Kyodai - The Awakening Of Chaos (Interativa)
27 Gaiden: Kaoru - More than brothers
Notas iniciais
“O mundo fala que amá-la é errado. Mas o que é o certo, o que é errado? O que posso fazer se ninguém manda no coração? Devo me flagelar, devo me crucificar pelo sentimento entre nós dois e dele fugir? Ou devo me entregar a ele, vive-lo sem medo e sem remorso? Apesar de tantas perguntas e das sombrias respostas, uma certeza eu tenho: não importa quanto tempo passe, o laço que nos une jamais vai morrer.”
– Kaoru Tohara
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Um espaçoso quarto, repleto de folhas de papel por todos os lados, desde as mantidas sobre as mesas, quanto as que enfeitam as paredes. Porém, não são folhas vagas e vazias, pelo contrário, são elas verdadeiras obras de arte mergulhadas em talento e inspiração. Pinturas, desenhos e letras de música, em sua maioria. Todas criadas por um “pequeno grande” artista...
Explanando seus talentos artísticos, ele consegue lançar para fora todos os seus fantasmas. É como uma fuga dos seus problemas, ou quem sabe uma maneira de adquirir força para, na verdade, encará-los. Cada um tem sua particular maneira de tentar sofrer menos. Para ele, foi esta a alternativa adotada.
Cerca de dois anos atrás, lar dos Tohara...
– Kaoru-chan! – uma voz feminina e doce, não muito longe, lhe chama.
O garoto, de 14 anos, continua atento a sua atividade atual: um desenho de um garoto e uma garota de mãos dadas. Enquanto desenha, se mantem assentado em uma cadeira, diante da mesa na qual apoia a folha e a si mesmo, enfeitada por várias outras de suas obras.
– Kaoru-chaaaan!!! – insiste a voz da garota, cada vez mais próxima.
– Saori-chan, estou aqui! – responde ele, sem deixar de lado o seu desenho.
A casa dos Tohara é enorme, uma verdadeira mansão de tão grande, luxuosa e confortável. Kaoru e Saori são irmãos gêmeos, que compartilham uma gentileza e beleza inconfundíveis. Apesar disso, seus pais não lhes oferecem muito tempo de dedicação. O trabalho e o dinheiro é o principal foco do casal Tohara, além, é claro, de manter todos os privilégios adquiridos por tanto poder financeiro. Sem dúvida, o pai e a mãe amam seus filhos, mas não veem como a principal missão paterna e materna a dedicação há um tempo com os mesmos.
– Eu estava te procurando pela casa toda! – afirma a adolescente loira, ao abrir a porta do quarto do irmão e entrar.
– Esqueceu que eu sempre estou aqui? – indaga, ao dirigir seu rosto para ela, com um gentil sorriso nele estampado.
A gêmea de Kaoru não responde, tal como ele interrompe sua atividade para lhe dar atenção. Com um semelhante sorrir, se aproxima dele, com as mãos unidas a frente de seu longo vestido azul celeste.
– Como sempre, seus desenhos estão ótimos! – opina, ao se posicionar ao lado direito do irmão e analisar as criações dele sobre a mesa.
– Fiz todos estes hoje.
– Sério? – questiona, surpresa. – São muitos!
– Eu sei. – confirma, mantendo o contato visual com a loira, a centímetros diante de si. – Passamos tanto tempo presos neste lugar que desenhar, pintar, escrever... Fazer arte se torna uma maneira de fugir disto.
– Você fala como se estivéssemos em uma prisão. – fala Saori, com uma expressão de lamentação.
– Para mim, é sim. – revela, voltando seu rosto, agora sério, para seu desenho, retornando à tarefa de aprimorá-lo.
– Kaoru-chan, não aja desse jeito. O papai e a mamãe apenas querem o nosso bem.
– Eles não nos entendem, Saori-chan. Nos prendem achando que estão pensando em nós, mas é mentira. Será que todos os pais são assim?
– Assim como? – tenta entender, sem perder sua doçura.
– Egoístas. Egoístas de uma forma que pensam em si mesmos com a desculpa de que estão fazendo algo pelo bem dos filhos. – explica.
– Não é verdade...
– É, e sei que você pensa do mesmo jeito que eu. Nossa ligação é muito forte, não é? – pergunta, ao parar de desenhar mais uma vez, voltando a fitar a irmã.
Saori não se intimida, nem se envergonha. Já está tão acostumada com a figura de Kaoru, e também com as reflexões mais profundas dele, que uma situação como esta é algo natural. Talvez nada que ocorra entre os dois seja surreal demais... De fato, a ligação que os une é forte demais...
– Eles foram para a França há duas semanas. Só ligaram para a Grade-sama procurando por notícias nossas. – completa Kaoru, referindo-se à governanta da casa, que praticamente criou os dois irmãos desde o nascimento dos mesmos. – Antes, para a Itália. E antes, para a Alemanha... Nunca possuem tempo para nós.
A garota movimenta, de maneira ágil, a sua mão direita. Sua palma toca as mãos do irmão, que agora se encontram em repouso sobre o desenho. É o suficiente para calá-lo.
– Não preciso de mais ninguém, não enquanto ter você.
O comentário de Saori invade o artista com tudo. Ele se sente extremamente feliz ao ouvir tal coisa. Entretanto, no fundo, pensa da mesma forma em relação a ela, além de sempre ter sido ciente dessa ligação poderosa que os une.
– Ninguém pode saber que nos amamos. E isso é o que mais me machuca. – conta Kaoru, fitando-a sem cessar.
– Talvez um amor além do de irmãos, entre nós, seja errado. Ainda assim, basta estar do seu lado para que eu possa ser feliz.
– É o que o mundo nos impõe! – exclama o garoto, sem ser agressivo ou maldoso, recolhendo as mãos da amada nas suas e virando todo o seu corpo para ela. A intenção é das melhores, pelo menos para o que seus pensamentos dizem.
– Talvez deveríamos conhecer outras pessoas. Nosso problema é a falta de contato com o mundo exterior... – tenta argumentar, mesmo sofrendo com suas próprias palavras.
– Não é não, Saori-chan! É amor!
– Claro que é, um amor fraternal sendo confundido com algo mais...
– Pare com isso! Sei muito bem que não é essa a sua verdadeira opinião. – afirma ele, com toda a certeza de que o seu argumento é verídico.
Saori recolhe, com delicadeza, suas mãos para si. Se afastando, com alguns passos para trás, quebra o contato visual mantido com o irmão até agora. Seu olhar se torna vazio e seu rosto, cabisbaixo.
– Somos irmãos. Sermos algo além disso é sim errado. É você quem deveria entender...
– Então vamos dizer isso para o nosso sentimento? – indaga, percebendo que os olhos perdidos da amada se arregalam com o impacto de sua pergunta.
Saori não responde, permanecendo da mesma maneira. Ele, por outro lado, insiste:
– Você pretende viver uma vida de mentira, fingindo que não sente nada por mim além de afeto de irmã? Eu devo fazer o mesmo? – questiona, arqueando a sobrancelha direita.
– Não, não, não! – a garota começa a chorar, fechando seus olhos e balançando a cabeça de maneira frenética e negativa. –Não podemos investir em algo tão... Tão...
– Temos que nos esconder em prol de um ideal de certo e errado que o mundo lá fora nos impõe? Precisamos jogar toda a nossa felicidade fora por causa de uma sociedade preconceituosa que sequer nos entende? – insiste, levantando-se da cadeira, aproximando-se da irmã com dois passos.
– É errado! Errado! – Saori, ao se afastar, também, com dois passos, enquanto chora de pálpebras fechadas e movimenta seu rosto em frenesi.
– O laço que nos une jamais morrerá! Ele é forte o suficiente para transpor todas essas barreiras. Tudo o que falta é a nossa força de vontade para abraçar nossa ligação e vencer tudo! – articula ele, tentando convencer a gêmea.
– É errado, Kaoru-chan! Por que não entende isso? – mantem a mesma ideia, ao sentir-se frágil e cair de joelhos ao chão, entre lágrimas.
O garoto percebe que ela sofre muito com tudo o que lhe fala, mesmo defendendo a ideia de que o amor entre eles é errado. Saori sofre por se ver em uma situação tão complicada. Sofre por ser proibida a viver o sentimento que lhe parece tão puro e verdadeiro. Sofre por não poder ser feliz...
– Nos amamos e isso é tudo o que importa. – diz ele, ao se aproximar o suficiente dela e agachar diante da amada.
– Não se pode viver apenas de amor. – afirma, ao se entregar aos braços do irmão, no instante em que se acalma.
– Como pode saber sem tentar?
Saori reabre seus olhos. Seu rosto permanece úmido, mas suas lágrimas rebeldes já não brotam mais. Tudo o que lhe importa agora é navegar nos belos oceanos que os olhos de Kaoru são. Para ele, a mesma realidade vale. Por mais que ela negue, por mais que tente fugir do que sente, de fato o ama mais do que um irmão, assim como o garoto a vê como mais do que uma irmã. Há mais, muito mais entre eles...
– Vamos arriscar, Saori... Vamos arriscar e enfrentar tudo isso. – pede ele, com um novo sorriso, enxugando as lágrimas dela com seu dedo indicador direito. – Se cairmos durante o percurso, pelo menos teremos a consciência de que tentamos.
Um beijo caloroso brinda seus ideais. Para muitos, é algo errado. O mundo vê o amor de homem e mulher entre irmãos como algo sujo, impuro, imundo, errôneo. Mas afinal... O que é certo, o que é errado? Até onde as concepções dos indivíduos se assemelham e até onde se diferenciam? No que acreditar, no que se apoiar quando a teoria não diz o mesmo que a prática?
– Oh, meu Deus! – grita uma mulher, ao surgir diante da porta aberta do quarto de Kaoru.
O beijo se interrompe. Durara apenas alguns segundos, mas para os dois, foram como longos minutos no mais radiante paraíso...
– Grade-sama... – Saori, surpresa.
– Que horror! – exclama a governanta, de pele morena e de cabelos e olhos verdes, extremamente impactada com a demonstração de amor entre os dois gêmeos.
– Grade-sama, nós... – Kaoru tenta falar, ao se levantar, no mesmo momento que Saori. Contudo, a criada da família Tohara interrompe, aos berros.
– Pecadores! Pecadores! Pecadores!
Os dois irmãos se assustam com a expressão de pleno descontrole da mulher. Fazendo um verdadeiro escândalo, ela continua:
– Pecadores! Pecadores! Pecadores!
– Grade-sama, por favor... – Saori tenta dizer, se aproximando da governanta.
A garota recebe um forte tapa em seu rosto, tendo então seu corpo impulsionado para trás. Kaoru a segura antes que se choque contra o chão. Atordoada com a ação da empregada da casa, a jovem, pálida, dirige seu rosto para ela.
Repentinamente, de um bolso do seu uniforme de trabalho, a mulher retira um aparelho de celular. Apoiando-o na mão esquerda, com pressa, digita números no teclado. Sua intenção é se comunicar com os pais dos irmãos.
– Não conta pra eles. – pede Kaoru, que ainda sustenta o corpo da irmã.
Ela não dá atenção para o pedido do garoto. De imediato, apoia o celular na orelha direita após discar o número do pai dos dois, esperando então ser atendida.
– Tohara-sama... – fala ela, tentando se controlar, segundos depois.
Os dois gêmeos observam a cena sem saber o que fazer. Estão cientes de que, caso descubram a relação de amor entre eles, os pais lhe separarão da maneira mais “eficiente” possível. Tal ideia os aterroriza. Permanecerem afastados um do outro é uma tarefa impossível, pelo menos é o que pensam. Afinal... Como esquecer um sentimento tão forte e viver sem dele desfrutar?
– Acabei de confirmar o que o senhor suspeitava. Seus filhos estão mantendo uma relação incestuosa, só não sei lhe dizer há quanto tempo. Creio que será melhor, para todos, o senhor, pessoalmente, saber disso, conversando com ambos. – alega a mulher, ao telefone.
Por alguns instantes, ela permanece calada. O que tudo indica é que está a escutar algumas palavras do pai dos loiros. Logo depois, a governanta fala:
– Perfeitamente compreensível, Tohara-sama.
Ao proferir tal dizer, a mulher desliga o celular e o guarda no mesmo bolso do qual ele saiu. Com um longo suspiro, dirige seu olhar para os dois outra vez.
– Imundos. – diz.
Saori retoma seu equilíbrio, desvencilhando-se dos braços do irmão. Apesar disso, ambos encaram a mulher, assustados e amedrontados.
– Sei que são apenas crianças, que mal conhecem o mundo...
– Não somos crianças, somos adolescentes. – afirma Kaoru.
– Sim, eu sei, querido. É forma de me expressar. – se defende, mudando por completo o timbre de voz anterior.
Apesar de toda a situação, a governanta sempre foi uma pessoa amorosa e dedicada. Cuidara dos dois irmãos por quase toda a vida deles e, de alguns meses para cá, começou a suspeitar da relação atípica entre eles. Ao comunicar o patrão sobre isso, recebeu a permissão de averiguar o caso e descobrir a verdade. E, para sua tristeza, confirmou sua hipótese: Kaoru e Saori se amavam em segredo.
– Chegaram a manter relações sexuais? – questiona, séria.
Kaoru movimenta o rosto negativamente. É quando, tanto ele quanto sua amada, notam uma expressão de alívio no rosto da criada.
– Menos mal...
– Nós nos amamos, Grade-sama. – alega o garoto.
– Vocês ainda são muito jovens para saber o que é o amor. Esse sentimento ainda é muito complexo para duas crianças... – se interrompe, repensando o termo e, continuando, momentos em seguida. – Digo, adolescentes... Amor é amplo demais para jovens da idade de vocês, que ainda conhecem tão pouco do mundo, tentarem entender.
– Não precisamos entender, apenas sentir. – insiste o garoto.
– Durante toda a vida de vocês, estudaram com professores particulares, sem mal saírem desta casa. Nunca concordei com esse estilo que o pai de vocês lhe impuseram e creio que Tohara-hime também não. – conta, referindo-se à mãe dos gêmeos. – Isso acabou afetando-os e causando o que está acontecendo agora. Podem acreditar: o que estão sentindo é passageiro.
– Nós temos certeza de que o que sentimos é eterno e jamais passará! – exclama Kaoru.
– Baseado em quê você pode falar algo assim, meu querido? – indaga a empregada, tentando fazer com que os dois entendam sua mensagem. – No que consolida essa crença se até mesmo do amor dos seus pais vocês mal desfrutam?
Desta vez, ele nada diz. Saori, por sua vez, pretende ficar em silêncio do início ao fim. O choque do tapa recebido, fundido ao do impacto de serem descobertos, ainda não passara.
– É fácil, em uma situação assim, confundirem afeto e carinho de irmãos com algo mais. Acreditem: eu entendo. Contudo, não posso falar o mesmo do pai de vocês. – lamenta, em um tom triste.
O dono da casa sempre foi um homem rígido e severo. É assim como esposo, é assim como patrão, é assim como pai, é assim como humano. Ele ama, como qualquer outra pessoa normal. Porém, esconde esse fato, considerando-o como uma fraqueza que deve ser ocultada. Conhecendo-o como conhecem, Kaoru e Saori tem a total certeza de que o que virá será uma verdadeira tempestade. Ainda assim, pretendem enfrenta-la, e com tudo o que possuem.
– Tohara-hime ficará chocada ao saber de tudo isso. Temo até que o coração frágil dela não suporte. – a mulher acrescenta.
– Então por qual razão contou pra ele? Por que contou para o nosso pai? – o garoto tenta saber.
– É para o bem de vocês. Para duas pessoas que acreditam tanto no amor, deveriam ter pensando no que sua mãe tem por ambos. – articula ela. – E olha que amor de mãe não é pouco não! Se existe um amor infinito e sem limites ou restrições, este é o amor que Tohara-hime e qualquer outra mãe de valor sentem por seus filhos.
– Como você pode falar isso se...
Kaoru tinha a intenção de “presentear” a criada com uma nova pergunta, mas ao notar a expressão triste e distante que, há pouco, se instalara no rosto dela, desiste.
– Acreditem. Eu sei bem do que estou falando...
– Vai embora. – pede o garoto, surpreendendo as duas presentes. – Por favor, vá embora.
– O que está dizendo, Kaoru-chan? Quer que a Grade-sama nos abandone? – Saori, lhe dando atenção e seu olhar, decide então intervir.
– Ela te machucou. Por nada neste mundo, tinha o direito de fazer algo assim. – o garoto, sério, insiste.
– Foi ela quem cuidou de nós desde que nascemos! – Saori, ao se colocar diante de Kaoru. – Grade-sama não pode ir embora!
– Ela tem que ir! Não quero nunca mais olhar para essa cara! – exclama ele, sem deixar de fitar os olhos tristes da empregada.
– Kaoru-chan...
– Ele está certo, Saori. – a mais velha se manifesta, trazendo para si o surpreso olhar da garota. – Agi por impulso, me perdoe.
Os irmãos permanecem em silêncio. Então, mantendo o ar de tristeza, a criada se aproxima dos dois, falando:
– Meu tempo nesta casa já estava mesmo contado. Tohara-sama pretendia me mandar embora, já não acha mais necessária a minha presença por aqui. – revela, deixando a loira ainda mais abobada, pois não poderia imaginar algo assim. – Apenas contarei a ele o que vi, pessoalmente, e já partirei. Hoje mesmo.
– Grade-sama... – fala Kaoru, um tanto quanto arrependido da forma que a tratara.
Ao se colocar bem diante dos dois, a mulher esboça um leve sorriso. Algumas lágrimas escorrem dos seus olhos, enquanto ela abre os braços, com o intuito de receber deles o último dos abraços.
– Perdão. Espero que possam ser felizes. – declara, assim que ambos os irmãos, emocionados, se impulsionam e se jogam nos braços da mulher, que os aperta com todo o afeto, carinho e amor por ambos nutridos desde o “nascimento duplo”.
A criada, girando, direciona seu dorso para a janela. Enquanto os três permanecem assim, abraçados e unidos, as lágrimas de todos escorrem e pingam no chão.
– Logo logo esse sentimento sujo que existe entre vocês desaparecerá, tal como se dissipa o orvalho na primavera. Não se preocupem, pois até mesmo pecadores como vocês têm direito à redenção.
Kaoru, de repente, se toma por um impulso avassalador, interrompe o abraço e empurra a criada, que se aproxima mais da janela aberta, devido ao impacto. Irritado, a fita seriamente:
– Nós nos amamos de verdade! Você não entende?
– Você é quem não entende! Não compreende o significado de um verdadeiro amor.
– Vá embora logo! – grita o loiro, enfurecido.
A mão direita da mulher paira no respectivo braço do filho dos Tohara. Apertando-o, declama:
– Cedo ou tarde terão de entender isso. O pai de vocês irá separá-los, não tenham dúvidas.
– Me solta! – impera ele, tentando se libertar do braço da mulher.
Kaoru empurra Grade mais uma vez e, quando se dá conta, de uma forma inexplicável, a mão dela atravessa o braço do garoto. Tudo o que lhe é permitido é ficar abismado com a situação, enquanto, ao se desequilibrar, o corpo da empregada se projeta para fora da janela. Desesperado, ele tenta puxá-la de volta, com o mesmo braço, mas sua mão atravessa a pele da criada como se seu corpo físico fosse mera ilusão.
– Grade-samaaaa!!! – grita ele.
Tarde demais... A empregada, se debatendo no ar, cai para fora do quarto, que se encontra a sete metros do chão. Logo depois, o terrível som do seu corpo chocando-se no solo ecoa. Da janela, os dois irmãos, aterrorizados, observam a. De fato, aquela governanta, que fora até mais do que seus pais foram, partiu...
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