Notas iniciais
É gente... Fênix... '0'...

Os cabelos ruivos, os olhos avermelhados e o corpo atlético e claro não permitem a ninguém que conhece seu codinome ter dúvidas da sua identidade. Sorridente e confiante, o humano avançado, sedento por poder, caminha pelas dependências de Kyodai. Apenas com sua humilde e modesta chegada, já lançara labaredas ardentes nos quatro cantos do colégio. Praticamente todos os presentes correm para todos os lados em busca de fuga, fora a minoria que já foi morta pelas inesperadas chamas. Contudo, barreiras de som envolveram todo o terreno da academia, bloqueando toda e qualquer saída possível. O predador mais terrível deixara suas presas encurraladas e sem chances de escapatória.

– Não vejo a hora de me fartar com o meu banquete! – fala para si mesmo, enquanto vai andando. – Posso sentir cada humano avançado deste lugar! E tomarei, para mim, os dons de todos eles!

Uma das habilidades que absorvera no passado é a de detectar outras pessoas com dons especiais. Algo essencial para um “caça-talentos” como ele. E, sem muita pressa, vai se aproximando da primeira vítima que captara. Sabe que, cedo ou tarde, sairá daqui muito mais poderoso do que quando entrou.

– Socorro! Alguém me ajude! Alguém me ajude! – clama a voz de uma garota, em determinado ponto do local.

O ruivo vira a esquina do corredor, à direita. Grande parte das paredes e do chão arde no fogo produzido por ele, assim como em toda porção da escola. Com um fragmento da parede, à sua direita, caído sobre suas pernas, uma garota de curtos cabelos negros e pele escura pede ajuda com todas as suas forças. Assim que a estudante do primeiro ano, assustada, percebe a aproximação dele, começa a gritar ainda mais alto, temendo-o:

– Socorro!! Socorro!! Soco...

Uma terrível descarga elétrica a atinge. Com apenas mais dois segundos de grito e sofrimento, ela morre carbonizada.

– Detesto mulher histérica. – diz ele, passando ao lado do corpo, sério. – Esse tipo de pessoa merece ser exterminado.

De repente, ele sente a aproximação da primeira vítima que captara. Apressando seu passo por tanta ansiedade que sente no momento, permite que seu sorriso reapareça em sua face. É então que, assim que o sujeito acessa outro corredor, surge da outra ponta Yuko Kurama, o primeiro a ser caçado.

– O que está acontecendo? – o garoto se pergunta, andando com certa calma, olhando para as chamas impregnadas nas paredes. – Isso não é sinal de coisa boa!

– Hey, moleque! – o ruivo o cumprimenta, extremamente feliz por tê-lo encontrado.

Yuko, de repente, cessas seus passos. Estranhando o sujeito, pergunta:

– Quem é você? Nunca te vi por aqui.

– Natural, afinal sou forasteiro. – afirma ele, parando a poucos metros do mais jovem. – Meu nome é Fênix.

– Fênix? – o garoto se espanta, devido ao fato de, assim como todos os humanos avançados do colégio, conhecer o perigo que o tal Fênix representa.

Engolindo seco, o estudante se vira para onde veio, tentando escapar. Contudo, das mãos do “caça-talentos”, saem poderosas ondas de som, que atingem o garoto, fazendo-o gritar e cair de bruços ao chão.

– Não adianta tentar escapar. Eu sou o bicho-papão que veio te pegar. – satiriza, entre maquiavélicas risadas.

– Socorro!! Alguém me salve!! – o jovem pede ajuda, mas a pressão das frequências de som sobre seu dorso o impede de se levantar, por mais que agora, ele esteja se debatendo como um peixe indefeso ao ser pego na rede de pesca.

– Esse é o verdadeiro terror que gosto de passar às minhas vítimas. – afirma o homem, se aproximando cada vez mais, enquanto libera leves risadas. – O número oito: o garoto da geocinese.

– Socorro! Socorroooooo!!!

De repente, ele se cala. Fênix já se aproximara o suficiente para colocar sua palma direita na nunca do estudante. Levantando-o do chão e apertando seu pescoço, o sádico afirma:

– Sua morte já está bem próxima, aguarde apenas um pouco mais.

Cinco segundos se passam. Com isso, o homem que tem cabelos tão ruivos quanto Yuko se dá por satisfeito, lançando-o para dois metros de distância. O estudante cai, choroso, de bruços ao chão.

– O que fez comigo? – pergunta ele, assustado, voltando seu rosto para o sujeito.

– Absorvi o seu poder. Agora, você já não tem mais utilidade alguma. Portanto, adeus.

Com esse comentário, Fênix cruza coloca suas mãos nos bolsos de sua longa calça negra e volta a caminhar, passando pelo lado direito do adolescente. Assustado, mas igualmente curioso, o jovem da geocinese indaga:

– Quem é o próximo?

– Por que quer saber? – pergunta o mais velho, ao parar a alguns metros, mantendo-se de costas para ele.

– P-por nada. – corresponde, trêmulo de pavor.

Por alguns segundos, tudo permanece em silêncio. Entretanto, optando por responder ao questionamento da sua primeira vítima no colégio, o assassino articula:

– Eric White, o velocista.

Os olhos do estudante se arregalam. Então, de uma hora para a outra, ele se levanta, furioso. Todo o medo se foi, sendo substituído pelo ódio pleno.

– Não vou deixar que toque em um fio de cabelo sequer do meu amigo! – grita o garoto, com uma ardente força de vontade.

– He... E o que vai fazer para me impedir? – pergunta o outro, ainda de costas.

O chão sob os pés dos dois começa a tremer. Em seguida, com rapidez, vários pilares de pedra saem do solo – ao redor de Fênix – e atacam o criminoso sem escrúpulos. Os pilares se reúnem, formando uma esfera maciça que, com a movimentação da palma direita de Yuko, vai se comprimindo. Qualquer criatura dentro de algo assim seria esmagado sem chances de sobreviver.

– Não vai chegar nem perto do Eric-kun! Nem perto! – grita o manipulador do elemento terra.

Porém, a esfera se desfragmenta. O garoto, perplexo, passa a encarar Fênix, que agora o fita de frente. Ainda sorridente, o ruivo mais velho fala:

– Se serve de consolo, te digo: isso poderia ter funcionado caso tivesse usado antes. Mas agora...

O ruivo mais jovem abaixa seu rosto, voltando-o para os pedaços de pedra e terra no chão. De fato, nunca usara seu dom a esse ponto – na verdade, quase nunca o usara. Ainda assim, era para ter saído tudo como o planejado. Contudo, a geocinese já faz parte do arsenal de dons especiais do “caça-talentos” mais sanguinário da face do planeta. Portanto, é uma ferramenta completamente inútil contra ele.

– Me cansei de você. – diz Fênix, direcionando sua palma direita a Yuko. – Iria permitir que vivesse, mas como escolheu a morte, atenderei sua opção.

Repentinamente, um forte golpe atinge as costas do homem, fazendo-o cair de bruços no chão. Um intenso deslocamento de ar no local indica que alguém com supervelocidade entrara em ação. É Eric White.

– Tudo bem com você, cara? – o mais alto pergunta, ao se colocar diante do amigo.

– Tudo bem sim, obrigado. – agradece o “pequeno ruivo”, alegre com a aparição dele.

– “Obrigado” digo eu. – o bandido também agradece, levantando-se do chão e redirecionando sua face sádica para a dupla. – Você facilitou meu serviço vindo diretamente para mim.

– Se prepara para fugirmos, Yuko-kun. – pede o jogador de basquete, segurando o pulso direito do amigo com sua palma esquerda.

Eric decide correr com ele. Entretanto, antes mesmo disso, várias ondas elétricas atingem os dois estudantes, eletrocutando-os o suficiente para fazê-los desmaiar. Por consequência do ataque, ambos caem – o mais alto de costas e o menor de bruços. Porém, apenas o velocista fica inconsciente, enquanto Yuko permanece acordado, mas bem ferido.

– Eric-kun... – ele chama pelo amigo, achando que ele está morto, estendendo sua palma direita para alcançar o rosto dele, sem sucesso.

Fênix volta a caminhar, se aproximando. Ele gargalha de satisfação, mas quando já está bem perto, duas mãos saem de dentro da parede à sua esquerda, puxando os dois estudantes para dentro dela. As risadas cessam, assim como seus passos, e o homem se torna sério.

– Kaoru Tohara, o garoto da intangibilidade. – fala para si mesmo.

Do outro lado da parede, o loiro citado por ele se esforça para puxar os dois colegas para si. Primeiro, puxa Eric. E depois, Yuko. Contudo, quando está puxando o segundo, ele grita de dor.

– O que aconteceu? – pergunta o irmão gêmeo de Saori, sem ter esperado o grito.

Não é preciso nenhuma resposta, pois quando acaba de puxá-lo, tanto seus olhos quanto os de Yuong Tsukyomi – que lhe acompanhara até aqui – captam uma terrível visão: as pernas do mais jovem dos presentes estão totalmente carbonizadas, devido ao intenso choque elétrico que acabara de receber do assassino de cabelos avermelhados.

– Levem o Eric-kun e fujam! – pede o garoto, sentindo uma terrível dor em suas pernas. – Por favor...

– Mas...

– Por favor! – insiste, interrompendo a fala de Yuong.

A parede, estranhamente, começa a se mover. Kaoru percebe que é Fênix o responsável por isso e, mesmo que se corroendo por dentro, coloca o desacordado Eric no apoio do seu braço esquerdo e corre para sua esquerda, com tudo o que é capaz. Yuong, olhando para trás, por alguns segundos, o segue.

– Obrigado. – pensa Yuko, caído de costas ao chão, olhando para o afastar dos seus colegas.

Assim que eles dobram a esquina do corredor, um buraco se abre na parede. O garoto ergue sua cabeça e olha para ele: ali está o insaciável “caça-talentos”, sorrindo como antes.

– Sentiu saudades? – pergunta Fênix.

Yuko não responde, apenas abaixa seu rosto. Fechando seus olhos, já ciente de que sua hora está prestes a chegar, ele apenas pensa:

– Eric-kun... Torço para que você consiga sobreviver. E, então, que encontre uma pessoa legal no seu caminho, capaz de te fazer sentir um amor de verdade, de te fazer feliz. Te desejo tudo de bom, meu grande amigo...

E novas ondas elétricas atingem o corpo do jovem. Porém, essas, com muito mais intensidade, o suficiente para carbonizar todo o corpo do estudante. E presenteá-lo com o eterno presente chamado “morte”...

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James Anthony Krum, Lucy Rouvier e Saito Urushihara. Lado a lado, eles correm por mais um dos corredores do prédio central de Kyodai. Estão procurando pelos amigos que, ao partirem para o Palácio da Gênese, deixaram aqui. Já sabem qual é o perigo, pois Senshi Yujo o detectara antes de entrarem no interior da academia.

E, da mente de Saito, não sai a ideia de que as três pessoas que, de forma alguma, devem cair nas mãos do Fênix são Nagashi Swords, Senshi Yujo e Lucy Rouvier. Sendo essa última a pessoa que o jovem mais ama no mundo. Mas para ele, sem problemas! Afinal, fará de tudo para protegê-la!

– Já estamos correndo faz um tempão e não encontramos ninguém! – exclama Jimmy, à direita da garota, olhando para todos os lados. – Onde está todo mundo?

– Observação coerente. – Lucy, no meio. – Temos muitos alunos e vários funcionários em Kyodai. Não faz sentido ele estar tão vazio assim.

– O pessoal deve estar se concentrando onde tem mais gente. É provável que o Yuki-sama e a Sugaku-sensei já tenham entrado em ação. – diz Saito, à esquerda dela.

– Pode ser isso mesmo. – concorda James. – Ainda assim, é muito estranho.

– Pessoal! – Jayden Valentine, ao parar na saída do corredor, cessando seus passos em um perpendicular a ele.

Apressado, o trio se reúne ao amigo. O desenhista, então, trata logo de entender a situação:

– O que houve no Palácio da Gênese? Por acaso são os caras de lá quem estão nos atacando?

– Vencemos os Soldados da Gênese, mas infelizmente não conseguimos salvar a Sophia. – Lucy, calma mesmo nesse tipo de evento, vai explicando. – E, não, não são eles quem estão nos atacando. É Fênix, em busca de nossas habilidades.

– Então hoje é o dia do Poltergeist? – indaga o artista, um pouco triste após ter ouvido as palavras dela, estando agora ciente de que Sophia não retornara como eles. – E o que houve, afinal, com a Sophia-kun?

– Sim, hoje é o dia. – responde a garota.

– Já a Sophia-kun teve de se sacrificar para nos salvar. – afirma Saito, triste.

– Ela se sacrificou? – Jayden, perplexo. – Então ela...

– Céus, vejam só quantos achei! E de uma só vez! – exclama um inesperado sujeito, ao surgir bem atrás de Lucy, Jimmy e Saito.

O trio em questão se vira para ele. E já não restam dúvidas: é Fênix! Cientes disso, eles se preparam, aflitos.

– Jayden Valentine, com os dons da petrificação e da pregonição artística. Saito Urushihara, com a destreza aprimorada. – vai falando, observando um por um. – James Anthony Krum, com a neutralização. E Lucy Rouvier, com a regeneração celular espontânea. Todos são pratos cheios para alguém como eu!

– Afaste-se de nós! – exige a garota.

– Hehe... Nunca.

Ela engole seco, temerosa. Jamais imaginaria que, logo após uma dura guerrilha no Palácio da Gênese, ela e seus amigos teriam que encarar um desafio tão difícil quanto, senão pior. E se pergunta, mentalmente:

– Será que somos capazes de pará-lo aqui? Será que estamos preparados?

– Para trás, Lucy-san. – pede Jimmy, se colocando à frente dela, tal como Saito e Jayden fazem.

– O que estão fazendo? Sou eu a “imortal” por aqui! – ela se revolta.

– Mas também é você quem deve ser mais protegida entre todos nós! – Saito argumenta, olhando sério para ela brevemente. – Vai logo! Foge, por favor.

Se fosse seguir exclusivamente a sua razão, Lucy de fato correria. Não por ser uma pessoa egoísta que pensa apenas em si mesma, mas por saber que se o seu superpoder cair nas mãos do inimigo, será o legitimo caos que despertará. De forma alguma, Fênix pode se tornar capaz de regenerar seu corpo. Porém, mesmo com sua razão martelando tal ideia em sua mente, os sentimentos da garota – em mais uma das raras vezes em que isso ocorre – se colocam a frente, quando ela fala:

– Vou ficar! Não abandonarei meus amigos agora!

– Não deixe sua inteligência de lado logo agora, Lucy-chan! – exclama Saito. – Pense no mundo e não em nós!

Ela se irrita, correspondendo:

– É bom que saiam vivos para que eu te dê boas vassouradas, garoto tarado! – e dá as costas para eles, decidida a fugir.

Porém, antes mesmo da garota dar um passo sequer, duas paredes surgem em ambos os lados, encurralando não apenas ela, como todos os seus amigos. Perplexa, a estudante olha para as duas muralhas de pedra que acabaram de sair do chão. Com toda a sua força, tenta empurrar ambas – primeiro a da sua direita e depois a outra –, na esperança delas serem frágeis o bastante para sua investida ter sucesso. Contudo, é em vão.

– Não adianta. Pra vocês, acabou aqui. – afirma Fênix, cada vez mais próximo.

– Não acabou não! – grita Saito.

O maior otaku de Kyodai parte para a ação, correndo rapidamente contra ele, enquanto pede para Jimmy:

– Segure os poderes dele pelo menos por algum tempo, Jimmy-kun!

– Beleza! – exclama James, balançando sua cabeça positivamente.

Fênix cessa seus passos e direciona suas palmas para o jovem que se aproxima, bem rápido, dele. Contudo, não consegue ativar nenhuma das suas habilidades. Olha para James e, então, compreende que é ele quem está neutralizando seus poderes.

– Maldito garoto! – pensa.

Próximo o suficiente, Saito acerta vários socos e chutes – em todos os pontos – no seu alvo, com uma velocidade absurda. Em pouco tempo, Fênix cai desfigurado e banhado de sangue no chão. Com um salto, o adolescente ergue sua perna direita e, em um chute-martelo, ataca o crânio do ruivo, com potência o suficiente para matar qualquer pessoa. Desse modo, sem estar nem um pouco cansado, ele se vira para os amigos, sorrindo e falando:

– Acabou, galera!

Jayden, Lucy e Jimmy olham para ele, perplexos. Não poderiam imaginar que, mesmo com os poderes neutralizados, Fênix seria detido tão facilmente. Mas todos acabam sorrindo satisfeitos. A garota, por sua vez, cai de joelhos ao chão, pensando:

– Realmente... Acabou...

Saito vem correndo em direção aos seus amigos, louco para dar um grande abraço coletivo. Contudo, a alegria de todos acaba durando bem pouco, pois uma intensa luz vermelha surge atrás do otaku. Ele apenas tem tempo para virar seu rosto para trás, antes de ser atingido por essa luz e gritar em desespero pleno.

– Saitoo!!! – grita Lucy, aterrorizada, ao ver aquela estranha aura vermelha entrar no seu amado. – Saitoooooo!!!

Jimmy e Jayden, assustados, olham para o chão. O corpo de Fênix continua ali, inerte e arrebentado. Então o que poderia estar, agora, atacando o amigo deles?

Ao parar de gritar – no mesmo momento em que a aura vermelha entra por completo nele, através da sua boca –, o jovem cai cabisbaixo e de joelhos ao chão. Lucy, então, não pensa duas vezes e corre na direção dele, preocupada. E se agacha, atrás do garoto, quando se aproxima o suficiente.

– Você está bem? – pergunta ela.

– Hey, Lucy-chan... Eu já te falei que amo você? – questiona o ainda cabisbaixo Saito, deixando-a espantada e sem graça. – Se sim ou se não, eu falo: amo você.

– Por que está me falando isso logo agora? – questiona a garota, mudando sua posição para se colocar ao lado direito dele, tentando também olhar para o seu rosto.

A palma direita do adolescente se move, sendo levada até o queixo da colega de classe do garoto: movida por sua intensa força de vontade, já que agora ele sente todo o seu corpo formigar – quando, pouco a pouco, começa a arder como se estivesse em chamas.

– Eu queria viver um pouco mais e poder discutir mais vezes contigo. Até mesmo as suas vassouradas seriam importantes para mim. – ele brinca, fazendo brotar nela o desejo de chorar. – Mas, na vida, não podemos ter tudo o que queremos, não é?

Lucy nada diz, enquanto os demais presentes apenas observam. A primeira lágrima surge no seu olho direito e a segunda, no esquerdo. Em poucos instantes, a estudante já está chorando de fato.

– Mas uma coisa em especial eu queria ter... – alega ele, erguendo sua face e direcionando-o para ela. – Uma promessa sua.

– Q-qual promessa? – indaga a “cientista maluca”.

– Promete para mim que você será feliz?

Lucy permanece em silêncio por alguns momentos. Acaba permitindo que, assim como a face dele foi domada por um sorriso, a sua também seja. Em meros segundos, responde:

– Prometo.

– Então corre! Corre e seja feliz! – assim que diz tal coisa, Saito perde seu sorriso e volta a gritar, desesperado.

O sorriso dela também desaparece. Em sequência, a mão do garoto se move rapidamente – do queixo para o pescoço dela – e passa a sufocá-la. Logo depois, o corpo do otaku passa a arder em chamas.

– Lucy-san! – Jayden chama por ela.

– O que vamos fazer? – Jimmy se manifesta, atordoado e confuso.

A pele de Saito vai sendo consumida pelas poderosas chamas, assim como as suas roupas. O mesmo ocorre com o rosto e as mãos da “menina imortal”, que tenta, a todo custo, escapar. Porém, no caso dela, suas células vão se regenerando tão rápido quanto são danificadas, impedindo grandes estragos. E, assim que alguns segundos se passam, as chamas se apagam. O corpo do garoto já se transformara completamente: Saito Urushihara não existe mais. Em seu lugar, nascera um novo Fênix.

– Obrigado por sua habilidade, garota... – Fênix, com as mesmas roupas que o seu corpo original, agradece, olhando para ela.

Aterrorizada, Lucy sente uma certa ardência em seu rosto e em suas mãos. Assim que o ruivo a solta, ela cai assentada sobre as próprias pernas e decide olhar para suas palmas. Ainda há algumas queimaduras tanto nelas quanto em sua face. É quando o novo Fênix, que possuíra o corpo de Saito Urushihara com sua habilidade de reencarnação, se levanta, deixando-a.

– Desde o início, não fui com a sua cara. Por isso, tirei o seu dom para sempre. – afirma, olhando com desdenho para a cabisbaixa Lucy. – Agora, você não passa de uma garota normal como qualquer outra...

Com um profundo suspiro, o ruivo cruza seus braços e muda seu foco para os outros dois. Alternando-se entre Jimmy e Jayden, questiona:

– E então: quem será a minha próxima refeição?