Notas iniciais
Pavarotti e Blaineee e KLAINE! Tentando fazer capitulos maiorizinhos.

A primeira noite com Blaine no dormitório pareceu um inferno. Wes não parava de falar como sentira saudades e Blaine não parava de contar a sua aventura de chegar ate o colégio carmelia do outro lado da cidade. Sobre fumar baseado com alguns dos estudantes e de se meter em uma briga com o segurança da rua.

E eu achei que Wes era o mentiroso.

Alguns dias se passaram depois disso. Blaine estava sempre tomando a palavra de Hunter nas reuniões, o que era fantástico. Além disso, ele me deixava participar dos encontros. Mesmo que ainda não fosse oficialmente um Warbler. Melhor assim, preferia esquecer isso de despenas pássaros.

Obviamente Wes não conseguia parar de falar.

“Blaine, você pode ajudar Kurt a matar o canário? Ele não quer fazer.” Wes fala quase de súbito. Como se estivesse esquecido de perguntar antes. Desejava já termos deixado esse assunto pra lá.

“Mas é claro. Sempre é um prazer meu ajudar.” O sorriso dele era capaz de iluminar o quarto mesmo de noite. Ou talvez fosse só impressão minha?

Mas eu sabia, no fundo, que devia ter algo errado com o Blaine, algo que não era como Jeff ou Wes. Talvez não fosse nem como o Hunter. Mas eu sentia como ele ficava diferente quando estava sozinho comigo e quando estava com os Warblers, e pelo que sei, se estamos aqui e porque fizemos alguma coisa pra merecermos sermos internados. Se Blaine estava entre o bloco dos psicóticos como Thad e Austin, e às vezes no bloco dos transtornados como Jeff e Wes, e não se parecia nada com nenhum deles, o que realmente estava acontecendo com ele?

Na manha seguinte, Blaine me levou ate os telefones. Me entregou um deles na mão.

“Você quer ser quem distrai ou quem pega?”

“Do que você esta falando?” Volto a colocar o telefone no gancho. Blaine se irrita e pega de volta.

“Viemos pegar a porcaria do pássaro.” Ele sussurrou enquanto apontava pra sala das enfermeiras.

“E como usar o telefone ajuda a pegar o pássaro?”

“Confie em mim. É para distrair elas, já fiz isso um milhão de vezes. Nunca nos pegam.”

“Se você diz...” Voltei a pegar o telefone da mão dele. “Eu distraio. Me diz o que tenho que fazer.”

“Liga pro tele-sexo.”

“Que?!” Senti meus olhos aumentarem pelo menos duas vezes de tamanho. Blaine parecia se divertir.

“Elas escutam as conversas. Isso vai distrair.”

“Não elas não escutam.” Afirmei. Me lembrando da maldita regra de ética.

“Claro que escutam. Ninguém é idiota ao ponto de deixar algum psicótico usar o telefone sozinho.”

“Então liga você!” Empurrei o telefone contra o peitoral dele, irritado.

“Ligo mesmo! Então ve se faz o trabalho de pegar um canário e não deixe que ninguém te pegue no ato.”

“Ligar para um tele-sexo. Vê se pode...” Murmuro mais pra mim mesmo do que para Blaine. Com as mãos nos bolsos fico esperando ao lado da sala das enfermeiras. Tento escolher um dos três na jaula.

Minutos se passam e nada aconteceu. Escutei a cantoria de um dos pássaros e senti o peso no meu estomago por querer escolher ele. Me fascinava demais. Algo que o destacava dos outros pássaros.

“Ei! Seu nojento! Sai daí” Umas enfermeiras saem de seus postos ate onde Blaine esta. Ainda falando ao telefone. Então ele não estava brincando com isso delas escutarem as conversas.

Entro quase correndo na sala de enfermeiras. Tomando cuidado para a sola de meus sapatos não fazer barulho ao pisarem no chão.

“Me solta sua vadia! Me larga!” Os gritos de Blaine tiram um riso abafado de mim. Enfio o canário da pela cantoria no bolso do casaco e saio sem olhar para trás.

“O que pensa que esta fazendo?” Blaine balançava o braço tentando se soltar das garras da enfermeira em seu pulso. “Isto aqui não é um maldito puteiro!”

Nunca tinha visto enfermeiras grosseiras na Dalton ate isso acontecer. Nunca tive tanta vontade de rir como quando escutei a resposta de Blaine.

“Achei que fosse. Cheio de vagabundas feito você!” Um dos funcionários se aproxima por trás de Blaine e passa o braço pelo seu pescoço para imobiliza-lo.

“Chega de criar problemas aqui, Blaine.” Ele disse, quase sem folego de ter que segurar Blaine. Ele se solta de seu aperto e corre até mim. Agarra a minha mão e corremos pelos corredores de Dalton. Por um minuto, parece uma cena de câmera lenta.

Quase sem folego. Paramos no pátio de trás do prédio. Nossas respirações e nossas risadas são pesadas. Tentamos abafar com as nossas mãos e caímos no gramado. Permanecemos la por um longo tempo. O sol esquentando nossas faces já vermelhas e cabelos suados. Blaine respira fundo.

“Isso foi divertido.” Comenta ele.

“Não acredito que chamou a enfermeira de vagabunda.” Olho pra ele, rindo mais.

“Nah. Já xinguei de coisa pior.” Ele fixa o olhar nas nuvens. Uma delas parece um pássaro.

Ah merda, o pássaro.

Desesperado, vasculhei meus bolsos. De lá, o bichinho imóvel repousava em minha mão.

“Cade o pássaro?” Blaine senta no gramado.

“Aqui.” Mostro meu punho fechado, com o canário encolhido ai dentro.

“Acho que morreu sufocado.” Ele diz, passando a mão nas pelugens do defunto. “Coitadinho.”

“Coitadinho? Você disse que ia matar ele por mim!”

“Não ia não!” Ele protesta, pegando o pássaro morto de minhas mãos.

“Ia, sim! Você matou o de Wes!”

Ele fica em silencio por uns segundos.

“Bem eu... não. Eu não matei o pássaro. Eu o soltei apenas.”

“Você fez o que?!”

“Olha, ninguém além daqueles psicopatas do Hunter e Sebastian seriam capazes de despenar um pobre canário. Nem eu faria isso.”

“Então este aqui estaria livre agora?” Apontei para o pássaro em sua mão.

“Estaria.” Ele abaixou a cabeça para examinar melhor o corpinho. “É uma pena.”

Nos olhamos com o trocadilho de “pena” com “pássaro” e rimos. Rimos de tristeza, uma risada de luto.

“Melhor enterrar ele ou sei la.” Ele diz depois de pararmos de rir.

“Eu posso fazer um caixão para ele.” Sugeri.

“Você faria? Mesmo?” Aceno com a cabeça. Ele sorri com os dentes amostra e pega a minha mão. Um gesto mais que natural para nos dois, talvez.

“Ele cantava muito bem.”

“Não sei, não presto atenção neles cantando.” Blaine faz carinho na cabeça do pássaro com o seu polegar. “Poderíamos ter colocado um nome nele. Wes chamou o dele de Wallace.”

“Prefiro Pavarotti. A voz dele era quase tão boa como a desse canário.”

“Não faço ideia de quem seja esse Pavarotti. Mas ok, o nome é esse.”

“Nome? Pra que? Ele ta morto”

“E dai? Ele merecia um nome.”

Eu aceno com a cabeça, pego o pássaro de volta na minha mão.

“Desculpe, Pavarotti.”

Ficamos no gramado ate o céu ficar alaranjado em sinal do anoitecer. Passamos a metade do tempo rindo e conversando de coisas fúteis ou segredos. A outra apenas encaramos o céu, Blaine quase não deixou de soltar a minha mão.

“É estranho. Eu nunca peguei na mão de alguém aqui antes.” Ele diz, encarando nossas mãos atadas.

“Nem eu.”

“Espero que signifique alguma coisa boa, Kurt. Eu acho que gosto mesmo de você.”

Minhas bochechas coram.

“Também gosto de você.” Confesso. “Só não gosto de você se comportar tão diferente comigo do que com os Warblers.”

“Isso é porque eu gosto de você, Kurt. Não entende? Eu quero que você veja um lado melhor do que os warblers veem.”

“Agora eu também sou um Warbler.”

“Você é.”

Quando voltamos para dentro do prédio. A sala de televisão esta ocupada pelos warblers, eles se levantam quando chegamos e Blaine pede para sentarem.

“Por onde vocês andaram?” Pergunta Sebastian, ciumento.

“Kurt agora é um Warbler.”

“Serio? Wow, Kurt. Que máximo!” Eles me aplaudem e vem me abraçar.

“Então o que você estava fazendo com ele?” Sebastian pergunta novamente, desta vez a pergunta e só para Blaine.

“Ele precisava de uma forca. Se saiu bem.” Ele sorri para mim.

“Meus parabéns, Kurt!” David volta a dizer, me dando tapinhas nas costas. Sinto o olhar fuzilante de Sebastian atrás de mim.

No refeitório. Blaine fala como fui corajoso cortando as assas do canário. E aqui temos o Blaine Warbler de volta.

Wes é o primeiro a cair no sono no dormitório. Seu ronco é quase imperceptível mas continua lá. Minha visão fica aturdida finalmente, ate que o barulho do colchão sedendo ao peso de Blaine deitando-se do meu lado me acorda quase que totalmente.

“O que esta fazendo?” Sussurro com medo de acordar Wes, Blaine não diz nada, apenas se mete debaixo das cobertas.

“Onde você guardou Pavarotti?” Ele sussurra.

“Continua no meu bolso. Por que?”

“Por nada” Ele acomoda a cabeça por trás dos braços cruzados. “So queria ver se você estava bem.”

“Eu estou bem. Agora pode voltar pra sua cama.” Chuto a perna dele debaixo das cobertas.

“Naah. Esta bom aqui. Quentinho.” Ele enterra o rosto dele no meu pescoço e não se mexe nem quando dou tapas em seu ombro ou empurro seu quadril pra longe do meu.

“Okay. Pode ficar, mas me deixa respirar.” Ele obedece e rola para o lado livre da cama. Que é quase nenhum já que a cama é de solteiro.

“Boa noite, Blaine.” Digo.

Sinto ele adormecer do meu lado antes de poder responder. O canto de Pavarotti ainda esta preso em minha cabeça.