

– Peggy, agora não.

– Calma, eu não mordo. É só uma pergunta. O que você e o senhor vitoriano estavam fazendo juntos depois das aulas, hein?

Precisei de alguns segundos para tentar disfarçar a surpresa e conseguir elaborar uma resposta. Cruzei os braços e falei casualmente.

– A gente é amigo faz um tempo, Peggy, você sabe bem. A gente passa um tempo junto. – Ela continuava sorrindo com aquela carinha de quem sabia e nunca diria. O problema é que se tratando de Peggy, diria sim, aos quatro ventos. – Peggy, dá licença, tenho mais coisa pra fazer.

– Ai, tá bem, estressada. Só perguntei.

Subi as escadas para ver se encontrava a garota, mas acabei encontrando minha dupla dinâmica favorita. Alexy e Rosalya gargalhavam, parando apenas quando me viram chegando perto.

– Correndo de novo? – Alexy perguntou, debochado. Por incrível que pareça, nem para ele eu estava com paciência hoje. A falta de soluções e de sono estava realmente me estressando.

– Para de rodear, Alexy, joga direto no ar. Por que está evitando a gente?

– Correndo atrás do boy dela, Rosa, lógico.

– Antes fosse. – Respondi os dois, sem rodeios. Por mais que eu não pudesse dizer muito, eles sabiam quando eu estava com problemas. – Atrás da Iris, pra ser sincera.

– Por que? Algum problema?

– Digamos que sim. – Suspirei, mas logo me apressei para amenizar a situação. – Eu já estou a ajudando, tudo bem.

– Você realmente adora ajudar os outros, incrível. – Rosa falou, mas tive a impressão de ser num tom de orgulho e não de sarcasmo. Dei de ombros.

– Mas ficamos gratos pela confiança. Às vezes podemos ajudar também, certo?

– Valeu, Al, mas eu realmente preciso deixar isso à sete chaves. Mas valeu mesmo. E afinal, Lysandre e Armin já estão nessa comigo, a gente vai dar um jeito.

– Armin? Desde quando meu irmão é bom em ajudar qualquer um?

– Ele não é, mas é bom em informática.

– Jogar no computador agora configura habilidade em informática? Oi?

– Olha, ele me pareceu bem eficiente, pelo menos pro que a gente precisava.

– Ha, claro. – Ele cruzou os braços, claramente irritado. Olhei de soslaio para Rosalya, meio sem saber o que eu tinha feito. – A essa altura não me choca que alguém saiba mais do MEU irmão gêmeo que eu.

Ele praticamente gritou para enfatizar o “dono” do irmão. Ai eu me lembrei que ele estava se sentindo abandonado pelo irmão e acabei me sentindo mal por entregar que estávamos passando algum tempo juntos recentemente. Pensei em aliviar o contexto, mas ele resmungou um “esquece” e desceu as escadas correndo. Chamei-o pelo nome, mas Rosalya acabou me segurando e mandando deixar pra lá.

– Eu sabia que ele estava para baixo, mas...

– Isso é só metade do assunto. Olha, você não tem nada a ver com isso.

– Rosa, eu só quero...

– Deixa ele comigo, ok? Você já parece bem ocupada com Iris, e bem cansada também. Eu assumo essa, pode ser?

Concordei com a cabeça, ainda meio preocupada com o estado de Alexy, mas Rosa tinha razão. Eu não estava em condições emocionais de lidar com tudo isso agora. Ela disse que me avisaria do estado dele e se precisasse de reforço, e me despachou para encontrar Iris. Encontrei Lys entrando no porão e fui atrás dele.

– Psiu. – Ele olhou para mim, sorrindo segundos depois. – Oi.

– Ei, linda. Dormiu melhor?

– Não, mas eu vou sobreviver. Estou procurando Iris, quer vir comigo?

– Não posso, desculpa.

– Tudo bem? – Perguntei só para garantir. Quando Lysandre se isolava assim normalmente tinha algo a ver com o pai, mas ele negou sorrindo e disse que estava ocupado.

– Eu te vejo mais tarde, tudo bem? – Ele veio até mim e colocou meu cabelo atrás da orelha, me dando um beijo na testa para logo em seguida dizer que tinha se esquecido de algo. Deixou o porão, e eu meio sem saber o que estava acontecendo, sai atrás.

Finalmente, uns cinco minutos antes do sinal bater, localizei Iris chegando no pátio do colégio. Estava com a carinha abatida, de quem não dormia a dias. Eu sabia bem como, parecida com a minha, só que com os rastros de lágrimas mal apagados. Fui até ela.

– Oi, Iris, tudo bem?

– Oi, Anna. Sim e você? – Era surpreendente. Em questão de segundos ela parecia radiante, como de hábito. Aquilo ia ser muito mais difícil do que eu imaginei. Antes de dizer qualquer coisa, o sinal tocou e fui forçada a seguir com ela para a sala de aula.

– Iris, aproveitando que temos aula de geografia, eu posso sentar com você. Se você não entender algo, você me pergunta. Que tal?

– Eu não quero te atrapalhar, Anna...

– Imagina, Iris. Me atrapalha é saber que eu posso te ajudar e não fazer nada. – Ela concordou, entrando antes de mim na sala, quieta.

Fui com ela para o fundo das salas, mas meu olhar encontrou o de Lys enquanto caminhava. E ele estava com Priya. De novo. Eu não estava mais na fase do ciúmes que eu tivera de Priya antes, mas com certeza tinha algo estranho ali. Me sentei com o aviso de Faraize de já estarmos atrasados, e fiquei quieta.

Quando o tom da aula já seguia naquele passo indeciso de Faraize, com uma ou duas conversas paralelas, eu comecei a investir.

– O dia está lindo. – Falei baixo. – Tanta coisa melhor para fazer.

– É, mas não temos muita escolha. – Ela sorriu sem muito mais o que dizer.

– Em dias assim eu só quero estar com alguém, ir a um encontro, sei lá... – Tentei ser sutil, mas não deu muito certo. Só não sei se o tiro que eu acertei foi muito certeiro. Ela abriu bem os olhos e murmurou em resposta.

– Você está namorando alguém? – Passei a língua sobre os lábios, percebendo a cilada que eu tinha me metido. Bom, nem tanto assim, vá lá. Se eu queria tanto que ela se abrisse, nada mais justo do que entregar um pouco do ouro também. Concordei com a cabeça, olhando para ela de lado. Ela abriu a boca também dessa vez, chocada.

– Mas não fale nada para ninguém.

– Não, claro que não. Quem é? Eu conheço? É aqui da sala, não é?

– Sim, mas...

– VOCÊS DUAS. – Era a primeira vez que eu me lembrava que estava em sala de aula. Todo mundo se virou para nossa mesa, enquanto Faraize batia o apagador no quadro e fechava a cara para nós. – Fora da minha sala, agora.

– Senhor...

– Se não querem ouvir, pois bem, acabem a conversa onde quiserem, mas saiam da minha aula. – Ele pareceu bem ríspido dessa vez. Peguei minha mochila e saí, Iris me seguindo bem calada.

– Ok, o que foi que deu nele? A gente estava conversando baixinho.

– Eu não acredito que fomos expulsas de sala de aula...Anna, eu não precisava disso, de jeito nenhum. – Ela parecia apavorada. Naquela altura do campeonato, eu só queria que ela percebesse que a gente estava no mesmo barco, então concordei. – Você também não? Jura?

– Digamos que dei uma vacilada com meus pais faz pouco tempo, não preciso de mais uma na lista. Enfim, vamos passar um tempo num lugar quieto, que tal?

Ela concordou e me seguiu pelo corredor. Pensei em ir até o jardim, era o lugar para onde eu ia quando precisava de algum apoio, principalmente com Lysandre, mas só de pensar na caixa maldita eu sentia calafrios. E para Iris certamente seria pior. Então fui até o vestiário.

– Senta ai, não tem aula aqui pela manhã. – Ela acatou e nos sentamos no banco perto dos armários, suspirando.

– Professor Faraize estava estranho hoje. Ele nunca é de fazer isso.

– A gente pegou o mau humor dele. Infelizmente, pagamos o pato.

– Bem, pois é. Aproveitando que já saímos de sala mesmo, quer finalmente revelar seu príncipe encantado? – Ela perguntou, sorrindo. Dei uma gaguejada, lembrando da tática de dar para receber.

– Ok, tudo bem...É o Lys.

– Nossa, era meu último palpite.

– Sério? Por que? – Acabei ficando um pouco insegura com a afirmação. Será que ela achava que não dávamos um bom casal?

– Nenhuma razão, na verdade. Acho que só não conhece ele tanto quanto aos outros, ai acaba ficando mais difícil de imaginá-lo namorando. Mas fico feliz por você. Ele deve se sentir muito bem tendo você com ele depois de tudo que aconteceu. E de toda, forma obrigada pela confiança.

– Iris, é claro que eu confio em você. Você foi minha primeira amiga aqui, lembra?

– Claro, eu sei.

– E por falar nisso...E você? Namorado, crush, algo em vista?

– Não, estou solteira... – Ela falou, colocando as mãos entre as coxas, olhando para o chão. Pelo visto, eu só tinha alcançado metade do meu objetivo. Ou não. – Na verdade tinha alguém, há pouco tempo...Você promete que não vai me julgar?

– Iris eu sou a última pessoa que pode julgar qualquer um. Eu quase morri porque fiquei com ciúmes da Priya. Pode falar, vai.

– Ok, vamos lá. Há alguns meses, eu entrei num desses aplicativos de encontros, mas foi só de brincadeira.

– Eu, Rosa e Alexy fazemos isso quase toda vez que dormimos na casa uns dos outros. Normal.

– Pois é, eu encontrei um cara bem legal, a gente conversou por umas boas semanas. A gente parecia que daria super certo, nos encontramos poucas vezes pessoalmente, umas duas ou três vezes só...Mas ele acabou não tendo nada a ver comigo. –Ela engoliu em seco, dando um sorriso sem graça. De novo, fugindo do assunto. – Eu vou superar, sei que vai ter alguém melhor.

– Qual era o nome dele?

– Tim. Ou pelo menos era o que ele usava. A gente não se conheceu tão bem por fim, sabe? Feito um casal normal. Quando a gente escreve mais do que fala, acaba só sabendo o que o outro quer que seja exposto.

– Eu sei. – Finalmente acabei trocando de assunto. Eu já tinha que estar era bem grata dela finalmente ter dito tanto de sua vida assim, sabendo que aquilo estava a matando um pouco por dentro. Aproveitei e enviei uma mensagem para Armin, convocando-o à biblioteca. Lysandre nem visualizou a mensagem, mas deixei de lado. Apesar de estar me sentindo um pouco ignorada, decidi não dar muita trela.

– Senhorita Anna. – Tomei um susto quando entrei sozinha no corredor e dei de cara com Faraize. Pensei em me desculpar, mas ele foi mais rápido. – Eu sei que tem ficado aqui até mais tarde, sim?

– Oi?

– Você é uma aluna séria, eu sei disso. Sinto que fui injusto com você e a senhorita Iris essa manhã, e peço desculpas. Não vou falar disso para a diretora, fique tranquila.

– Bem, eu agradeço e peço desculpas pelo meu comportamento, senhor. Boa tarde.

Ele deu um aceno de cabeça e se foi. Fui até a biblioteca, sem ignorar a sorte que eu tinha tido pelo dia. Progresso com Iris e me livrado de mais um puxão de orelha. Empurrei a porta e vi Armin ainda de pé.

– Olha só, que belo timing. Cheguei agora. Novidades?

– Algumas, na verdade. – Olhei ao redor da biblioteca e, depois de me certificar de que estávamos sozinhos por ser horário de almoço, puxei uma cadeira e comecei a falar baixo. – Eu consegui conversar com Iris depois da minha expulsão.

– Que plano, hein?

– Não foi proposital, mas veio a calhar. Enfim, ela acabou me contando sobre um suposto cara que ela conheceu num desses aplicativos de relacionamento. Disse que ele usava o nome de Tim, que eles só se viram umas duas ou três vezes, e depois desconversou.

– Qual aplicativo?

– Nessa eu falhei, não perguntei. Na hora eu estava ocupada demais pensando no que ela concluiria. Mas ela simplesmente fugiu do assunto depois que chegamos à parte crítica.

– Facilitaria, mas não deve ser tão difícil. Só um instante. – Ele pegou o celular e começou a digitar algo na loja de aplicativos do celular, me mostrando o primeiro que apareceu. – É o mais baixado da loja, provavelmente o que ela baixou também. Pelo menos para começar...

Ele passou a baixar o aplicativo, que não demorou muito a se instalar. A tela de inscrição logo surgiu na telinha brilhante e pudemos começar a usar o aplicativo. Armin decidiu que nos chamaríamos Zelda Peach, porque seria uma forma divertida de atrair alguém. Eu dei um empurrão nele, que só riu e voltou ao tom de investigador.

– Aplicativo estranho. Ele parece mais uma rede social do que um aplicativo de namoro. Enfim...vamos começar pela Iris. – Eu concordei, e ele saiu clicando pela tela. Não demorou e achamos o perfil, inativo já há algum tempo. Ele clicou numa lista ao lado, de supostos contatos. – Achei que a ideia desses aplicativos eram ser anônimos, que estranho.

– Não reclama da sorte. Anda logo. O cara chamava Tim.

– Anna, isso é bizarro. Parece aplicativo de poligamia.

– É sobre popularidade, Armin. Todo mundo quer quem é mais desejado, logo se eles mostram pra você quem tem mais contatos, você acaba criando gosto pela pessoa. Enfim, esquece isso e acha o cara.

– Tim, não é? A Iris não tinha tantos contatos assim, vai ser fácil. Vamos ver... – E foi rolando a tela para baixo até chegar no perfil do cretino. – Aqui. Team-OT. Que cara sem graça.

– Timothy. Realmente, pouco criativo...Opa, espera. – Ele me deixou pegar o celular e abrir o contato favorito do cara. Tinha escrito no perfil “aluna da St. Andrew”. – Sweet-Queen. Ela é daqui.

Ele ficou quieto, me encarando. Acho que alguma coisa estava começando a surgir, mas o que exatamente eu não sabia. Era como um quebra-cabeça, só que nesse a gente só tinha as peças e não a imagem pela qual deveríamos nos guiar. Acabamos por voltar para casa, Armin me dizendo que ia procurar mais sobre os perfis que tínhamos encontrado. As peças chave desse quebra cabeça.

Notas finais
Até mais vê-los ^~^