Shunhei acorda em algum lugar da sede do oitavo esquadrão com uma baita dor de cabeça e uma dor que lhe perfurava o estomago, ele estava em um quarto de tamanho médio que possuía apenas uma cama onde ele estava deitado e uma prateleira com remédios, naquela ocasião havia uma mesa ao lado de sua cama com certos remédios já preparados e um bilhete do Capitão Kyouraku que dizia:

Saí para beber com uns amigos, desculpe por não esperar, mas não sabia quando iria acordar, deixei a Nanao-chan cuidando de você, está em boas mãos.

Hisagi se levanta da cama com certa dificuldade ainda sofrendo com o efeito do sake, depois de tomar os remédios e quase vomitar, se aproxima da janela onde estava sua Zanpakutou. Já era noite, o tempo estava bem fresco, uma lua cheia tomava contado céu e varias estrelas lhe faziam companhia, era um ambiente bem nostálgico que o fazia lembrar de muitas coisas de seu passado pobre nos distritos de rokungai quando seu único objetivo era se tornar um shinigami para ser respeitado, apesar de ter conseguido alcançar seu objetivo naquele momento era como se todas suas vitorias e conquistas não tivessem valor algum, ele com certeza trocaria tudo por uma única coisa.

Nesse instante a tenente do oitavo entra na sala para ver se estava tudo em ordem e vê Hisagi de pé de frente para Janela sem perceber sua presença, ela se aproxima bem devagar fazendo um certo barulho com os pés para ser notada, porém mesmo assim Hisagi fica lá olhando para o nada, sem outra alternativa, Nanao coloca a mão sobre o ombro esquerdo fazendo-o pular.

- Ise fukutaisho... – o moreno se vira um pouco sem jeito, não tinha ouvido-a chegar –

- Desculpe se te assustei, pensei que tivesse ouvido minha entrada. – Nanao também leva os olhos ao céu, estava muito bonito –

- Eu estava distraído... – o Shunhei caminhou até a maca onde estava deitado alguns minutos atrás – Onde estamos?

- Na enfermaria do oitavo esquadrão. – Nanao começou a guardar os frascos que estavam sobre a mesa com agilidade – Está melhor? Chegou aqui bem mal, achei até que teríamos que levá-lo para o Yon Bantai.

- Meu estômago está revirado, eu acho que nunca mais vou conseguir beber.

- Já ouvi esse discurso antes, só dura até o próximo barzinho. – Nanao terminou de arrumar tudo e se virou para o tenente do nono esquadrão — Quer um chá? Toda vez que Kyoyraku Taisho está assim ele toma e fica melhor.

- Não quero dar trabalho, Ise-san, só preciso de mais um pouco de descanso. – Hisagi deitou-se novamente na maca, estava realmente muito mal, desejava não ter bebido tanto –

- Não é trabalho nenhum, sempre tomo chá essa hora, não vejo diferença em fazer uma xícara a mais.

- Se é assim, obrigado, tomo qualquer coisa para melhorar.

- Um minuto, já volto então.

Nanao saiu da sala mediana com seus passinhos ritmados, e então o shinigami se pôs a pensar que nunca tinha realmente prestado muita atenção na moça. Nanao era tenente a mais tempo que ele e desde sempre estava nas reuniões importantes de tenentes e sempre acompanhando Kyouraku em assuntos oficiais. Mas nunca tinha realmente parado para conversar com a moça e nunca mesmo a via em happy hours ou qualquer coisa do gênero.

O que sabia era o que todos sabiam, havia entrado nos treze esquadrões ainda muito jovem e era mestre em kidous — tanto até que vivia recebendo propostas do esquadrão especializado para se juntar a eles – e que era muito séria, fazia toda a contabilidade de seu esquadrão e era o braço direito do capitão Kyouraku.

Estava tão absorto em seus pensamentos que não notou quando ela entrou trazendo uma bandeja e duas xícaras. Somente quando o perfume do chá camomila do campo que ela tomaria entrou em suas narinas foi que notou sua presença, então levantou-se e sentou-se a mesa com ela.

Seu chá definitivamente não era de camomila, tinha uma cor arroxeada e um cheiro que não era ruim, mas que não conhecia. No entanto, o que quer que curasse a ressaca de Kyouraku, curaria a sua.

- Obrigado.

A morena apenas assentiu com a cabeça e voltou sua atenção para seu próprio chá, não era uma mulher de muitas palavras. Levou a peça de porcelana aos lábios e notou que n verdade a bebida não tinha gosto de nada, o que era realmente providencial, não queria pagar o mico de vomitar na frente da colega.

Estava com pressa de se curar e por isso, bebeu a primeira xícara com vontade sem perguntar nada, nem mesmo do que era a bebida misteriosa. Apenas gostou de sentir o alivio que já sentia, e então, na metade da segunda remessa de bebida foi que perguntou:

- Do que é esse chá, acho que já estou me sentindo melhor? – o moreno sorriu sem jeito –

- Pêlo de búfalo do Mundo Real. – respondeu a moça sem se exaltar –

No primeiro momento, Shunhei apenas bebeu mais um pouco de liquido arroxeado, mas quando aquelas palavras fizeram um sentido dentro de seu cérebro quase teve um troço e imediatamente deixou a peça de porcelana cair no chão fazendo com que ela se estilhaçasse. O que mesmo que ela tinha dito? Pêlo de búfalo do Mundo Real? Não acreditava no que tinha ouvido.

Tudo isso aconteceu numa fração de segundo, o que assustou a Ise que arregalou os olhos por detrás das lentes corretivas que usava. Outra xícara perdida, Shunsui tinha que parar com essa mania de deixar os amigos de bar ali para ela oferecer chá, caso contrário acabariam sem peças de chá. Rolou os olhos quando viu o olhar desesperado do companheiro de carreira, ele bebia litros de sakê e fazia essa cara por causa de um pouquinho de chá.

- I... Ise-san, você estava brincando, não estava?

- Eu tenho que aprender a mentir. – respondeu a morena se levantando para buscar uma vassoura e pá –

- Você me deu pêlo de búfalo do Mundo Real?? Sabia que isso pode matar? Eu... Eu... Ai meu Kami!

- Não seja escandaloso, Hisagi-san, esse chá foi recomendado pela própria Unohana Taisho. – disse enquanto catava os cacos – Homens... Eu mereço.

- Mas... Mas...

- Pense assim, você ficou tão chocado com a noticia que nem lembra mais que estava passando mal.

Hisagi ficou algum tempo ainda em choque enquanto a Ise limpava a sujeira que tinha feito, com certeza isso tinha sido um papelão, o que a fukutaisho deveria estar pensando dele? Que mico!

- Está melhor? – Nanao voltou a se sentar – Desculpe o susto... – a mulher sorriu levemente – Na verdade, o chá não é bem de pêlo de búfalo do Mundo Real, esse é só o principio ativo principal.

- Não foi nada, eu é que fiz um papelão... Que vergonha! O Kyouraku Taisho me carregou até aqui, não é? – o moreno estava sem jeito –

- Você quer a verdade ou que eu minta?

- A verdade.

- O Taisho te trouxe carregado, você estava completamente apagado e só acordou uma vez quando vomitou uma grande quantidade de sake. – disse a Ise calmamente – Não faça essa cara, você não é o primeiro bêbado que vomita em mim.

- Eu... E... Eu... – Hisagi passa a mão no rosto e bate a cabeça na mesa – Que vergonha, Ise-san! Eu juro que não faço isso sempre, eu nem sei o que falar!

Enquanto o tenente do nono esquadrão se lamentava fazendo uma ceninha hilária e estava tão perdido em seu próprio constrangimento que demorou um pouco para ouvir o riso contido de sua anfitriã. Levantou a cabeça e viu a cutes da moça um pouco corada devido o esforço. Realmente, nunca imaginou uma cena assim com a jovem Ise.

- Desculpe, Hisagi-san, mas é que você está muito engraçado... – ela levou uma mão a boca na tentativa de esconder seu riso –

- Não tem graça! Eu estou aqui envergonhado! – disse quase manhoso o fukutaisho –

- Desculpe, desculpe... Mas é que você está tão engraçado. Realmente não me importei com o acontecido, não foi divertido, mas fazer o que?

Shunhei olhou a moça curioso, nunca realmente imaginou a tenente a sua frente tão extrovertida e rindo. Não fazia jus a fama que tinha naquele momento. Pelo contrário, parecia uma companhia agradável.

- Eu realmente estou envergonhado, mas não vou mais pedir desculpas, você parece realmente ter me perdoado. E obrigado por cuidar de mim, você não tinha obrigação nenhuma...

- Na verdade, eu tinha sim, meu capitão pediu então nem se eu quisesse poderia deixá-lo passando mal sozinho, mas não foi só por isso que fiquei... Eu não podia deixar alguém passando mal assim.

- Sabe, eu estou melhor, esse chá é realmente bom... Mas eu ainda preferia não saber do que ele é feito. – o shinigami ri –

- Bem, se já está bem, vou ver se tudo está fechado e ir embora. Kyouraku Taisho não vai mais voltar hoje.

- Se importa se eu acompanhá-la? Eu não sei como me mover por aqui... – disse meio sem graça –

- Tudo bem, pode vir, mas por favor, espero que não seja medroso. Da última vez que Tatsufusa me acompanhou quase morreu de medo vendo sombras se mexendo e ouvindo sons estranhos.

- O que é isso, Ise-san? Eu não sou esse tipo de cara, sou muito corajoso!

- Veremos, Hisagi-san, veremos.

Os dois saíram da enfermaria e Nanao já aproveitou para trancá-la, não queria ter de voltar depois.

" Créditos: riizinha . . .*-* — amo muito essa menina . .!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.