Ká-bum!

5 Capítulo 4 - Convite


Após um tempo de reflexão e ensaios de como se desculpar, Willian foi atrás de Alicia. Ela se encontrava no mesmo lugar que estava de manhã. Quando se aproximou, para a sua surpresa, ela logo levantou.

— Me desculpe por ter deixado o senhor sem suas ordens.

Ele olhou-a indignado com tal pedido. Por que ela estava se desculpando? A culpa era somente dele e isso o fez se sentir péssimo. Por ser sua criada ela tinha que respeita-lo, mas não precisava chegar a este ponto.

-Não, não peça desculpas, eu é que deve pedir-lhe perdão... Me desculpe por ter falado daquele modo de seu pai. Ele te ensinou muito bem, com certeza foi um grande homem.

-Tudo bem senhor. Me perdoe por ter o atacado. Eu feri o senhor?

-Não... somente o meu ego...

A menina sorriu levemente. Era a primeira vez que ele via uma expressão mais alegre naquele rosto delicado.

— O Sr. Brand ensinou-lhe mais alguma coisa para a senhorita?

— Ele me ensinou um pouco de tudo que ele sabia, senhor.

E os dois se sentaram e começaram uma longa conversa. Ela contou-lhe que havia aprendido a ler e a escrever, que conhecia esgrima e algumas técnicas de luta. A tudo que ela contava, ele ouvia fascinado. Mas não somente ela falou: ele contou sobre o seu casamento forçado, das suspeitas que tinha sobre a morte de seus pais e sobre os tios que tomaram posse do poder.

Quando retornaram, logo na porta se encontrava Adelaide que os esperava esbanjando felicidade.

-Sinhozinho! Sinhozinho do céu! Vosmecê irá desacreditar! Recebi um comunicado muito do importante! O povo da cidade tá oferecendo um baile pra vossa pessoa!

-Oras, para mim Adelaide? Mas por que?

— Porque o sinhô voltou pra cá! A tempos não se tinha uma pessoa tão importante assim! E sendo um baile pro sinhô, nem carecia saber do porque, num é?

-E quando será ?

— Dispôs de amanhã sinhozinho. Se vosmecê quiser, eu posso chamar umas madame da vila aqui pro senhor escolher uma pra mode não ir desacompanhado no baile, já que a noiva do sinhô num vai poder comparecer. Seria que nem naquelas estórias que eu contava pro sinhozinho quando novo. Estás lembrado?

— É claro Adelaide, mas eu não sou nenhum príncipe não. E além do mais, acho que eu já sei quem eu vou levar. — E olhou de relance para a garota que permanecia em silêncio ao seu lado. Adelaide não pode perceber tal movimento por causa de sua alegria, pois se visse iria repreendê-lo.

— Que bom que o sinhozinho já escolheu, espero que ela seja de uma de boa família. Agora deixa eu ir botar a mesa do jantar que o sinhô já deve de estar com fome.

Assim que Adelaide saiu, ele chamou a garota que também estava se preparando para sair e a convidou para ir ao baile.

— Mas senhor, não deves levar uma criada para o baile. O que irão pensar?

— Eles nem saberão que és minha criada. Pelo menos eu conheço você e não precisarei ir com uma 'madame da vila'. Por favor, aceite.

— E com que roupa eu hei de ir senhor?

— Com a roupa que quiseres. Amanhã cedo vás na cidade e compre o vestido que preferires. Não tenha receio, eu pagarei para a minha acompanhante estar mais bela o possível.

— Tens certeza de que queres isso senhor? Não irei fazer-lhe passar vergonha?

— De modo algum Alicia, eu quero que você venha comigo e tenho certeza de que serás uma excelente companhia.

Ele sorriu para ela e saiu deixando-a só.

"O que esse moleque tem na cabeça? Ou é louco ou é um simples idiota" pensava em seu interior, mesmo que aguardasse alegremente o dia em que iria ir ao baile junto de seu senhor.