Notas iniciais
Lembrem-se: a votação dos Gaidens vai até o capítulo 40! Então quem ainda não votou, é melhor se apressar! E, desde já aviso também: teremos mais "partidas" nesta temporada (fase em que mais teremos eliminações de personagens). Portanto, não se surpreenda muito (isso, para o inscrito que não participa ativamente da fic, criticando, comentando e/ou ajudando a historia a crescer) se o seu personagem se for... No mais, vamos para o capítulo desta madrugada^^!!

– Estou me sentindo tão sozinha neste lugar... – articula Saori Tohara, em seu quarto.

Como o esperado, a irmã gêmea de Kaoru Tohara está no quarto que, normalmente, deveria dividir com duas outras garotas: Lucy Rouvier e Sayuri Kishimoto. Está aqui há bons minutos, mas não se encontrara com nenhuma das duas em questão. Porém, o que realmente gostaria era poder rever Kaoru. O abraçar, sentir seu calor, poder...

– Oi, tudo bem? – questiona alguém, ao abrir a porta do local.

Saori, assentada em sua cama, dirige seu olhar para quem acabara de chegar. Trata-se de Sayuri, uma de suas companheiras de quarto.

– Oi, tudo bem sim. – afirma a jovem, sem sair da cama, exibindo um cativante sorriso ao fechar suas pálpebras. – Meu nome é...

– Eu já sei. Você é Saori Tohara, irmã de Kaoru e aluna transferida para Kyodai recentemente. Seja bem vinda. – a flautista a interrompe, fazendo com que os olhos da loira se abram, perplexos.

– Como você...

– É uma longa história. – desconversa, voltando a se movimentar, após ter parado no vão da porta.

Em segundos, a artista se assenta ao lado direito de Saori. Sorrindo, tal como ela, fala:

– Sou Sayuri Kishimoto, mas infelizmente, agora, não tenho muito tempo para conversar. Porém, gostaria da sua companhia.

– Como assim? – pergunta, desentendida. – Você precisa de mim para quê?

De repente, duas outras pessoas surgem na porta. Daisuke Saruma e Yuki Arima, chamando então a atenção de Saori.

– Vice-diretor? – a transferida se surpreende.

– Oi. – diz, apenas, com meio sorriso. – Está gostando da escola?

– Claro. É impecável. – revela, com gentileza e doçura.

Levantando-se bruscamente, a música se vira para a loira. Saori também volta a olhar para a mais velha. E, Sayuri, tornando-se séria, pede:

– Por favor, venha conosco.

– Para onde? Vamos sair do colégio? – indaga ela, ainda sem entender.

– Não exatamente. Mas sei que a sua presença, de alguma forma, é necessária para o local que nos espera.

O destino do grupo, no momento, é a sala secreta de Kyodai. É onde se encontra aprisionada Yukino, a mãe de Yuki Arima. Sayuri, em uma de suas visões, descobriu o paradeiro da mulher. E nessa mesma visão, notou que além de si mesma, estariam no local o vice-diretor, Daisuke e Saori. E, como de costume, tenta seguir as propostas positivas do futuro, enquanto confronta as negativas.

– Apenas venha. No caminho, explicarei tudo para você. – pede a artista.

De alguma forma, – e mesmo sem conhecê-la direito – a loira não se incomoda com a proposta dela. Na verdade, chega até a se sentir confortável com o pedido da terceiranista. Sayuri, por outro lado, completa:

– Você precisa saber de tudo. Desde o paradeiro do seu irmão até as verdades escondidas por este colégio.

– Aconteceu algo com o Ka...

– Não, não houve nada com ele. – Daisuke se manifesta, chamando para si o olhar dela. – Mas realmente precisamos que você venha.

– Tudo bem. – aceita Saori, se levantando da cama.

Com um suspiro, Sayuri começa a andar, passando por Daisuke e Yuki, saindo do quarto em seguida. Séria, apenas diz:

– Vamos!

/--/--/

No jardim de Kyodai...

Daniel Strauss, após um surto de ira, resolvera vir pra cá. Está quase explodindo de tanta raiva. O motivo: Edward, o senador de “bom coração”.

Enquanto se mantem assentado sobre a grama verde, ao longe, Yuko e Eric observam ele, juntos.

– Ele é estranho. – diz Yuko.

– Ele é gostoso. – fala o outro.

– Ah, deixa de ser bobão! – grita o mais novo, se irritando e acertando a cabeça do amigo com um soco esquerdo.

– Ai! – reclama, acariciando o local do “ataque” com ambas as mãos. – Pode me explicar a razão disso?

O menor não demonstra o interesse de respondê-lo. Apenas o observa com uma expressão enraivecida. A dupla se encontra suficientemente distante de Daniel, o necessário para que o transferido não perceba a presença dos dois veteranos.

– Sério, Yuko-kun, você é meio doido.

De imediato, o apaixonado por doces retira do bolso esquerdo de sua calça de uniforme – com as duas mãos – um pacote de balas. Aproximando-o dos seus dentes, o abre.

– E... Putz... Sua glicose deve estar a níveis galácticos. – opina Eric, deixando de lado a dor em sua cabeça, cruzando os braços e passando a observar o outro atentamente.

– Nem está, exagero seu.

– Como assim? Você come doce o tempo todo, cara! Isso faz mal! – exclama. – Além disso, não pratica esportes: um legítimo sedentário. Não dá para entender como consegue ficar em forma.

– Por que não vai encher a paciência de outro? – questiona, encarando-o e mastigando algumas balas.

– Essas suas repentinas mudanças de humor devem ser causadas pelo excesso de doces, com certeza. – afirma, movimentando sua cabeça positivamente. – Ou então tu és um louco desequilibrado mesmo!

– Vaca! – grita alguém.

Os dois garotos se viram para o outro lado. E, antes que possam fazer algo, uma torta de morango voa na cara de Yuko.

– Para com isso, Akemi. – pede Sherry.

Sim. São as inseparáveis amigas: Akemi Pégasus e Sherry Fontaine. Uma ao lado da outra, a metros dos dois veteranos.

– O que está acontecendo? O Yuko-kun não é uma vaca! – reclama Eric, franzindo a testa.

A companheira de Sherry está, definitivamente, fora do seu bom humor. Há pouco, fora desafiada por uma das outras alunas de Kyodai e tal fato a enlouqueceu. E, por algum motivo inexplicável, roubara algumas tortas do refeitório e saíra atirando por aí.

– Não, mas aquela perua filha do vice-diretor é! Ela vai me pagar! – exclama Akemi, pulando furiosa.

– Chega disso. – exige a loira ao seu lado direito, bem calma e controlada: o oposto dela. Com um suspiro, decide recomendar: – Vamos tomar uma aguinha com açúcar, vamos?

– Não! – grita Akemi, passando a olhar para a Fontaine.

Repentinamente, manejando a última torta – de caramelo – em suas mãos, a integrante da família Pégasus, “descontroladamente descontrolada”, é dominada por sua intenção animal: sujar a cara de Sherry com a deliciosa guloseima que carrega, no momento.

– Não faça isso... – pede a loira, apavorada, erguendo as palmas a frente do seu corpo, assim que nota a expressão maliciosa da amiga. – Você vai acabar com a minha produção de primeira linha!

A outra nada diz. Apenas observa o olhar assustado de Sherry. E, com um simples movimento, atira a torta contra ela. Contudo, para espanto tanto da atiradora, quanto da vítima, quem leva a pior – ou a melhor, de acordo com o ponto de vista – é Yuko Kurama.

– Ai, ai... – suspira Eric, entediado e desinteressado com toda a situação.

– Delicioso! Estupendo! Magnífico! Extraordinário! Insuperável! – exclama Yuko, usando suas mãos para devorar toda a “sujeira doce” em sua face. E continua: – Supremo! Sobrenatural! Maravilhoso! Fabu...

– Cala a boca! – grita Akemi, dando um soco no rosto direito do menor, interrompendo a epifania do mesmo.

De imediato, o “docelover” desmaia. Seu rosto e suas mãos ainda estão sujos, com rastros das tortas que lhe foram atiradas.

– Yuko-kun! – Eric chama por ele, se aproximando com pressa. – Você tá pirando? – questiona, ao agachar próximo do amigo e dirigir seu olhar para Akemi, quem acertara o soco no menor dos quatro presentes.

– Ele é quem estava pirando. – se defende, fechando suas pálpebras e cruzando os braços. – Deveria me agradecer, pois lhe fiz um favor.

– Chega disso, por favor. – impera Sherry, dando as costas para todos, decidida a se afastar do local. – Tudo isso está cansando a minha beleza.

Enquanto isso, no mesmo lugar, Daniel continua pensando sobre toda a sua vida. Amargamente, se arrepende de ter aceitado aquele convite de Edward. “Venha comigo. Te darei uma vida muito melhor que os programas que faz diariamente podem lhe oferecer”. Essas malditas palavras jamais saíram de sua mente, desde aquele fatídico dia – melhor: fatídica noite.

– Posso sentar aqui também? – pergunta Jayden Valentine, ao surgir próximo do garoto mais velho.

Daniel, ao ser surpreendido, dirige seu olhar para o desenhista. E responde com um radiante sorriso. Por isso, Jayden, mantendo-se de pé ao seu lado direito, – por poucos instantes – decide se assentar na grama também.

– Está sofrendo? – pergunta o recém-chegado, observando, levemente ruborizado.

– Um pouco. E você?

– Também... Um pouco...

– A vida é assim. Em um momento, estamos bem. Em outro, toda a nossa felicidade vai por água a baixo. – declara Daniel, ao perder seu sorriso, desviando seu rosto para frente.

– Quer desabafar? Você parece estar precisando mais do que eu.

– Só se você prometer desabafar comigo também.

Por alguns instantes, Jayden se cala. Contudo, logo corresponde:

– Jayden Valentine promete.

– Então Daniel Strauss cobrará!

De repente, por alguma razão que não sabe explicar, o desenhista se lembra dos seus amigos, sentindo seu coração se apertar. Não lembrara dos que estão presentes no colégio, mas sim dos que partiram: Nagashi e os demais, que invadiram o quartel general da Gênese; Sophia, que fora capturada pelos integrantes do tal grupo; e Samasha e Gingamaru, mortos por um membro dessa maldita organização.

– Mas antes de te falar sobre isso... – reinicia o filho adotivo do senador Strauss, retirando Jayden dos seus profundos pensamentos. – Tenho que te fazer uma pergunta.

– E qual seria?

– Você acha que vale a pena viver?

Como antes, o filho de Sugaku se cala. Contudo, diferente do momento anterior, não tem a mínima ideia de como dar continuidade à conversa. Percebendo isso, o mais velho volta a se manifestar:

– As pessoas nascem, crescem, se apaixonam por uns e criam rixas com outros... Envelhecem e, por fim, morrem. Mas será que toda essa longa trajetória vale a pena?

– Vale. – afirma Jayden, voltando a focar seu olhar no rosto do moreno.

Daniel, atraído por algo que não sabe explicar, também olha para ele. E, em silêncio, escuta as próximas palavras do artista:

– Durante esse sofrimento tão longo que chamamos de vida, encontramos amor.

– Acredita no amor, de verdade?

– Já cheguei a ter minhas dúvidas, mas hoje em dia acredito nele sim. – afirma o mais jovem, com uma convicção que nunca teve em todo o seu viver.

– E por qual razão tem tanta certeza?

– Pelos meus amigos. E, também, por meus pais.

Em sequência, Jayden sente-se fraquejar. Seus olhos tremulam e seu ouvinte percebe isso. Ainda assim, não desiste de convencê-lo da sua firme opinião, continuando:

– Não são meus pais biológicos, fato que descobri há pouco. Mas eles me amavam. Minha mãe, pelo menos, continua amando, pois ainda vive. E, durante cada segundo que estive ao lado dos dois, pude aproveitar da verdadeira felicidade. Creio que temos que viver por quem amamos.

– Essa a questão. – alega, enquanto mergulha em seu olhar. – Nós temos sim que viver pelas pessoas que amamos, mas eu não amo ninguém e ninguém me ama.

– Então está na hora de mudar esse quadro.

– Como? – interroga, arqueando sua sobrancelha esquerda. – Vou criar um mundinho imaginário e me esconder dentro dele? Infelizmente, essa é uma opção inviável demais para mim.

Repentinamente, Jayden Valentine se lembra do desenho que fizera – há certo tempo – que retrata o instante em que ele e outro garoto, juntos, permanecem assentados no jardim de Kyodai. Agora, o filho biológico de Sugaku e “de amor” de Alice resplandece com um novo sorriso, enquanto se lembra daquela obra. Não há dúvidas: é este o momento.

– Abrindo o seu coração. – recomenda para o mais velho. – Deixe toda a dor de lado e se entregue às possibilidades. O mundo está cheio de coisas boas e você, no fundo, carrega mil e um sentimentos ansiosos para florescer. Tenho certeza, e absoluta!

– Você é um voluntário? – pergunta Daniel, com um inédito sorrir.

– Posso ser se deixar.

De repente, o maior se levanta, surpreendendo o outro. E, colocando as mãos sobre sua cintura, o chama:

– Vem, vamos sair daqui.

– E iremos para onde? – pergunta o melhor amigo de Yuong Tsukyomi.

– Para qualquer lugar! Estou disposto a, de alguma maneira, encontrar um novo motivo para viver. Vamos! Te conto tudo o que quiser durante o percurso!

– Vamos, então, andar por aí?

– Sim. – confirma, posicionando-se centímetros perante Jayden Valentine.

Dessa forma, um ao lado do outro, os garotos passam a caminhar e se afastar do local. Entre risos, eles vão conversando. Apesar da descontração, o tema do diálogo são as decepções que sofreram e toda a dor do passado que carregam até hoje. Mas fazer o quê? Sábios como são, eles sabem que sofrer é o que faz alguém ser humano...

/--/--/

Daisuke Saruma. Sayuri Kishimoto. Saori Tohara. Yuki Arima. Juntos, eles caminham pelos corredores da renomada escola da cidade de Konton. Destino: a sala secreta que mantem Yukino Arima, mãe do último citado, como prisioneira.

– Eu não posso acreditar... – afirma Saori, um pouco atrás dos demais. – Tudo isso é mesmo verdade?

Há pouco, juntos, os três “mais experientes” contaram cada detalhe que a loira deveria conhecer. Claro, são muitas informações. Informações, das quais, nenhuma seria aceita pela maior parte da sociedade. Afinal, coisas como poderes especiais e profecias apocalípticas não são fatores que se enquadram no senso comum.

– Sim. E, agora, junto com nossos outros amigos, o Kaoru-kun está lutando para salvar alguém muito importante para todos nós, a Sophia-kun. – finaliza Daisuke, sem deixar de olhar para frente.

– Devo admitir que é um pouco complicado acreditar nisso tudo. – revela Saori, passando a andar com seu rosto baixo. – Mas depois do que aconteceu com a nossa governanta, passei a acreditar mais nesse tipo de coisa.

– Eu sei o que houve naquele dia. – revela Sayuri.

– Sabe? – a irmã de Kaoru se espanta, reerguendo sua face, direcionando-a para o dorso da terceiranista.

– Faz parte dos meus dons.

– Eles evoluíram bastante nas últimas semanas. – opina Daisuke, fitando-a a amiga ao seu lado direito. – É impressionante como você está, cada vez mais, sabendo de tudo ao seu redor.

– Digamos que sim. Sempre que toco minha “Lira”, tenho visões do passado e do futuro. E isso está se tornando cada vez mais frequente.

– Bem, o papo está bom demais, mas precisamos ter foco. – pede Yuki, sério, com o intuito de encontrar sua mãe o quanto antes. – Onde ela está, Sayuri?

– Bem próximo daqui, vice-diretor. Estamos chegando.

Após mais alguns minutos, finalmente, o quarteto chega a uma área mais isolada do colégio. Mesmo pertencente ao prédio principal, o local fica no terceiro andar de Kyodai, o menos acessado tanto por alunos quanto por funcionários. E, diante de uma velha porta, eles param.

– É aqui. – alega a artista.

– Está trancafiada com um cadeado. – observa Daisuke, sério. – Como entraremos?

– Simples. – articula Yuki, erguendo sua palma direita a frente do corpo, fazendo nela surgir chamas, o que assusta Saori. – Vou transformar essa maldita porta em cinzas. Afastem-se, por favor.

Atendendo ao pedido dele, Daisuke, Sayuri e Saori andam alguns passos para trás. Concentrando-se, o filho do fundador do instituto educacional em que agora estão eleva a sua esfera de fogo e, em seguida, a atira contra a fechadura. Rapidamente, as chamas consomem o cadeado, derretendo-o.

– Ai, que medo... – comenta a irmã gêmea de Kaoru.

Usando sua perna direita, Yuki chuta com força a porta, que se acaba se abrindo.

– Você conseguiu, Yuki-sama! – Daisuke comemora, sendo então o primeiro a entrar.

– Cuidado! Pode ser perigoso! – exclama Sayuri, sendo a segunda.

Logo, os outros dois tomam o mesmo rumo e entram na sala. Trata-se de um local velho e esquecido, que provavelmente tem a única e exclusiva função de manter Yukino Arima presa.

– Que lugar enorme! É maior do que as salas de aula! – exclama Daisuke, olhando para todos os lados, ao parar em certo ponto. – Você não sabia da existência desse lugar, Yuki-sama?

– Não. A Sugaku sempre estava de olho em mim, a mando do meu pai. Por isso, minhas ações estavam, a todo tempo, manipuladas por ele. – explica, olhando apenas para a sua frente.

Mesmo grande, a sala se encontra vazia. A única coisa que a “enfeita” é uma enorme redoma de vidro, completamente cheia de água. Em poucos instantes, todos os quatro focam os seus olhares nela.

– Por que tanta água? – indaga Saori.

– Isso, com certeza, não é um aquário. – comenta Daisuke. – A não ser se for para criar tubarões, e dos “mais grandes”!

De imediato, Sayuri ergue seu braço direito a sua frente. Com seu indicador, aponta para a redoma de vidro. E declara:

– É nela! Yukino Arima está presa nela!

– Mas ali só tem água. – discorda Saori, a metros da redoma, tal como os demais.

– Essa é a questão. – rebate a flautista, olhando para a nova companheira de quarto por breves instantes.

– Não entendi...

Com um longo suspiro, a jovem Kishimoto abaixa seu braço. Levando-o para sua cintura, retira dela a sua querida flauta. E a leva para seus lábios.

– Não acredito que vai tocar em uma hora dessas!? – Daisuke se indigna. – Está querendo saber o que devemos fazer agora?

– Errado. Apenas estou colocando em prática o que já sei que devo fazer.

Fechando suas pálpebras, Sayuri começa a tocar uma linda melodia, assim como todas as suas são: lindas e encantadoras. E, por alguns segundos, permanece assim, acalmando os ânimos de todos os presentes de uma maneira que apenas a empatia de Senshi Yujo pode se comparar. Contudo, assim que executa um brusco movimento, interrompendo a música, ela atira contra a grande redoma de água uma espécie de raio sonoro. Esse raio de som, misto com diversos tons, – entre azul, rosa, vermelho e verde – atinge o vidro, causando nele uma enorme rachadura.

– Nossa... Que bonito. – pensa Saori, após ver as cores provenientes da concentração sonora das habilidades de sua colega de quarto.

A água começa a escoar pela rachadura. Assim que Sayuri reabre seus olhos, a parte atingida pelo som se quebra, deixando que o líquido escape pela cratera de aproximadamente 20 centímetros de altura e oito de comprimento – considerando que, em média, a redoma quadrangular possui medidas de oito metros e a sala, de 14.

– Yukino Arima está liberta. – afirma a flautista, enquanto a água vai saindo com uma rapidez estranhamente anormal.

Todos passam a observar o líquido que vai se acumulando no chão. E, em seguida, uma grande onda é formada, movendo-se para fora do local. Em instantes, tudo já se encontra seco, sem nenhum resquício de umidade.

– Isso não pode estar acontecendo. – opina Saori, atordoada com tudo o que vê.

Suspirando, Daisuke, próximo da loira, articula:

– Pode acreditar, Saori-san. Nesse colégio, coisas assim são perfeitamente normais.

Sem esperar mais nada, Yuki Arima se apressa para sair da sala, chamando a atenção dos menores de idade. Percebendo o afastar rápido dele, o namorado de Yuong questiona:

– Aonde vai, vice-diretor? Está indo atrás da sua mãe?

– Não exatamente. – nega, cessando seus passos, mas mantendo-se de costas para todos eles.

Em sua mente, a figura que povoa seus pensamentos é a do seu pai. Visivelmente irritado, o manipulador da água e do fogo tenta se acalmar, ao menos um pouco. E, de fato mais tranquilo, comenta:

– Chegou a minha vez de desvendar as falsas verdades que me cercam. E, seja lá o que eu tenha de fazer por isso, descobrirei tudo o que tenho direito de descobrir...