Notas iniciais
Olá pessoal! Vim pra postar mais um cap XD (claro, neh? u.u )...

Em algum ponto do Palácio da Gênese...

– Então você se chama Misty Akemi? – pergunta Kaoru Tohara, ao lado direito de Yuong Tsukyomi, enquanto ambos encaram a recém-chegada, demasiadamente distante.

– Isso mesmo. – confirma ela.

– Poderia nos dizer onde nossa amiga Sophia está? – questiona o loiro, que insiste em se manifestar, sem medo de retaliação.

A mulher não responde, continuando a observá-los com atenção – e audaciosa atenção. Chegara há pouco, interceptando o avançar dos dois amigos. Como integrante da Gênese, não pretende deixá-los passar. Pelo menos isso é o que, naturalmente, se espera...

– Está surda, é isso? – Yuong interfere. – Se não vai nos ajudar por bem, vai ajudar por mal!

Logo depois do imponente grito dele, é Kaoru quem grita, mas de dor e não de irritabilidade.

– O que foi, cara? – o “amigo colorido” de Daisuke questiona, virando seu rosto para o menor ao seu lado. – Por que gritou assim?

– Eu não sei explicar, mas é como se eu tivesse sentido uma faca atravessando o meu coração. – explica o gêmeo de Saori Tohara, levando sua palma direita para a região do peito esquerdo. – Também vi uma espécie de monstro despedaçando a minha irmã bem na minha frente, agora.

– Será que você está ficando doido? – indaga o outro, arqueando a sobrancelha esquerda. – Nem aqui a sua irmã está!

Kaoru olha para o amigo por alguns instantes, mas retoma Misty como o foco da sua atenção. É quando entende, tal como Yuong, que fora ela a culpada por sua alucinação anormal.

– Foi você, não é? – pergunta o mais velho dos dois estudantes. – Quem fez isso...

– Queria apenas mostrar o quanto são inofensivos diante de mim. – afirma a mulher. – Meras presas para o banquete do predador, ou melhor, da predadora.

– Isso seria um sim? – o loiro, por sua vez. – Seja mais direta, não temos tempo a perder com palhaçadas.

– Cabe à sua interpretação. – Misty deixa claro, dando de ombros. – E sinto em te dizer, mas o único palhaço aqui é você.

A Soldada da Gênese, após dizer tal coisa, passa a fitar os olhos de Kaoru, mesmo que por alguns momentos. Já ele, por outro lado, não reage. Misty, então, faz o mesmo com os de Yuong: passa a observar seus profundos olhos. Contudo, nesse caso, de alguma maneira, algo a atrai com uma força assustadora. É a habilidade especial dele começando a se manifestar.

– Eu falei que se não nos ajudasse por bem, seria por mal. – diz o garoto de cabelos negros. – Optou pelo “mal”, pelo que dá para perceber...

– Não é preciso me hipnotizar. – fala Misty, sem temer absolutamente nada. – É uma medida desnecessária, até por que não irá funcionar.

Um ligeiro brilho erradia do olhar de Yuong. Mesmo com o comentário da estranha, não está disposto a ceder.

– Então fale logo onde a Sophia está. – exige, confrontando-a.

– Falarei, mas antes terão de ouvir o que tenho a dizer. – alega ela.

– E o que seria? – Kaoru, outra vez.

– Eu sou uma farsante.

– Farsante? Como assim? Do que você está falando? – o colega de classe do loiro tenta entender.

– Não sou uma integrante verdadeira dessa organização. Sou uma legítima farsa. – define ela, cruzando seus braços. – Por isso, me hipnotizar é algo que não surtirá efeito algum, pois sou uma ilusão.

Por alguns segundos, os dois jovens se mantêm em silêncio, processando as informações que acabaram de receber. Afinal, o que tudo isso é? Uma armadilha para fazê-los, de alguma forma, deixar Sophia Cianno de lado?

– Não sou nada além de uma projeção das habilidades de Akemi Pégasus, uma aluna de Kyodai.

– Akemi Pégasus? – repete Yuong. – Nunca ouvi falar dela.

Misty, em seguida, dá as costas para os dois, mas prossegue:

– Tudo o que precisam entender, por ora, é que ela é uma aliada. Akemi, ou eu caso queiram pensar assim, está tentando ajudá-los.

– E vai nos ajudar como? – Kaoru tenta entender.

– Passei tempo o suficiente infiltrada aqui, o necessário para descobrir tudo o que era preciso. – revela, sem voltar a olhar para a dupla. – Se valorizam, de fato, a vida de Sophia Cianno, venham comigo, por gentileza.

– Onde quer nos levar? – pergunta o irmão de Saori, hesitante, por não confiar muito nos dizeres dela.

– Para o local em que Sophia está confinada. – simplifica, olhando para trás por meros instantes. – É preciso chegar lá o quanto antes!

Os dois amigos de Kyodai se entreolham. E, sem seguida, encarando o companheiro, Yuong questiona, em baixo tom:

– Será que podemos confiar nela?

– Acho que nem temos outra alternativa, Yuong-kun... – conta, utilizando um timbre semelhante ao dele.

– Detesto admitir, mas você está certo. – se conforma, voltando a olhar para o dorso de Misty Akemi. – Mas se ela tentar algo, já sabemos o que fazer.

– Sim.

– Vão vir ou ficarão de conversinha aí? – indaga a, por ela dita, “ilusão de Akemi Pégasus”, sem nada ouvir do diálogo entre os dois.

– Já estamos indo. – Kaoru responde.

Sem mais nada a falar, a mulher começa a correr, esperando que a dupla faça o mesmo. E, de fato, faz. Seja qual for o risco em que forem se colocar, esses dois estavam dispostos – desde o começo – a colocar suas vidas em jogo por Sophia Cianno. Afinal, é para essas horas que servem os verdadeiros amigos...

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Nagashi Swords e as trevas. É essa a situação. Envolta por uma escuridão, – que parece não ter fim – a loira se vê presa. Se sente como uma criatura indefesa diante da terrível ameaça do predador. Não há como fugir, nem como enfrentar o perigo. Então o que fazer?

– Essa é a verdadeira escuridão, garota fraca... – a voz de Grade Lark ecoa em meio às sombras, fazendo-a olhar para todos os lados. – Seja bem vinda ao meu lar.

Apesar de tudo, a expressão da adolescente não demonstra medo. Pelo contrário: esbanja determinação. Mesmo em uma situação assim, não teme enfrentar o que está por vir em prol de uma amiga: Sophia Cianno. Ela precisa de ajuda e, por isso, Nagashi sabe que não pode ser detida aqui. Não mesmo!

– Eu não sou fraca. Pelo menos, não sou mais. – alega, sem perder sua confiança.

– Você era mais forte quando sabia o quanto era esquecida pelos outros. – insiste a voz. – Agora, se entregou aos sentimentos tolos da vida e se enfraqueceu. Que estupidez!

– Não é estupidez acreditar no amor e na amizade! Não é! – grita a estudante, exaltada, sem saber para onde deve dirigir suas palavras, exatamente.

– Pensei que já estaria acostumada com a solidão, garota. E, por isso, deveria ser forte apenas por si mesma, jovem tola.

– Você não sabe nada de mim e por isso não tem o direito de me julgar ou me classificar como bem entende. – declara, acalmando-se um pouco para não perder a cabeça. – Eu, e apenas eu, tenho o direito de escolher o rumo da minha vida.

Repentinamente, imagens vão entrando na mente da garota. Seus olhos se arregalam e sua boca se cala, enquanto sua expressão prova o quanto está atordoada. Lembranças do passado, que julgava superado, são revividas.

– O que está fazendo comigo? – questiona Nagashi, abaixando seu rosto, incapaz de enfrentar dessa maneira a dor que carrega por esses longos anos.

– Estou apenas te mostrando o seu passado. Não adianta tentar enterrá-lo, pois ele faz parte de você... Nagashi Swords...

O rosto do seu pai, de sua mãe, do irmão, da avó... Todos aqueles rostos queridos ressurgem. Contudo, um sentimento diferente aflora com eles: ódio. Ódio por ter sido deixada de lado, ódio por ter sido abandonada quando queria afeto e precisava dele, ódio por ter sido – muitas vezes – presa como um bicho selvagem, ódio por ser vista por tantas pessoas como um incômodo ou algo que deveria ser descartado... Ódio por querer amor...

Em seguida, suas pernas tremulam, anunciando uma queda quase inevitável. Entretanto, Nagashi se segura. Dá tudo de si e resiste, para não cair outra vez.

– Se eu não posso contar com quem está ao meu redor, conto comigo mesma. É assim que sempre pensei , portanto é assim que eu tenho que pensar. – articula, firmemente, para si mesma. – Foi um erro me apoiar tanto nos outros.

Repentinamente, os rostos de Senshi, Tsubaki, Yuong, Daisuke, Jimmy e de todos os outros envolvidos com a profecia – assim como ela própria também está envolvida – tomam conta dos seus pensamentos. E, então, reergue sua face.

– Na verdade, eu nunca fiz parte do grupinho de vocês... Tenho que me virar sozinha e eliminar tudo o que há de fraco em mim. – ela fala para si mesma. – É por ser fraca que ainda sou vítima de coisas assim. – completa, se referindo ao dom de Grade Lark, capaz de dominar a escuridão e materializá-la.

“Como Kimiko Swords foi um dia, você é a pessoa mais poderosa e com o maior potencial do mundo. Para que nada, nem ninguém possa fazer lhe fazer frente, basta adquirir controle sobre os seus poderes”. Essas palavras, proferidas por Sherry Fontaine, são revividas.

– É verdade. Preciso tomar controle das minhas habilidades e deixar de ser fraca de uma vez por todas! – exclama, notando o silêncio da voz da Soldada da Gênese. – É hora de eliminar minhas fraquezas e alcançar o meu verdadeiro potencial. Sozinha, como sempre fui!

Na sequência, a figura da tenebrosa Grade Lark surge diante da adolescente. Distanciada dela por pouco mais de um metro, vai pensando, com um sádico sorriso:

– É assim que gosto. Agora que caiu no meu jogo, só sairá dele como uma casca vazia. Isso “se” sair...

– Está com medo de me encarar? – pergunta Nagashi. – Mas não pense que vou te agradecer por ter aberto os meus olhos. Farei você pagar por me mandar para este lugar.

– Não se preocupe. – afirma a mulher, cruzando os braços. – Estou disposta a ajudá-la ainda mais: a partir de hoje, todas as suas fraquezas desaparecerão.

– Lunática! – exclama. – Não quero mais ouvir o que diz! Sei me virar sozinha!

– Claro que sabe, mas ainda assim pretendo lhe dar uma ajudinha.

Ao falar tal coisa, Grade descruza os braços e direciona o seu direito para ela. Da sua palma aberta, um feixe de coloração púrpura é atirado contra a testa da loira, fazendo-a cambalear um pouco.

– O que fez comigo? – interroga, levando sua mão esquerda à testa, sentindo uma estranha dor de cabeça.

Repentinamente, os risos frenéticos de Grade passam a ecoar por todo este local de sombras. A estudante se irrita, mas de certa forma não entende a atitude dela. É quando, após alguns instantes, a Soldada da Gênese se cala e define:

– Creio que, agora, você perdeu um amigo e ganhou um fantasma.

– Como é que é? – a confronta, abaixando o braço, cerrando-o ao lado do seu corpo.

– Posso sentir... – reinicia a mulher. – O rosto de Daisuke Saruma foi o primeiro a desaparecer da sua mente.

Ouvindo isso, a menor de idade se espanta. Então sente, pouco a pouco, a imagem em sua cabeça, do citado, perder o foco e se embaçar até sumir por completo. Assim também acontece com os momentos vividos com ele. Todas as memórias relacionadas a Daisuke Saruma tornam-se pó nos pensamentos de Nagashi Swords. Em outras palavras: Grade o extinguira de sua vida.

– Não consigo me lembrar dele... Não vejo o seu rosto... – lamenta a loira, perplexa, ao notar um terrível vácuo em sua memória. – O que está fazendo comigo!? – esbraveja, redirecionando sua face contra a inimiga.

De imediato, ela salta contra a mulher, mantendo seu punho direito cerrado, na tentativa de acertar no rosto dela um soco. Contudo, assim que a atinge, o corpo de Grade se desfaz como uma névoa negra, se misturando à escuridão suprema do local.

– Você está no meu mundo. Quem faz as regras desse jogo sou eu. – a voz deixa bem claro, fazendo o olhar de Nagashi se perder de novo.

Cabisbaixa, a jovem tenta se lembrar da pessoa que esquecera. É em vão... Não é mais capaz de se lembrar daquele rosto...

– Como lhe disse: no fim das contas, você é fraca. – afirma a humana evoluída, ressurgindo um pouco atrás da garota.

A loira se vira bruscamente. Porém, já não tem mais o interesse de acertá-la. Sabe que será inútil – que qualquer coisa que faça será inútil. Já não lhe restam mais forças para enfrentar essa situação.

– Vamos continuar com a nossa brincadeira? Sei que você está adorando!

Grade, mantendo o seu sorriso sombrio, de fato, está adorando a “diversão”, ao contrário da sua vítima. Desde o inicio da invasão no Palácio da Gênese, seu alvo era Nagashi. Por ter a história mais trágica dentre todos, a sádica viu nela uma chance de se divertir como nunca antes em toda a sua vida. Destruir mentes humanas, pouco a pouco, para depois lançá-las no esquecimento eterno: esse é o seu maior prazer.

– Me deixe em paz! – grita Nagashi, com dois passos para trás.

– Não há como fugir daqui. Não percebe que seus amigos não se importam com você? Se valorizassem sua vida, estariam aqui lhe ajudando. Senshi Yujo, por exemplo... Por que acha que ele não está ao seu lado agora?

– O Senshi... – a jovem se lembra dele, sentindo seu coração palpitar por alguma razão.

– Ele prometeu estar ao seu lado, mas na realidade temia a ameaça que você representa. Estando sua existência apagada e fora do caminho, todos aqueles que se dizem seus amigos estarão livres e em segurança: essa é a grande verdade. – explica, gargalhando de satisfação por dentro. – Mas não se preocupe: farei com que se esqueça de todos, para esquecer também a dor em seu coração.

Outra vez, Grade estende seu braço em direção à testa da adolescente. E, atirando outra rajada roxa com sua palma, afirma:

– Agora foi a vez da sua mamãe. Saisey Swords não existe mais na sua vida.

– Mãe... – recita ela, apavorada. – Não me deixe, mãe... – e pede, erguendo sua palma esquerda para cima, enquanto a imagem de Saisey, sorrindo, se afasta até se despedaçar e tornar-se migalhas.

– Agora, diga adeus ao seu pai: Tsuyo Swords! – grita a tenebrosa, elevando seu sorriso maquiavélico ainda mais, atirando então outra rajada contra a testa da adolescente. – Esqueça também da sua avó querida! – e atira outro feixe sombrio. – Deixe de lado, quem sabe, o seu amado irmão! – e mais outro. – E, para brindar essa sessão, a sua querida companheira: Tsubaki Seijitsu!

Nagashi recebe todas as rajadas sem revidar ou se proteger. Nem se tentasse, conseguiria fazer algo a respeito. Nunca esteve tão encurralada em sua vida quanto agora. E, então, vai perdendo o pouco que ainda lhe resta. As faces e as memórias dos citados por Grade Lark vão desaparecendo da mente da estudante até chegarem ao ponto de não existirem mais. E a sádica mulher enlouquece de tanto prazer, divertindo-se ao extremo, como espectadora – e causadora – do sofrimento de sua vítima.

– É notável a sua resistência. – observa a mulher de luto, notando que mesmo após tantos choques mentais, a garota se mantem de pé, apesar das pernas trêmulas e fragilizadas. – Seria isso sua própria determinação ou o dom herdado da convivência com Senshi Yujo?

Nagashi Swords continua de pé. Outra pessoa, provavelmente, já estaria em estado vegetativo, destruída por totalidade, devido a um colapso nervoso. E, vendo o quanto ela resiste, Grade de fato decide pensar sobre a verdadeira razão dela ainda permanecer de pé. O que, afinal, mantem a força de vontade acessa em seu coração? É o que a Soldada da Gênese quer descobrir... Para dilacerar, definitivamente, a vida da adolescente.

De repente, ela sente algo brilhar no interior da jovem. Por alguns segundos, entrefecha seus olhos para saber do que se trata. Instantes depois, entende:

– É amor...

Mesmo fazendo a jovem se esquecer de todas aquelas queridas pessoas, ainda há algo que a faz permanecer de pé: a lembrança de Senshi e o amor que, por ele, sente. Descobrir tal coisa enfurece a aliada de Phoebe Gênesis.

– Maldito sentimento! – grita a mulher.

Nagashi, apesar de tudo, já se comporta como uma morta-viva. Mal se aguenta de pé e seu olhar já está tão vazio quanto sua felicidade perdida. Mesmo em tal estado, algo a sustenta e a impede de cair e se afogar, de uma vez por todas, na escuridão.

– Basta! Esse jogo está terminado! – exclama Grade Lark.

Com mais uma rajada obscura, a mulher atinge a testa da loira de novo. E, pelo que parece, pela última vez. Erguendo seu rosto por alguns centímetros, Nagashi aproveita a visão do rosto de Senshi Yujo. Contudo, o terror se instala nela. Pois, aos poucos, a imagem vai perdendo a cor, o sentido, a vida...

– Senshi, por favor, não me deixe... Por favor...

O rosto do garoto se torna frangalhos, enquanto os olhos da neta de Madallena Swords – que, agora, mal sabe desse fato – se dilatam apavorados.

– Senshi...

– Acabou. – articula a integrante da Gênese.

Grade lhe dá as costas, decidindo abandoná-la aqui para todo o sempre. E, praticamente vazia, Nagashi cai de bruços ao chão. Lágrimas escorrem dos seus olhos e pingam sobre sua mão direita, abaixo do seu rosto. Sua voz falha, por fim, apenas profere:

– Me sinto tão... Sozinha...