Kushozuko
3 Um diário qualquer - Parte 1
Notas iniciais
07 de Janeiro de 2013, Veneza — Itália
Não sei por qual razão mantenho esse diário, talvez seja para você que está lendo agora entender o que aconteceu comigo em vida, não sei. Se você leu tudo que relatei até agora, deve saber que fiz um pedido de casamento em um curto período para uma mulher que supostamente conheço a pouco mais de 3 semanas. Pode me chamar de louco, se eu visse algo assim, com certeza me chamaria de alienado também. Acho que devo uma satisfação a você.
Eu tinha 12 ou 13 anos e havia mudado de escola, não conhecia ninguém, mas bati o olho naquela menina do sexto ano e meu coração palpitou. Não sei por que aquilo aconteceu, ela era apenas uma garotinha comum. Não tinha cabelos loiros muito menos olhos claros, não era alta e nem magrinha, era uma garota comum sem regalia alguma, não parecia mimada e nem rica, se parecia o que realmente era, uma pessoa como eu. Estudei naquela escola por 4 anos e todos os dias olhava para ela, e as vezes pegava ela me olhando também, mas com outro olhar, algo como "o que ele quer comigo e por que ele fica me olhando a cada meio minuto ?".
Então chegou meu ultimo dia de aula naquele lugar, onde passei bons anos quase sem amigos, mas tinha o Thayler que nunca me deixou na mão. Estou indo para o meu armário recolher o material depois do ultimo sinal com os pais dele esperando a gente do lado de fora para comemorarmos a saída daquela escola, e vejo um papel em cima dos meus livros e cadernos escrito "ABRA SOZINHO". Na hora, eu estranhei e achei que fosse algum dos garotos que costumava implicar comigo querendo me botar medo, mas não liguei muito e fui embora. Cheguei em casa e me tranquei no quarto assim que pude e fiz o que o bilhete pediu, então sentei na cama e o abri:
"Olá Leandro,
Não sei se você sabe quem sou, mas deve saber pois sempre noto que você fica me olhando no recreio e na saída. Sou Louise e sempre reparei em você mesmo eu sendo mais nova. Fiquei sabendo que sairia da escola e criei coragem pra escrever-lhe essa carta, principalmente por eu estar indo para França concluir meus estudos na casa dos meus pais. Sempre te achei muito engraçado, principalmente quando você dançava sem jeito nenhum enquanto seu amigo cantava uma música ruim de um modo pior para esculhambar tudo de vez. Desde que entrei naquela escola, as pessoas me olham de um modo estranho e me acham estranha de todos os modos, mas vi algo em você que era diferente, apesar de nunca ter tido coragem pra falar com você. Fui me encorajando e graças a esses 5 segundos de loucura, fiz amigos e amigas para perder a timidez aos poucos antes de chegar a você, e esses amigos e amigas me ajudaram. Trocamos os telefones e sempre conversamos. Minha amiga Marie me ajudou muito quanto a você, e me incentivou demais pra eu te conhecer, mas pelo visto não deu tempo. Tomara que no futuro nos reencontremos.
Com carinho, Louise"
Até hoje guardo essa carta comigo, mas nunca mais havia a visto, e nem nenhum amigo dela, então acabei não respondendo. Mesmo nos dias atuais, não consegui acha-la por não saber o nome completo, apenas o primeiro nome, mas naquele dia no restaurante, eu tive a certeza de que era ela desde o momento que ela estava entrando, pois meu coração acelerou. De alguma forma, acho que ela me reconheceu, mas não tenho certeza. Também não acho que ela saia por aí abrindo a perna para todos, e sei que eu não mataria ninguém se não soubesse que é o certo. Aquela noite foi a noite mais bizarra da minha vida, pela primeira vez me meti em uma briga e consegui vence-la sem quebrar o nariz. Hoje cedo mandei um e-mail para Thayler perguntando como ele estava e explicando por cima o que aconteceu, e combinamos de sair amanhã.
Tenho medo do que minha vida pode se tornar, e não sou mais um louco no mundo, garanto a você que sou consciente de meus atos e responsável. Já são 15h30 e ainda tenho que arrumar a cozinha que está uma bagunça, a sala e ir pro trabalho. Amanhã continuo escrevendo o que aconteceu ontem a noite e hoje ao longo da noite.
L.P.
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