Kyuketsuki
17 Capítulo VII - Sakura
Um grupo de dez pessoas atravessaram as portas do castelo com certa cautela aparente em seus rostos. Eram escoltados por poucos guardas até o Grande Salão, o mesmo que me encontrei pela primeira vez com Sasuke.
A família inteira estava presente. Sasuke estava sentado em seu trono à frente do grupo que acabava de chegar. Sua expressão era indecifrável para eles, mas não para mim. Na verdade, era a mesma que se encontrava em seu rosto todos os dias, portanto não deveriam estar tão desacostumados. Mas devido aos últimos acontecimentos, não me admira o medo que se instalou em seus olhos depois de encarar o Rei.
Esse permaneceu calado até as portas se fecharem atrás dos guardas. Vê-se no fundo dos seus olhos que não queria tomar esta decisão, contudo era preciso, era quase vital que ele concordasse com tudo o que foi dito. Os camponeses ajoelharam frente ao seu Rei como forma de respeito. Então Sasuke pronunciou-se:
– Esta será a última vez que verão o anoitecer.
A surpresa que lhes abateu rapidamente. Logo todos nós avançamos e somente os gritos de agonia puderam ser ouvidos do lado de fora.
*
Mais um corpo foi jogado na pilha que ocupava o antigo jardim. Era mais um vampiro que sofria com a falta de sangue e tivera que ser sacrificado para não delatar nosso segredo. Não havia somente uma, sete delas queimavam e as chamas eram consideravelmente grandes. Keiichi, um dos guardas, ateou fogo mais uma vez.
Era a terceira vez hoje que as fogueiras acendiam. A perda de mais uma criatura deixou o castelo enfraquecido para qualquer eventualidade. Sangue humano foi substituído por sangue animal para atender melhor os feridos, entretanto não os dá a força que precisam. Assim precisam de mais tempo em repouso.
É quase certo que muito ainda não sobreviverão. O maior medo agora é quantos de nós aguentarão. Seria mais prático se usássemos o vilarejo, mas assim como Sasuke não quero me valer deles como se não fossem nada, como se não tivessem família para cuidar.
Pela rota de fuga ao norte chegavam mais animais que eram encaminhados para os estábulos onde estava sendo retirado o sangue para o tratamento. Kiba se tornou o responsável por sua proximidade com os animais. Eles retiravam a quantidade necessário e depois os devolvia para a floresta.
Cansada, deixei a janela e segui para meus aposentos. Lá não teria tragédia apara observar nem nada para me preocupar.
*
De manhã, os parentes das dez pessoas assassinadas por nós foram comunicados da sua morte. Os corpos foram liberados para que pudessem ser enterrados. Disserem-lhes que a causa da morte viera de um serviço importante dentro do castelo. Parte dele desabou e, infelizmente, os homens não sobreviveram. A mando do Rei, os vampiros disponíveis e alguns guardas ajudaram a fazer o enterro.
Mikoto os acompanhou para dar condolências às famílias- que estavam desoladas- principalmente, e também para assegurar-se de que nenhum deles fosse atacado. Sasuke voltou para seu escritório junto de seu pai. Todos estavam ocupados com alguma coisa menos eu. Não há exatamente algo que eu pudesse fazer em um momento desses.
Isso tudo me fez pensar em Mandame Yuuki. Como será que ela está? O que aconteceu com ela? Yuuki-san é como uma mãe para mim, não suportaria saber que algo de ruim aconteceu com ela. Com esse pensamento caminhei com certa rapidez até o escritório e bati na porta. Com um murmuro de consentimento adentrei o lugar.
–Sasuke, — ele me olhou -preciso ir ao vilarejo. Quero ver Madame Yuuki.
– Eu tenho uma notícia para você.
– O que é? Aconteceu algo com ela?
– Não é sobre ela que quero falar. É sobre o casamento. Como estamos em alerta, sinto em dizer que não poderemos fazer uma grande comemoração. Todos estão muito ocupados com os assuntos de seu próprio reino.
– Eu já imaginava, Sasuke. Não era preciso...
–Faremos uma quando estiver mais calmo. Mas hoje a noite faremos o nosso casamento. Algo só nosso.
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