Dois estudantes de Kyodai, Arin Cowne Style e Christopher John Huxley, perante cinco agentes do governo. Estão a pouco mais de seis metros de distância.

– O que querem com a gente? – questiona Arin, sério.

– Queremos vocês. – determina um dos agentes, apontando a sua arma contra quem perguntara.

Os demais agentes também apontam suas armas contra a dupla. O líder do grupo, por sua vez, diz:

– Não reajam. Temos ordens de capturá-los com vida.

Imediatamente, Chris se joga contra o sujeito, que não tem tempo para defesa. Se atracando com ele, o estudante cai ao chão sobre o desconhecido. E, com suas mãos, toca a arma do mesmo. Em poucos instantes, uma espécie de ácido corrói o objeto. Assustado, o agente lança a arma para longe.

– Não vão ter o que querem! – declama Chris.

– Ah, vamos sim! – exclama um dos outros agentes, atirando três dardos consecutivos contra o garoto.

Todos os três dardos acertam as costas do garoto que, em poucos instantes, cai sem consciência. Na sequência, o líder se levanta do chão. Seus subordinados preparam para acertar Arin, quem dá meia volta na tentativa de fugir. Contudo, não consegue, pois os quatro armados atiram contra o garoto, acertando suas costas e sua perna direita. Instantaneamente, a droga líquida dos dardos começa a agir e tira sua consciência, fazendo-o cair de bruços ao chão.

– Mais dois. – articula o líder dos agentes, com meio sorriso em sua face.

Repentinamente, algo com extrema velocidade golpeia todos os sujeitos, nocauteando-os sem que os mesmos possam compreender o acontecido. Na sequência, paira Eric White em certo ponto.

– Tiveram o que mereceram. – articula o garoto, cruzando os braços, entre os agentes, agora caídos ao chão sem consciência.

Ele já sabe o que está acontecendo, pois há pouco abatera vários outros agentes do governo que sequer puderam ver de onde veio o ataque. Por outro lado, desde que a invasão teve início, não encontrou nenhum dos outros humanos avançados de Kyodai. Por isso, está bem preocupado com a situação.

– E você também! – exclama alguém.

Um dardo acerta a nuca de Eric, quem fica surpreso. Ele, com meia volta, dá de cara com um agente, a certa distância: foi quem lhe pegou desprevenido e o atingiu.

– Não acredito que fui pego! – pensa, revoltado.

O jovem, virando-se outra vez, tenta correr, mas não consegue mais utilizar a sua supervelocidade, já que a mesma foi neutralizada. Mal corre por alguns instantes e cai de bruços ao chão, ao lado de Arin. Eric desmaia. O agente que o capturara, por sua vez, ri.

– Esses humanos avançados são mesmo perigosos, mas quando perdem suas habilidades, ficam mais indefesos do que qualquer outro. – e, rindo um pouco mais, completa: – Prosseguindo, até que não reste nenhum!

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Longe dali, ainda em Kyodai...

– E foi isso o que aconteceu. – diz Lucy, completando os seus dizeres para Nagashi Swords e Alaska Snow.

Há pouco, elas se encontraram, já que Nagashi destruiu uma parede ao atacar alguns agentes do governo. Desse modo, Lucy decidiu contar o que lhe aconteceu. Agora que Nagashi sabe que os agentes invadiram Kyodai e que Kaoru, Daisuke e Saori foram capturados, ela determina, mantendo seu firme olhar para Lucy:

– Eu vou até lá.

– Você vai? – indaga a “cientista maluca”, preocupada. – Mas eles são muitos e a substância que estão usando é mesmo eficaz! Ela anula nossas habilidades e nos deixa vulneráveis e sem consciência!

– Não importa. – nega a loira, séria. – Eu não tenho medo de uma ameaça dessas. Nosso verdadeiro adversário está usando essa artimanha para capturar alguns dos nossos amigos e reduzir nosso poder de combate. Não podemos deixar que isso aconteça. Caso contrário, não seremos capazes de superar a verdadeira batalha.

Lucy, sem mais o que dizer, se mantem em silêncio. Ela sabe muito bem que não pode abandonar seus amigos, mas também sabe que se a loira for capturada, o grupo de Kyodai perderá bastante com isso. E pior seria se todos forem capturados. Dark, nesse caso, poderia agir livremente.

– Eu me lembro desse lugar. – pensa Alaska, analisando o local. – Acho que já vim para cá antes...

Nagashi – com Ai em seus braços –, olhando de um lado para o outro, pensa:

– Falando nisso, era para Andrômeda ter vindo pra cá também...

– Você vai mesmo ficar andando com esse bicho estranho para todo lado? – indaga Lucy. – Não é perigoso para ele, que parece tão indefeso?

– Não, de alguma forma sei que ele não corre perigo nenhum. – garante a garota, voltando a olhar de maneira direta para a menor. – Pelo contrário, tenho a sensação de que ele veio para nós justamente para ficar sempre ao meu lado.

– Por acaso, você é Nagashi Swords? – questiona uma voz masculina.

Lucy se vira para trás e se espanta. Logo, com alguns passos de recuo, se coloca ao lado direito de Nagashi. E determina:

– Foram eles que capturaram o Kaoru, a Saori e o Daisuke!

E são mesmo os seis agentes que atacaram Lucy e os três já capturados citados por ela. Porém, junto destes seis estão outros sete. Todos estão preparados para enfrentar quem, segundo as informações que têm, é o alvo mais perigoso em Kyodai: a remanescente da família Swords.

– Sou eu mesma. Por quê? – articula a garota, destemida. – Estão querendo me capturar como fizeram com meus amigos?

– Sim, afinal não passam de monstros. – determina um dos treze agentes no local, rindo com sólida confiança em sua face. – E nossa missão é abater esses monstros.

Nagashi não esconde a ira que toma conta do seu ser, algo que se desenha com perfeição em sua expressão facial: está realmente furiosa.

– Nós somos monstros para vocês? – indaga ela.

– É claro. – afirma outro dos enviados por Grade Lark e Edward Strauss. – Esses superpoderes fazem de vocês criaturas que estão bem distantes do que é chamado de humanidade.

– Ridículo. – discorda ela. – Não importa o que carregamos de especial, somos humanos independentemente de qualquer circunstância. É claro que nem todos nós somos bons, mas também nem todas as pessoas normais são bondosas e gentis. O que define o caráter de uma pessoa não é o que a diferencia das outras, mas o que carrega em seu coração.

A garota cerra seu punho esquerdo, mantendo Ai somente com o outro braço. E, com isso, conclui:

– E o que tenho em meu coração é toda a força que ganhei de herança de todas as pessoas que amo.

Na sequência, ela se abaixa, colocando sua pequena criaturazinha no chão. Levantando-se de novo em seguida, fala, bem firme:

– Lutarei até o fim! E, quando eu estiver pelos meus entes queridos, ninguém será capaz de me deter!

Com imponência e graça, a loira salta de onde está, se aproximando dos treze agentes. Todos eles atiram, sem parar, contra ela, mas uma barreira esférica telecinética em torno da Swords barra todos os dardos, deixando-os perplexos.

Em seguida, a jovem literalmente voa, lançando-se em impulso contra eles. Ao passar por eles com uma velocidade de voo aterradora, Nagashi cessa e coloca seu pé direito de volta ao chão – a bons metros de costas para eles. Os inimigos caem inconscientes ao piso do local após serem atacados, uns por turbilhões de água e fogo, outros por de eletricidade e telecinese.

– Ela é fantástica! – exclama Alaska, extremamente impressionada.

Nagashi dá meia volta, passando a olhar, de novo, para Lucy e Alaska. Em torno de ambas, foi criada outra proteção telecinética, por Nagashi, para protegê-las de qualquer coisa enquanto estava derrubando os invasores que decidiram confrontá-la. Suspirando, a Swords fala:

– Eu li a mente de um deles. Já sei para onde estão levando os capturados.

– Isso é ótimo! – pronuncia Lucy, animada. – Isso quer dizer que podemos preparar nosso contra-ataque!

O sorriso dela se desfalece, pois nota uma certa angústia encrustada no rosto da loira. Nagashi coloca sua mão direita sobre seu cotovelo esquerdo, abaixando sua face e olhando para a sua direita. Sem entender o motivo de tal desânimo, Lucy pergunta:

– O que foi?

– Eu gostaria muito de poder mentir e negar para você, mas acho que não posso, considerando tudo o que vem acontecendo. – explica, deixando-a ainda mais confusa.

– Sobre o que está falando, Nagashi? Seja mais clara. – pede, sem entender.

A loira redireciona seu rosto para Lucy, passando a fitá-la. Séria, diz:

– Recentemente, um novo poder começou a se manifestar em mim. E, diferente de todos os outros, é algo que me aterroriza.

– O que é? – indaga, preocupada.

A Swords se lembra, então, de alguns momentos dos últimos dias. Em sua mente, imagens de pequenos acontecimentos ressurgem em sua cabeça: imagens essas que foram criadas em sua memória antes mesmo de acontecerem. Em outras palavras, visões proféticas.

– Eu posso ver o futuro.

– Como a Sayuri? – tenta entender, um pouco surpresa.

Nagashi nega com um movimento horizontal de sua face. E conta:

– É diferente. Não preciso tocar nenhum instrumento musical ou fazer desenhos como o Jayden fazia. São imagens que vem à minha mente e se misturam à minha memória cronológica. Sei que não é momento para perdemos tempo conversando, mas preciso falar sobre isso.

– Sim, tudo bem, mas o que tem de tão ruim nisso para te deixar desse jeito? – questiona Lucy.

– Enquanto eu atacava esses agentes, uma nova imagem veio à minha cabeça. – garante ela. – É difícil fazer certas interpretações sobre esse estranho poder, mas pelo visto, parece que cada ação que tomo desencadeia inúmeros futuros possíveis e aquele com o maior grau de possibilidade me é revelado.

Alaska, por sua vez, opta por não interferir. Não está entendendo muito bem a conversa das duas e por isso prefere ficar quieta no seu canto. Enquanto isso, Lucy indaga:

– E o que você viu?

Nagashi suspira profundamente, preparando-se para sua revelação. E responde:

– Minhas lágrimas em um espelho...

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Na mente de Nagashi Swords, lateja uma visão: a imagem de si mesma, caída sobre as próprias pernas, no chão. Solitária em um local arruinado e arrasado, ela clama em desespero:

– Socorro! Socorro!

As mãos da jovem tremulam, parecendo buscar algum sustento. As lágrimas que escorrem dos seus olhos avançam sem freios por sua pele e gotejam na superfície de vidro que está sob sua face. No reflexo do espelho, Nagashi busca por alguém que não existe mais. Em contraste, suas roupas, que agora são trapos, parecem ser o único símbolo de Kyodai que existe por aqui.

– Nada disso pode estar acontecendo! Eu... – a garota não aceita a realidade em que está, sem deixar de olhar para o espelho de borda prateada, de superfície trincada, na tentativa de encontrar uma expressão diferente da própria. – Eu...

Ela ergue sua face, voltando-a para o céu cinzento sobre seu ser. Até mesmo a radiante luz do Sol está ofuscada, oculta pelas nuvens acinzentadas e sem graça deste dia: um dia de angústia e destruição.

– Permiti que tudo acabasse assim... – fala para si mesma, retendo um pouco de suas lágrimas. – Fui eu a responsável por tudo isso. Se eu, ao menos, tivesse...

Mais uma vez, a loira abaixa sua face. Novamente, seus olhos se encontram com a figura de seu reflexo no espelho em sua posse e uma nova lágrima cai sobre a superfície de vidro, imaculando-a. Nada mais é capaz de fazer, se não lançar-se em lamentações. E, neste cenário, a imagem de si mesma em desespero, pouco a pouco, vai desintegrando-se na mente de Nagashi Swords.

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– Não posso permitir que esse futuro se concretize. – afirma Nagashi Swords, após narrar com detalhes a visão que teve para Lucy e Alaska. – Não posso deixar que isso aconteça.

Suas duas ouvintes nada dizem. Alaska pouco entende do caso, mas Lucy compreende bem. Por outro lado, não tem a mínima ideia do que dizer neste momento. São informações fortes demais para que possa construir alguma linha de raciocínio ou opinião. Ao menos por ora, pretende se manter em silêncio.

– Vamos... – fala a loira, retomando sua postura valente, andando e passando entre as duas em sua companhia.

Lucy e Alaska dão meia volta, acompanhando Nagashi com seus olhos. A Swords, então, segue seu rumo atada aos seus pensamentos. Por outro lado, mesmo sabendo o quanto o futuro pode ser ameaçador, ela sabe muito bem que são as pessoas, com as atitudes do presente, que criam o caminho que percorrem na vida.

– Eu estou disposta... – pensa Nagashi, caminhando. – A lutar por um melhor futuro para todos nós!

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Enquanto isso, em outro ponto do colégio...

– Ome-san! – clama Tsubaki, atordoada, junto de Senshi e Reiko.

No momento, o trio está cara a cara com alguns dos agentes do governo. No chão, sem consciência, está a jovem Amaya, caída de bruços. De alguma maneira, eles conseguiram abatê-la. E, sem chances de conseguir defender-se, a garota está como presa perante predadores.

– O que fizeram com ela? – indaga o empático, irritado.

– O mesmo que faremos com vocês. – afirma um dos agentes presentes.

Todos eles direcionam suas armas para o trio e atiram sem pudor: inúmeros dardos com a droga neutralizadora de habilidades se lançam contra os três estudantes de Kyodai. Contudo, vários cipós surgem das paredes, do chão e do teto: bloqueiam todos eles com movimentos surreais.

– Estão tentando machucar os meus amigos? – questiona Tsubaki, com uma expressão firme e nada frágil.

Os agentes ficam amedrontados com a visão que têm agora. Alguns dão meia volta para tentar fugir, mas os cipós, com extrema agilidade, atacam todos eles e os lançam para longe. Não resta um sequer com consciência.

– Ome-san! – grita Tsubaki, novamente, correndo em direção à garota.

Senshi e Reiko acompanham a jovem das plantas. Ambos se agacham, quando se aproximam o necessário de Amaya, e as mãos de Tsubaki vão até a face dela para acudi-la. Mesmo assim, a Ome permanece desacordada.

– Por que isso está acontecendo? – a dona da felina Blue se pergunta.

– São os movimentos de Dark trazendo peso para nós. – afirma Senshi, tendo total ciência do que está falando.

“Guarde a pluma que está em sua mão. Ela será necessária para me invocar quando for preciso. Mas lembre-se: sempre surgirei na minha forma celestial, portanto nenhum humano poderá me ver.”: Senshi se lembra de tais palavras, quais ouviram um dia da boca de Andrômeda.

– Acho que chegou o momento... – pensa o empático, colocando-se de pé, chamando para si o olhar de Reiko.

– O que há? – questiona a espadachim, levantando-se também.

Senshi, enquanto Tsubaki se preocupa com Amaya, cola seu cotovelo direito no seu corpo e abre sua respectiva mão, observando-a. Uma fraca luz arde em sua palma e nela surge uma pluma branca.

– O que é isso? – indaga Reiko, curiosa.

Senshi suspira e, fitando a pluma por alguns momentos, redireciona sua atenção para a viajante do tempo. Sério, ele decide responder:

– A chave para a nossa vitória.

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Yuki Arima, Sanford Mendez e Marin Schneider. No momento, correm juntos.

– Espero que esteja bem, minha filha... – pensa o ex-diretor de Kyodai, na dianteira do trio.

– Atrás de quê estamos indo, afinal de contas? – questiona Sanford. – Não estamos correndo em vão, estamos?

Há certo tempo, se separaram de Senshi, Sugaku e os outros. Desde então, os três estão vindo nesta direção, mas nenhuma palavra foi dita sobre o objetivo desta empreitada. Pelo contrário, permaneceram em silêncio até agora.

– Estamos indo para a entrada de Kyodai. – afirma Yuki, sem parar de correr. – Enfrentaremos esses agentes de frente.

– Por quê? – pergunta Marin, surpresa. – Não é bem provável que aja maior concentração deles lá?

– É verdade. – concorda o irmão do falecido Rick Mendez. – E para piorar, temos grandes chances de sermos detidos enfrentando muita gente. Então... Por quê?

– É simples. – garante o filho mais velho de Yukino Arima. – Se eles estão aqui para nos capturar, em algum lugar estão colocando os humanos avançados que conseguiram derrubar. Nesse caso, há também boas possibilidades de que os capturados estejam em algum carro forte. Pode ser que não, mas também não devemos ignorar essa alternativa.

– Bem pensado! – exclama Sanford. – Talvez seja mesmo assim e, então, podemos tentar resgatar quem foi pego. Ou, até, quem sabe, tentar dialogar com esses agentes.

– Esperem. – pede Marin, parando imediatamente de correr.

Yuki e Sanford também param, um pouco depois dela. Com meia volta, se direcionam para a mulher. Insegura, ela olha nos olhos do seu ex-companheiro da Gênese, dizendo:

– Isso não é loucura? Não deveriam, primeiro, reunir mais pessoas para, então, encará-los de frente?

– Não temos tempo para isso. – argumenta Yuki, com serenidade. – É preciso agir depressa. Sugaku está se dedicando à tarefa de libertar os poderes ocultos de Sherry Fontaine. Quando ela acabar, com a sua telepatia, conectará as mentes de todos nós e ganharemos grandes vantagens. Porém, enquanto isso não acontece, precisamos agir.

– Nisso, ele tem razão, Marin. – concorda Sanford, cruzando seus braços. – Mas ainda assim, você não precisa se arriscar. Se quiser, fique em um local seguro longe desses combates.

Ela abaixa sua face. No fundo, sabe que suas habilidades não são as melhores para um combate direto. Porém, de repente, uma ideia brota em sua mente. E é algo que a alegra, pois o que a mulher mais quer no momento é ser útil para os objetivos de Sanford.

Com isso, sorrindo, ela reergue seu rosto e volta a encarar os dois. Determinada, articula:

– Não é preciso! Escutem: acabei de ter uma maravilhosa ideia!