Kyodai - The Awakening Of Chaos (Interativa)
16 Capítulo 15 - Night hunting
Notas iniciais
De noite, ele sai com suas garras, à caça
De algo para amar."
---Sylvia Plath
Boa leitura!!
O dia avança, e então chega a noite. Em seu quarto e em sua cama, está Senshi Yujo, entretido com a leitura de um livro de romance. É seu gênero favorito, apesar do seu gosto eclético. Seus dois companheiros de quarto, Gingamaru Pride e James Anthony Krum, não estão no local.
– Posso entrar? – pede uma voz feminina, mesclada por leves batidas na porta.
– Pode... – permite ele, nada animado, já ciente de quem se trata.
A garota se mantem no vão da porta, com dificuldade, devido às duas taças de sundae de morango e chocolate, cada uma em uma mão. Ela se sente instável assim que dá de cara com o garoto, sem camisa, lendo um livro.
– O que foi? – indaga ele, colocando o livro, de capa para cima, sobre o início de suas coxas.
– Preciso falar com você. Trouxe isso... – ela indica o sundae na mão esquerda, tentando se concentrar na observação do rosto de Senshi e não no seu corpo.
– Obrigado. – agradece, com um sorriso um tanto quanto forçado.
Empurrando a porta com seu pé direito, a ruiva entra e caminha em direção a ele. É quando, dando-se conta da falta da camisa, o leitor a pega na cabeceira direita da cama, vestindo-a mais que depressa.
– Tentando me seduzir? – questiona, na mistura de brincadeira e sermão.
– Não. Dessa vez, não. Apenas vim te pedir desculpas. – libera, assim que seu ouvinte “acerta” seu corpo e retira as pernas da cama, apoiando-as no chão.
– Pelo que? – tenta saber, no instante em que ela se assenta ao seu lado direito.
– Pelo meu comportamento com você. Eu agi errado e agora sei que você não é desses caras.
– Que caras?
– Desses que pegam qualquer uma e que só querem saber de passar o rodo geral... – enfatiza.
Ele ri, dizendo em seguida:
– É, acho que não sou mesmo não...
– Acabei sendo superficial e inconveniente demais com você. Principalmente quando eu “meti” a mão naquele lugar. Me desculpa...
– Sem problemas, está tudo bem.
– Sério? Nem preciso do sundae para te persuadir a me perdoar? – indica o de sua mão direita, estendendo-a para ele.
– Hehe... Eu até que aceito, mas não precisava... – fala, tomando para a taça para si.
– Talvez não, mas não custa nada ser gentil.
Juli, enquanto ambos degustam seus sundaes, o observa com um olhar doce e angelical por fora, que não passa de puro teatro, pois por dentro seu espírito é lascivo e manipulador. O mais velho finge não perceber, comportando-se de como um alienado aos possíveis objetivos dela. Entretanto, de uma maneira quase que sobrenatural, ele já tem ciência do que a veterana quer.
– Eu gosto de você, Senshi... Quero que aprenda a gostar de mim também e estou disposta a fazer isso acontecer, mas de um modo que seja verdadeiro e justo... – revela, contrariando a aura captada pelo garoto.
– Isso depende... Talvez você não goste de mim da maneira que eu gostaria. – lança, com sutileza.
– Por quê? – rebate, se aproximando por alguns centímetros, interrompendo o saborear de seu sundae.
Decidido a entrar no jogo dela, mas sem ultrapassar seus próprios limites, o integrante do mais novo clube de gatos de Kyodai esboça um sorriso artificialmente erótico.
– Não faz mesmo ideia?
– Não gosto muito de imaginar. Prefiro ouvir, ou sentir... – declara ela, devassa.
– Pensei que você era do tipo que gostava de joguinhos... – diz, tendo na verdade, a perfeita consciência de que tal ponto de vista sobre a primeiranista é válido.
– Depende dos joguinhos. Os excitantes são os meus preferidos. E, para falar a verdade, alguém como você também é. Saberei te conquistar de agora em diante...
– Será mesmo? Asseguro que usar métodos diretos demais como sair apertando o que não deve não funciona comigo.
Ela se aproxima mais. Não irá desistir dele tão fácil...
– Serei sagaz com você. – declama, com seus rostos bem próximos. – Quando eu te ter, não vai querer nenhuma outra.
Juli tenta lhe dar um beijo, mas Senshi desvia o rosto, assim como também afasta sua taça, colocando-a ao chão. Ela se irrita um pouco com a atitude dele, e reclama:
– Você não me quer, não sente atração por mim? Por acaso é gay? – lança, afastando sua face, que recebe o olhar risonho do garoto.
– E se eu fosse bi, o que iria dizer?
– Você é? – tenta descobrir, pasma com a possibilidade de uma resposta positiva.
– O que você acha? – questiona, arqueando a sobrancelha esquerda.
– Eu acho que você é um gostoso, por quem estou louca para desfrutar e aproveitar o sabor. – afirma, assim que seu sorriso imoral renasce.
Os olhos de Senshi parecem ter dificuldades para se manterem abertos. Um repentino sono o invade.
– Eu pularia no seu colo agora e transaria com você que nem uma louca. Faria desse quarto o palco de um sexo delicioso e estonteante, mas dá para ver que não é mesmo um cara que só pensa nisso. É raro encontrar garotos como você: lindos, deliciosos e imaculados. Chega a confrontar a ideia de que ninguém é perfeito.
– Isso foi um elogio?
– Considere sim como um elogio. – define ela.
– Então... Já que, aparentemente, resolvemos nossa questão, poderia me dar licença? Preciso ir dormir.
– Claro. – diz, se levantando. – Mas nem vai terminar seu sundae?
– O Jimmy-kun, ou o Gingamaru, quando um dos dois chegarem, farão esse favor por mim. Apaga a luz quando sair, por favor. – pede, fechando seus olhos sem ao menos conferir a saída da ruiva.
Ela sorri. Por alguns instantes, se perde na visão do sereno rosto dele. É quase como um anjo, não só por sua aparência, como por sua personalidade. Como não se encantar por Senshi? É o que, não só ela como várias outras estudantes de Kyodai pensam. Seria, então, certo fazer o que pretende? Logo com alguém tão bondoso, justo e tão carismático?
– Não dá para voltar atrás. Já está até fazendo efeito... – pensa, se lembrando da substância que havia colocado no sundae dele antes de presentear sua vítima com tal. – Hoje eu vou me deliciar com você, Senshi...
Aparentemente, o cobiçado já se encontra em estado de sono profundo, recostado sobre seu travesseiro, tranquilo como só. Juli se aproxima, assentando-se na cama outra vez. Entretanto, diferente de antes, não há sinal algum de que ele virá a reagir. Sem tempo a perder, leva sua palma esquerda para dentro da camisa do seu alvo, acariciando o par inferior de seis gomos bem definidos do abdômen da vítima.
– Você é a minha caça, Senshi... – sussurra, aproximando sua face.
– Então, sinto em lhe dizer, mas errou ao escolher seu alvo, predadora... – conta ele, reabrindo seus olhos do nada e interrompendo as carícias dela ao apertar o pulso da ruiva com sua palma esquerda.
Juli se encontra pasma. Como ele poderia estar em sã consciência?
– Você achou mesmo que iria me pegar nesse seu planinho? – questiona, se sobrepujando sobre ela de modo abrupto, jogando-a para a outra porção da cama, colocando-se sobre a garota, ao fixar ambas as mãos sobre seus pulsos. – O que quer?
A primeiranista tenta responder, mas é interrompida:
– Não precisa se dar o trabalho de responder. Dá para ver nos seus olhos até que não fez tudo isso sozinha. Quem mais está nessa?
Ela desvia o rosto, sem o interesse de esclarecer a dúvida do garoto. Até agora, não consegue acreditar como ele se encontra em perfeita sanidade após ingerir a substância sonífera adicionada ao sundae, pela própria. Uma típica decisão de retardar a presa antes do bote preciso, mas que terminou em fracasso.
De imediato, Senshi entende, afinal. Entende que, além de Juli não estar sozinha na arquitetura suja, ele não é o único alvo. É quando, desesperado, salta de sua cama e corre em direção a porta, abrindo-a de uma só vez, deixando a outra ali, que nada compreende. Sem pensar em mais nada, o estudante avança no corredor, determinado a alcançar aquela pessoa em seu objetivo, para que possa impedir algo pior...
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– O que está fazendo aqui? – questiona a loira, assim que abre a porta para atender o garoto, agora, bem diante de si.
– Vim trazer um suco de laranja para você... – define ele, sorrindo levemente.
– Eu não te pedi nada. Agora some! – ela dispensa, com o intuito de fechar a porta.
– Por favor, precisamos ter uma conversa importante.
– Nada que vem de alguém como você pode despertar interesse em mim. Quando finalmente entenderá isso? – indaga, com as pálpebras entrefechadas.
– É sobre o que a Lucy falou com a gente...
A garota reflete por alguns segundos. Teria ele algo a falar que pudesse, de fato, interessa-la? Diferente do que o garoto pensa, não se trata de Nagashi, mas sim de Arashi, a outra consciência que habita o mesmo corpo da neta da falecida Madallena Swords.
– Então entre logo e seja breve. Não quero ter que explicar sua indesejável presença para aquelas duas, quando chegarem aqui... – diz, abrindo espaço para que ele adentre o local, fazendo referência às suas companheiras de quarto, Samasha e Tsubaki.
– Obrigado. – libera, sentindo-se vitorioso por dentro ao concluir a primeira etapa do seu plano.
Gingamaru, ao entrar, escuta o forte bater da porta. A pessoa que julga ser Nagashi está ainda mais ríspida do que de costume. Ele anda até a cama dela e se assenta, e Arashi faz o mesmo segundos depois, cruzando seus braços, observando-o com um firme olhar.
– Desembuche. – exige, crítica.
– Tome o suco enquanto isso. A conversa é longa... – antecipa, oferecendo o copo de refresco para ela.
Observando-o, a “outra face” de Nagashi, enquanto o “inocente garoto” supõe que é a própria, faz ideia de que Gingamaru está com segundos interesses. Entretanto, decide ir a fundo ao que ele quer. Seja o que for, diz para si mesma que o “santinho” se arrependerá de desafiá-la.
– Fale logo! – exclama, tomando o copo de suco para si.
– Você acha mesmo que as coisas que ela disse são verdadeiras?
– Não tenho razão para não acreditar. Até por que eu já sabia de muita coisa que ela contou. – responde, tomando um gole do suco de laranja.
– Já sabia? – replica, curioso.
– Há muitas coisas que pessoas como você desconhecem. – o alfineta, com um olhar frio e arrepiante.
– Talvez não sejam coisas que eu deva conhecer.
– Tem razão. Às vezes, é melhor se manter alienado daquilo que não se entende. – corresponde, com um ar estranho e intrigante.
Com mais outro gole, ela é fitada pelo companheiro de classe. Ansiando o efeito do que colocara no suco da loira, ele aguarda, com um moderado sorriso. Sentindo-se estranha, a loira comenta:
– De repente, me bateu um sono...
Não leva muito tempo e, após sua frase final, Arashi desmaia, perdendo a consciência, caindo de cabelos ao travesseiro, deixando o copo cair ao chão e sofrer alguns danos, enquanto o suco é quase todo derramado.
– E não é que a destemida foi vencida até fácil demais? – reflete ele, saliente, louco para atacar a presa, aparentemente tão frágil e inofensiva, diante de si.
Gingamaru apoia cada uma de suas mãos na cama, cercando-a e focando seu peso em apenas um ponto para se aproximar o suficiente e conseguir o que tanto deseja.
– Tá para nascer uma garota assim, Nagashi. Nunca conheci ninguém tão sexy como você. – diz, confiante, já a quase nulos centímetros dela.
De repente, algo o acerta, comprovando que sua tese pode abranger outras características, além das já esperadas. Impulsionado pelo impacto, Gingamaru vai parar no chão.
– Exatamente. O mundo está precisando de garotas como eu. Contudo, você cometeu um erro conceitual, seu desprezível. – afirma ela, erguendo-se sorridente e assentando-se sobre a cama.
Sem acreditar, o garoto tenta se levantar de onde caiu, de costas e com dificuldades devido a força do soco recebido. Pasmo, volta a encará-la, com o nariz sangrando.
– Eu não sou Nagashi. – afirma ela, deixando-o incrédulo.
Gingamaru navega nos olhos da loira. De fato, ela parece até mesmo outra pessoa. Não havia notado, mas a atmosfera que a envolve sofreu certas mudanças, só não saberia dizer quando isso aconteceu.
Arashi se levanta da cama, caminhando em direção a ele. Afastando-se com alguns passos para trás, ele não sabe o que fazer. Mesmo que possa confrontá-la diretamente, o garoto jamais teria coragem de encostar um dedo sequer em uma garota.
– O que é? Está com medo de mim? Ou por acaso não quer se proteger por achar que homens, por serem mais fortes, não devem agredir as mulheres?
O “castanho” não responde, mas também nada faz, por desconhecer a melhor atitude a se tomar. Parada bem diante dele, a presa nem tão inofensiva assim completa:
– Tenho uma boa nova pra você: no meu caso, essa regra não tem coerência alguma.
Assim que declara tal frase, um segundo golpe o acerta, jogando-o para além da porta, lançando ambos para a distante parede. Assim que suas costas chocam-se contra ela, o predador encurralado cai de mãos e joelhos ao chão.
– Não me importa se são homens ou mulheres. Aqueles que desafiarem a mim e se colocarem no caminho de Nagashi serão dilacerados. – determina ela, passando pelo vão da porta.
Ferido, Gingamaru tem dificuldade para se levantar, enquanto a garota, com um ar ameaçador, se aproxima.
– A sua caça não saiu como o planejado, não é, caçador? – debocha, ao parar centímetros diante dele. – É lamentável quando um predador, ao subestimar sua presa, é encurralado e descobre que seu alvo não é tão inofensivo quanto pensara...
– O que está acontecendo aqui? – questiona Saito, ao surgir da direção esquerda de Arashi, bem no início do corredor.
Ela, ao ouvi-lo, assim como Gingamaru, guia seu olhar para o primeiranista. Acompanhado por seu amigo Kaoru, ele caminha apressado, tentando entender a situação.
– Não é da sua conta. Cuide da sua vida. – exige a garota.
– Não precisa falar assim. Só quero saber o que está acontecendo. – explica, se aproximando.
– Quem foi que disse que você precisa entender alguma coisa aqui? – se irrita, direcionando todo o seu corpo para Saito.
O garoto, ao lado direito de Kaoru, para a poucos centímetros diante dela. Sem se abalar com a expressão ácida de quem, até o momento, é confundida com Nagashi, o estudante do primeiro ano pergunta:
– O Gingamaru-kun está te causando problemas?
– Não é nada demais, Saito. – fala Gingamaru, sorrindo – Tá tudo bem...
– Como que está tudo bem se o seu nariz está sangrando e a porta do quarto está aqui, arrebentada?
– A Nagashi-chan só se irritou um pouquinho.
– Eu já falei que esse não é o meu nome! – grita, apertando o estômago do garoto com seu punho direito cerrado, fazendo-o gritar de dor.
– Não machuque ele! Por que está fazendo isso? – Saito tenta saber.
– Já falei que não é da sua conta! É melhor cuidar de você mesmo ou vai ter que arcar com as consequências de meter o bedelho onde não é chamado.
– E como posso deixar você ferir o meu amigo sem nem ao menos entender isso aqui?
Kaoru, analisando a situação, percebe que Gingamaru fora retirado do quarto à base da força. É quando se lembra das revelações de Lucy Rouvier, refletindo:
– Será que ela...
– Quem você pensa que é? Acha que pode se colocar no meu caminho?
– Se para ajudar um amigo for necessário isso, sim, eu posso sim. – confirma, encarando-a sem medo.
Enquanto uma mão aperta o pescoço de Gingamaru, o mesmo punho cerrado o pressiona contra a parede ainda mais, retirando dele um novo urro de dor.
– Já falei para você parar com isso! – grita Saito.
Repentinamente, a perna direita da loira se move contra o primeiranista. Entretanto, ele desvia do golpe de uma maneira extremamente ágil, chegando a impressioná-la. Em seguida, o amigo de Gingamaru usa sua mão esquerda para agarrar o calcanhar da loira, tentando detê-la. Apesar disso, Arashi retira o pulso do pescoço do defendido por Saito, tentando socar a cara do primeiranista. Contudo, ele escapa outra vez, sendo mais rápido, abaixando-se.
– Esses dois... – pensa Kaoru, analisando-os.
Farta da disputa, ela impulsiona a perna em que Saito mantem a própria mão, contra a parede, fazendo-o se chocar nela. Porém, ele resiste, sem reclamar da possível dor. Mantendo sua perna erguida, mas agora já livre, a loira encara o mais novo, séria.
– Sua calcinha... – Gingamaru tenta comentar, apesar da dor, olhando para a peça íntima da garota, à vista devido à saia, suspensa – É vermelha. Gostei...
Ao ouvir isso, a loira abaixa sua perna. Enfurecida, volta sua atenção para o moreno que sorri, mesmo em uma situação como essa.
– Idiota! – sem piedade, o seu punho cerrado acerta um soco no estômago – Estúpido! – mais um golpe – Imbecil! – outro – Panaca! – mais outro soco – Palhaço! – e outro soco – Ridículo! – e outro.
A cada soco, Arashi aumenta sua força, contracenando-a com um urro de dor de sua vítima. No último golpe, um feixe de sangue escorre do canto esquerdo da boca do garoto.
Kaoru, ajudando Saito, pede:
– Por favor, Nagashi, não faz isso com ele!
– Eu já disse várias vezes que eu não sou Nagashi! – grita, na eclosão de sua ira.
– Eu, pelo menos, sei disso. – afirma alguém, se aproximando pela mesma direção por qual Saito e Kaoru vieram.
Os quatro olham para o ponto de origem da voz. A loira, surpresa, identifica o sujeito:
– Senshi?
O garoto, com as mãos em seus bolsos, continua se aproximando, calmo e sereno.
– Nagashi jamais seria capaz de ferir as pessoas dessa maneira, mesmo considerando o que aconteceu.
– Vai dizer que sabe quem eu sou? – pergunta, desdenhosa.
– Não exatamente, mas faz tempo que notei diferenças. O que você fez com ela?
– A coloquei sob meu controle. É melhor assim, pois pessoas fracas como Nagashi não devem permanecer no comando.
– Sei que você não faria mal para ela. Tudo o que quer é o bem da Nagashi. Mas o que está fazendo é errado. – argumenta, deixando-a ainda mais perplexa.
– Como esse garoto pode saber dessas coisas? – pensa abobada com os dizeres dele.
Senshi, equilibrado, cessa seus passos ao parar entre Kaoru e Saito. Encarando-a, o garoto prossegue:
– Você não pode mantê-la presa, privá-la da própria liberdade e, para piorar, ferir as pessoas e fazê-la se sentir culpada.
– Ninguém entende os meus sentimentos, nem os dela. – rebate, fria.
– Eu entendo. Entendo que Nagashi não quer se aproximar das pessoas com medo de fazê-las sofrer e você não quer que elas se aproximem dela para evitar o contrário. Tudo o que faz, no fundo, é pelo bem...
Sem querer ouvir nada mais, Arashi solta Gingamaru, que cai de bruços, mas consciente, ao chão. Ela avança contra ele e se posiciona a centímetros. Com um olhar severo, a loira o encara, mas não sabe o que falar.
– Deixe Nagashi descobrir que o que você quer é estar ao lado dela, protege-la. – pede, olho no olho. – Permita que ela a veja como uma defensora e não uma ditadora.
Ela se sente atingida. Os sentimentos explanados pelas palavras dele atravessam todas as barreiras, atingindo o impossível. Logo, o olhar da estudante se transforma, assim como a aura que a cerca. Não é mais Arashi quem está no comando. E, percebendo esse fato, Senshi sorri.
– Você não está mais sozinha, Nagashi.
A última integrante da família Swords não consegue evitar as lágrimas dos seus olhos. Comovida, ela nada diz, mas sente a necessidade de ter e sentir o toque, a proteção de alguém que se importe consigo, mais do que em qualquer outro momento da sua vida. Entretanto, não é necessário pedir por nada, pois antes que o faça, ele já compreende apenas com a conexão de seus olhares. Senshi a abraça, dizendo:
– Melhor falando: você jamais estará de volta à solidão.
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