Kyodai - The Awakening Of Chaos (Interativa)

4 Capítulo 3 - Unexpected sensations


Notas iniciais
Terceiro cap chegando e mais alguns dos personagens tmb XD.

Ainda é terça-feira, primeiro dia do ano letivo de Kyodai. Já passam das 09h00min e o segundo horário já começara para todas as seis classes do colégio: duas turmas para cada ano. No momento, a turma A do primeiro ano se encontra na aula de Biologia.

Enquanto o professor compartilha seu conhecimento com os alunos, alguns se dispersam da aula, interessados em outros assuntos no momento.

– Esses garotos são todos uns idiotas – pensa Juli, na primeira carteira da fila central, fingindo estar atenta às palavras do professor. – Eu deveria arrancar o brinquedinho deles para mostrar quem é que manda...

– Juli-kun, você parece estar tão atenta... É admirável. – opina Sophia, de maneira amigável, exatamente ao lado esquerdo da ruiva.

– É só disfarce. – revela a garota, apoiando o queixo em seu punho direito, mantendo o professor como foco do seu olhar. – Não dou a mínima para Biologia...

– Você disfarça muito bem. – replica, tentando fazer amizades.

A repetente bufa, irritada com alguma coisa. A pequena loira percebe, desmanchando a sua alegria. Só não sabe dizer se a reação da colega foi desencadeada por algo que está incomodando Juli ou se foi alguma coisa de inconveniente que dissera para ela. Mas como poderia ser a segunda alternativa, se não falou quase nada? É quando Sophia compreende que deve deixa-la em seu mundo.

– Que desenho fofo! – Samasha se manifesta, do outro lado da amiga, curvando-se um pouco para ver melhor.

– São gatos. – esclarece, voltando a sorrir.

– Estão perfeitos! Você é talentosa, gostaria de ter um dom assim...

– Obrigada. Mas não fale assim, cada um tem um dom, alguém como você também tem um!

– É, pode ser... – fecha seus olhos e reassume sua posição anterior na cadeira, tentando disfarçar sua ligeira inquietação.

A dona da pequena Blue acabou de se lembrar do seu dom. Um dom que lhe trouxe a incompreensão de sua mãe, uma famosa modelo internacional e, por consequência, tristeza. O corpo de Samasha possui uma flexibilidade fora do comum. O mais impressionante é que ela aprendeu a se contorcer sozinha, fato qual aterrorizou a grande modelo. A mãe julgou tal habilidade como algo anormal e fora da realidade, exigindo que a filha jamais mostrasse isso para ninguém. Mesmo assim, a amante dos gatos nunca abandonou essa capacidade e sempre treinou, tendo Blue como sua única espectadora. Por outro lado, de certa maneira, acabou dando razão para a preocupação de sua mãe e decidiu não comentar ou demonstrar seu exímio contorcionismo para nenhuma outra pessoa.

Na fúlgida tentativa de escapar das próprias memórias, ela suspira e vira seu rosto para trás. Nesse instante, seu olhar capta a visão de um dos seus colegas de classe, a algumas carteiras de distância.

É um garoto de imponentes cabelos da cor azul safira na altura dos ombros. É bem alto e atlético para tão pouca idade. Pele clara, além de um par negro de luvas que cobre suas mãos, deixando apenas os dedos para fora. Porém, o que mais chama a atenção de Samasha são os ímpares olhos dele. O olho direito é azul, enquanto o esquerdo é vermelho. É como se cada um possuísse uma história para revelar. Mais um dos novatos de Kyodai: Saito Urushihara.

De repente, Saito levanta seu rosto, até agora baixo, e olha diretamente para a garota. Sentindo-se vermelha como um pimentão, de imediato, ela desvia o seu para o professor, que continua explicando a matéria. A primeira impressão é a que fica, correto? Uma estranha sensação arde em Samasha, como se fosse sua necessidade, de agora em diante, descobrir algo a mais em Saito. Navegar mais a fundo no mar dos seus olhos, para ir além do que uma simples “primeira impressão”.

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Na sala C, do segundo ano, os alunos já se encontram mais falantes e empolgados. A ausência da professora de Matemática também ajuda, mas o grande fator responsável por tanto alvoroço é a flamejante animação dos estudantes.

– Jimmy-kun, o colégio é um lugar bem legal, né? – questiona Senshi, com os cotovelos sobre a sua carteira, a terceira da fila das janelas.

– É sim. – concorda, ao lado direito dele.

Desde que conheceu Senshi, Jimmy tenta evita-lo a todo custo. Detesta a sensação que o invade sempre que está próximo a ele. No fundo, sabe que não terá bons resultados nisso, já que terá de dividir o quarto com ele. Não que o garoto de cabelos prateados não seja legal. Pelo contrário, parece ser esse o problema: ele é legal até demais...

– Poxa, Jimmy-kun... Até parece que eu sou chato e que você não quer falar comigo. – reclama, um pouco tristonho.

– Não, não é isso... Só não estou disposto para uma aula de Matemática.

São poucos os alunos que, como eles, permanecem assentados em seus lugares. A maioria se espalhou pela sala, estipulando conversas sobre os mais variados assuntos. Ignorando isso, Senshi olha para todos os lados, procurando alguém. É a quarta vez que o faz desde o início do primeiro horário.

– Eu tenho certeza que ela é do segundo ano... – reflete, pensando na interessante loira de olhos ardentemente verdes – Será que é da outra turma?

O novato continua a procurar, até virar seu rosto para trás. É quando percebe uma colega, de cabelos longos e da mesma coloração que os seus, anotando algo em um bloco de notas.

– O que está fazendo?

A jovem para de anotar, erguendo seus olhos na direção dos de Senshi. Fria e calma, responde:

– Estou fazendo anotações.

– Sobre...? – insiste.

– Se não for muito incômodo, gostaria de compartilhar essas informações apenas comigo mesma. – rebate, voltando a escrever, em frenesi, no papel.

– Lucy-chan, compartilhe comigo também. Prometo manter segredo? – pede, com um persuasivo tom de voz.

– Não temos tanta intimidade para falar assim comigo. – diz, de modo educado – Por favor, tenha mais formalidade ao se dirigir a mim para que a nossa convivência imposta seja mais natural.

Ele fica um pouco surpreso com o que ouve. Mesmo assim, decide respeitar o espaço da garota:

– Me desculpe, Lucy-san, não irá acontecer de novo. – e se vira para frente, mais uma vez.

Lucy não se incomoda com a reação dele. Continua a fazer suas anotações como se nada tivesse acontecido. E, tecnicamente, nada aconteceu mesmo.

– Hoje, o céu está tão bonito. – opina Tsubaki, logo atrás de Lucy, observando-o pela janela. – Passa um sentimento de paz tão agradável...

– Você sempre diz a mesma coisa. Não vejo diferenças relevantes nele. – comenta Daisuke, ao lado da amiga.

– Às vezes, você é muito insensível, Saruma-kun... – lamenta, com um timbre de choro.

– Não sou não. – nega com sua fala e com seu movimento da cabeça.

– Pessoal, a professora já está chegando! – declama Gingamaru, perto da porta, na parede lateral a das janelas.

– Ginga-kun, está vendo ela? – pergunta Tsubaki.

O garoto, caminhando com pressa, vai até uma carteira próxima da dela e se assenta.

– Já está chegando. Deve ter se atrasado por alguma razão qualquer...

– Tsubaki-chan, por que você fala com ele pelo primeiro nome? – Daisuke, sem aceitar.

– O outro nome do Ginga-kun é difícil... – justifica.

– Pride? O que tem de difícil nisso? – indaga o dono do nome em questão.

– Eu acho bem complicado... – diz, envergonhada.

Senshi, Jimmy, Tsubaki, Daisuke, Gingamaru, Lucy e os demais alunos da sala C do segundo ano aguardam a chegada da professora.

– Bom dia – a professora os saúda, assim que atravessa a porta e adentra a sala de aula. – Perdoem o meu atraso.

– Bom dia, Sugaku-sensei! – os veteranos recebem-na afetuosamente.

A mulher, com pressa, retira seus óculos e os coloca sobre sua mesa, assim como faz com todo o seu material educacional. Apesar de lecionar uma disciplina que, para tantos, é detestável, Sugaku é a professora mais querida de Kyodai. É gentil, atenciosa e sempre faz de cada aula uma diversão, sem deixar o conteúdo acadêmico de lado.

– Meu nome, para quem ainda não me conhece, é Sugaku Megumi. Sou a professora de Matemática. Tive de resolver um pequeno imprevisto e por isso me atrasei tanto. – ela deixa claro, de pé diante de toda a classe, sorrindo como um anjo.

– Está perdoada, Sugaku-sensei! – declara Gingamaru.

Ela lhe corresponde com o seu brilhante sorriso e seu negro olhar, em parceria com sua pele clara e sensível ao Sol. A bela professora de cabelos castanhos escuros e pouco ondulados, até o início dos seios, ergue ambas as palmas para frente de seu corpo. É hábito seu gesticular enquanto fala.

– Gostaria de receber os novos alunos da nossa escola. Levantem-se, por gentileza, e se apresentem.

Senshi Yujo e Lucy Rouvier se levantam, mas permanecem de pé no mesmo ponto. Observando-os, a professora se manifesta mais uma vez:

– Quem são? Poderiam dizer seus nomes e falaram um pouco de vocês mesmos?

– Me chamo Lucy Rouvier. É tudo. – a garota se antecipa, assentando-se.

Fitando-a, um pouco surpresa, a mestra da Matemática pergunta:

– Só tem isso a dizer?

– Sim. É dispensável interagir com as pessoas além do necessário. – argumenta, apoiando seus braços sobre a mesa.

A integrante do corpo docente de Kyodai analisa a novata por um certo tempo. Entretanto, decide-se focar no outro, assim que direciona toda a sua atenção a ele.

– E você, querido?

– Sou Senshi Yujo, tenho 16 anos, pretendo criar ótimas e duradouras amizades por aqui e aproveitar todo o tempo que tenho para desfrutar desse colégio – conclui, com as palmas dentro dos bolsos de suas calças.

– Excelente. – articula ela, assim que o adolescente se senta ­– Há mais alguém? – lança a pergunta para toda a sala.

Ninguém diz nada e, como consequência, a jovem professora entende que não. Virando-se para o quadro, ela fala:

– Tudo bem. Então comecemos agora a nossa aula, para aproveitarmos esses poucos minutos restantes.

Como antes, o silêncio da classe consente. Preparada para efetuar a sua tarefa, Sugaku para diante do quadro. De repente, uma fúnebre expressão contamina o seu rosto. Ninguém percebe, mas é algo que não lembra, em nada, a doce professora amada por todos. Algo que, como o orvalho na primavera, desaparece em segundos sem deixar rastros. Ela voltou a ser aquela que, na teoria, sempre foi...

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Sala E, terceiro ano, minutos finais do terceiro horário, de História. Falta pouco para o ecoar do sinal do primeiro intervalo. Porém, Yuong, inquieto, não suporta mais esperar. Mesmo assim, se esforça para segurar sua ansiedade.

– O quê que foi, Yuong-kun? Tem alguma coisa te preocupando? – pergunta Jayden, ao seu lado esquerdo, notando os movimentos frenéticos de suas pernas, abaixo da carteira.

Ele não responde. Não descola seu olhar do professor, cerca de dois metros a sua frente, com alguns outros alunos e carteiras entre si. Sem conseguir se concentrar na aula devido à inquietação do colega de sala e de quarto, Jayden libera:

– Sabe o que eu acho? Você está apaixonado.

– Apaixonado? – ele se manifesta, olhando-o, em tom de discórdia. – Claro que não!

– Deixa de ser teimoso pelo menos uma vez na vida. Tá na cara que você está gostando de alguém...

Yuong sorri, debochado. É do tipo que repudia qualquer demonstração de suas sensações e emoções. E não pretende ceder nem agora, nem nunca.

– O amor, quando aceito e recíproco, pode fazer maravilhas. Eu acredito muito nisso.

– Tanto que você vive sozinho, gostando de quem só te chuta, né verdade? – interage, sarcástico, com um frívolo sorriso de lado.

Silêncio entre os dois. O clima tornou-se pesado demais, fato do qual o mais velho tem consciência. A possibilidade de ter ultrapassado todos os limites passa por sua cabeça, mas seu orgulho implacável reduz a zero qualquer chance de pedir perdão, seja pelo que for.

– De vez em quando, é bom pensar nas coisas antes de dizê-las, sabia? – se exalta um pouco, chateado com o que ouviu.

– Eu não gosto de sentimentalismo barato.

– Acredito que ainda encontrarei a pessoa certa. – argumenta Jayden, se levantando do seu lugar, chamando a atenção de todos na sala, inclusive o professor. – Mas se você continuar assim, atirando a sua presunção para todos os lados, seu fim será ficar sozinho.

Jayden caminha rumo a porta.

– Com licença, Kiza-sensei, preciso me retirar. – pede, sem esperar a réplica do funcionário de Kyodai.

Todos observam a saída do garoto da sala, inclusive Yuong. É evidente que o garoto, de alguma forma, está magoado. Ao mínimo, a situação serve quebrar a inquietação do popular.

Segundos depois, o professor retoma sua aula e os alunos se esquecem da estranha atitude de Jayden. Não é de se esperar que um garoto tão divertido, alegre e espontâneo se angustie de uma hora para a outra. Mas, para todos, seja o que for, é algo que diz respeito somente ao próprio Jayden e aos seus amigos.

Yuong, de repente, se sente perdido. Passara por tanta coisa e superara tantos obstáculos. Seu passado foi difícil e problemático, mas não foi o suficiente para derrubá-lo. Então... Por quê? Por que se sente tão instável, sem controle das suas próprias emoções?

– Aquele cara... É tudo culpa dele. – pensa, irritado consigo mesmo por não compreender o que tanto sente.

O sinal do intervalo ecoa, o terceiro horário terminou. Sem pensar duas vezes, se levanta do seu lugar e caminha em direção a porta, com uma pressa alucinante. O professor diz algumas palavras finais para turma, sendo que é bem coerente supor que sejam despedidas. Contudo, o mais velho da turma sequer se importa com isso. É o primeiro a colocar os pés para fora da classe e acessar o corredor, mas antes que dê mais um passo, seu caminho é interrompido por outra pessoa.

– Que superficialismo degradante. – diz a garota, séria, com o ombro esquerdo apoiado à parede.

Os demais alunos da turma saem. O fluxo de estudantes e professores pelo corredor, aos poucos, vai crescendo. Enquanto os instantes passam, os dois se encaram, calmos.

Os cabelos lilases dela, quase brancos, são sedosos e bem compridos, até o começo de seus joelhos. As madeixas estão atadas em uma trança bem feita. Seus olhos são castanhos como o mel e sua pele é bronze-média. Em comparação a Yuong, Sayuri Kishimoto é pequena, na diferença gritante de 16 centímetros.

– Não tenho tempo a perder. Se quiser um beijo, teremos de agendar mais tarde. – fala ele, desviando-se dela e seguindo o caminho que estava a seguir há pouco.

Sayuri, como o mais alto, é aluna do terceiro ano e deveria estar na mesma sala que ele. Porém, por razões desconhecidas, ela não comparecera logo no primeiro dia de aula.

Yuong poderia estipular várias teorias sobre ela ou simplesmente cota-la como uma autêntica maluca. Entretanto, nada disso lhe interessa agora. Virando-se para ele, a garota pronuncia:

– Você anda machucando muitas pessoas, inclusive a si mesmo, Tsukyomi-kun. Recomendo que considere mais os sentimentos antes de agir.

Ele nada fala, apenas coloca ambas as mãos nos bolsos de suas calças, sem interromper o seu andar. Sayuri o observa, até que o companheiro de sala de aula cruza a esquina e acessa outro corredor, à direita. De uma maneira desconhecida, a talentosa flautista percebe que, ao mínimo desta vez, Yuong está indo em busca daquilo que realmente quer. Pensativa, mas alegre por sua conclusão, ela retira de sua cintura uma flauta prateada, mantendo o instrumento em sua mão direita. Enquanto alguns outros estudantes passam pelo corredor, a garota fala para si mesma:

– Tenho a sensação de que há uma espectadora me aguardando, sedenta por uma doce melodia...

Notas finais
Gostaram? Em breve, posto o próximo. Ate!!