Kyght
5 Último passo
Os procurados (Naomi, Norman, Yumi e Hayato) — Quarto da Naomi
Vinte; trinta; quarenta; cinquenta minutos haviam se passado, e nada de Hiroshi aparecer na apresentação. Naomi e seus amigos — que ainda se encontravam em seu quarto — continuavam a se perguntar quando que ele viria a aparecer. Hayato estava bem feliz, levantando suposições de que Hiroshi havia desistido de entrar para a Kyght e decidido não comparecer ao seu discurso de apresentação, apenas esperando o anúncio de Anne em relação a essa probabilidade. Os outros três estavam preocupados, imaginando que algo de grave poderia ter acontecido.
Norman estava bem inquieto, não parava de andar pelo quarto com a mão em seu queixo ao mesmo tempo em que ficava olhava para baixo, o que indicava que ele estava pensativo.
Desde cedo, Norman sempre foi um rapaz muito pensativo e observador. Uma curiosidade sobre ele é que na sua vida já apareceram diversos mistérios precisando ser solucionados, que por sua vez, gosta de os resolver em grupo, mas, tem um ego e necessidade de atenção um pouco grande, o que faz com que o garoto tenha tendências a sabotar planos propositalmente, apenas para encerrar o assunto sozinho e sentir-se glorificado pela descoberta. Felizmente, seus outros três amigos têm ciência disso, e o próprio Norman sabe que é um problema da parte dele e que precisa ser resolvido.
Por alguns segundos, Norman parou de andar, e então, virou seu rosto em direção a prateleira de Naomi, observando por mais uma vez, o boneco Funko Pop que a garota tinha em seu quarto. Fazer isso tantas vezes acabou virando um hábito estranho do garoto; talvez aquele boneco o deixasse menos ansioso, ou, quem sabe fosse só uma paranoia ficar o observando de vez em quando.
Naomi também virou o rosto – o qual antes estava virado em direção ao monitor central de seu computador -, olhando para Norman.
— Mais uma vez olhando a mesma coisa, Norman? – Indagou a menina, curiosa.
— Sim, tem algo nele que me chama atenção. – Respondeu o garoto, com tom baixo e sereno de voz.
— Se quiser, pode ficar com ele, eu tenho muitos...
— Obrigado, mas não precisa. Sinto que seja melhor deixar ele com você.
Naomi acenou com a cabeça e deu um sorrisinho com o rosto, voltando a olhar para a tela de seu computador.
Yumi está mexendo em seu celular ao mesmo tempo em que está deitada na cama de Naomi e mascando um chiclete, coisa que ela quase sempre faz nas reuniões para discutir sobre a Kyght.
Hayato, sentado na cama e perto de sua amiga, deu um sorrisinho maléfico, imaginando sobre como Hiroshi está agora mesmo.
— O que foi, Hayato? -Perguntou Yumi, que percebeu o sorriso no rosto do menino.
— Nada demais, só estou feliz em imaginar a probabilidade de Hiroshi ter voltado para trás.
— Você não se importa mesmo com ele, não é? – Disse Naomi, virando-se em sua cadeira giratória para a direção de Hayato.
— Como assim? – Questionou Hayato, desconcentrando dos próprios pensamentos por um segundo.
— Entrar para a Kyght se tornou o sonho de Hiroshi desde o falecimento do Hikari. Embora seja um grande achismo nosso que essa empresa é desprezível, acho que devemos apoiar o Hiroshi ao mesmo tempo de que tentamos descobrir os podres da Kyght. – Declarou a menina, claramente nervosa com a falta de sensibilidade de seu amigo – Parece mais que você só está "bravinho" desse jeito por pensar que a Kyght ganhou forças colocando um herói a mais no time.
Hikari é o nome do único irmão de Hiroshi. Ele tinha apenas 32 anos quando supostamente, optou pelo suicídio, que foi assistido pelo seu irmão mais novo, e protagonista da história.
— Você sabe bem que não falamos o nome dele por aqui. – Disse Hayato, indignado com o que Naomi disse.
Os outros dois pararam de realizar o que estavam fazendo, dando total atenção para a possível discussão que ali estava se formando.
— Tanto faz, só por favor, deixa de ser tão egoísta! Você não deveria querer controlar a vi...- Naquele momento, Naomi levantou-se de sua cadeira e apontou seu dedo em direção a Hayato, até que foi interrompida.
— Naomi, chega – Disse Norman, segurando-a pelo braço – é óbvio que estamos todos magoados pela morte do nosso amigo, e também, é evidente que temos opiniões diferentes sobre o destino de Hiroshi e sobre a Kyght, mas nós devemos manter a calma. Precisamos agir de alguma forma ou de outra, logo, não podemos perder tempo com discussões alheias.
— E como vamos agir? – Disse Hayato – já pararam para pensar que somos só quatro jovens esbravejando em um quarto e falando que vamos desmascarar essa empresa? A única coisa verdadeiramente útil que fizemos foi ter hackeado o celular do Hiroshi. – Completou, levantando-se da cama e se encostando na prateleira de Naomi.
— Ele está certo, será que conseguiremos avançar só com suas habilidades, Nana? – Disse Norman.
— Eu tenho um plano! – Disse Yumi, sentando-se de pernas cruzadas na cama – sabem o Chaveiro?
— Chaveiro? – Naomi perguntou, ficando confusa após a fala de sua amiga, e acalmando-se.
— O super-herói "teletransportador"? O que que tem ele? – Perguntou Norman.
— Ele mesmo! Eu estou falando com ele agora mesmo.
— Como assim você está falando com ele? Da onde você tirou o contato dele? – Naomi interrogou, chocando-se com a informação que acabou de ouvir.
— Aparentemente ele curtiu uma foto dela no Instagram e comentou "Chama na DM" – Disse Norman, que se aproximou por de trás de Yumi e conseguiu ver o celular dela, dando uma breve risadinha sorrateira em seguida.
— É... Isso mesmo – Disse Yumi, olhando em direção ao rosto de Norman, com um rosto franzido – Podemos pedir para que ele nos leve até Manhattan, e assim, estaremos perto de Hiroshi.
— Não é uma má ideia, mas como que faremos para conseguir a permissão de nossos pais? E se algo der errado? Como voltaremos? – Questionou Naomi, cerrando os olhos.
— Podemos falar para eles que sairemos em viagem a algum lugar! Já somos adultos mesmo, todos nós podemos sair de casa sozinhos. – Respondeu Norman.
— Eu tenho alguns contatos em Manhattan, então não se preocupem sobre onde ficaremos ou com o dinheiro. – Disse Yumi, tentando tranquilizar os amigos – tenho certeza de que eles nos ajudarão.
— Quantos caralhos de contatos você tem? – Naomi perguntou.
— Ah, você nem imagina, hahaha.
— Olha, me parece uma boa. Faremos uma viagem e estaremos mais perto do "Inimigo". – Norman apontou, botando mais uma vez, sua mão em seu queixo – mas será que devemos ir tão longe assim?
— É isso ou ficar papeando à toa aqui nesse quarto...- Resmungou Hayato.
— Todos de acordo? Posso chamar ele aqui daqui a pouco! – Disse Yumi – inclusive, todos nós aqui falamos inglês, não é?
— Sim! – Disseram Naomi e Norman, em coro.
— Eu não. – Respondeu Hayato.
— Nós podemos te ajudar com isso, fica tranquilo. – Tranquilizou Norman – Acho que não temos muita opção de qualquer forma. Como Hayato mesmo disse: "é isso ou ficar papeando à toa nesse quarto."
— Só estou um pouco ansioso em relação a isso, digo, ir para outro país só para investigar uma empresa parece algo muito "demais". A Kyght é uma empresa muito grande, como que nós, quatro jovens-adultos, vamos arranjar informações úteis para provar que o suicídio do irmão do Hiroshi foi uma possível farsa e ainda expor isso ao mundo? — Hayato mais uma vez disse, sendo totalmente pessimista e se contradizendo um pouco em relação ao assunto, coisa que era totalmente de se esperar da parte dele.
— Olha, Hayato, eu entendo o seu ponto de vista, mas assim como qualquer luta: nós precisamos aproveitar as oportunidades que temos e tentar. Mesmo que o objetivo pareça difícil ou muito distante, se nós nos esforçamos agora e usufruirmos dessa chance, podemos todos prosseguir na nossa batalha a favor da verdade.
O jovem parou para pensar por um momento, ficando com medo do que poderia acontecer, mas, enquanto todos olhavam para ele, o garoto acenou com a cabeça com um pouco de incerteza.
— Tudo certo então? Vou falar com ele sobre isso! Espero que ele responda rápido – Yumi disse, escrevendo um texto para ele por meio de seu celular.
Segundos após a menina enviar a mensagem, foi possível ouvir um som de notificação chegando, que não era nada menos do que a mensagem do Chaveiro, que concordou em levá-los a Manhattan assim que eles estivessem prontos para ir.
Chaveiro é um super-herói independente, isso é: ele não pertence a empresa nenhuma. Seu super-poder é abrir portais, ou mais especificadamente: quando ele abre a porta de qualquer lugar que seja, a pessoa que passar por ela acaba saindo pela porta de outro lugar. Como por exemplo, um dos seus grandes feitos: ter a educação de abrir a porta da casa de um pobre casal de idosos no sul da Flórida, para que assim, eles passassem primeiro. Por acidente, ele fez com que os dois saíssem por uma porta de um motel no oeste da Coréia do Sul. Os dois nunca mais foram encontrados, embora que a notícia tenha ficado bem famosa após ele ter admitido a situação durante uma entrevista que foi transmitida ao vivo em uma emissora de televisão muito conhecida.
Anaya (Fofoca) — Corredores da Kyght, localizados no 47º andar.
Anaya estava andando pelos corredores do prédio da Kyght, já vestindo seu uniforme de heroína e super ansiosa para a chegada de Hiroshi. Fofoca havia acabado de ajudar alguns funcionários a arrumar o quarto do garoto, organizando seus pertences, e realizando as instalações necessárias.
Enquanto ela andava, alguns funcionários — que apareceram de repente — começaram a olhar para ela e a sussurrar nos ouvidos um dos outros, o que a deixava incomodada, pois, tinha a impressão de que estavam falando algo sobre ela. Anaya era tratada como uma piada entre os funcionários da Kyght, tudo devido ao seu controle ruim do poder.
Antes de entrar para a empresa, Anaya sabia bem como controlar o gatilho de seu poder – não totalmente, mas, tinha um controle bem melhor do que agora -, só que, nos dias de hoje, qualquer mentira que ela conta acaba acontecendo, fazendo com que várias vezes, as pessoas as forcem a falar coisas que ela não gostaria.
Quando estava quase chegando à porta de um elevador, dois funcionários distraídos esbarraram nela, os quais estavam fofocando entre si.
— Ah...Ah! Me desculpe, senhorita Fofoca. – Disse um dos funcionários.
— Urgh! Dave! De novo esbarrando em mim?! – Anaya se enfureceu, visto que um dos funcionários esbarrava nela com frequência, e coincidentemente, sempre quando existiam pessoas ao redor – Você não deveria estar fazendo seu trabalho? Você é tão... – Antes de completar a frase, os sussurros aumentaram, e alguns deles viraram risadas entre os funcionários.
Naquele momento, Fofoca percebeu que ele só fazia isso para que os outros rissem e vessem se uma hora ou outra, ela cederia e perderia o controle, tudo para o entretenimento dos funcionários. Sem olhar para trás e sem completar a frase, Anaya caminhou rapidamente até o elevador, empurrando os dois homens com os ombros, olhando para baixo, apertando as mãos e sentindo-se injustiçada.
Fofoca apertou com força o botão do elevador, para que assim, ele abrisse a porta o mais rápido possível. Quando a porta finalmente se abriu, a mulher se surpreendeu quando viu que Liberdade estava dentro dele, cujo, estava subindo para aquele andar, enquanto deliciava-se com um sorvete de casquinha.
— Calma aí, Fofoca. – Disse Liberdade, debochando de Anaya e olhando para ela após a porta ter se aberto.
— Não enche, Liberdade! Me deixa passar. – Fofoca disse, tentando passar por cima de Dylan, cujo estava cobrindo a entrada do elevador.
— O que foi? Alguém te aborreceu? – Perguntou, ficando parado na porta do elevador e impedindo o avanço de Fofoca.
— Não! Ninguém me aborreceu! Não aconteceu absolutamente nada aqui! Agora me deixa passar.
Naquele mesmo momento, os dezenove funcionários que ali se encontravam desapareceram do nada. Anaya mentiu para Liberdade quando alegou que nada havia acontecido e que ninguém tinha a aborrecido, portanto, seu poder ativou-se automaticamente, alterando a realidade para se adequar ao contexto de sua mentira.
— É... Que ótimo! Você sumiu com quantos funcionários dessa vez? Tinha uns quinze aqui mais ou menos, não é? — Debochou Dylan, erguendo a cabeça e fingindo contar o número de funcionários que haviam desaparecido, e, forçando as portas do elevador a não se fecharem com as mãos.
— Ahhh...- Desabafou — eles estão bem, a memória só foi apagada da mente deles e eles foram teleportados para o último lugar que estavam além daqui – Respondeu Anaya, olhando para trás com um olhar deprimido.
— E como você garante isso?
— Sabe que não é a primeira vez que faço algo assim por acidente, não é? – Disse virando a cabeça para frente e fixando o olhar em Liberdade novamente.
— Como ninguém! – Liberdade finalmente saiu da porta do elevador, fazendo as portas fecharem e dando um tapinha na cabeça de Anaya com a mão direita – continue com o bom trabalho – Completou o herói, caminhando em direção a uma das salas do corredor.
Anaya suspirou, cruzando os braços enquanto olhava para baixo, e em seguida, deu um sorrisinho falso com os lábios, indicando estar um pouco indignada.
Não é incomum que sem querer, Anaya acabe se atrapalhando e mentindo, criando uma pequena confusão. Embora não pareça, ela se dedica sempre mais e mais em medir as palavras, visto que, a mulher não gosta de causar esses acontecimentos ruins por conta de seu poder que perdeu o gatilho de repente.
Hiroshi Honda (Gravidade) — Corredores do estúdio.
Hiroshi já estava um pouquinho atrasado para a grande cerimônia de anunciação, mas, não o suficiente para que Anne não pudesse segurar o público mais um tempinho.
Após um longo tempo de conversa com Beltort, Gravidade finalmente saiu da sala do velho homem, com um hematoma gigante em seu pescoço, e com a coxa machucada.
— Bem-vindo a Kyght, Hiroshi! Agora voe, e vá se apresentar para o mundo todo! – Disse Beltort, parado na porta de seu escritório enquanto observava Hiroshi ir embora.
— Pode deixar, senhor! – Disse Hiroshi, indo em direção ao local onde ele iria se apresentar e botando uma mão no pescoço e uma na perna, tudo devido a dor na qual estava sentindo.
Aparentemente, o jovem telecinético foi submetido a uma pequena cirurgia enquanto conversava com Beltort, e, devido ao fato de ser algo bem pequeno mesmo – embora a dor e o hematoma que ficou sejam grandes -, Hiroshi já podia realizar suas tarefas do dia normalmente.
Enquanto andava, vários funcionários que se encontravam passeando por ali pararam para olhar diretamente ao jovem, o que causou preocupação em Hiroshi. Aquele hematoma no pescoço era algo muito visível e de tamanho incomum, deixando as outras pessoas assustadas, mas, não tão surpresas.
De repente, Hiroshi avistou Marilyn andando apressadamente pelos corredores, cheia de papeis nas mãos e com seu característico olhar de intimidação. Ele não sabia o que ela estava fazendo, porém, ficou ansioso por pensar que o seu atraso fosse o motivo da frustração da mulher.
Meia-volta e volta e meia, Marilyn, que estava entrando e saindo de cada canto existente daquele estúdio, finalmente sumiu da visão de Hiroshi por alguns minutos, quando de repente...
— GRA-VI-DA-DE! – Disse Marilyn pausadamente, aparecendo por trás de Hiroshi – onde o senhor estava?! – Gritou.
Hiroshi virou-se lentamente para trás, e com a mão estendida na altura de sua cabeça, disse:
— Oi?
— Onde você estava, Gravidade?! Você está atrasado para a sua apresentação! – Marilyn falou, ordenando-o que fosse se apresentar imediatamente.
— O sr.Beltort me chamou na sala dele e implantou "aquelas" coisas em mim, sabe? – Respondeu o jovem, dando uma leve ênfase no "aquelas" – Ah! – Exclamou – e ele também já conversou comigo sobre a empresa.
— O que?! O Beltort?! – A mulher indignou-se – Isso era para ser feito depois! Por isso você está atrasado!
— Si-sim, é por isso mes...
— Espera aí, o que é isso?! – Marilyn ergueu a cabeça e botou suas mãos no ombro direito de Hiroshi, analisando seu hematoma – Um hematoma?! Como você vai se apresentar agora!?
— É que ele disse que era preciso...
— Nós te maquiamos justamente para evitar coisas assim! Que droga, Gravidade! – Marilyn se enfureceu, jogando os papeis no chão e esbravejando – você consegue...Sei lá! Diminuir o acúmulo de sangue com sua telecinese?
— Desculpa, mas eu acho que não – Hiroshi respondeu, ficando um pouco nervoso e mais ansioso ainda com a situação.
— Quer saber?! Não importa, não importa mais! Você vai se apresentar assim e vai fazer o seu melhor! – Marilyn empurrou Hiroshi com as mãos – Anda! Anda!
Aparentemente, Beltort se equivocou em ter realizado as pequenas cirurgias em Hiroshi antes da apresentação. Com o corpo "imperfeito" do menino, Marilyn se irritou, e com certeza, Anne e os outros funcionários da Kyght também iriam se irritar.
Aquilo poderia ter causado a demissão de Hiroshi e o cancelamento do anúncio, mas, com os papeis todos assinados e a extrema publicidade feita, já era tarde demais.
Andando apressadamente e passando por diversos lugares, Hiroshi finalmente chegou no local.
— Todo seu, Hiroshi! Só entrar agora. – Disse Marilyn, fazendo um sinal para Anne, que avistou os dois nos cantos do palco.
— Ok, ok! – Hiroshi respondeu.
— E-e agora – Anne travou sua fala por um segundo -, com muita felicidade, e depois de tanta espera, nós da Kyght finalmente queremos anunciar o mais novo herói! Hiroshi Honda! Gravidade! – Gritou no microfone, levando o público a mais uma euforia.
O grande anúncio de Hiroshi foi feito claramente as pressas e bem de repente, tudo devido ao atraso que aconteceu, apesar de que o pessoal não se decepcionou e nem se incomodou.
Hiroshi andou um passo de cada vez até o centro. Naquele majestoso palco, um palanque ergueu-se no meio – exatamente onde a diretora da Kyght, a senhorita Anne, estava -, fogos e luzes decorativas se acenderam, e várias grandes faixas com o rosto do jovem abaixaram-se nas paredes de todo o local.
A multidão ficou incessante por um longo tempo, em um nível em que era de se considerar desnecessariamente irritante e barulhento.
Quando Hiroshi se aproximou, Anne deixou o palanque e entregou um brilhante microfone de ouro na mão do jovem, que, por sua vez, segurou o microfone e subiu no palanque, olhando para baixo o percurso todo.
Os procurados (Naomi, Norman, Yumi e Hayato) — Quarto da Naomi.
— É agora! É agora! – Naomi disse, apontando para o monitor de seu computador.
Os quatro se mantiveram no quarto de Naomi, conversando sobre Hiroshi e a Kyght, como já estavam fazendo antes.
Todos ali presentes – exceto Naomi, que chamou a atenção do pessoal – pararam de fazer o que estava fazendo antes para aproximarem-se da tela do computador de Nana e ouvirem em silêncio a apresentação de Hiroshi.
Após um longo suspiro, o garoto finalmente tomou coragem para fazer seu discurso, que, exatamente por ter se esquecido de preparar algo antes, estava apreensivo. Quando ia soltar a primeira palavra, um som muito forte emergiu, surgindo no centro da multidão, junto de gritos desesperados e um caos generalizado. Aquele era o som de uma pistola disparando uma bala.
"Cuidem do Hiroshi, a luta de vocês ainda vale a pena."
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