Kyodai - The Awakening Of Chaos (Interativa)
17 Capítulo 16 - Protect me, save me, love me
Notas iniciais
Um garoto se entrega aos seus pensamentos rebeldes, sendo deles Senshi Yujo como centro. James Anthony Krum. Ele tenta, se esforça, faz de tudo, mas não consegue deixar de pensar nele.
– Ah, mas que droga! Que drogaaaaaaaaa!!! – grita para si mesmo, deitado em sua cama.
De repente, a porta do quarto se abre, surpreendendo-o. Guiando seu olhar para ela, Jimmy sente seu coração disparar, como sempre lhe acontece ao vê-lo.
– O que foi que aconteceu com você? Por que está gritando, Jimmy-kun? – questiona Senshi, entrando e fechando a porta, com calma.
– Tive um dia estressante... – disfarça, virando seu rosto para a parede ao lado esquerdo de sua cama. Em hipótese alguma, quer manter contato visual com ele. Não depois de passar minutos e minutos com a figura do mesmo em sua mente.
– Eu sei que é blefe, ta? – fala o recém-chegado, caminhando em direção à própria cama.
– Como é? – tenta entender, lhe direcionando o rosto, mas continuando a evitar o contato visual.
– Eu sei o que está acontecendo contigo. – afirma, assentando-se em sua cama.
– Sabe? – indaga o outro presente, surpreso.
– Sim, eu sei. – afirma, deitando-se, enquanto toma o teto como foco do seu olhar.
Mentalmente, Jimmy se pergunta: será que ele está falando do que eu estou pensando? Mas como ele poderia saber? Para o veterano, tudo não passa de confusão. O mais provável é que Senshi está se referindo a qualquer outra coisa. Mas de qualquer forma, que importância teria isso justo agora?
– Se importa se eu dormir só de cueca? – questiona o mais alto, olhando para o menor mais uma vez.
Bateria de escola de samba, e das mais potentes. Existe um exemplar bem no peito esquerdo de James, em plena atividade, nesse instante.
– Jimmy-kun, tem problema ou não? – insiste, após segundos de silêncio.
– Ah, claro... Não se preocupe com isso, não tem problema nenhum. – fala o outro, com o rosto bem ruborizado, virando todo o seu corpo para a parede. Imagina se Senshi visse sua face toda corada? O que ele iria pensar?
– Beleza então. Eu estava mesmo morrendo de calor... – articula o garoto mais velho.
Primeiro, Senshi retira o blazer, jogando-o ao chão sem nenhum cuidado. Faz muito o tipo “faço bagunça, mas faço ela bem feita!”. Em seguida retira sua camisa, seu par de tênis e, por fim, sua calça. Disfarçadamente, Jimmy da uma espiada no processo que, para ele, é um imperdível espetáculo. Por outro lado, um tanto quanto proibido.
Um longo e profundo bocejo de Senshi anuncia que está prestes a se entregar ao sono. Para seu organismo, acostumado com longas noites e curtos dias, ainda é cedo. Entretanto, tanta coisa lhe aconteceu, que os sonhos parecem querer lhe visitar um pouco antes do rotineiro.
– Boa noite, Jimmy-kun. – diz ele, olhando para James com um agradável sorriso estampado em seu rosto.
James fica sem o que fazer. Acabou sendo capturado pelo olhar dele, que tanto evitara. O contato visual acaba acontecendo e, como o mais novo não esperava, tudo o que consegue articular em resposta é:
– Boa noite.
Sem cobertor, sem lençóis, sem nada. Apenas a cueca branca do mais alto, deitado de costas, impede que seu admirador não veja seu corpo por completo. Ah, se pudesse, Jimmy não ficaria apenas observando...
– Para com isso! – James pensa, repreendendo a si mesmo, desviando seu olhar para a parede, outra vez. – Deixa de ser idiota!
Enquanto um luta para reter seus pensamentos rebeldes, o outro sorri, de olhos fechados, por se lembrar daquela garota indomável. Poder abraça-la, oferecer a sua companhia quando ela se via em solidão... Sim, foram coisas que lhe garantiram felicidade. Não há dúvidas: Senshi está apaixonado por Nagashi. E, no fundo, ele sabe que ela sente o mesmo por ele. Contudo, está disposto a provar que destruir a escuridão que se instalara ao redor da última Swords é a sua maior prioridade. É dessa forma, pensando nela, que o garoto cai no sono.
Jimmy respira fundo. Quer, a todo custo, dormir. Não suporta mais passar o dia e a noite pensando no seu companheiro de quarto. Por quê? Por qual razão não consegue tirá-lo da cabeça em nenhum momento? Por qual motivo não é capaz de vê-lo apenas como um amigo, mesmo com a certeza de que isso é tudo o que Senshi, para si, será?
– Eu já deveria ficar feliz tendo a amizade dele... – imagina, enquanto observa os “neutros” traços da parede. – Mas... Será que faz mal dar mais uma olhadinha?
Jimmy, entre a hesitação e a certeza, vira parte do seu rosto, para que possa ver o seu companheiro de quarto. Ele já está dormindo.
– Quando dorme, Senshi-kun fica ainda mais... – intercepta sua própria mentalidade, relembrando-se da verdade: por mais que queira, como algo além do que mero amigo, nunca o terá.
James respira fundo. Notando que seu observado está mesmo em profundo sono, se acomoda melhor em sua cama, direcionando todo o próprio corpo para o mais velho. Como gostaria de estar mais próximo, sentir o calor humano que exala de Senshi, desfrutar de...
– Tá, já chega. – sussurra para si mesmo. – Se eu chegar mais perto, ele não vai perceber, vai?
Jimmy, se levanta, silenciosamente, como um legítimo gatuno. Claro, o estudante não se classifica nessa “ordem”. Mas sabe agir como um quando necessário. Aos poucos, se aproxima da cama do “cabelos prateados”, parando então a míseros centímetros do dorminhoco.
– Por que eu tenho que te amar tanto? – se pergunta mentalmente, ao desenhar um leve, mas sincero sorriso em sua face, enquanto observa a de Senshi.
Domado por seus próprios impulsos, o menor dos três adolescentes que “habitam” o local começa a se curvar, aproximando-se do seu alvo. O seu lado que insiste em dizer que isso é errado está fraco, incapaz de reter o ardente desejo que o consome.
– Por favor, me perdoa... – pede, com os seus lábios quase colados aos dele.
É impossível se segurar mais. Quando nota, sua boca já está atrelada a de Senshi, tomando-a para si com paixão e volúpia. A todo custo, quer e precisa aproveitar esse momento, que no fundo, se autointitula como o único.
De repente, a palma esquerda de Jimmy ataca o peito direito do que ainda dorme. A pressão do seu beijo aumenta, assim como a vontade flamejante de pular em cima do maior e fazer dessa noite a melhor da sua vida. De fato, o maior tem um sono pesado. E bota pesado nisso! Porém...
– Jimmy-kun... – a voz de Senshi ecoa, sendo a primeira vez que seu ouvinte tem o desprazer de escutá-la.
As carícias cessam, assim como o beijo. Assustado com sua própria atitude, dando-se então conta do que estava fazendo, o guitarrista se afasta de modo brusco. Entretanto, antes que a distância se torne grande demais, a forte e firme mão direita de Senshi paira sobre o braço esquerdo do “amante do rock”.
– Desculpa, desculpa, desculpa... – pede James, desesperado com essa situação. – Eu nunca deveria ter feito isso, nunca...
– Não se desculpe. – fala, com uma voz tão tranquila e inesperadamente equilibrada, que as palavras do outro são cortadas e dilaceradas de imediato. – Fui eu que deixei.
– Como é que é? – Jimmy, pasmo e mais pálido que um fantasma de dieta.
– Isso mesmo que você ouviu: fui eu que deixei. – insiste, com uma expressão séria, mas ainda assim apaziguadora.
James não entende. Desta vez, sente-se mais confuso e perdido do que jamais se sentiu. Como assim “fui eu que deixei”? Isso não faz sentido algum, não para a mente do sobrinho de Amme Krum.
– Você estava fazendo tudo de propósito para que eu...
– Jimmy... – Senshi o interrompe, lhe mostrando um sorriso. – Eu sei muito bem o que é desejar alguém que não se pode ter, sofrer por quem não sofre por você. Acredite: eu sei sim, e muito bem, como é!
James não tem o intuito de dizer nada, não por enquanto. A prioridade agora é escutar tudo o que seu colega de quarto tem para falar.
– Eu não amo você. – Senshi se apronta em afirmar tal coisa, deixando o coração de Jimmy em frangalhos. – Mas também não poderia te ver sofrer assim e fingir que nada estava acontecendo. Não sei se vai achar certo o que fiz, mas... – com uma pausa de alguns segundos, ele logo prossegue. – Mas eu me importo com você. Estive disposto a fazer, mesmo que por breves instantes, algo pelo que sente por mim.
Jimmy ainda se encontra sem palavras. Raciocinar nesse momento está sendo difícil. Senshi havia deixado aquele beijo rolar por... Pena?
– Foi por ser seu amigo. – alega Senshi, deixando-o ainda mais surpreso. – Foi por ser seu amigo que eu quis te mostrar que meus beijos nunca poderão representar nada mais do que toques.
James sente um aperto no peito, mas acaba entendendo a frase do amigo. Por mais que aquele beijo tenha, de fato, acontecido, ele não sentira o mesmo sentimento, nem o mesmo desejo vindo de Senshi. Foi como amar sem ser amado de volta...
– Foi a única alternativa que encontrei para que você entendesse que precisa encontrar um outro alguém. Não serei capaz de atender as necessidades do seu coração... – alega Senshi, erguendo-se da cama, posicionando-se de forma que possa se manter assentado.
Ele liberta o braço do seu ouvinte. Sabe que, a partir de agora, ele não tentará mais fugir.
– Me perdoa por...
– Ninguém manda no coração. Logo, ninguém tem que pedir perdão pelo que sente. – declara, interrompendo-o outra vez.
Senshi curva seu corpo para o chão, para que possa recuperar sua camisa e suas calças. Não estava blefando ao dizer que estava com calor. Pelo contrário, calor é algo que o adolescente sente quase que naturalmente. Ainda assim, veste suas peças sem hesitar.
– A partir de hoje, nunca mais vou te tentar. É uma promessa! – declama, alegre, contrariando o que uma situação como essa impõe.
Jimmy sorri de volta. Mantendo o contato visual com ele, que há pouco recusara a torto e direito, o guitarrista se manifesta:
– Posso te fazer um pedido?
Antes de responder, o questionado indica o seu lado esquerdo na cama, com a respectiva palma sobre tal. Assim que James se assenta, um pouco envergonhado, ele responde:
– Pode.
– Eu posso... Te beijar de novo?
Senshi não se surpreende. Na verdade, já estava mais do que preparado para um pedido como esse.
– Se não quiser, tudo bem, sei que estou sendo atrevido de...
– Pode. – afirma, calando-o novamente. – É o último?
O menor, alegre, mas envergonhado, corresponde:
– Sim, eu prometo.
Concedida a permissão, Jimmy então se aproxima outra vez. E o beija. Ambos fecham os olhos, mas apenas o mais novo sente a emoção de tocá-lo. Ciente disso, James Anthony Krum também sabe que será essa a última oportunidade que terá de desfrutar do que tanto preza. O guitarrista, mesmo tendo essa certeza dentro de si, pretende eternizar esses poucos instantes como relíquias em seu coração...
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– Você está bem mesmo, Saito-kun? – pergunta Kaoru, caminhando ao lado direito do primeiranista.
– Estou sim, acho que ela pegou leve comigo...
O assunto é o “ataque de fúria” de Arashi. Bem, na verdade, os dois não entendem bem que ela não era Nagashi propriamente dita. Ainda assim, conversam sobre:
– Mas você também pegou leve com ela. Já vi o que você fez com aqueles caras que tentaram roubar seu pen drive cheio de episódios de Sword Art Online, no ano passado...
– Tá, você está certo. Mas vamos esquecer isso, beleza? Mesmo ela com aquela força de elefante, eu não posso bater em uma garota, Kaoru-kun...
O loiro sorri, fitando o amigo e dizendo:
– Não esperaria comportamento diferente vindo de você.
Saito demonstra ter o interesse de dizer algo mais, mas não o faz. A razão: Juli surge, da direção para qual a dupla caminha, vindo contra eles.
– As garotas desse colégio são muito temperamentais. Essa ai é um exemplo vivo. – alega o terceiranista, enquanto a ruiva se aproxima.
Os dois cessam seus passos, devido ao intenso olhar que ela lança para ambos. Assim que a colega de sala do “cabelos azulados” chega perto o suficiente, para diante dele e fala, com as mãos na cintura:
– Saito, você gosta de ruivas?
– De ruivas? – repete, um pouco confuso. – Sim, eu gosto sim. Por...
Ele é calado. Juli, na ponta dos pés para alcançar o alto garoto, lasca um beijo ousado do amigo de Kaoru. Sem reação, o mais novo dos presentes não impede.
– Beija bem... – conclui ela, ao dar o beijo por encerrado, alisando seu lábio inferior com seu indicador direito.
Kaoru analisa os dois, sem entender absolutamente nada. Um tanto quanto surpreso, Saito se mantem em silêncio, enquanto Juli avança na “investigação”. Atirando sua mão esquerda contra a camisa branca do garoto, que agora se encontra sem seu blazer, diferente do seu amigo ao seu lado, a ruiva deixa todo o tórax e o abdome do maior à mostra.
– Unh... – uma expressão lasciva toma controle do rosto dela, que observa com atenção o que vê. – Que tanquinho perfeito, hein? Você não é o Senshi, mas também tá podendo...
De imediato, ele usa sua mão esquerda para abaixar a camisa. Com o rosto levemente corado, a encara. Por tal razão, a repetente do primeiro ano ri.
– Será que sua bunda é boa também? – pergunta ela, curvando o corpo para a direita, tentando ver a “parte traseira” do colega de classe.
– Epa, epa... – Saito reage. – Eu não sou de pegação não, Juli-kun.
Assumindo, de novo, uma posição ereta, ela se entrega a leves risos, dizendo:
– Bem, se sentir algum interesse...
A ruiva dá um novo beijo para ele, mas um mais leve e breve. Tomando passos para seguir seu percurso no corredor, ela encerra, mantendo o sorriso lascivo:
– Sabe onde me procurar...
Kaoru e Saito observam, em fiel silêncio, o afastar dela. Assim que a garota some no horizonte, ao cruzar a esquina do corredor, o loiro se manifesta:
– O que foi isso?
– Não faço ideia...
– Saito-kun! – alguém clama.
Os dois viram seus rostos para frente. Desta vez, é Samasha quem se aproxima.
– Oi Samasha-kun, tudo bem? – o garoto a cumprimenta, sorridente.
– Tudo sim. Como vai você, Kaoru-kun?
– Vou bem, obrigado. – corresponde educadamente.
A garota se posiciona diante de Saito. Fechando suas pálpebras, abre seus lábios para proferir novas palavras, tímida:
– Saito-kun, você gosta de mim?
– É claro! Você é muito legal!
– Sério? – indaga, ainda mais corada, mas sem deixar de olhar em seus olhos.
– Seríssimo!
Kaoru percebe a aproximação de outra garota. Desta vez, é Lucy. Saito e Samasha, porém, não notam. Quando o primeiranista percebe, já está ocupado demais com um inesperado beijo da colega de classe.
– Também gosto muito de você. – afirma ela, ao interromper o beijo de poucos segundos.
Ele a encara, surpreso. Tímida, a garota diz, correndo para se afastar:
– Até mais, Saito-kun, Kaoru-kun!
Sem entender, o garoto olha para Samasha, até que ela desaparece, como Juli há pouco. Ao virar seu rosto para frente, leva um certo susto ao se deparar com Lucy, bem diante dos seus olhos.
– Lucy-kun? – concluiu, com a mesma expressão de surpresa. – Vai me dizer que veio me beijar também?
– Claro que não, garoto tarado. – responde, com uma cara de indiferença. – Só vim te alertar para ter cuidado com a Nagashi, aliás, com a Arashi que vive dentro dela. Claro, se for inteligente o suficiente para aceitar bons conselhos...
Fechando seus olhos, a “cientista maluca” toma o mesmo rumo tomado tanto por Samasha quanto por Juli. Os dois amigos observam, até Kaoru articular:
– Você tá podendo, hein?
– Eu? – Saito, ainda abalado por tamanhas surpresas.
– Essa preocupação da Lucy-san foi o “beijo” que ela te deu. – afirma, rindo.
– Ah, se você não parar de falar besteira, nunca mais te empresto os meus mangás de Hunter x Hunter! – exclama, com um rosto sério.
O loiro capta a mensagem. Sentindo o valor da ameaça, engole seco e declama:
– Tudo bem, foi mal... Não está mais aqui quem falou...
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No quarto compartilhado por Jayden Valentine, Daisuke Saruma e Yuong Tsukyomi, o primeiro dos três se encontra em sua cama. Com uma prancheta de desenhos, uma folha de papel sobre ela e uma lapiseira em mãos, o terceiranista se atenta à atividade que tanto gosta.
– Reparando bem... – inicia para si mesmo, ao terminar o desenho de um garoto e uma garota se beijando. – Esses dois se parecem muito com o Saito-kun e a Samasha-kun...
De repente, a porta se abre de uma só vez, dando um certo susto ao garoto que jamais abandona seus all star, que agora se encontram ao chão.
– Yuong-kun, vai com calma... – pede Daisuke, quase sendo devorado pela boca do mais alto.
– Calma você que tem que ter! A gente só ta dando uns amassos, nada mais. – alega, ao interromper os beijos “salientes” por alguns segundos, mas retomando-os logo depois.
O terceiranista, atrelado ao corpo do menor, vai se aproximando da cama do mesmo, até que ambos tropeçam, caindo um sobre o outro nela. Ainda assim, os amassos não cessam, pelo contrário, apenas aumentam a intensidade.
– Opa, pode ir parando essa sua mãozinha safada! – exige o que está por baixo, interceptando a palma direita do outro, que atacara a região do seu baixo ventre, com sua própria.
Yuong ri, mas não abandona os lábios, agora bem vermelhos, de sua vítima.
– Ei, vocês dois não perceberam que eu estou aqui não? – Jayden, indignado. – Eu não tenho que ver vocês dois se atracando assim não, oras... Até parece que isso é um show precisando de plateia, poxa... Por acaso é gratuito? – continua a resmungar. – Eu não me lembro de ter comprado ingresso!
– Ah, Enzy-chan, há vezes em que você fala demais. – conclui, Yuong, desviando seu rosto para o amigo, distante.
Daisuke se dá conta da presença do outro companheiro de quarto. Um pouco envergonhado, empurra o mais velho até que ambos se assentem na cama.
– Desculpa, foi ele que me atacou. – alega, apontando para o mais velho dos três com seu indicador direito.
Yuong demonstra uma expressão emburrada. Um pouco irritado, lança seu olhar fatal para Jayden, ao articular:
– Viu o que você fez? Logo agora que eu...
– Yuong-kun, precisamos respeitar as pessoas. Pare com isso! – exclama Daisuke, como se desse uma ordem, fitando-lhe.
Bufando irritado, o maior cruza os braços, revirando os olhos.
– Estava querendo participar da brincadeira, Enzy-chan?
Jayden, sem pensar duas vezes, pega seu travesseiro e o atira contra o colega de quarto e de classe, logo após colocar seus objetos de desenho sobre a cama. Porém, o mais safado dos três pega o travesseiro sem problema nenhum para tal, mandando um beijo provocante para o “atirador” logo depois.
– Eu não sou a Nagashi-san, mas ainda posso te dar um soco. – afirma Daisuke, jogando sobre o companheiro um olhar ainda mais rígido e fatal.
– Você é do tipo sadomasoquista, Daisuke-kun? He, eu não sabia disso... – brinca Yuong.
Jayden não se segura e acaba rindo. Apesar disso, sente uma intensa vontade de sair do local. Mesmo sabendo que os dois não farão “nada demais”, acha melhor deixa-los a sós, mesmo que por alguns segundos.
– Bem, vocês dois vão ter um tempinho só pra vocês. Vou dar uma saída.
– Aonde vai, Jayden-kun? – questiona Daisuke, curioso.
– Vou tomar um ar. – responde, calçando seu par de tênis.
Levantando-se da cama, o garoto caminha até a porta. Acenando sorridente, se despede:
– Até mais! Daqui a pouco estou de volta, então aproveitem...
Jayden abre e fecha a porta. Em seguida, Yuong olha para Daisuke, refazendo seu sorriso “impuro”.
– Tô louco para te ver gemer...
– Eu acho que vou dar uma saída também. Vou pedir Nagashi-san para vir aqui e te dar uma boa surra.
– Oh... Teria coragem de fazer isso comigo? – pergunta, com um tom choroso e uma expressão de cão abandonado.
Daisuke sorri.
– Claro que não, seu bobo...
Enquanto isso, do lado de fora, Jayden caminha pelo corredor, se afastando cada vez mais. Levando certo tempo, ele chega ao jardim principal do colégio. É um lugar afastado dos quartos, mas que lhe faz bem. Inspirando, suas narinas capturam o ar gelidamente agradável, fazendo com que um radiante sorriso tome conta de sua face. É quando se lembra das palavras de Sophia Cianno, de cada uma delas.
Retirando de um dos bolsos de sua calça uma folha de papel, Jayden o desdobra. Seus olhos se enchem de esperança ao, por mais uma vez, avistarem o desenho que nele se encontra: dois garotos, um ao lado do outro, assentados em um jardim. Sem consegui evitar a alegria, ele diz para si mesmo:
– Ainda acredito no amor...
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