Notas iniciais
Primeiro capítulo, espero que gostem!

04 de fevereiro de 2014, uma semana após a morte de Madallena Swords, atriz mundialmente conhecida. É o primeiro dia do ano letivo da escola Kyodai, da pequena cidade de Konton. Contudo, mesmo pequena, a cidade contem casas que mais parecem palácios de tão luxuosas, na zona sul, a região considerada mais nobre e rica. E é em uma destas casas que mora a família Rouvier, influente em todo o país.

– Lucy, desça. Já é hora de irmos. – uma voz masculina ecoa por alguns cômodos da casa, chegando ao espaçoso quarto da integrante mais jovem da família.

Seus cabelos são longos e prateados como o brilho da Lua, destacados ainda mais com uma proporcional franja. Sempre mantem uma fita negra de cetim próxima à testa, funcionando como um arco para personalizar sua forma de se vestir e de se portar. Possui uma pele extremamente clara e bem cuidada, além de um par de olhos na cor verde oliva. É alta, bonita e magra, fato qual já lhe rendeu vários convites para uma carreira de modelo. Porém, Lucy recusara todos. Não é essa a profissão que pretende seguir.

Diante do grande espelho, ela acerta um casaco de lã negra, com capuz coberto de pelos marrons, em seu corpo. Tal como suas botas pretas, ela vê no casaco uma maneira de não ser igual a todas. Supõe que, dessa forma, se manterá afastada do restante com maior facilidade. Em cada ombro, um pequeno rato branco. No esquerdo, Ein. No direito, Zwei. São os únicos companheiros da jovem. Pretende leva-los para aonde também está indo.

– Venha logo! – o homem, na sala da casa, clama novamente.

É o pai de Lucy, Lamiel Rouvier, um dos maiores geneticistas do mundo. Recentemente, trouxe a sede de sua clínica para a cidade devido a interesses financeiros e à intensa concorrência na capital do estado, onde a sede permaneceu durante anos.

Sem o intuito de dizer algo, ela caminha em direção a porta. Estende o braço direito para a maçaneta, mas antes que a gire, dá uma última olhada para o seu quarto, que fora palco de muitas de suas estranhas experiências. É possível encontrar nele vários objetos de estudo na área de Biologia e Mecânica. Em outras palavras, um “dormitório” incomum para uma garota tão jovem.

– Chegou o momento de fazer novas experiências... – pensa, com uma expressão tão equilibrada quanto o fluxo das águas de um calmo rio.

Ela abre a porta e sai do local, rumo a sua nova escola. Apesar da cidade de Konton ser considerada pequena, Kyodai é um instituto modelo por sua fina qualidade de ensino e capacitação de seus profissionais. É o que impulsionou tantos pais a matricularem seus filhos. Os alunos são mesclados entre pagantes e bolsistas, sendo esses selecionados por uma difícil prova anual.

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São sete da manhã. Todos os alunos que, agora, estão chegando com seus pais para o primeiro dia de aula, se encontram mergulhados em animação. Para muitos, Kyodai é vista como uma espécie de prisão. Durante todo o ano letivo, os estudantes permanecem dentro do colégio, que se torna um novo lar por três longos anos. Nos meses de férias, os pais buscam os filhos, que passam o tempo de descanso em família.

Até mesmos os uniformes são um ponto a mais no gabarito de Kyodai. O uniforme masculino é composto por um blazer preto todo fechado e de mangas longas, com quatro botões nas extremidades das mangas e na linha vertical central do tórax e do abdome; uma camisa branca e moderna; uma calça do mesmo sofisticado e agradável tecido da camisa, mas preta como o blazer; e por fim um par de tênis brancos. Já o uniforme feminino é mais vívido, com um par de sapatilhas brancas; uma blusa, azul celeste, de mangas mais escuras nas extremidades, assim como a gola, que é dividida em dois feixes para fora; uma pequena gravata que se encontra no contorno dos seios; uma saia rodada até parte das coxas e um par de meias que se estendem dos pés até a região abaixo dos joelhos na cor azul marinho, sendo ambos os últimos na cor azul marinho. É permitido, para cada aluno, personalizar o uniforme, mas de uma maneira que não fuja muito dos padrões.

- Então essa é a renomada escola Kyodai? – conclui um dos novos estudantes, trazendo consigo uma mochila vermelha nas costas, enquanto se aproxima do prédio tão azul quanto o céu.

O garoto se demonstra um tanto quanto surpreso ao observar a entrada da escola, por sinal enorme, a aproximadamente 7 metros de distância da mesma. Caminhando para a entrada, as garotas observam Senshi Yujo e os garotos se mordem de inveja. É um novato do segundo ano, de olhos castanhos, cabelos prateados e espetados, pele parda e porte físico chamativo: alto, bonito e corpo definido, seguindo uma primeira impressão.

- Que cara metido! – reclama um dos veteranos, ao lado direito de uma garota de belos cabelos encaracolados – Pensa que é quem?

– Deixa de ser chato, ele é bonitinho e parece ser legal... – opina ela, com uma evidente expressão de tédio.

– Ninguém te perguntou nada, Samasha. – continua a resmungar, fitando-a.

– Afe, você é mesmo muito chato! – declama, entrefechando os olhos.

São dois dos alunos do colégio: Gingamaru Pride e Samasha Seiya, ele é um veterano do segundo ano e ela, novata do primeiro. Ele é claro, alto e magro, com cabelos castanhos lisos e curtos, e olhos negros. Um legítimo amante de atividades físicas. Já ela tem a pele mais morena e é bem menor que o amigo e sempre tem de erguer o rosto para encará-lo. Seus cabelos são castanhos e encaracolados até seus ombros e seus olhos como duas belas esmeraldas. Possui uma cicatriz no braço esquerdo, que vai do cotovelo até o começo da mão, mas é encoberta pela longa manga do seu uniforme escolar.

– A Blue-chan discorda de você. – diz o garoto, sarcástico, referindo-se à gata de Samasha. – Ela me tratou com tanto carinho...

– Chantageá-la com chocolate ao leite é golpe sujo, não acha não? – questiona séria, colocando suas mãos sobre a cintura.

Senshi entra na escola. Seu trajeto foi acompanhado pelos olhares de todas e a inveja de todos, é claro, com exceções. Logo após, outra novata aparece e faz o mesmo percurso. Não são os únicos alunos novos, mas com toda a certeza os que mais chamam a atenção.

– Meu Deus! – exclama Gingamaru, quase babando.

– O que foi, “senhor exagero”? – indaga, cada segundo mais entediada com a ideia de que as aulas voltaram e que a primeira delas, para o primeiro ano, é de Química.

– Um anjo caiu do céu...

– Onde? Onde? Onde? – ela olha para todos os lados, à procura do tal anjo.

– Ali. – ele aponta para Nagashi com seu indicador direito.

Samasha, abismada, olha para ela e fala:

– Tadinha dela... Será que machucou?

– Sei lá... – ignora o questionamento, abaixando o dedo. – Vou tentar conversar com ela.

Nagashi anda de maneira imponente. Os olhares das meninas, desta vez de inveja e dos meninos, agora, de babação, são inevitáveis. Até Gingamaru entrar no caminho...

– Oi gatinha... Tudo certo? Bem vinda. Quer que eu...

– Não enche. – e desvia dele.

Novamente, Gingamaru atravessa o caminho da garota e pergunta:

– Por quê? Eu sou lindo, gato, charmoso...

– Vá procurar sua turma, nada que vier de você me interessa.

– Você é maravilhosa, sabia? – insiste, sorridente.

– Tá vendo aquela árvore ali? – ela movimenta seu rosto em direção a uma árvore, a direita dela e a uns 5 metros de distância.

– Que tem ela? – olha para o local, sem entender.

– Será onde você vai parar se não sair do meu caminho!

Nagashi, mais uma vez desvia dele e o deixa ali, encantado e impressionado. É quando uma das garotas, que não conseguem ignorar a certa inveja, se manifesta:

– Metidinha! – grita uma garota que se coloca ao lado esquerdo de Gingamaru, morta de ciúmes por todos os garotos estarem babando pela novata.

Contudo, Nagashi sequer dá ouvidos para ela e permanece caminhando, com o objetivo de entrar no prédio e conhecer o seu quarto antes da primeira aula.

– Cala a boca, imbecil! – impera ele, para a garota do primeiro ano.

– Cala a boca você, seu ridículo. – fala, sem nem mesmo olhar para o amigo de Samasha – Oh garotinha besta, deixa de se achar! Você não passa de uma novata patricinha, sua loira falsa, sua vaca, sua...

Nagashi continua andando normalmente. As provocações não lhe incomodam em momento algum.

– Peito de silicone.

A loira para de andar e deixa seus pertences caírem ao chão. Uma bolsa prateada e um livro com o nome “Noburu Doku” na capa.

– O que... Disse? – ela finalmente reage, permanecendo de costas para a outra.

A primeiranista sorri vitoriosa. Sua provocação, enfim, surtira efeito. Com desdém em seu tom de voz, ela continua:

– Você ouviu muito bem. Ou por acaso é surda? De qualquer forma repito pra que possa...

– Vou acabar com você!!! – se vira irada, interrompendo-a e deixando-a pálida com o susto.

Correndo, Nagashi vai em direção a garota, que também corre com medo de apanhar. A fúria transborda de seus olhos esverdeados e a atitude da novata espanta a todos.

– Você verá quem tem silicone, sua cretina! – grita, correndo atrás da ofensora, sem se importar com os curiosos olhares.

Gingamaru, como a grande maioria dos alunos espalhados pelo belo jardim ao redor do prédio central, observa aquela cena. Alguns pasmados, outros rindo.

– Ginga-kun, você já sabia que anjos são assim tão bravos? – pergunta Samasha, assim que se aproxima e o ladeia.

– Samasha, fica quieta.

– Nossa, nunca imaginei que estresse angelical fosse contagioso...

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Em um dos dormitórios do colégio, um garoto se encontra deitado sobre sua cama com os pulsos para trás da nuca, observando o teto sobre si. Não dá a mínima para os alunos novatos, nem se importa em cochichar sobre eles com os outros veteranos. A imagem de sua tia vem a sua mente a todo momento. James Anthony Krum passara bons meses com Amme, sua querida tia. É a única pessoa para quem consegue se abrir de verdade, desde a morte de seus pais. E, por mais que não queira admitir para ninguém, já sente saudades dela.

Seu cabelo negro possui as pontas avermelhadas. Seus olhos se equilibram entre tons do verde ao castanho. Sua pele é clara. Sua estatura, considerando os seus 16 anos, é mediana. É magro e bem musculoso, mas nada exagerado. Possui alguns piercings e tatuagens pelo corpo.

– Já estou a fim de tocar... – comenta com si mesmo, se lembrando da última vez que tocara sua guitarra, há três dias.

Repentinamente, alguém abre a porta e chama a atenção de James. A expressão pensativa dele é delineada por um nítido avermelhado. É fácil de se explicar, afinal um garoto desconhecido acabara de entrar no quarto sem camisa.

– Bom dia, cara. – fala Senshi, ao notar o rosto do veterano corar.

– Eh... Bom dia. – corresponde, desviando sua face, um pouco envergonhado.

– Desculpa entrar assim, mas parece que é o meu quarto.

– O meu também. – replica, tentando disfarçar.

Senshi fecha a porta e caminha em direção à cama do novo companheiro. Posicionando-se a poucos centímetros ao seu lado esquerdo, estende a mão esquerda para ele.

– Sou Senshi.

– Pode me chamar de Jimmy. – anuncia, voltando a olhar para o garoto.

A visão da pele parda e do corpo definido tão próximos faz com que o coração de James bata mais rápido. O blazer e a camisa dele se encontram sobre seu ombro esquerdo e sua mochila, mantida apenas pelo outro ombro. Jimmy faz de tudo para ocultar a sua insegurança diante do novato, mas algo no olhar de Senshi passa a ideia de que já é tarde demais para tal.

– Não dá para acreditar. Ficar todo sem jeito com alguém que eu mal conheço? – se martiriza, mentalmente, voltando a olhar para o teto.

O novato lhe dá as costas e percebe que uma das três camas do quarto está bem arrumada, sem nada sobre ou ao redor além de um travesseiro e lençóis. Atirando sua mochila, a camisa e o blazer para ela, ele se apressa para retirar o par de tênis, as meias e as calças, abandonando-os ao chão. Como antes, o guitarrista se sente atraído pelo que vê. As batidas do seu peito se aceleram tanto que é quase como se seu coração suplicasse para saltar para fora. É impressionante a espontaneidade que Senshi revela ao se despir, diante de quem acabou de conhecer, e permanecer apenas de cueca.

– Eu preciso de um banho o quanto antes, Jimmy-kun! – exclama o dono das mechas prateadas, correndo para a outra porta do local, a do banheiro. – Estou morrendo de calor!

Jimmy não consegue acreditar no que aconteceu. São tantas as sensações que mal consegue descrevê-las. É quando se dá conta de que o “calorento” não levou toalha para o banheiro.

– E eu preciso arejar minha cabeça – articula, saltando da cama, desejando sair do quarto o mais rápido possível. – Como minha tia vive dizendo, “esse maluco é pior do que uma tempestade”...

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Em um dos corredores da escola, próximo à ala das garotas, uma das estudantes do segundo ano caminha, pensativa. Com ambos os braços a frente do corpo, a pequena e frágil aluna do Kyodai anda com serenidade. Sua mente parece estar distante, quem sabe em outra cidade, em outros mundos...

- Tsubaki-chan! – uma voz masculina lhe chama, em algum lugar atrás dela.

A adolescente, dona de uma presilha em formato de uma camélia amarela presa na porção direita de seus cabelos, se vira para a direção da voz, cessando sua caminhada matinal.

– Saruma-kun... Bom dia – o cumprimenta, entrecerrando suas pálpebras, sorrindo com extrema doçura e gentileza.

Tsubaki vira o corpo para o garoto 16 centímetros mais alto, que se coloca diante dela. O adolescente, com um corte moderno e único em todo o colégio, no qual seus cabelos lisos e negros formam ondas repicadas, a observa sério. Porém, não leva muito tempo e o sorriso da amiga o contamina, fazendo-o sorrir, mesmo que comportadamente.

– Já te pedi para me chamar apenas de Daisuke. – pede ele, analisando o rosto da outra com seu par de olhos azuis arroxeados.

– Eu... Eu sempre me esqueço. – admite ela, utilizando um tímido timbre de voz.

Daisuke releva. Sabe que a amiga sempre trata todos com muito respeito e, por várias vezes, pensa nos outros antes de si mesma.

– Sabe, eu estive pensando... – reinicia ela, fazendo bico – Por que sonhamos?

– Sabe, eu estive pensando... Por que sua pele está mais clara do que o normal?

– Não sei. – responde, boquiaberta, observando a cor de suas mãos.

– Idem. – brinca ele, aumentando o próprio sorriso.

O garoto sorri em raras vezes. É alguém sério que, quando o assunto é amigos, prefere qualidade à quantidade. Mas a regra não é a mesma na presença de Tsubaki. O jeito inocente e doce dela o cativou, resultando em uma forte e sincera amizade, a primeira do garoto desde quem chegou à cidade.

De uma hora para outra, uma ligeira tristeza envolve o semblante dela, fazendo-a abaixar o rosto. Seu sorrir reluta, com maestria, para não morrer.

– Está pensando nele de novo, não é?

– Sim... – responde, com o rosto corado e cabisbaixo. – Não consigo parar de pensar no Yuong-kun.

– Supere, Tsu-chan! – exclama, levantando a face dela com os dedos de sua mão direita – Ele é um presunçoso, arrogante, convencido e metido. Não te merece!

Apesar da certeza no seu tom de voz, Daisuke sabe que a principal razão de sempre tentar fazê-la esquecer o terceiranista em questão é outra. Contudo, é um tema delicado demais e nunca tivera coragem para tocar nele com ela.

– Eu nunca vou esquecer ele, independente do que ele faça ou da maneira que aja... – conta, revivendo o brilho da sua fisionomia – Mas sei que tudo o que resta para mim é conviver com esse sentimento sem jamais atender ao que ele suplica.

É falso. O brilho do sorriso de Tsubaki é falso. O amigo da garota percebe isso, o que faz com que seu coração se aperte ainda mais. Como gostaria poder fazer algo a respeito...

Os firmes passos de alguém interrompem o diálogo entre eles. Ambos olham para aonde, há pouco, a apaixonada por Yuong estava a ir. Notam pernas ávidas e determinadas, que substituíram as sapatilhas e as longas meias por um par de botas azuis como o profundo oceano.

– Quem é ela? – sussurra a garota, no ouvido do amigo.

– Não sei. Deve ser nova por aqui. – diz ele, em um tom um pouco mais alto do que a questionadora.

Nagashi Swords. Com firmeza, prossegue pelo corredor, sem olhar para nada além do caminho diante dos seus olhos. A dupla cola suas costas à parede, como se o quente estilo da novata intimidasse. Os dois amigos observam todo o trajeto da loira, até que ela vira para a direita e acessa outro corredor.

– Pelo jeito que anda, não parece novata não. – opina Tsubaki.

– É, mas e daí? Vamos lá para fora apreciar aquele céu azul que eu sei que você adora! – impera, puxando-a pelo pulso direito, com suavidade.

A veterana se alegra, mas mantem a emoção evidente apenas em sua expressão. O seu melhor amigo sabe muito bem como deixa-la feliz, pois nada no mundo lhe dá mais esperanças do que a visão de um belo céu. É o azul do amanhã que lhe desperta tamanha sensação. Algo que, contrariando todas as expectativas de torrenciais tempestades, faz a promessa de um futuro resplandecente.

Notas finais
Aos poucos, tds os atuais inscritos terão seu espaço e serão desenvolvidos. Me esforcei bastante para esse cap! Abraços, até o próximo!!