Notas iniciais
Oi pessoal! Bem, antes de lerem o capítulo, preciso que se atentem a esse recado, mesmo sendo grande, é importante. Em breve, estarei escrevendo dois capítulos especiais, Gaidens, para dois personagens isolados. Porém, como a fic é interativa, estou optando por deixar a escolha desses personagens a vocês, leitores. No review deste capítulo, deixem claro quais são os dois personagens que gostariam que recebessem um Gaiden. Mas atenção: não vale votar no próprio personagem, ou seja, no que criaram e inscreveram na história. As opções são:

Nagashi, Senshi, Tsubaki, Yuong, Daisuke, Sophia, Lucy, Jayden, Saito, Kaoru, Samasha, Sayuri, Gingamaru, Jimmy.

Agradeço a atenção! Não esqueçam de votar^^! Os dois capítulos de Gainden serão postados, provavelmente, após o capítulo 22. Agora, boa leitura!

Como dita as leis do Universo, a noite substitui o dia no descansar do Sol. Apesar disso, muitos são os alunos indispostos a dormir. Vários foram os acontecimentos, dentre grande parte estranhos e inesperados, em Kyodai desde o recente início das aulas, considerando todo o ano letivo pela frente. Um grupo de estudantes tiveram suas vidas entrelaçadas de uma maneira que não esperavam, sob as palavras ligeiramente míticas de uma garota, a primeiro momento, tão focada na “realidade que se pode comprovar”. O que estaria esperando todos eles? Qual seria o destino com qual deveriam lutar? Será que, de fato, tem algo com o que lutar? Ou tudo não passa de alucinação coletiva, de meros estudantes querendo ser mais? No que acreditar? Em que se apoiar? Do que desconfiar? Por qual céu se deve voar?

Pele ao encontro de pele. Gemidos de prazer contracenando com o suor da tensão e relação. O território é invadido, mas oferece uma inigualável sensação para ambas as partes. Não há hesitação, dúvida ou incerteza. Há apenas a convicção de que o desejo não precisa ser detido.

– Mais fundo... – pede a ruiva, movimentando o quadril loucamente, sentindo-se como um lacre violado, com seu corpo no clímax do prazer. – Vai, seu... Seu...

Ele nada diz. Apenas aumenta a velocidade, arrancando dela gemidos ainda mais descontrolados. Gingamaru, com seu uniforme escolar em perfeito estado, apenas mantem sua calça e sua peça íntima, normalmente oculta por ela, abaixo do início das coxas. Seu baixo ventre se encontra dentro de Juli, que cavalga sobre o garoto sem pensar em mais nada. A ruiva também está vestida com seu uniforme, na falta apenas de sua peça íntima.

– Ouvi dizer que tinha levado um coro daquela vadia desgraçada da Nagashi, mas seu desempenho está bom como sempre... – comenta ela, encarando-o lascivamente, mordendo o lábio inferior, para que não profane outros gemidos durante sua fala.

– E levei mesmo, mas deixa pra lá, vai... – pede, quase no seu limite.

O local é uma área extensa, a céu aberto, fora do prédio central do instituto. A dupla aqui está já há certos minutos, apesar de que não é a primeira vez que se entregam um ao outro. Não há nada profundo nessa entrega, apenas desejos libidinosos e carnais. E, assim que o ponto máximo de ambos é atingido, ele dá um urro de prazer, lançando a primeiranista em um misto de frio externo e calor interno. Os movimentos dos dois cessam, mas as respirações descompassadas continuam, normalizando pouco a pouco.

– Repetir a dose sempre faz bem, mas já estou me cansando de você... – repudia, levantando-se do colo do garoto, já satisfeita.

– Não imaginei que, um dia, a “Rodízio Girl” se cansaria de mim... – brinca Gingamaru, com seu membro ainda pulsante, ao ar livre.

– Vamos combinar que você é gostoso, mas nem se compara ao Senshi ou ao Yuong... – diz ela, de pé, lançando para o estudante do segundo ano um olhar provocador.

– Por que anda com essa ideia tão fixa com o Senshi? – tenta saber, recolhendo seu brinquedo para sua calça e se assentando, mais que depressa.

– Faço a mesma indagação, mas referente àquela siliconada desgraçada...

– Ela não usa silicone, Juli. Deixa de ser invejosa! Você é a vadiazinha da escola e isso todos já sabem...

– Olha lá como fala comigo, cretino! – grita ela, se assentando sobre o colo dele mais uma vez, segurando-o pela gola do blazer. – Eu transo com quem quero, do jeito que quero e como quero. Posso ter quem eu quiser da maneira que eu quiser...

– Sério? Pois o que fez você vir correndo pra mim, ano passado, não foi ser rejeitada sem dó pelo Yuong? E não fui eu o difícil que teve dó da santinha do pau oco?

– Olhe as coisas da maneira que preferir, eu não me importo. – afirma, aproximando seu rosto do dele – Tudo o que quero agora é o Senshi. Você, e até mesmo o passado chamado Yuong, são cartas fora do baralho.

– Quer saber de uma coisa? Eu é que me cansei de você! Não suporto mais seu arzinho de irresistível quando é você que praticamente implora para ser...

Um tapa acerta o rosto de Gingamaru, mas que sequer é capaz de desloca-lo. Irritada, a ruiva se levanta outra vez. Sob a luz da Lua, lhe dá as costas e começa a se afastar.

– É tão diferente da Nagashi. Não tem nem comparação... – pensa, sério, com o olhar fixo para sua “distração ambulante”, que se distancia.

O garoto, cansado de perder tempo, se levanta. Colocando suas mãos em seus bolsos, começa a se caminhar para um rumo diferente ao de Juli, para o prédio principal. Levando certo tempo no seu andar, devido à moderada velocidade de seus passos, o companheiro de quarto de Senshi não consegue parar de pensar em seu rival. Não saberia explicar a razão, mas há algo nele que lhe faz querer vencer, estar acima, seja lá do que. Senshi faz Gingamaru querer ser alguém diferente, alguém além do que já é. É como se, um ao lado do outro, competir fosse... Inevitável.

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Yuong caminha pela sala de estar. Sua relação com Daisuke vai bem, apesar de que ainda não tomaram coragem para contar à Tsubaki. Aliás, Daisuke não tomou. Se fosse por Yuong, ela já saberia faz tempo. Contudo, ele decidiu esperar o tempo certo do amigo da garota. O mais novo quer fazer tudo com calma, sem feri-la, mesmo sabendo que isso será quase impossível.

– Yuong. – alguém o chama, tirando-o do seu mundo de pensamentos.

O aluno mais velho de todos os estudantes de Kyodai, ao parar, olha para trás. Seus olhos se encontram com os olhos de Senshi Yujo, que se aproxima.

– Você viu a Nagashi por ai? – pergunta ele.

Desde que Senshi ajudou a loira a adquirir controle sobre Arashi, os dois se aproximaram. Nagashi finalmente abriu seu coração, permitiu que outras pessoas compartilhassem sorrisos e lágrimas com ela. Mesmo que aos poucos, com ele e com suas companheiras de quarto, Nagashi está redescobrindo o sabor da amizade. Quanto ao caso do garoto, no fundo, algo mais.

– Não vi não. Tá pegando?

– Opa, calma ai. Somos só amigos. – esclarece o menor, levantando suas palmas a frente do restante do corpo.

– Mas quer pegar?

– Eu só queria saber se tinha visto ela... – tenta desviar de assunto. – Não tá lá no quarto e nem a Samasha-kun, nem a Tsubaki-chan sabem dela.

– Há, você foi ao quarto dela, safado? – insiste, tentando irritá-lo – Já está cheio das intenções, né?

– Quem tá cheio das intenções? E que intenções? – pergunta Jayden, se aproximando da dupla.

– Nada não, Jayden-kun. É só o Yuong tentando me tirar do sério. Pena que ele não vai conseguir.

– Ah, ele vive fazendo isso... – comenta, parando diante dos dois.

Senshi e Yuong, nos últimos dias, se aproximaram bastante e se tornaram bons amigos. Yuong é debochador, um tanto quanto presunçoso e que age antes de pensar, em várias ocasiões. Contudo, ele valoriza muito seus amigos. Senshi é o tipo de pessoa que sabe lhe dar com qualquer um, por mais difícil de conviver que seja. Ele só não suporta falsos manipuladores que passam por cima de todos por seus objetivos. Como Jayden, se sai muito bem com a personalidade ácida do amor de Tsubaki.

– He, eu sei. Já me acostumei. – revela o mais novo dos três. – Bem... Vou indo, ainda preciso falar com a Nagashi. Até!

Se despedindo dos dois, Senshi volta a andar, à procura da loira. Yuong e Jayden observam o garoto se afastar.

– Por que não tenta, Enzy-chan? – indaga o maior, notando o fixo olhar do amigo para o novo amigo, cada vez mais distante.

– Tentar o quê? – Jayden, sem entender, direcionando seu olhar para ele.

– Tentar com o Senshi, oras...

– Tentar com o Senshi?

– Você ainda não entendeu ou tá dando uma de bobo? – articula, penetrante.

– Você tá falando... Sobre... – tenta falar, com o rosto corado.

– É, poh! Ficar com ele, e blá blá...

– Deixa de bobice, Yuong-kun. – pede, desviando o rosto para a sua esquerda.

O maior se vira e toma a direção de um sofá no local. Jayden o segue e, em poucos segundos, se assentam.

– Tá mais que óbvio que você tá interessado nele.

– Não sou só eu, né? Mas nem é lá um interesse, só acho ele legal...

– Tá, sei... – diz, sem dar muita credibilidade para o argumento do amigo. – Ainda assim, poderia se aproximar mais e ver no que dá. Você sempre diz que quer encontrar o garoto certo. Precisa fazer um esforcinho para acha-lo. E, como você, o Senshi gosta muito de romances.

– Sério?

– O James disse que ele é vidrado neles... – conta, com um sorriso de lado.

– Yuu-kun... – ecoa a feminina voz de alguém.

Por um breve momento, Yuong pensa que é Juli. Porém, há tempos que a ruiva não o procura mais. Parece que, desde a chegada de Senshi no colégio, praticamente todas e todos só tem olhos para ele. Melhor assim, afinal a ruiva não o importuna mais. Além disso, o timbre de voz parece mais maduro, de uma pessoa mais velha.

– Posso dar uma palavrinha contigo? – pergunta a professora Sugaku, ao surgir e se assentar no lugar vago do sofá, ladeando o terceiranista.

– Sugaku-sensei? – Jayden, surpreso.

– Como vai, Jay-kun? – indaga, fitando-o, com um doce sorriso. – Está interessado no Senshi?

– É... É... Não não, eu...

– Deixe-me dar-lhe um aviso, querido. – ela o interrompe, mantendo a doçura, apesar de tudo. – Aquele garoto não é seu!

Jayden se assusta com o comentário da professora, com a forma da mesma se portar, pois ambas contrariam a gentileza e amabilidade que a funcionária de Kyodai sempre exala. É quando se lembra da ocasião em que ele, Daisuke, Tsubaki e Nagashi ouviram aquelas palavras aparentemente desconexas dela, que hoje já fazem mais sentido, devido aos últimos ocorridos.

– Nem ouses tentar algo com ele. – exige ela, com um olhar firme e impactante.

– Olha como fala com o Jayden. Quem você acha que é? – Yuong se intromete, protegendo o amigo.

– Eu apenas vim conversar com você, querido. – volta sua atenção para o popular, restabelecendo sua falsa doçura.

– O que quer falar comigo então?

– Você nasceu para o Senshi, Yuu-kun... – declara, com os olhos cintilantes, unindo suas mãos a frente do corpo.

– Como é que é? – questiona, sem entender.

– Ele é perfeito para você, meu bem. Ele é seu, será seu. Ninguém mudará isso, posso ter a absoluta certeza.

– Eu estou com o Daisuke, gosto dele. Não me interesso por mais ninguém.

– Seu sentimento por ele não é nada diante do que está para surgir entre Senshi e você. Algo tão forte que, ao se realizar, vai eclodir em magníficas e brilhantes faíscas!

– Que papo de maluco, sensei. – fala Jayden, franzindo a testa.

– É o destino, Jay-kun. – define, com um sorriso gigante, quase macabro.

– Seja destino ou lá o que for chamar essa sua loucura, eu não entrarei nessa. – afirma Yuong, se levantando, decidido a sair dali. – Eu amo o Daisuke.

Sugaku também se levanta, apressada para se colocar diante do mais alto. Mantendo o colossal sorriso, ela insiste:

– Você e Senshi nasceram um para o outro. Tenha certeza, e absoluta, disso.

– Sai da minha frente e me deixa em paz. – pede o garoto, com uma voz agradável como veludo.

A professora reduz a magnitude do seu sorriso, mas não o desfaz.

– Sai da minha frente e me deixa em paz. – exige ele, com o mesmo tom de voz.

As palavras do garoto invadem Sugaku como ordens impossíveis de serem negadas. Preenchem a mente da professora como se nada mais fosse importante, além de acatar o que ele mandara. Contudo, contrariando o que sempre acontece com as demais pessoas, o efeito desses dizeres é refletido como a imagem de um espelho, retornando contra Yuong.

– Você raramente encontra pessoas que podem lhe dizer não, certo?

O estudante se espanta, atordoado. Como Nagashi chegou a reverter suas ordens, a professora também se mostra capaz de tal coisa.

– Se escondia atrás das suas palavras, convencendo a todos do que queria. Manipulador nato sem ter o mínimo esforço para ser um. É uma pessoa especial... E sexy... – discursa, entre risos nada castos.

– Você sabe do que eu posso fazer?

– Persuasão. É uma habilidade fantástica. Porém, quem a possui acaba se tornando arrogante o suficiente para se ver como o senhor da verdade e da justiça, aquele que jamais pode ser confrontado. Aliada à sedução sensorial que você também tem, convence praticamente qualquer um e domina até mesmo as emoções de seu alvo. Entretanto, presunçoso demais, não percebe que nem todos caem aos seus pés. Eu não cairei tão facilmente nos seus truques. Pelo contrário... – discursa, acertando os óculos com o indicador esquerdo. – Posso fazer com que eles se voltem contra você!

Yuong, como em raras ocasiões, fica pasmo e sem o que dizer. De fato, sentira que de alguma forma suas palavras voltaram contra si mesmo. Como Sugaku o fizera? E como ela sabia do que ele é capaz?

– Vá atrás do Senshi e o convença a dormir com você. Faça-o ser seu, e também seja dele. É o que você deve fazer.

Repentinamente, e pela primeira vez, o ditado popular que diz que o feitiço volta contra o feiticeiro está se concretizando com Yuong. Sem conseguir evitar, os dizeres da mulher se tornam ordens implacáveis. Com os olhos arregalados, continua a fitá-la sem nada a declamar.

– Esqueça o Daisuke e atropele qualquer um que se colocar no caminho de vocês dois. Mesmo que tenha que forçar Senshi a ficar ao seu lado, force. Sabemos que é capaz disso.

Virando seu corpo, o maior dos três começa a andar, indo na direção tomada por Senshi há pouco. Jayden se levanta e tenta ir com o amigo, mas a professora se coloca no caminho dele.

– Nem pense em se meter, Jay-kun...

– O que você fez com ele?

Ela não responde, mas agarra o garoto e lhe dá um beijo atroz. Ele tenta se desvencilhar de Sugaku, mas não consegue. Segundos depois, ela interrompe o contato de lábios e se afasta mais uma vez, suspirando sorridente.

– Pena que não gosta de mulheres, meu bem... Seja como for, não posso permitir que se lembre do que aconteceu essa noite.

– Como é?

O sorriso da mulher é contaminado por um espírito sádico e maquiavélico. Assustadora, ela fala:

– Farei com que se esqueça, para que não se torne uma pedra no meu sapato...

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– Você viu a Nagashi, Sophia-kun?

– Não vi não, Senshi-kun. Eu também estava procurando ela...

Senshi continua procurando a loira. Há segundos, encontrara com Sophia em um dos corredores do colégio, o que ambos estão no momento. Andando juntos, lado a lado, eles conversam:

– Se aproximou bem da Nagashi-san esses dias, não é?

– Digamos que sim. Eu me importo muito com ela.

– Você ama ela, não é mesmo? Pode falar, dá para ver isso nos seus olhos.

Ele sorri.

– Sim, eu estou perdido de paixão pela Nagashi. Faria qualquer coisa apenas para vê-la sorrir, feliz de verdade.

– Ela parece ser uma pessoa muito triste... – lamenta, assim que seu sorriso morre. – Talvez você, que entende os sentimentos das pessoas melhor do que ninguém, possa mudar esse quadro.

– Sim, ela reprime o que sente com medo de ferir as pessoas. E pode ter certeza que farei o possível e o impossível para destruir essa armadura de autoproteção que ela fez para se defender.

– Tenho certeza que sim. – diz, contente mais uma vez. – Será que essa é a sua habilidade?

– Habilidade? – indaga, sem fazer ideia do que ela esteja falando.

– Habilidade, sobre as coisas que a Lucy-san nos contou. Por acaso não acreditou nela?

– Não, não é isso. É que eu já tinha até me esquecido disso... – alega, entre risos.

– Então. Talvez seja essa a sua habilidade: entender o que as pessoas sentem. Seria algo que poderia ajudar muita gente.

– Será que eu tenho mesmo uma capacidade assim? – questiona, duvidando da possibilidade.

– Tenho quase certeza. Você consegue compreender as pessoas apenas olhando para elas, e as entende muito bem. É algo fora do comum, especial. Você, certa vez quando estava conversando comigo e com a Samasha-chan, me deixou fascinada com o jeito que usa para falar, a maneira que conseguiu nos tocar. Além disso, não se irrita, nem maltrata ninguém. Se dá bem com todos e é megasociável. É quase óbvio!

– Chama-se empatia. – define Sayuri, surgindo na outra ponta do corredor.

A dupla cessa seus passos. Sorridentes, cumprimentam a garota que se aproxima.

– Como vai? Tudo bem? – Senshi.

– Olá Sayuri-san. – Sophia, por sua vez.

A flautista, em pouco tempo, se coloca diante dos dois. Dócil como ambos, corresponde:

– Olá. Tudo bem sim. Percebi que estavam falando sobre sua habilidade, Senshi?

– Só supondo. – responde ele.

– Mas é essa a sua habilidade, não há dúvidas: empatia.

– O que é empatia? – Sophia, curiosa.

– A perfeita percepção do interior das pessoas, as emoções, os desejos, os anseios. A capacidade de se colocar no lugar do outro e de se interligar com ele de uma maneira que nenhum outro consegue.

Sophia analisa o olhar de Senshi por alguns segundos. Nele, encontra sentimentos sinceros. Sentimentos de lealdade, amizade, respeito. Nem é necessário ser empática para que perceba o espírito carismático e bondoso de seu amigo.

– E por ser assim, Senshi, que você deverá guiar Nagashi e Tsubaki.

– Nagashi e Tsubaki?

– Exato. Eu posso ter visões do futuro quando toco a minha flauta. Ontem à noite, eu vi que Kyodai e também toda a Konton será destruída.

– Destruída? – Sophia, pálida e boquiaberta.

– Exato. Todos nós, que fomos reunidos pela Lucy, teremos uma participação na missão de evitar o que está por vir. Hoje eu pude ver qual é o seu papel em tudo isso.

– O meu papel? Mas como assim? – Senshi, arqueando sua sobrancelha direita.

– Nagashi é aquela que confrontará o mal. Tsubaki é aquela que reparará os danos causados por esse mal. Contudo, sozinhas, elas não serão capazes disso. Você precisa ajuda-las, dar a força que as duas precisam para vencer seus próprios fantasmas. Apenas você, e mais ninguém, tem a capacidade de alcançar o coração de Tsubaki e o de Nagashi.

– Eu farei o que for preciso, seja lá por qual razão for. Eu sempre soube do sofrimento, da dor que elas carregam. E sempre estive disposto a ajuda-las a superar.

– Então vá atrás da Nagashi agora, por favor. Ela pode estar precisando de você. – pede Sayuri.

Senshi toma a postura de quem tem o objetivo de correr em disparada. Porém, antes que o faça, Sophia se manifesta:

– Senshi-kun...

– O que? – pergunta ele, direcionando seu corpo para ela.

A garota fecha seus olhos. Suspirando profundamente, logo após reunir suas mãos com as dele, Sophia recebe vários sentimentos, sonhos, fatos, lembranças... Ela é invadida pelo que parece ser toda a história de vida de Senshi Yujo. É quando seus olhos, comovidos, se enchem de lágrimas, no instante em que ela diz:

– Eu acredito em você.

O garoto sorri. Docemente, corresponde:

– Obrigado.

Sophia libera as mãos do amigo, que corre, seguindo seu coração, em busca de Nagashi. Sayuri e a amiga de Samasha e Tsubaki observam o seu afastar. As lágrimas de Sophia escorrem por seu rosto.

– Como pode? Como pode alguém ter sofrido tanto, se ferido tanto, e ainda assim continua se preocupando, defendo aqueles com quem se importa? Como pode existir alguém com uma força de vontade tão ardente, a determinação para proteger todos ao seu redor?

– Senshi é diferente. Quando presto bem a atenção nele, posso ver asas cintilantes, que lhe dão o devido destaque na multidão.

A menor vira seu rosto para a terceiranista, mas logo volta a olhar para ele, já ao longe. Emocionada, declara:

– Acho que te entendo. Talvez o Senshi-kun seja diferente de todos nós. Seja, quem sabe... Um anjo...

Notas finais
Ate!!