Kyyneleet
4 Parte IV
Notas iniciais
Eu não queria mesmo demorar tanto, mas estava com um bloqueio em relação a essa fic... E ficar mais de um mês sem computador em casa também não ajudou.
Mas, finalmente, aqui estou eu com a parte IV, que é meu presente de aniversario à DaniDeadRabbit. Eu queria fazer uma oneeshot, mas não ia dar tempo, então me esforçarei para terminar essa fic até amanhã.
Foi meio corrido mas foi feito com muito carinho (LLLL) ~
Well, ninguém deve se lembrar direito da história mimimi ;-;
Então aconselho dar uma relida rápida no que veio antes.
Essa parte está toda em itálico porque é um flashback. Eu pensei em postar isso como se fosse uma side history, mas algumas coisinhas são importantes para o entendimento da parte V, então coloquei aqui mesmo.
É isso, boa leitura :3
Por Lie-chan:
Kyyneleet
Parte IV
Virei-me inquieto sobre os lençóis, numa vã esperança de regressar para o mesmo sonho. Entretanto, leves tapas depositados em meu braço impediam-me de voltar a dormir.
– Ruki, acorda... – Sussurrava uma voz próxima ao meu ouvido. Levantei-me abruptamente ao reconhecê-la como sendo a voz de Reita. – Até que enfim, folgado, já está quase na hora do almoço. – Continuou, sorrindo ante minha confusão.
Olhei desanimado para os lados, constatando que havia dormido no sofá de Reita, sem ao menos ter trocado de roupa. Meu cabelo deveria estar parecendo um ninho de mafagafos.
– Por que você me deixou dormir até agora? Nós deveríamos estar no ensaio... Qualquer dia desses Kai vai ter um piripaque com os atrasos. – Murmurei apreensivo, apesar de estar realmente precisando daquele descanso extra.
– Acredite, eu tentei... Mas você apagou mesmo. – Disse, abrindo espaço entre as almofadas para se sentar ao meu lado. – Não se preocupe. Hoje é domingo, não tem ensaio. – Completou enquanto ligava a televisão em algum programa qualquer de culinária.
Levantei-me com preguiça e andei – ou melhor, rastejei – até o banheiro. Tomei um banho rápido apenas para acordar direito e segui para o quarto de Reita, enrolado em sua toalha.
Abusado, eu? Imagina...
Abri seu guarda roupa e escolhi uma muda de roupas que julguei servir-me, vestindo-as rapidamente e voltando ao banheiro para escovar os dentes. Já ia colocar sua escova na boca, quando senti um de seus braços circulando minha cintura e o outro retirando delicadamente o objeto de minhas mãos.
– Ela está mofada, não viu? – Falou, depositando-a novamente na pia.
– A culpa é sua por não ter jogado fora antes... Como você conseguiu que ela mofasse? – Eu deveria estar bravo por ter quase colocado aquela coisa na boca, entretanto, estava ocupado demais achando graça do desmazelo de Reita para me preocupar com isso. Aliás, era difícil preocupar-me com qualquer coisa estando tão próximo dele.
– Você está cheiroso... – Estremeci ao sentir sua respiração de encontro à pele de meu pescoço. E, apesar de estar praticamente me amassando contra a pia, seu tom não continha nenhuma malícia.
– Eu usei o seu perfume. – Respondi sem pensar duas vezes, arrancando uma sonora gargalhada de seus lábios.
E logo éramos dois idiotas rindo no banheiro.
– Taka-chan... – Ele quebrou o silêncio depois de um tempo, a voz falha pela falta de ar. – Sabe, você é bastante pesado para alguém do seu tamanho... Sem querer ofender, claro. – Completou, ainda sorrindo.
Só então reparei ainda estar prensado sobre a pia, jogando praticamente todo o peso de meu corpo para cima dele. Meus pés começavam a formigar, mas aquela sensação não era de todo ruim.
– Ainda estou cansado, me carrega para a cama... – Disse em tom manhoso, aumentando a pressão de meu corpo sobre o seu. E era estranho constatar, assim, que nem usando todo o meu esforço conseguiria fazê-lo se mover um milímetro.
Quer dizer, eu sei que ele não tentaria nada contra mim, mas... Se ele tentasse, acho que estaria em uma posição bastante submissa. E esse, definitivamente, não era um bom momento para eu ter pensamentos desse tipo. Principalmente levando em consideração que qualquer “movimento estranho” vindo de baixo seria perceptível até demais dada nossa posição.
É, realmente já estava mesmo mais do que na hora de terminar com aquela vadia.
– Primeiro escove os dentes. Não quero ver você reclamando de cáries mais tarde. – Disse, levantando-me e colocando-me sentado na pia, para conseguir se abaixar e pegar uma nova escova no armário.
Sorri ante o modo com o qual ele me sempre tratava, como se eu fosse uma criança indefesa e inocente. Provavelmente isso acabaria com o orgulho de qualquer homem, mas eu gostava tanto de ser mimado daquela forma!
– Tudo bem. – Respondi, também sorrindo. – Mas depois você vai ter que me carregar para a cama mesmo! – Acrescentei, fazendo um biquinho ao qual ele definitivamente não resistiria.
– Você é mesmo uma criança mimada... – Riu, bagunçando levemente meus cabelos com os dedos.
Tirei a escova da embalagem e passei pasta sobre ela, enfiando-a na boca logo em seguida e escovando os dentes de um jeito – admito – muito porco. A sensação gelada que a menta proporcionava era boa, mas não o suficiente para fazer-me esquecer da dor de cabeça que ao poucos ia aumentando desde o momento em que abri os olhos pela manhã.
– Terminei, pode me carregar. – Falei apressado logo depois de cuspir a espuma branca da pasta, estendendo os braços em sua direção.
Surpreendi-me ao sentir seus braços circularem firmemente minha cintura, levantando-me de forma brusca e forçando-me a acomodar minha cabeça em seu peito. Quer dizer, eu não pensava que ele fosse mesmo me carregar.
Antes que eu pudesse notar já estava sendo largado em sua cama.
– Ei, isso doeu! – Reclamei, enquanto massageava o pescoço com uma das mãos. Não me espantaria se no dia seguinte o lugar estivesse roxo.
– Você é pesado demais para a sua altura, sabia? Queria que eu te carregasse como se fosse uma noiva, é? Ia quebrar as minhas costas! – Objetou, com um irritante sorriso cínico nos lábios. Entretanto, no segundo seguinte já estava sentado ao meu lado analisando o estrago feito.
Sempre que ele inventava se fazer alguma brincadeira do tipo acabava desse jeito. Eu me fazendo de vítima e ele se culpando e jurando nunca mais fazer algo parecido. Mas sempre acontecia de novo, porque eu sei o quanto ele gosta de cuidar de mim, mesmo que por causa de uma besteira.
E se não fosse assim ele sabe que eu não deixaria.
Porque eu sempre cuido dos meus problemas sozinho.
– Uma vez ainda vai, mas duas... Por acaso você está insinuando que eu sou gordo, é? – Disse, num falso tom ofendido.
Pensei que ele fosse revidar dizendo algo como “gordo não, só fofo”, no entanto em vez disso suspirou e me encarou, sério. E era estranho como a falta da faixa em seu nariz parecia torná-lo intimidador e, ao mesmo tempo, familiar. Por algum motivo, eu o preferia assim.
– Taka... – Prendi a respiração ao escutar o apelido saindo de seus lábios. – Por que você terminou com ela? – Indagou ainda me olhando, atento à minha reação.
E confesso que essa pergunta me pegou de surpresa. Não pelo motivo de eu na verdade não ter ao certo uma explicação convincente, mas por não esperar que esse assunto viesse à tona tão rápido. Principalmente logo agora, com todo esse... clima, que havia se instalado entre nós.
– E não pense que vai conseguir me contornar de novo como fez ontem. Eu quero um argumento plausível. – Ele continuou, como se adivinhasse o que eu estava pensando.
Só então reparei o quanto estávamos próximos, provavelmente sendo separados por poucos milímetros. Antes que eu pudesse pensar melhor no que estava fazendo, selei nossos lábios, num contato rápido, porém forte. Na adrenalina de tomar tal atitude acabei não regulando minha força e o jogando com tudo na cama, que tremeu um pouco ante o impacto.
A situação seria cômica, se não fosse trágica.
Tão rápido quanto avancei para cima dele, me levantei, evitando olhar para algo que não fosse o chão. Não precisava nem me olhar num espelho para saber que estava completamente ruborizado, o calor em minhas bochechas era mais do que suficiente. Isso sem falar no formigamento que eu sentia nas mãos.
Uma atitude precipitada e impensada como essa poderia acabar com anos de amizade em apenas alguns instantes. Será que eu não era capaz de agir como um adulto racional por pelo menos um minuto?
– Você tem mesmo certeza disso? – Ele perguntou, cortando o silêncio constrangedor que tomara conta do ambiente. Quase pulei de susto ao sentir sua mão à procura da minha, tímida.
– Tenho. – Respondi, corando ainda mais, se é que isso fosse possível.
Lentamente levantei meu rosto, receoso ante sua reação. Nossos dedos entrelaçados davam-me certa segurança, mas não era o suficiente para acalmar-me de todo.
Um sorriso.
Foi tudo que eu precisei para saber que estava tudo bem.
E no próximo instante eu já estava jogado em seus braços, escondendo meu rosto na curva de seu pescoço, suspirando ao notar uma de suas mãos acariciando minha nuca. Um dos raros momentos em que eu não achava aquela humilhante diferença de alturas tão ruim assim.
– Por quê? – E mais uma vez ele me pegava de surpresa, inventando essa indagação sabe-se lá de onde. Será que não dava para só ficar quietinho e me beijar logo?
Entretanto, tive que parar um pouco para pensar. Eu o queria perto de mim, só isso. Ou será que não? Talvez tivesse algo a mais... Mas só isso era o suficiente, não era? Pelo menos por enquanto...
– Eu me sinto bem perto de você. Nunca sinto vontade de chorar. – Redargüi, circulando meus braços em suas costas de maneira possessiva. – Eu sei que você nunca me faria chorar. – Completei, roçando de leve meus lábios em seu pescoço.
Senti seus músculos se retraírem um pouco. Definitivamente, eu era muito bom em provocar. Sem querer parecer egocêntrico, claro.
Logo o beijo tão esperado veio. Na verdade, foi até um pouco mais “quente” do que eu imaginava. Num momento eu estava abraçado a ele e no outro já estava jogado no colchão tendo os lábios tomados com brusquidão. Não que isso me incomodasse, muito pelo contrário.
Inconscientemente circulei sua cintura com minhas pernas, buscando um pouco mais de contato. Nunca um moletom me pareceu tão desconfortável antes...
O único problema é que, tão rápido quanto começou, acabou. Maldito pulmão que precisa de ar para funcionar... E fumar tanto não ajudava, confesso.
– Prometo que nunca vou te fazer chorar, pequeno. – Ele disse, depositando depois um leve selinho em meus lábios. – Mas agora vamos cuidar desse roxo no seu pescoço, ou teremos problemas no ensaio fotográfico segunda-feira.
E o olhar que eu o lancei quando se desvencilhou de mim e se sentou novamente não deveria ter sido nada amigável, pois Reita logo completou:
– Calma, nós teremos muito tempo para isso depois. O final de semana só está começando. – Sorriu, parecendo achar graça de minha afobação.
Mas eu não podia discordar. Afinal, se dependesse de mim, nós teríamos mesmo muito tempo.
Continua...
Notas finais
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