Kyght

3 Localizando a Kyght


Os procurados (Naomi, Norman, Yumi e Hayato) — Quarto da Naomi.

Naquele quarto escuro e caracteristicamente geek de Nana, lá estavam: Yumi Kobayashi, sentada na cama da jovem programadora enquanto alisava os próprios cabelos; Hayato Yamazaki, em pé enquanto segurava um telefone celular em sua mão direita; Norman Tanaka, que observava os mínimos detalhes do quarto; e obviamente, Naomi Takahashi, sentada em uma cadeira que ficava perto de seu computador. Os quatro estavam conversando e planejando coisas sobre o suposto suicídio do irmão de Hiroshi Honda, que também era melhor amigo de todos dali.

O quarto de Naomi é completamente preto e com detalhes em azul escuro, contém cortinas grossas e pretas nas janelas que vão até o chão, uma cama de casal grande, armários pretos onde a garota guarda suas roupas, e prateleiras discretas contendo action figures, mangás, entre outros enfeites e acessórios de personagens do mundo nerd. A única coisa que iluminava o quarto era o brilho dos três monitores do computador de Nana e dos celulares das pessoas que ali se encontravam, nada mais.

Todos estavam debatendo suas suspeitas sobre o que aconteceu. Tendo em mente que os quatro conheciam muito bem o irmão de Hiroshi, concluíram que ele nunca demonstrou sinais de depressão ou de querer tirar a própria vida, pois, se tivesse apresentado algum alerta uma única vez, eles perceberiam.

Devido ao fato de que a Kyght aparenta esconder diversos segredos sobre os heróis, os quatro colocavam a empresa toda como principal culpada de tudo aquilo, e a julgavam insanamente sobre provavelmente ocultar o que aconteceu de verdade com o irmão de Hiroshi.

A Kyght pouco se pronunciou sobre a morte do herói, e em pouco tempo, já estavam mandando retirar todas as publicidades envolvendo ele. Parecia até que o tratavam não como um herói que salvou milhares de vidas ao redor do mundo, mas sim, como uma propaganda. Isso é o que deixava os quatro mais revoltados.

Determinados a descobrir toda a verdade e acabar com a Kyght, eles formaram uma equipe e decidiram investigar tudo por conta própria, reunindo-se quase todo dia na casa de Naomi, ou, mais especificadamente: em seu quarto.

Mesmo que ninguém ali tivesse poderes especiais, cada um tinha um conhecimento que poderia ser muito útil: Naomi é uma excelente Hacker, embora tenha largado vários cursos de programação que ela mesma se inscrevia por achar todos muito fáceis e/ou básicos para a ela. Yumi aplicava golpes financeiros como ninguém, mas não que ela se orgulhe muito disso. Norman desde pequeno demonstrava facilidade em invadir locais sorrateiramente. Enquanto Hayato, apesar de não ter necessariamente uma característica única, era um bom amigo.

O primeiro passo para começarem a fazer algo de verdade além de debaterem, era juntar informações sobre a Kyght, mas com certeza não seria nada fácil.

— Hayato, ligue para o Hiroshi, provavelmente poderemos descobrir algo dele sobre a localização da Kyght. — Ordenou Naomi.

O prédio da Kyght ficava em uma área pública e com bastante movimentação numa famosa cidade dos Estados Unidos, mas, por algum motivo, não havia nenhum endereço na internet, e ninguém falava sobre a localização para pessoas que não conheciam o local.

— Ele é um super-herói e irmão de um super-herói também, se as pessoas normais não comentam absolutamente nada sobre a localização da Kyght, imagine o Hiroshi — Disse Hayato com uma voz serena, mas ao mesmo tempo, aparentando estar cansado e pessimista.

Naomi já tentou usar de diversas maneiras para descobrir o endereço sozinha, mas até para ela era complicado achar alguma pista sobre onde o prédio da empresa em questão ficava, principalmente por ela morar no Japão.

— Hiroshi disse que a Kyght ia enviar um vídeo da entrevista para ele, não é? Provavelmente podemos descobrir algo sobre a localização por meio do vídeo. — Apontou Yumi, deitando-se de costas na cama e olhando para o teto, demonstrando estar entediada.

— E se ele não mandar? — Indagou Naomi.

— Ele vai mandar, afinal, é o Hiroshi, ele mostra tudo para a gente. — Respondeu Norman, enquanto focava sua atenção em pegar um boneco Funko Pop que Naomi tinha guardado em uma prateleira de seu quarto.

Norman visualizou atentamente o boneco por alguns segundos, rodando-o para ver os detalhes de trás, e então, o botou de volta no lugar.

— Norman, você vem aqui quase todo dia, por que você "tá" reparando nisso agora? — Perguntou Yumi para Norman, enquanto o observava.

— Pessoal, foco. — Disse Naomi — precisamos de pistas e precisamos delas agora!

— Que engraçado você falando de foco logo agora, Naomi, você normalmente é a primeira que começa a dormir nas nossas reuniões. — Falou Norman, soltando pequenas risadinhas.

— Haha, é mesmo! — Divertiu-se Yumi, botando a mão na própria boca para evitar as gargalhadas.

Cansado de tanta enrolação, Hayato suspirou longamente olhando para o chão e com as mãos no bolso, e então disse:

— Só vamos logo com isso, por favor...

Toda reunião dos quatro era isso, algo do nada os desconcentravam e os faziam desviar do assunto principal.

— Só liga logo para ele, por favor. — MandouNaomi, botando uma mão na própria testa e soltando um longo bocejo,apresentando estar com um pouquinho de sono.

Hayato discou o número de Hiroshi em seu telefone celular, e então, apertou o botão de chamada para fazer uma ligação, esperando que ele o atenda.

— Alô? — Falou Hiroshi no telefone após atender a ligação.

— Hiroshi! Como vai? — Exclamou Hayato, alegre em ouvir a voz do seu amigo, mas também, focado no objetivo.

— Alô? — Repetiu Hiroshi.

— Hiroshi? Alô?

— Alô!? — Repetiu Hiroshi mais uma vez, levemente irritado.

— Hiroshi? Não está me ouvindo? — Perguntou Hayato, curioso.

— Haha! Estou só brincando, tudo bem, Hayato? — Disse Hiroshi, rindo da situação.

— Ai ai...Estou ótimo, e você? Já tem uma resposta sobre a entrevista?

— Ainda não, a Kyght não me mandou mais nada depois do e-mail do vídeo.

— Poxa vida..., mas falando nisso, você pode me mandar esse vídeo? Eu e o pessoal aqui adoraríamos ver! — Disse Hayato, olhando em direção ao pessoal e fazendo um "joinha" com a mão.

— Claro claro, assim que eu chegar em casa eu te mando...Digo, no hotel.

— Hotel? Você não ia dormir na casa de um amigo? — Hayato preocupou-se, assim como os outros três que estavam ouvindo atentamente a conversa.

— Fiquei com vergonha de incomodar ele, então decidi alugar um hotel.

— Ah, tudo bem! Sua mãe disse que se precisar de mais dinheiro, ela vai te depositar.

— Diga para ela não se preocupar, eu estou bem! Em breve voltarei ao Japão caso não consiga passar... — Hiroshi se desconcentrou por alguns segundos — Inclusive, tenho que desligar, Hayato, até depois! — Disse Hiroshi segundos antes de desligar o celular.

— Não! Espera, Hiroshi! — Exclamou Hayato, mas, já era tarde demais, Hiroshi já havia desligado o celular. — Ééé...ele disse que mandaria o vídeo mais tarde.

— É, ele não vai mandar. — Disse Norman — eu conheço o Hiroshi.

— Não era você quem disse que ele mandaria, Norman? — Disse Yumi.

— Ei, calma lá! Eu realmente achei que ele mandaria o vídeo. — Respondeu Norman, frustrado com a situação.

— Vai ter que ser do jeito difícil então, a gente deu a oportunidade de ele mandar, ele não quis, então "tá" bom! — Disse Naomi, virando-se em direção ao monitor do meio de seu computador e apertando rapidamente alguns botões do teclado.

— O que você pretende fazer? — Perguntou Norman, curioso — não "tá" pensando em hackear ele, né? — Debochou.

— Já hackeei, só preciso achar o e-mail do vídeo agora. — Respondeu Naomi.

— Tão rápido?

— É, eu meio que já havia feito isso a muito tempo...

— Você já tinha hackeado o Hiroshi antes e manteve o acesso ao celular dele esse tempo todo?

Um dos hobbies secretos e principais de Naomi era hackear o celular, redes sociais, e computadores de seus amigos, mas não que ela faça algo com eles, apenas invadia o sistema de suas coisas mesmo.

— Por que você não fez isso desde o início, então!? — Yumi questionou.

— Eu não gosto de invadir a privacidade dos meus amigos! Eu pelo menos tento pedir com educação, antes, né?

— Ah, tudo bem, só vai logo com isso, "tô" ficando cada vez mais agoniada e deprimida nesse quarto.

— Não gosta de invadir a privacidade dos seus amigos, mas havia invadido a do Hiroshi antes, né? — Disse Hayato, debochando da contradição de Naomi.

— Não é bem assim! — Respondeu Naomi.

— Ai meu deus...- Frustrou-se Yumi.

Yumi é uma mulher de alto padrão. Ela é acostumada a viver no mundo de coisas chiques e escandalosas, adora a luz do dia e coisas que brilham muito, ou que sejam muitos sensuais. Ela é o tipo de pessoa que se comporta de maneira sexy e extravagante, nenhum homem ou mulher consegue resistir ao charme que ela joga.

Enquanto Naomi é totalmente diferente disso. A garota passa a maior parte do tempo em seu quarto — que exala uma energia totalmente deprimente — programando projetos próprios ou jogando jogos online. Ela não se preocupa em ser atrativa, e com certeza se importa mais com os personagens de seus jogos favoritos do que com as pessoas. Exceto se as pessoas forem sua própria família, amigos, ou algumas outras nas quais ela sente compaixão.

A tela de um dos monitores de Naomi passa a exibir algo diferente, e não era nada mais e nada menos do que a tela do celular de Hiroshi. Nana agora podia ver tudo o que Hiroshi fazia num piscar de olhos.

— Pronto, aqui está! Esse é o celular dele. — Disse Naomi apontando para o monitor em questão, enquanto todos os outros olhavam impressionados.

— O papel de parede dele é uma foto nossa, que fofo... — Disse Norman.

— Nada fora do esperado, Hiroshi se importa muito com a gente — Falou Hayato, sentando-se na cama de Naomi, perto de onde Yumi estava deitada.

— E a gente se importa muito com ele...- Disseram Naomi e Yumi em coro, e em seguida, deram pequenas risadinhas ao mesmo tempo de que olhavam uma para a outra pela coincidência de ambas falarem a mesma coisa ao mesmo tempo.

O clima estava ficando mais leve naquele tenebroso quarto, é impressionante a capacidade do jovem Hiroshi de trazer clareza para seus amigos com apenas um papel de parede de celular.

— Por que não contamos para ele sobre nossa investigação? Ele pode ser útil — Apontou Norman, botando a mão esquerda em seu próprio queixo.

— Melhor não. Entrar para Kyght é o sonho de Hiroshi agora, ele não reagiria bem se soubesse que nós temos suspeitas contra essa empresa. — Disse Naomi olhando para Norman, que por sua vez, acenava com a cabeça. — Enfim, vou tentar acessar a caixa de entrada do e-mail dele.

Naomi usando o mouse conseguia controlar o celular de Hiroshi, e então, após procurar e achar o aplicativo de e-mail do jovem, clicou sobre ele, fazendo com que ele abrisse.

Naquele momento, todos saíram do lugar de onde estavam para se aproximar mais do monitor de Naomi...até que a expressão facial de cada um mudou para uma cara assustada e surpresa, tudo por terem notado um chamativo e-mail que ali estava presente. Seu título dizia: "Parabéns, Hiroshi! Você foi aceito como novo herói da Kyght."

Hiroshi havia passado na entrevista e estava prestes a se tornar o mais novo membro da maior equipe de super-heróis do mundo! "Com certeza ele deve estar pulando de alegria agora.", pensaram.

— Uau, então... — Falava Norman, até ser interrompido por Naomi.

— O Hiroshi passou na entrevista! Ele vai substituir o irmão! — Exclamou Nana, interrompendo Norman e ao mesmo tempo, completando a frase dele.

Naomi clicou sobre o e-mail para ler ele junto dos seus outros três amigos, que estavam totalmente sem reação.

"Parabéns, Hiroshi! Você foi aceito como novo herói da Kyght.

Nós, a maior de empresa de super-heróis do mundo, a Kyght, temos o prazer em vir aqui lhe dizer que você foi o herói escolhido para fazer parte da equipe [...] Precisamos que o senhor esteja presente na seguinte localização: "20 W 34th St, Nova York, NY 10001", ponto de referência: Empire State Bulding. [...] O senhor deve comparecer no local dia XX/XX/2020 as exatas 14:50, onde te levaremos de carro até o local de sua estreia, e em seguida, ao prédio da Kyght.

Teremos o maior prazer em trabalhar com você! Tevemos lá.

Empresa Kyght" É o que dizia o e-mail.

— Empire State Bulding? O maior arranha-céu do mundo? — Questionou Yumi, assustada e impressionada com o que havia acabado de ler

— É o maior arranha-céu do mundo? — Perguntou Norman, olhando de lado para Yumi.

— Faço a mínima ideia, deve ser.

— Pessoal, foco! — Ordenou Naomi, sendo rude com seus colegas. — Hiroshi foi aceito para a Kyght! Ele vai substituir o irmão! Vocês noção da seriedade disso?

— Ótimo, ele vai ser mais uma peça para a Kyght. — Resmungou Hayato.

— Eu estou feliz por ele...- Disse Norman.

— Gente, reparem que o e-mail diz "Empire State Bulding"! Isso fica em Manhattan, ou seja: o prédio da Kyght pode ficar perto daí — Disse Naomi, maravilhada com finalmente ter uma pista útil sobre onde o prédio da Kyght fica.

— Só precisamos descobrir a localização exata para lá agora, isso é ótimo! Bom trabalho, Naomi — Agradeceu Norman.

— E o que faremos quando descobrirmos? Não podemos ir até lá. — Perguntou Yumi.

— Daremos um jeito, fica tranquila. — Respondeu Naomi — vou ver se consigo descobrir mais coisas, deve ter alguma pista adicional em algum lugar desse celular.

Naomi procurou mais coisas pelo celular dele,esquecendo totalmente de ver o vídeo da entrevista.

Todos os outros três se sentaram na cama, e inclusive, Norman decidiu sentar-se bem perto de Hayato. Ele estava verdadeiramente feliz pela conquista de Hiroshi, mas ao mesmo tempo, bem preocupado por dentro.

Hayato se afastou um pouco de Norman, ele não gosta muito de aproximação.

Era em torno de quatro da tarde, porém, devido a pouca iluminação do quarto, parecia mais que eram quatro da madrugada.

O quarto estava ficando cada segundo mais quente, causando pequenos incômodos em Yumi, na qual estava com um moletom grosso.

Naomi continuou fuçando as coisas pessoais de Hiroshi e relatando o que encontrava aos demais, que almejavam descobrir mais sobre a Kyght. No momento, ele era a única chave que eles tinham para saber mais da empresa, então, embora fosse totalmente errado invadir o celular dele por meio de um ataque hacker, tudo isso era por ele e pelo seu irmão.

Hiroshi Honda (Gravidade) — Quarto de hotel, localizado no 4º andar.

Hiroshi gritava e esperneava de alegria enquanto agarrava seu travesseiro devido ao e-mail que a Kyght havia te enviado agora pouco. Ele finalmente se sentiu mais confiante e determinado, estava disposto a substituir o irmão e ser o herói mais útil possível.

O jovem nem imaginava que seu celular havia sido hackeado e que seus amigos estavam organizando uma investigação contra a Kyght, mas, se ele descobrisse, provavelmente nem se importaria, pois a felicidade naquele momento falava bem mais alto do que qualquer outra coisa.

Ele não sabia para quem ligar primeiro, se era para a sua mãe, ou se era para seus amigos. Hiroshi estava intensamente ofegante e ansioso, seu coração parecia disparar a mil por minuto, fazendo com que ele parecesse estar ficando cada vez mais leve, a ponto de flutuar por aquele quarto, até que ele bateu de cara no teto, e em seguida, caiu na cama desastradamente. Hiroshi havia ficando tão empolgado, mas tão empolgado, que levitou o próprio corpo sem perceber.

Os poderes de Hiroshi podem fazer com que ele mesmo ou outras pessoas voem para a direção que ele quiser. Seu limite é de duas pessoas só, mas, a duração de quanto ele aguenta levitar alguém é quase infinita caso o garoto esteja cheio de energia.

Ele sempre usa suas mãos e dedos para usar os poderes, sendo os dedos para coisas pequenas (facas, almofadas, lápis, canetas, e mais) , uma mão para algo consideravelmente grande (como pessoas, carros, entre outros), e as duas mãos para coisas gigantescas (navios, aviões, prédios, etc.). Então, se ele quebrar ambas as mãos, ele vai perder os poderes até que se recupere.

Hiroshi sempre gostou de como seus poderes funcionam, e sempre toma o maior cuidado com suas mãos e pulsos; seria péssimo se algo de ruim acontecesse com elas.

Dylan Smith (Liberdade) — Corredores da Kyght, localizados no 99º andar.

Após a pequena discussão que teve com Anaya a pouco tempo atrás, Dylan Smith estava encorajado a ter uma pequena conversa séria com a senhorita Anne, que de acordo ele, com certeza faria algo sobre isso.

Batendo fortemente os pés a ponto de quase quebrar o piso daquele andar e estremecendo os outros andares, Liberdade se dirigiu até o escritório de Anne — que fica um andar abaixo da sala de reuniões — e quando chegou, abriu a porta extremamente enfurecido, entrando no local.

O escritório da Anne era sem dúvidas uma das salas mais organizadas e limpas daquele prédio, traziaa sensação de alegria e dedicação para quem estava lá. Era um tanto quantopequeno, contava com detalhes minimalistas, uma iluminação irradiante, janelas enormesdando visão a uma maravilhosa rua, e plantas por muitos lugares. O que maischamava atenção naquele escritório era um telão quecobria uma parede toda, e inclusive, era lá que Anne via coisas como: os gráficos da empresa, o monitoramento das câmeras, a televisão, e outro sassuntos que ela tinha que tratar.

No momento em que Dylan entrou, Anne deu um pulinho de sua cadeira por conta do susto que levou. Dylan tentou falar com ela, mas, a mesma fez um sinal com a mão indicando que ele esperasse, pois, Anne estava falando no telefone com um certo alguém.

— Como assim vocês não podem simplesmente não fazer mais nenhuma reportagem sobre o ocorrido? — Disse Anne, com um tom delicado que nem uma flor, mas, um pouquinho brava com o que estava ouvindo. — A minha empresa pode pagar quanto vocês quiserem! Só não queremos que a imagem de nossos heróis seja manchada...ei! Espera! Espera...aahh — Ofegou Anne, pois, a pessoa do outro lado da linha havia desligado o telefone, deixando a entender que não estava interessado em receber suborno para simplesmente esquecer que dois super-heróis deixaram pessoas feridas em um local, além de terem saído como se nada tivesse acontecido.

Anne botou o telefone no lugar, passou as duas mãos em seus cabelos enquanto olhava para baixo, e suspirou longamente.

— Enfim, boa tarde, Dylan, está querendo algo? — Disse Anne, olhando para Liberdade e colocando as próprias mãos sobre a mesa.

Dylan caminhou lentamente até uma cadeira branca cujo ele estava observando, e que estava na frente do balcão da senhorita Anne, até que, tirou um paninho da calça e limpou o banco.

— Não se preocupe, você sabe que aqui é limpo várias e várias vezes por dia. — Falou Anne, parecendo transmitir uma aura de simpatia e com um pequeno sorriso em seu rosto.

— Bem, senhorita Anne, como a senhora obviamente já sabe...- Dylan arrastou a cadeira para poder sentar-se, e se sentando nela logo em seguida — Anaya acabou deixando quatro pessoas feridas, provavelmente por conta da menti...- Ele estava quase completando sua fala, até que foi interrompido por Anne.

— Você e Anaya deixaram quatro pessoas feridas, Dylan.

— Não, eu não! Anaya sim, ela havia dito que...

— Dylan, seja direto, eu sei que você não se importa com essas pessoas, o que você quer aqui? — Indagou Anne, virando a cabeça de lado e olhando fixamente para Liberdade.

— A expulsão de Anaya da Kyght. — Respondeu Dylan, ferozmente e corajosamente.

— Você quer que eu expulse a Anaya? — Anne olhou de lado, demonstrando estar pensando brevemente sobre o assunto. — não...não será possível.

— O que?! Por que não? — Dylan bateu uma das mãos na mesa, ficando mais irritado a cada segundo.

— Você junto de Anaya são o rosto dessa empresa, não podemos fazer isso...o que a mídia falaria?

— O que a mídia já está falando? Já olhou as notícias? As redes sociais? Todos estão falando sobre o ocorrido, caramba! Eles provavelmente já devem saber que foi a Anaya que fez com que as pessoas ficassem feridas!

— Sim, Dylan, eu e minha equipe já checamos tudo isso, e na verdade, eles estão culpando você.

— O que? Eu!?

— Sim, você. Aparentemente, Anaya usou de seus poderes para impedir que os bandidos fugissem, e você apenas usou seus poderes para pegar os homens naquela van, bem no finalzinho.

— Senhorita Anne, me escute! Anaya ainda vai falir essa empresa! Ela é totalmente imprudente com o uso dos próprios poderes.

— Eu ainda não vejo motivo para expulsá-la, Dylan.

Dylan fechou os olhos e virou sua cabeça em direção ao teto, soltando um leve suspiro de raiva e ao mesmo tempo, rangendo os próprios dentes.

Para Kyght, publicidade vem acima de qualquer outra coisa, ou seja: a mídia é mais importante do que salvar pessoas, então, por conta da popularidade de Anaya, eles não podiam simplesmente retirá-la da equipe.

Dylan bateu suas mãos e voltou a fixar seus olhos e sua cabeça em Anne, que por sua vez, estava com um belo sorriso, admirando Liberdade.

— Tudo bem, tudo bem, eu entendo. — Disse Dylan, levantando-se da cadeira na qual ele estava sentado e a arrastando para o lugar original — só não venha dizer que eu não avisei quando aquela garotinha fizer alguma merda.

Dylan saiu pela porta, totalmente de cara fechada e frustrado com a conversa que acabou de ter com Anne.

Hiroshi Honda (Gravidade) — Quarto de hotel, localizado no 4º andar.

Naquela noite calorosa e escura, Hiroshi organizou todos seus pertences, ligou para seus familiares e amigos para dar a notícia — embora que quatro de seus amigos já soubessem -, e dormiu bem tarde devido à forte ansiedade que estava sentindo; estava tudo realmente perfeito, simplesmente nada podia estragar a noite daquele entusiasmado jovem.

Hiroshi vai passar a morar no prédio da Kyght, onde tudo é altamente de luxo e extremamente organizado, ele vai literalmente viver no trabalho, o que era algo incrível para o nosso doce protagonista.

Ele revirava-se na cama pensando sobre como seus colegas de equipe irão receber ele, o garoto estava preparado para causar a melhor das impressões. Seus poderes de telecinese e compressão — que são parecidos com o de seu falecido irmão — vão ser de bastante utilidade.

O foco de Hiroshi não era lutar, e sim, ajudar o máximo de pessoas que der, principalmente por ele nunca ter sido bom em luta, seja corporal ou com o uso de seus poderes.

Por outro lado, Hiroshi pensava muito em seu irmão também. É agoniante não ter certeza de se alguém em específico estaria orgulhoso de você, e bem, o jovem Honda nunca vai saber a resposta para essa dúvida que o aflige, afinal, mortos não falam, ou pelo menos, por enquanto não...

"Parabéns, Hiroshi, logo você se tornará um grande herói."