Kyle Iiecli
1 Capítulo I - Amigo Tom
CAPÍTULO I – AMIGO TOM
—Acorda...
Dizia tristemente uma menininha loira com menos de um metro, chamada Lisa:
—Kyle, acorda...
Repetiu ela um pouco mais alto, até que um jovem rapaz se mexeu e abriu os olhos, aparentemente sem saber onde estava ou quem era aquela criança. Após piscar algumas vezes, a visão do garoto ganhou mais nitidez e ele pôde ver a irmã caçula Lisa, olhando para ele com expressão assustada.
Kyle que não se lembrava de como havia parado em sua cama, sentiu uma dor na cabeça quando tentou se lembrar do que havia acontecido. Depois de olhar por mais um momento para a garotinha que usava um pequeno vestido branco com detalhes em rosa claro e não estava calçando sapatos, a qual ele ainda não havia reconhecido como sua irmã, perguntou com voz de sono:
—O que aconteceu?
A criança que tinha lágrimas nos olhos, sorriu, talvez pelo fato de estar feliz por descobrir que o irmão ainda falava, ou talvez por pensar que seria burrice achar que ele perguntaria o que havia acontecido. Então com a voz muito mais acordada que a do irmão, respondeu ignorando sem querer a pergunta feita:
—Você tá bem?
Por um momento, Kyle olhou para si mesmo, vendo que vestia uma camiseta cinza claro quase branca, um casaco também cinza, mas um pouco mais escuro, uma calça jeans aparentemente bem flexível, e que mesmo estando deitado, calçava um par de tênis de marca em ótimo estado. Sem sentir nada de errado a não ser confusão, ele disse ainda sonolento:
—To, to bem.
Após a resposta do rapaz, a garotinha disse falando um pouco mais alto:
—Sabe aquilo que você fez noite passada? Pois é, você tem sorte de estar vivo.
Kyle ficou com o olhar perdido e com cara de tonto sem saber o que ele havia feito noite passada. Então Lisa completou, dessa vez com o ar ainda mais superior, embora se sentisse estranha fazendo isso.
—Sorte não né? Porque se não fosse por mim, você estari...
Lisa parou e se assustou ao notar que o irmão levantou a mão.
Kyle, que não sabia porquê a criança havia parado de falar, olhou para ela como quem diz: "Por que você parou de falar?" "O que aconteceu?".
Lisa, que não entendeu a careta do irmão, apenas respondeu irritada:
—Nem quando eu salvo sua vida você me agradece não é? Seu imbecil egoísta! Você é o pior irmão do mundo!
Após dizer isso ela saiu rapidamente do quarto e bateu a porta.
Kyle, que agora sabia que aquela garotinha era sua irmã, ficou ainda mais perdido quanto ao que estava acontecendo. De repente, ele ouviu um celular tocando. Então se virou para o lado ficando sentado na cama, pegou o telefone que estava em cima de um bidê e leu o que estava escrito na tela.
“ACORDA VAGABUNDO HOJE É TERÇA E AQUELA GATA DO ESTACIONAMENTO VAI ESTAR NA ESCOLA HOJE TU NÃO PODE FALTAR ENTÃO PARA DE LER ISSO E VAI LÁ CORRER O CACHORRO ANTES QUE ELE ACABE MORDENDO A LISA COM A BRINCADEIRA QUE VOCÊ FEZ ONTEM”
Quando terminou de ler, Kyle escutou um grito de terror que aparentemente era de Lisa. Assim que ouviu, ele teve medo do que poderia ter feito com a menininha, e com o cachorro que ele nem lembrava ter.
Ele não teve nem tempo de pensar em quem seria a "garota do estacionamento", pois colocou o celular no bolso da calça e rapidamente saiu correndo do quarto para ver o que estava acontecendo, mesmo que suas pernas parecessem não querer ajudá-lo nisso.
Kyle saiu de seu quarto e se viu em um corredor com algumas portas brancas a sua esquerda, uma a sua frente, e a sua direita, viu um pedaço da escada marrom assim, como o chão de madeira, muito linda, porém empoeirada, onde se podia ver as pegadas de Lisa que iam para a porta em frente da do seu quarto e depois indo em direção à escada.
Depois de contemplar o ambiente que era totalmente novo para ele, embora parecesse uma loucura, já que segundo Lisa, essa era a casa dele. Antes que ele pudesse tirar alguma conclusão, ouviu mais um grito da irmã e dessa vez o grito foi mais alto, e ele escutou um rosnado de cachorro também, e a julgar pelo tom, o animal não era pequeno.
Voltando a realidade, Kyle desceu o primeiro dos dois lances da escada com um pouco mais de agilidade, quando olhou para baixo, viu um cachorro branco com marrom amarrado a uma arvore a frente da porta, e viu também Lisa caída no chão aparentemente sem forças para se mexer devido a tanto medo.
Kyle vendo que a corda havia sido enfraquecida em uma parte, e que o cachorro ia arrebenta-la a qualquer momento, subiu dois degraus da escada e pulou com uma agilidade surpreendente e segurou a lâmpada que estava presa no teto de mais de 3 metros de altura e a puxou para baixo com a força de sua queda.
Meio impressionado consigo mesmo, ele jogou a lâmpada no cachorro que estava quase arrebentando a corda a puxões.
O cachorro se assustou com o barulho, e parou por um tempo, mas voltou a atacar Lisa que agora estava com mais medo ainda, imóvel no chão.
Kyle, que estava desejando que sua habilidade desconhecida aflorasse novamente e lhe mostrasse algo para fazer, olhou para o lado na intenção de encontrar algo que pudesse salvar sua irmã, pois ele via agora que ela estava com o pé preso na mangueira do jardim, e ele não conseguiria tirar ela de lá sem que o cachorro ficasse mais irritado e se soltasse.
Depois de olhar para todos os lados e não ver nada bom para arremessar no animal, decidiu ir correndo salvá-la, embora o plano tivesse uma grande probabilidade de dar errado, já que ele não conhecia suas próprias habilidades. Lisa estava presa e ele poderia demorar até livrar o pé dela da mangueira.
Enquanto descia o segundo lance da escada, ele reparou em uma jarra de água com um papel escrito “HORA DO SHOW!” que estava em cima de uma pequena prateleira ao lado de um vaso de flores artificiais, agora bem a sua frente.
Sem saber como, nem porque, Kyle pegou a jarra de água e atirou no cachorro que havia escapado e estava a poucos centímetros de Lisa.
A jarra viajou em alta velocidade e acertou em cheio o cachorro que se assustou e sentiu dor com a água, e por isso saiu correndo para longe passando pelo portão de ferro que estava aberto sem notar um rapaz magro que estava parado do lado de fora do portão.
O rapaz que vestia calça e casaco de abrigo preto, ambos com 2 listras verticais em branco, sorriu para Kyle que viu, mas não retribuiu, pois foi ajudar Lisa que ainda estava paralisada de medo e tremendo.
Kyle pegou a irmã no colo e levou-a para dentro, onde a colocou em um sofá marrom de aspecto luxuoso que havia na grande sala. Então Kyle falou preocupado.
—Você ta bem mana?
Lisa embora profundamente assustada, molhada e com vários cacos de vidro sobre o corpo, fez uma cara de surpresa, e quase chegou a sorrir.
Kyle notou o gesto dos lábios da irmã e deu um sorriso para ela, então, depois de um momento disse, agora colocando os sentimentos para fora.
—Escuta, pelo que parece o culpado por esse desastre fui eu, mas eu não sei como isso aconteceu. Eu não lembro nada do que fiz até agora na minha vida!
Lisa ficou observando o irmão, talvez pensando que aquilo era mais uma brincadeira, pois ela lembrava agora que era primeiro de abriu, ou seja, era o dia da mentira.
Notando que a irmã não acreditava nele, e reconhecendo que aquilo era algo bem difícil de acreditar disse.
—É sério, eu não estou brincando, eu juro por tudo que eu não estou brincando, eu preciso da sua ajuda! Eu tenho uma dor na cabeça cada vez que tento me lembrar de algo, e pelo que parece eu preciso deixar as coisas virem sozinhas para minha mente. Eu não tive tempo de pensar muito, mas eu não consigo me lembrar de você e nem desta casa, embora eu saiba que te amo mana.
Estranhando as palavras de carinho do irmão, mas ao mesmo tempo percebendo que ele estava falando a verdade, pois ela sabia em partes o que havia acontecido na noite passada, pensando nisso, falou com um sorriso, pois já que aquilo tinha feito a memória de seu irmão ser deletada, ele talvez não seria mais o idiota que sempre foi.
—Eu te ajudo com o que você precisar lembrar, mas eu juro, se isso for uma brincadeira eu nunca vou te perdoar.
A garota achou as palavras bem tocantes, mas sentiu que era necessário dizê-las.
Kyle concordou sem exitar e então os dois foram trocar de roupa para ir para a escola, pois embora Kyle tivesse perdido a memória, ele ainda sabia as coisas básicas do mundo. Ele apenas não conhecia as pessoas e não conhecia a si mesmo.
Quando o garoto já estava de volta à sala, foi surpreendido por um ovo que veio de traz do sofá e mesmo sem saber de onde veio todo este reflexo, segurou o ovo em uma das mãos, porém como o ovo estava vindo em alta velocidade, e com uma grande força, o alimento se desmanchou em sua mão.
Mas pelo que parecia, o atacante, que há alguns minutos observava do lado de fora do portão, sabia sobre os bons reflexos de Kyle, e já estava jogando mais cinco ovos em sua direção.
Kyle se desviou de um que bateu na porta do banheiro onde estava Lisa que notou o que estava acontecendo e se trancou no local
Com uma velocidade surpreendente, Kyle pegou o pote de ração do cachorro que estava vazio ao seu lado e se defendeu de todos os ovos que o outro rapaz tinha para atirar.
O atacante desanimado, pois não conseguiu nem sujar nada alem da porta do banheiro e da mão esquerda de Kyle, porque os ovos caíram todos dentro do pote de ração do cachorro, que por sinal era bem fundo. O rapaz andou até Kyle dizendo:
—Parabéns bobão!
Neste momento Lisa percebeu que se o irmão estivesse falando a verdade, ele não saberia como reagir à situação. Mas Kyle conseguiu pensar em uma frase que não o denunciaria e disse um pouco perdido.
—Nossa, mas que belo presente o seu.
Os dois forçaram uma risadinha, embora a risada do outro fosse mais convincente. Então o outro respondeu com tom de deboche.
—E onde está aquela desgraça?
Kyle pensou por um momento. Sua mente agora estava um pouco lenta para perceber que o rapaz falava sobre Lisa.
Notando a cara estranha do amigo o rapaz disse para Kyle complementando a frase anterior.
—O plano do cachorro funcionou não é? Eu vi quando você jogou a água e ele saiu correndo pelo portão. Acho que foi embora de vez aquela peste.
Kyle ainda não havia se decidido se ia fingir ser o que era ou se ia agir como queria a partir de agora, mas sem que ele pudesse se conter sua própria boca disse.
—Tomara.
O amigo concordou com uma risadinha debochada.
Enquanto isso, Lisa que estava no banheiro pensou em sair, mas estava com medo que aquela história de perder a memória, embora pudesse ser verdadeira, fosse falsa, e que, quando ela saísse de lá, fosse humilhada pelo irmão e pelo amigo chamado Tomas, mas se convencendo de que iria ter que sair uma hora ou outra, resolveu que isso não faria diferença, então saiu.
Quando os garotos a viram, ela, que agora vestia sandália, calça legging preta e camiseta rosa, sentiu um arrepio, mas Kyle lhe mandou um olhar que a tranquilizou. Por outro lado, Tom foi em direção à cozinha e quando passou por Lisa deu um empurrão nela e disse com raiva.
—Da próxima vez sai da frente seu traste!
Lisa apenas baixou a cabeça, mas Kyle sentiu uma profunda fúria, e com uma incrível velocidade, puxou o ombro de Tom obrigando-o a se virar para ele.
Lisa levantou a cabeça para olhar e Tom disse
—Que foi irmão?
Kyle parou pensando que aquela criatura desprezível podia ser seu irmão, mas talvez fosse apenas uma gíria, e eles fossem só amigos.
Torcendo para que fosse a segunda opção, Kyle disse irritado.
—Você vai se dar muito mal se voltar a agredir a minha irmã! Ta me ouvindo?
Tom se assustou, mas achou que era brincadeira de primeiro de abriu. Então disse com tom irônico.
—É... É bom eu me cuidar, se não aquele traste ali vai me bater também.
Depois desta frase Tom ia dar uma risadinha, mas Kyle, que era visivelmente mais forte que ele, segurou o amigo pelo pescoço levantando-o do chão, e deu um soco em sua cara, que fez Tom voar dento da cozinha que estava a 6 metros de distância.
Tom caiu e extremamente tonto, com a visão turva, tremendo e com uma forte dor no olho, disse tentando fracassadamente amedrontar Kyle.
—Ta querendo arranjar briga?
Tom disse isso como quem quer intimidar, mas ele sabia que se fosse brigar com Kyle, não teria a menor chance. Na verdade ele não teria a menor chance de vencer ninguém, a não ser Lisa, pois Tom era magricela e fraco. Então Kyle disse cortando o silêncio que havia se estabelecido.
—Eu não estou querendo briga, mas acho melhor você ficar longe das pessoas que eu amo, ou eu posso passar a querer.
Tom se levantou rápido, e disse extremamente diferente do modo simpático com que vinha agindo com o amigo até então, pois desta vez sua fala foi cheia de um tipo de ódio realmente intenso.
—Não se preocupe, vou ficar longe de todos inclusive de você seu sentimental imbecil.
Antes que Kyle pudesse responder, Tom saiu correndo pela porta, percorreu o pátio, e passou pelo portão mais rápido que o cachorro.
Kyle e Lisa se olharam e trocaram um sorriso. Então Lisa, que lembrou de sua responsabilidade de contar tudo ao irmão disse ainda sorrindo pelo que acabara de acontecer alí.
—O nome dele é Tom, ele é, ou era seu melhor amigo, e vocês me zoavam muito. Muito mesmo. Ele é um covarde que me empurrava sempre, e foi ele que te deu a ideia do cachorro... E, aliás, eu tenho medo de cachorros, principalmente daquele que você trouxe pra cá semana passada dizendo que ia treinar e nunca tentou... Ah, e eu já ia me esquecendo, hoje é seu aniversário. Sim, você faz aniversário no dia dos bobos.
Lisa respirou fundo, pois já estava ficando sem fôlego de tanto falar. Então depois de alguns momentos disse.
—Se eu lembrar de mais alguma coisa te falo.
Kyle ficou feliz em ter alguém que o ajudasse nessa loucura e sorriu para a irmã. Então depois de um pequeno tempo perguntou.
—E por que eu sou tão rápido, forte e pulo tão alto?
Lisa que já estava achando muito legal explicar as coisas para o irmão legal que ela tinha agora, disse sorrindo sem acreditar no que estava acontecendo:
—Você é um mestre em todos os esportes. Atletismo, basquete, vôlei, futebol, tênis. Só não é bom jogando vídeo game, embora já tenha tentado algumas vezes, você não é bom. Talvez tenha outro esporte, mas eu não me lembro.
Kyle achou legal porém lembrando-se do despertador disse.
—E que horas começa a escola? Eu vi que eu vou para a escola por que estava escrito no despertador do meu celular.
Ao ouvir a palavra escola Lisa levou um susto e disse olhando para um relógio de parede.
—As 7 e 15, e agora são 7 horas!
Kyle percebeu que a irmã devia gostar da escola, por isso perguntou tentando ser rápido.
—E como a gente vai para a escola?
Lisa respondeu, agora vendo a parte ruim de o irmão ter perdido a memória.
—Eu sempre vou andando, e você e o Tom sempre vão de bicicleta, mas o que a gente vai fazer? A gente nem comeu nada ainda.
Kyle, que estava pensando em mais perguntas, se lembrou de perguntar quem era a garota do estacionamento, mas percebeu a urgência da irmã e disse.
—Eu tenho dinheiro? Um emprego ou coisa do tipo?
Lisa reconheceu que era útil responder e disse o mais rápido que pôde.
—Provavelmente deve ter algum dinheiro nos bolsos das tuas roupas no teu quarto.
Após ouvir a explicação, Kyle saiu correndo, subiu as escadas, entrou no quarto, abriu o guarda-roupas, meteu as mãos no bolso do primeiro casaco que achou, pegou algumas notas amarelas e correu de volta para a sala onde estava a irmã. Ao chegar, falou para Lisa, que agora já usava uma mochila lilás que Kyle nem percebeu.
—Já peguei algum dinheiro a gente come algo no caminho, ou lá na escola mesmo, se tiver algum lugar que venda comida lá.
Lisa respondeu sorrindo, ainda feliz por ter um irmão que agora é simpático e se preocupa com ela.
—Tem sim!
Após a frase, Lisa caminhou até fora de casa sendo acompanhada por Kyle que pela primeira vez até onde se lembrava tinha a oportunidade de ver seu próprio quintal.
Estando de costas para a porta da frente, Kyle olhou para a esquerda e viu uma janela vermelho vinho que Kyle sabia dar para a sala, mais adiante, uma garagem grande o suficiente para guardar dois carros sem qualquer problema com espaço. Uma parte da parede que rodeava o portão da garagem parecia ter sido pintada mais recentemente, j[a que o tom estava um pouco mais escuro. Ao lado da garagem, havia um espaço gramado de quase 15 metros até o grande muro de pedra o qual grandes árvores ultrapassavam pelo lado de ima derrubando algumas folhas no quintal dos Iiecli. A frente de Kyle, há mais ou menos 5 metros, havia uma árvore onde minutos antes o cachorro estava amarrado. A planta parecia mal localizada no terreno, mas por algum motivo não havia sido retirada. Exatos 7 metros além árvore, estavam dois portões, um menor onde passavam somente pessoas, e ao seu lado direito um portão maior onde podiam passar carros. Do portão maior até a garagem, haviam dois caminho calçados para que as rodas do carro não derrapassem na leve subida. A sua esquerda, Kyle viu Lisa há pouco mais de 8 metros de distância, a garotinha liora olhava pensativa para uma incrível bicicleta de corridas e notando a expressão pensativa do irmão disse:
—Essa é sua bicicleta, mas não tem bagageiro pra mim...
Aproximando-se da garota, Kyle perguntou observando que havia uma outra janela que dava à uma nova peça da casa, mas não olhou através, e sim para a garota:
—E tem outro jeito de a gente chegar lá?
Kyle que agora contemplava sua bicicleta de corridas vermelha, ouviu quando Lisa disse misturando preocupação e fracasso na voz fina:
—Só correndo eu acho.
Na tentativa de alegrar um pouco a irmão, Kyle disse empolgado:
—Melhor a gente ir rápido então.
Lisa concordou e Kyle foi em direção a saída enquanto Lisa fechava as janelas e portas abertas. Do lado de fora do portão pequeno que estava aberto, Kyle olhou para a casa dos vizinhos e viu que todas eram luxuosas e muradas assim como a dele. Ainda observando, ele pôde notar que sua casa ficava em uma rua ligeiramente íngreme e que se localizava no ponto mais alto. Para a esquerda de Kyle, estava o fim da rua onde havia e um tipo de galpão no qual Kyle só conseguia ver algo parecido com uma trave de futebol dentro, levando o garoto a pensar que poderia ser um campo para o esporte. A sua direita, Kyle viu a descida da rua, e mais casas luxuosas inclusive ao longe. O quarteirão era comprido, porém devido a inclinação da estrada, Kyle podia ver com clareza a próxima esquina por onde passavam alguns carros. O garoto começava a sentir o sol em suas costas o que chamou sua atenção para o clima, que devia estar perto dos 20ºC. O céu era azul claro e o dia dava a impressão de que ia se tornar quente e sem chuvas. Finalmente olhando para a casa a frente a sua, Kyle viu um luxuoso carro branco saindo pelo portão, logo pensou em pedir uma carona então correu até o carro. Já ao lado da porta do motorista ele disse olhando para uma moça de no máximo 20 anos, que usava óculos escuros, um minicasaco preto branco sobre um vestido vermelho extremamente decotado chegando a constranger o garoto que falou olhando para os óculos da garota:
—Oi.
A mulher não respondeu nada, apenas suspirou, então Kyle disse tentando ser simpático com a moça que parecia muito irritada:
—Olha, eu to meio atrasado pra escola então...
Imediatamente a mulher respondeu agressiva e em voz alta:
—Eu não to nem aí que você tá atrasado! Olha, quer saber, eu tenho uma entrevista de emprego pra ir e me marcaram ás 8 da manhã! Eu tinha que acordar 5 da manhã pra passar um creme que meu pai trouxe de Paris na pele, acabei dormindo de mais e não tive tempo! Você tá atrasado é? Pois muito bem feito! Tomara que assim aqueles seus pais frouxos te mandem pra um colégio integral bem longe de mim onde eu possa dormir em paz sem você e seu amiguinho atirando rojão no meu telhado à noite igual a anteontem!
Após as palavras, para as quais Kyle não tinha resposta, a mulher acelerou o carro deixando o garoto parado perplexo. Parado no meio da rua pensativo, Kyle voltou a realidade quando Lisa disse mexendo em uma bicicleta laranja fluorescente:
—Essa aí é a Felicidade, os pais botaram esse nome mas realmente não faz sentido. Ela se mudou pra cá faz uns 2 meses e pelo que parece é sustentada pelos pais mesmo morando sozinha. Mas esquece ela, parece que o Tom deixou a bicicleta dele aqui, e tem bagageiro, podemos ir nela, o que acha?
Deixando os xingamentos da vizinha de lado, Kyle disse aproximando-se da irmã:
—Boa ideia.
Com as instruções de Lisa sobre para onde ir, os dois coseguiram chegar ao colégio poucos minutos depois do sinal, quando o portão ainda não havia fechado.
Antes de tocar o sinal, Lisa se despediu de Kyle, pois eles estudavam em séries diferentes. Então antes de ir embora, Kyle deu duas das notas amarelas para a irmã que pegou e logo explicou onde ficava sua sala então os dois foram estudar.
Os irmãos estavam ansiosos para saber como seria a aula, pois Lisa sabia que a vida dela ia melhorar radicalmente com o irmão mudado, e Kyle sabia que teria muita dificuldade em fingir conhecer os lugares e as pessoas, mas ele estava muito ansioso para descobrir quem era essa tal garota do estacionamento que ele falou pra si mesmo no despertador do celular, que o nervosismo quase nem foi notado.
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