Notas iniciais
Cap do futuro (Samasha e seus sonhos^^)...

Seus olhos se abrem, permitindo que seu coração aceite, outra vez, este mundo. O que os olhos veem, o coração sente. E sente com perfeição, e em agradável sintonia, o que há tempos não degusta mais: o calor do futuro... É Samasha Seiya, em mais um dos seus sonhos futurísticos. Contudo, diferente da última experiência que vivera, ela se encontra agora em um local diferente do jardim da, na cronologia desse tempo, arruinada Kyodai.

– Seja bem vinda, viajante do tempo. – fala uma mulher.

Quando se dá conta, a jovem estudante do Ensino Médio está em uma sala branca, sem janelas, com uma mesa de vidro circular central e oito cadeiras ao redor, todas ocupadas. As pessoas presentes, sem exceção, observam a fisionomia da garota com extrema atenção. Parecem estudar seus olhos com profundidade, algo que chega a assustar a dona da felina Blue.

– Sabiam que eu estaria aqui? – indaga Samasha, olhando para a mulher que se manifestou há pouco.

– Sabíamos. Creio que, do tempo de que veio, ainda não me conhecera. Meu nome é Akemi Pégasus.

A mais nova observa a mulher por alguns instantes. Porém, logo sua atenção se volta para os demais, que se apresentam um por um:

– Daniel Strauss.

– Sherry Fontaine.

– Yuko Kurama.

– Eric White.

– Kenny McGiven.

– Luka Trancy Gold. – um homem de estatura média, cabelos brancos prateados e repicados, pele rosada e olhos de um azul quase divino. De imediato, a “viajante do tempo” não percebe, mas ele utiliza duas fitas negras de cetim: uma que cobre o pulso esquerdo e a outra que envolve seu tornozelo direito.

– Anthony Christhurt. – o mais alto do grupo, de pele branca, cabelos castanhos e bagunçados, um piercing na orelha direita e olhos de cores diferentes: o direito, azul claro; o esquerdo, castanho. – Você está na reunião dos membros da Carmesim.

– Se a antiga Sub-general, Sugaku-sensei, ainda estivesse viva... – inicia Sherry, ao virar seu rosto para Anthony, que se encontra assentado bem a sua frente, separados somente pela grande mesa de vidro. – Diria que “heterocromados” são sexy demais para serem ignorados. – fala, imitando o sensual timbre de voz que a falecida professora utilizaria em uma situação como essa.

– Pelo menos, antes de morrer, ela pôde abraçar o filho. – opina Luka Trancy Gold, ao lado direito da loira.

– Fique quietinho de vez em quando, Luka. – exige Akemi, do outro lado do homem de cabelos prateados. – Que comentário desnecessário.

– Não tenho a obrigação de acatar suas ordens. – corresponde ele, com a feição séria, mas de olhar despreocupado. – E pra falar a verdade, já estou cansado disso...

– Cansado? – Eric, diante dele, se surpreende. – Logo você, o “Homem-Duracell”?

– Estou cansado de ficar aqui, sentado nessa maldita cadeira, esperando viajantes do tempo aparecerem do nada.

– Garotos, façam silêncio, por gentileza. – pede Sherry, suspirando profundamente logo depois. – Homens...

– Samasha, creio que deveria integrar você à situação. – alega Akemi, dirigindo a ela a palavra, outra vez.

– Não pareço estar mais em 2024, estou? – tenta entender, se lembrando que, da última vez que teve um sonho pregonitivo, foi enviada para o ano de 2024.

– Não. Este é o ano de 2027. – afirma Yuko Kurama, devorando alguns doces do seu pacote de guloseimas.

– 2027? – repete a garota, um pouco surpresa. Não estava esperando ser enviada para um ano ainda mais distante. E para qual propósito?

– Exato. Por qual motivo se surpreendeu assim? – Anthony tenta entender, fitando-a.

– Algumas coisas já mudaram no meu tempo, mas... Aqui, tudo continua do mesmo jeito? – ela questiona, com a intenção de se colocar melhor na situação que lhe foi imposta. – Estou um pouco confusa...

– É você quem deveria nos explicar tudo, garota. Quem viaja no tempo não sou eu. – afirma Anthony, certo do que fala.

– Fênix continua sendo uma ameaça? O que aconteceu com o mundo? Ele foi salvo? – Samasha insiste em se integrar a tudo, com razão, é claro.

Repentinamente, Kenny McGiven, o último da fileira à direita da estudante se levanta. Com a intenção de explicar algo para ela, abre sua boca e começa a articular:

– Fênix está morto.

Os olhos da jovem se arregalam. Ela, agora, está atordoada, atônita. Como uma ameaça como Fênix poderia estar morto, mesmo após ter absorvido a capacidade de regeneração celular de Lucy? Existiria, neste futuro, algo ou alguém ainda vivo capaz de fazer frente a ele?

– Como isso aconteceu?

– Eu o matei. – responde Anthony, chamando para si o olhar da jovem.

– Você? – insiste, ainda incrédula.

– Mas foi tarde demais. As pessoas que deveriam sobreviver já estão mortas. Ou pelo menos, a grande maioria delas. – revela o assassino do “monstro” denominado como “Fênix”.

– Justamente por isso que a resposta das suas duas outras perguntas não é lá tão promissora. – conta Kenny, caminhando em direção a uma parede, enquanto seus braços permanecem cruzados atrás do seu corpo.

Samasha observa os passos do homem. Assim que ele para, desune os braços e leva o esquerdo para frente, abrindo uma janela que a estudante não havia percebido que aqui existia. Seus olhos perdem o equilíbrio assim que encontram, lá fora, um céu imerso em pura escuridão.

– O Dia das Trevas. – diz Anthony, se referindo ao dia em que o Sol desapareceu para sempre, há dois meses, deixando a Terra envolvida em trevas eternas.

– Nem mesmo a morte de Fênix impediu que nosso mundo fosse destruído! – exclama Kenny, virando-se para ela. – O verdadeiro mal é o que nos assola agora.

– Por quê? – Samasha, desnorteada. – Não era Fênix o responsável pela destruição de tudo?

– Uma ameaça ainda pior vive no seu tempo, garota. Fênix era sim terrível, mas outro perigo, que começou como uma mera faísca, hoje representa labaredas imbatíveis. – define Sherry.

– Como assim? Eu não estou...

– Uma integrante da Gênese, na sua época, carregava a verdadeira escuridão. Era para ela ter sido morta pelo Fênix no passado, mas algo mudou isso e ela continuou viva mesmo após a morte dele. – esclarece Yuko, enquanto come mais doces.

– É o Efeito Borboleta. – afirma Luka, olhando para Sherry e, em seguida, para Samasha. – Se um simples detalhe no tempo é alterado, novas consequências vão sendo acarretadas após isso. É como uma bola de neve.

– Em outras palavras, uma simples alteração ocorrida no passado trouxe uma destruição ainda maior para o futuro. – Akemi simplifica.

– A Sophia-chan desapareceu ao invés de ser encontrada pelo Fênix. Pode ter sido isso o que mudou as coisas?

– Creio eu que sim. – responde Eric. – É provável que o destino dos jovens da profecia seja enfrentar os Soldados da Gênese e morrerem.

– Infelizmente, foi isso o que houve. – lamenta Kenny. – Eu me lembro de tudo. Por Sophia ter sido capturada, os amigos dela tentaram ajudá-la e, ao invés de serem mortos nas mãos de Fênix, morreram nas mãos dos malditos da Gênese.

– Não pode ser verdade! O futuro não tinha que terminar assim! – grita a garota, sem o mínimo desejo de aceitar tamanha tragédia.

– Mas foi o que aconteceu. – rebate Yuko, sendo sincero. – Talvez alterar a soberana verdade do espaço-tempo seja uma tarefa que não cabe a nós, meros humanos.

– Não pense assim, Yu-chan. – pede Eric, fitando-o. – Precisamos acreditar que as coisas possam vir a serem diferentes.

– É verdade. O Dia das Trevas tem que ser detido. – alega Akemi, alternando seu olhar entre todos os presentes, inclusive a dona de Blue.

– Não apenas ele deve ser detido, como os jovens da profecia precisam vencer as batalhas contra os Soldados da Gênese. – afirma Anthony.

– Mas se você matou Fênix, por que não pode contra essa nova ameaça? – indaga a garota.

– Você parece ser inteligente, menina. Mas não o bastante. – observa Luka. – Não entende que esse perigo está em um nível muito além do que Fênix representava?

– Além disso... – Daniel, que na maior parte do tempo permanecera calado, decido acrescentar. – Sem as capacidades de Nagashi Swords, Senshi Yujo e da maior parte de todos os demais envolvidos com a profecia, Fênix ficou em um nível bem abaixo do previsto. Era de se esperar que, nessas circunstâncias, ficaria bem mais fácil detê-lo.

– Daniel-kun está certo. – concorda Sherry, com um tom de voz forçadamente sensual, mas também irônico.

– A verdade é que nós, humanos avançados, fomos uns dos poucos seres vivos que sobreviveram ao Dia das Trevas. – revela Kenny, fazendo com que Samasha observe o céu completamente escuro por mais alguns instantes.

– Nem mesmo os humanos geneticamente “normais” resistiram. – completa Daniel. – E é questão de tempo para que nós tenhamos o mesmo destino.

– Não se pode fazer mais nada? – questiona a estudante de Kyodai.

– Possível é, mas não para nós. – afirma Luka. – Apenas você e as pessoas do seu tempo podem mudar o quadro desse futuro imerso nas trevas.

– Você prometeu que faria de tudo para salvar o futuro, não prometeu? – pergunta Eric, se referindo à promessa da jovem feita para Arashi e os outros, quando os encontrou em sua última premonição induzida.

– Sim, mas...

– Sem “mas”! – grita Daniel, batendo suas palmas abertas contra a mesa ao se levantar, alterando-se totalmente. – Você precisa fazer sua parte para salvar o mundo!

– Eu tentei e olha só o que aconteceu. – diz ela, frustrada. – Apenas piorei as coisas e lancei todos em um destino ainda mais obscuro. Será mesmo que há esperanças?

– Sempre há. – argumenta Yuko, se levantando também, colocando o seu pacote de guloseimas sobre a mesa e apoiando a opinião de Daniel.

– Então por que, pra vocês, fazer algo é impossível? Por que tudo tem que ser jogado nas minhas costas? – tenta entender tal realidade. – Talvez seja eu o problema em tudo isso. Não tenho a força necessária para encarar tanta coisa...

– Errado! – exclama Daniel, se manifestando outra vez. – Esse é o pensamento dos fracos! Quando não se tem força, chorar pela ausência da mesma não resolve nada. É preciso busca-la, mesmo que fazê-lo signifique correr o risco de abrir mão de interesses pessoais.

– Os melhores monumentos são construídos em equipe, menina. – fala Luka. – Por acaso está se esquecendo de todos que estão ao seu lado?

Uma nova sensação toma conta do coração da garota. É o pulsar dos laços que possui com cada um de seus amigos. É o que acontece para provar que não está só, que tem o apoio de outros. É a prova de que a força que busca está em seu interior. É a esperança, a última que morre...

– Chorar não vai resolver absolutamente nada, pois para você, ainda há outras alternativas. – Sherry deixa bem claro.

– Agarre essas alternativas e tire o melhor delas. Pelo bem da humanidade e de toda a vida no planeta. – pede Daniel, mais calmo e controlado. – Por favor...

Samasha se comove com os sentimentos de todos. Apesar de não ser capaz de entendê-los perfeitamente como Senshi, sabe que são sinceros. A garota jamais foi tola e tem consciência de quanto às pessoas no mundo sofrem. E, perante uma tenebrosa situação como essa, a dor de todos é, compreensivelmente, ainda maior.

– O Dia das Trevas foi o momento em que, há cerca de dois meses, a escuridão envolveu a Terra e acabou com toda e qualquer fonte de luz, senão as esperanças dos humanos. Mas até mesmo essas estão prestes a cair em falência. – explica Eric.

– Ainda assim, você é capaz de ser uma heroína e alterar esse destino fatal. – fala Kenny, tendo em concordância as opiniões de todos os demais.

– Uma heroína? – Samasha tenta entender.

Os que ainda estavam sentados se levantam de seus lugares, mas não saem do mesmo ponto. Apenas Sherry, que caminha em direção à dona de Blue. Com uma angustiante seriedade na face, a loira se aproxima da adolescente. E, após instantes, para bem diante dela e sorri.

– Reúna suas esperanças com as de seus amigos e salve o mundo. – pede, gentilmente, curvando seu corpo para aproximar seu rosto do dela.

Samasha não responde, mas passa a nutrir a forte certeza do que quer: ser uma heroína. Pois fugir seria a alternativa de uma fraca qualquer e ela tem a convicção de que deve ser forte, apesar de tudo. Por seus amigos e pela vida na Terra. E também, por seu sonho de infância...

– Esteja preparada, suplicamos. – a loira acrescenta. – Todos nós precisamos da sua força de vontade.

– Tudo bem. Não irei desistir no meio do caminho. Continuarei a lutar por tudo o que é bom, mesmo que eu tenha que perder a minha vida! – exclama Samasha, com a chama de sua determinação renascida. – Não importa se for eu a única a morrer, desde que todos os outros estejam bem e que todo o mal caia por terra, estarei satisfeita!

De repente, o som de um forte impacto chama a atenção de todos. É como se algo, do lado de fora do prédio em que estão, tivesse acabado de ser destruído.

– Acabarei com você! – grita a voz feminina de alguém lá fora.

Todos os presentes correm em direção à janela, que de fato é grande o suficiente para permitir a visão de todos. Seus olhos analisam o que parece ser um capo de guerra. Casas, prédios, tudo está em ruínas. Para os Soldados da Carmesim, nada de novo até aí. A grande novidade é a presença dessas duas inesperadas mulheres.

– Acabou, desgraçada! – repete a mesma dona da voz que falara anteriormente. – Chegou o seu fim!

– Você não pode comigo, não sem a sua outra metade. – argumenta a mulher de “luto”. – Já deveria ter entendido isso, depois de tanto tempo me perseguindo e sendo derrotada em ambas as oportunidades.

– Cale-se! Eu não vou desistir!

– Impossível! – exclama Anthony, no meio de todos os outros, observando ao longe a visão que jamais pensou ter em sua vida. – Ela está viva?

Lá em baixo, a metros do prédio da atual sede da Carmesim, duas mulheres se encaram. Uma delas está com o corpo completamente envolvido por vestes negras, inclusive o próprio rosto. Nem mesmo seus olhos podem ser vistos. A outra, por outro lado, quase não veste nada, já que suas vestimentas encontram-se bastante estropeadas.

– Quem é? Nagashi ou Arashi? – Samasha questiona, entre os atuais membros da Carmesim, ciente de que o futuro que conheceu já não existe mais. É possível que tudo o que conheceu em 2024 tenha sido alterado e, agora, sabe disso.

– É o que eu gostaria de saber. – fala Daniel, olhando para além da janela como todos os seus companheiros.

– Seja quem for, talvez seja ela a maior esperança. – diz Sherry, confiante. – Não: ela é a esperança!

– Arashi... Nagashi... – Luka pronuncia os nomes de ambas, enquanto as lembranças das personalidades específicas da mesma pessoa povoam sua mente no mesmo momento.

– Elas podem salvar o mundo? – pergunta a jovem dona de Blue.

– Sim. E seja quem for que ali esteja, não há melhor oportunidade senão esta! – revela a loira, passando então a olhar para Daniel, que agora está ao seu lado direito. – Tome conta do meu corpo, Daniel-kun. – pede ela.

– Claro! – exclama ele. – Agora, por favor, vá!

O rosto da mulher se move em concordância. De repente, seus olhos se fecham e ela cai, sem consciência, nos braços do amigo.

– O que houve com ela? – pergunta Samasha, assustada.

– Sherry está se arriscando para salvar o mundo. – define Daniel, fitando a estudante, que se encontra repleta de dúvidas.

Repentinamente, uma aura estranha, de coloração azul celeste, sai do corpo da amiga do homem. Em instantes, essa mesma aura vai tomando forma até, em seguida, se transformar na projeção da própria Sherry.

– O que está acontecendo? – indaga a “viajante do tempo”, observando tal coisa sem palavras para uma descrição.

– É o meu poder. – diz a aura que saíra de dentro da loira, levitando a alguns centímetros do chão. – E, com ele, poderei trazer de volta a outra metade da única pessoa ainda viva que pode nos salvar!

Todos se afastam, com passos para trás. Com uma incrível velocidade, a projeção, que há pouco falara, alça voo e passa pela janela, se aproximando das duas mulheres, lá em baixo.

– Swords! – grita a aura, cada vez mais perto da outra loira.

A que é chamada, surpresa, se vira para trás. Seus olhos ficam perplexos quando avista a aura de Sherry Fontaine vindo em sua direção. A Swords, no caso, é mesmo Arashi. Porém, o esperado por todos os Soldados da Carmesim é que a outra metade, que um dia se foi, redesperte...

– Arashi, não é? – questiona a aura, já bem próxima. – Pois, a partir de agora, você será também a Nagashi!

A mulher de vestes pretas demonstra ter o interesse de impedir a aproximação das duas. Entretanto, já não pode fazer mais nada. A mão direita de Arashi Swords, que agora é estendida, se encontra com a esquerda da projeção de Sherry Fontaine.

– Finalmente... – Luka, no prédio da Carmesim, se manifesta, observando toda a cena.

– O mal será erradicado por completo! – Akemi, por sua vez.

– O que exatamente está ocorrendo ali? – indaga Samasha.

– Uma das habilidades de Sherry é a de projetar o próprio espírito, retirando-o do corpo mesmo viva. – Daniel, com a amiga nos braços, começa a explicar. – Já a capacidade original da loira ali em baixo é de absorver as capacidades de todos os outros humanos avançados com quem tem contato. A personalidade que representava Nagashi Swords desapareceu, derrotada, durante um dos confrontos contra os Soldados da Gênese.

– Entretanto, se ela adquirir o dom da Sherry-chan agora e aliar isso à capacidade regenerativa que ganhou de Lucy Rouvier no passado... – Yuko, ao decidir completar o discurso do amigo. – Nagashi Swords renascerá!

Um poderoso brilho arde onde está, agora, Arashi e a mulher desconhecida. Todos que se encontram no velho prédio tentam proteger seus olhos da intensidade luminosa. Contudo, após alguns instantes, a radiação diminui, mas não chega a se dissipar.

– Está feito! – exclama Sherry Fontaine, ao acordar e se desfazer dos braços de Daniel Strauss.

Os sorrisos brotam nos rostos de todos, com exceção da face de Samasha, que demonstra apenas uma incerteza do que, de fato, está ocorrendo. Mas lá em baixo...

– Não pode ser! – grita a mulher totalmente coberta por tecidos negros. – Você voltou dos mortos, maldita?

A Swords, que permanece parada diante dela, continua em silêncio. Um brilho forte ainda a envolve, enquanto suas pálpebras insistem em ficar seladas. Contudo, instantes depois, seus maravilhosos olhos verdes se reabrem. Já não é a mesma mulher de antes.

Ventos fortes passam a cerca-la. Todos analisam a situação impressionados. Dessa maneira, os lábios da neta de Madallena Swords se movimentam, liberando as seguintes palavras:

– Sim, eu retornei. Especialmente para acabar com a sua escuridão! E para relembrar nossos velhos tempos, te presenteando com uma nova surra.

Agora já não existem mais dúvidas. Nagashi Swords ressurgiu. E, do seu corpo, uma aura intensamente vermelha surge e se lança contra a mulher de negro.

– Está louca? Se projetar seu espírito, seu corpo estará vulnerável. – observa ela, enquanto a aura avermelhada se posiciona atrás de si, prendendo com força ambos os seus braços.

– Tem certeza? – indaga Nagashi, sorridente. – Por acaso se esqueceu que, agora, voltei a ser completa?

A loira salta para cima da representante do puro mal, se aproximando rapidamente. Direcionando seu punho direito para ela, grita, em fúria:

– E, com este punho, erradicarei as trevas neste mundo!

O soco atinge a mulher, que é arremessada para metros e metros do seu ponto original, acabando de destruir o que seu corpo encontra pelo caminho. Assim que os pés de Nagashi tocam o chão, a nuvem de trevas que permanecera por tantos dias no céu começa a se dissipar. Em comemoração, sua boca articula a mera e simples palavra:

– Acabou.