Kushozuko

1 O começo


Era uma tarde vazia, porém clara. Nada de novo, nada de velho, tudo normal, como deveria ser, e eu me preparo para a noite. Sou Leandro, e sou de uma pessoa bem simples, sem muitas regalias. Trabalho em um barzinho como pianista e luto para conseguir uma gorjeta a mais. Moro em Veneza e já não tenho mais meus pais, morreram em um incêndio quando eu era mais novo, e por isso fui criado pelos meus avós. Já hoje, tenho 23 anos.

A tarde se passou como qualquer outra, tomei banho e resolvi me trocar: coloquei uma calça jeans, uma camisa polo, meu all star vermelho para combinar com a camisa, penteei meus cabelos pretos e chequei no espelho se eu estava bonito:

–Ótimo, estou como sempre, nada de novo, nada de velho, simplesmente eu mesmo. Só está faltando... Achei, One Million, meu favorito. Agora sim estou pronto.

Escovei os dentes, tomei um copo d'água, peguei minha bicicleta e fui trabalhar. Amava andar de noite por aquela bela cidade tão diferente de São Paulo. Tenho poucas recordações de lá por ter vindo pra cá aos 5 anos e por ter ido apenas uma vez a 7 anos atrás pra lá visitar minha tia, mas voltando ao trabalho. Cheguei lá já eram 20h15h:

–Está atrasado ! — Reclamou meu chefe, Domynniq

–Desculpe, hoje tive que ir ao centro para ver algumas coisas, resolver uns problemas e ir ao banco pagar umas poucas contas que estavam pendentes. Assim que cheguei em casa já fui pro chuveiro para depois me aprontar e vim correndo. — Respondi

–Ok, mas essa foi a ultima vez ! Sorte sua que ainda ninguém chegou ! — Retrucou ele

Peguei uma garrafa d'água e logo me posicionei no piano, e a deixei no canto, ao lado do piano. Passaram-se em torno de 20 minutos até as primeiras pessoas chegarem: era um grupo de senhores muito bem vestidos, adultos, com cara de uns 38 anos. Eram bem altos, pareciam ter bastante dinheiro. Logo, o meu grande amigo Thayler que estudou comigo e hoje é garçom do mesmo barzinho, foi atende-los:

–Boa noite senhores, aqui estão os cardápios. Gostariam de uma bebida enquanto escolhem ou aguardam o pedido por conta da casa ? — Perguntou ele

–Sim, um Grove Mill Sauvignon Blanc 2010, por favor — Disse um dos homens.

Não demorou muito para Thayler levar a bebida e algumas taças, e os homens logo escolheram o pedido, e como anteriormente, o tal homem falou para ele:

–Gostaríamos de uma porção de batatas com algumas tiras de peixe frito como tira-gosto.

–Sim, senhor

Enquanto isso, entraram mais dois grupos de homens, que fizeram os mesmos pedidos. Achei muito estranho, pois nunca nada assim havia acontecido. Quando a casa está cheia umas 4 mesas pedirem a mesma coisa é normal, mas apenas 3 mesas com homens pedirem as mesmas coisas ? Já é estranho o fato de só ter homens aqui, pois também é um lugar muito frequentado por famílias e por grupo de amigas adolescentes e adultas, por não ser um lugar tão caro e nem tão sofisticado. Passou-se em torno de 2:30h até o grupo da primeira mesa pedir o prato:

–Por favor, um prato de Salmão da casa para nosso amigo ali, para mim, um Bacalhau do chefe, e o prato do dia o maior possível.

Thayler logo foi fazer o pedido lá, e levar os pratos dos outros, e eu paro de prestar atenção nisso e volto a tocar. Já era 00h de quarta-feira e ninguém mais havia chego. Eram 01:30h até que uma linda mulher chega. Como a casa estava vazia, os outros garçons foram para suas residencias, deixando apenas eu e Thayler lá. Ele foi para a cozinha junto ao chefe para descansar um pouco e essa tal mulher tranca a porta da cozinha, empurra o segurança pra fora do bar, tranca as portas de lá e saca 2 armas e começa a atirar em alguns homens.

"O que está acontecendo ? Quem é ela ? Por que está matando esses homens ? Quem são eles ?" e enquanto essas coisas passavam pela minha cabeça, um homem foi lançado na minha direção, que por impulso acabei dando-lhe um soco na região da espinha dorsal, fazendo-o cair no chão, e tal mulher vindo e atirando em seu peito, no lugar do coração:

–VAMOS, ME AJUDE OU SERÁ MORTO ! — Gritou ela, tirando de sua bolsa que havia jogado em baixo do meu banco outras duas armas.

Com medo dela, fiz o que dizia. Foi segurada por um homem muito forte, acho que o mais forte entre todos lá dentro, então eu logo mirei na cabeça de tal e atirei. Como eu esperava, bem na testa. Um dos homens me segurara pelo pescoço me empurrando pra parede, então eu pego seu cabelo e lhe dou um chute na barriga. Ele me solta e cai, e eu atiro em sua perna, pois tenho dificuldade em matar. Logo levo um tiro na barriga, mas mesmo assim continuo em pé e lutando contra os outros. Acaba tudo e enquanto tal moça dava um tiro no peito de um dos homens, ele enquanto caia acabou disparando e acertando a perna dela. Saio correndo e a seguro antes de cair no chão e juntos caímos. Ficamos lá por um pouco de tempo pra pegar ar:

–Olá, me chamo Louise, e vim da frança, e quem é você ? — Disse ela

–S-sou Leandro... Por que veio matando todos aqui ?

–Não posso te contar agora, talvez depois te diga.

Antes mesmo de eu perguntar o porquê, fiquei hipnotizado com aqueles profundos olhos pretos e pude notar que ela olhava bem no fundo de meus olhos também, sem notarmos fomos nos aproximando, aos poucos. Tirei uma mecha de sua franja de seu rosto e lhe dei um beijo, que não queria que acabasse, e logo depois, levantamos:

–Venha, meu carro é aquele, tome as chaves

–Mas por que ?

–Levei um tiro na perna, como quer que eu dirija assim ?! Venha, vamos ao hospital.

Ela pegou a bolsa, as armas e destrancou as portas, e assim, fomos a um hospital muito longe e chique que eu nunca havia ouvido falar, e lá um médico nos atendeu, removeu as balas e fechou os ferimentos com alguns pontinhos, nada demais. Saímos de lá e ela me indicou o caminho de sua casa, e assim fomos, conversando no caminho:

–Então Louise, quantos anos você tem ?

–Vinte e você ?

–Vinte e três...

Ela me deu um beijo na bochecha:

–Obrigada por me ajudar a matar aqueles caras

–Ah sim, quem eram eles e por que os matamos ?

–Eles são de uma máfia, na qual meu pai pertencia, então, meu pai saiu de tal máfia e criou a própria máfia, e a máfia na qual ele pertencia, Sheiku, o matou por raiva, então eu acabei assumindo o cargo, pois ele e minha mãe estavam dando uma volta de balsa e eles explodiram a balsa. Fiquei sozinha e fui criada pelos meus avós, e meu avô me ensinou tudo o que eu deveria saber para liderar a Kushozuko, a máfia na qual meu pai havia criado. Hoje tento eliminar a Sheiku pelo que fizeram. Foi muito terrível, eu tinha 3 anos na época, e eles não sabiam da minha existência, só descobriram a partir do momento que comecei a persegui-los.

–Nossa, que triste...

–E você ? Qual a sua história pianista ?

–Eu era pequeno, tinha cinco anos, e fui para a casa de meus avós passar o dia, já que não era muito longe. Meus pais me deixaram lá e foram para casa pois no dia seguinte era meu aniversário. Eles iam arrumar o meu quarto de um jeito que eu gosto, iam pintar ele todo, mudar os móveis, a cama, tudo, iam preparar uma festa surpresa para mim, mas um homem jogou um cigarro, e para o meu azar, caiu acima do porta-malas do carro. O carro explodiu causando um grande incêndio em minha casa. Assim que os vizinhos notaram, acionaram os bombeiros, mas nada podia ser feito quanto aos meus pais. O fogo rapidamente consumiu a casa, matando-os. Quando meus avós souberam, logo me contaram. Fiquei muito triste, e fui criado por eles, até que com vinte anos consegui arrumar o emprego como pianista, depois de anos de estudo, e hoje banco eles.

–Nossa, bem parecida com a minha até...

–Sim...

–Ah, é aqui minha casa. — Ela abriu o portão — Pode estacionar ali.

Estacionei como ela havia dito.

–Entre — Me convidou

–Ah, já está tarde...

–Exato, por isso, passará a noite aqui

Ela me preparou uma caneca de leite quente enquanto eu estava sentado no sofá. Me entregou a caneca por trás, me agarrando e me dando um beijo no pescoço, e foi colocar uma camisola:

–Er... Poderia me dar uma coberta e um travesseiro ?

–Para que ?

–Para eu dormir aqui no sofá, ué

–Nada disso, venha comigo

Ela me guiou até o quarto dela, onde uma enorme cama de casal nos aguardava. Ela foi tirando minha camisa e desabotoando minha calça. Tirei meus sapatos e ela rapidamente, aproveitou enquanto eu dobrava minha camisa, veio por trás e agarrou minhas costas. Pude sentir suas grandes unhas raspando levemente sobre minha barriga. Ela começou a beijar minhas costas, não era muito alta, então me virei e lhe abracei. Quando menos notei, já estava hipnotizado novamente, mas dessa vez com o cheiro de seus longos e belos cabelos pretos. Enlouqueci e comecei a lhe beijar o pescoço, ela pulou em meus braços, e começamos a nos beijar. Coloquei-a na parede e assim continuamos. Ela me soltou e puxou um dos meus braços até a cama, me jogando e deitando em cima de mim, e assim voltamos a nos beijar.