Kurt, Interrompido
5 Os anos 60
Notas iniciais
Os anos 60 deixou metade da população maluca. Eram as drogas, era a guerra, eram os Beatles. O que quer que seja, se manifestou em todos nós em algum momento, para alguns, pelo resto da vida.
Lembro-me do dia em que estávamos todos reunidos na sala de televisão. Eu sentado no meio de Wes e Jeff. Assistiamos ao noticiário, coisa que normalmente não fazíamos.
“Não quero ficar mais deprimido.” Dizia Austin antes de desligar a TV.
De fato, o assassinato de Martin Luther King sendo anunciado fez todos os pacientes (menos os encarcerados.) e os funcionários voarem pra frente da Televisão. Um silencio de tristeza pousou sobre todos nos.
“O mundo com certeza está acabando” Disse Wes
“Quem é Martin Luther King?” Jeff se voltou para mim.
“Seu babaca” Gritou Sebastian, sentado atrás de nos.
“O mundo tem que estar acabando, só pode” Uma das enfermeiras confortou Jeff.
Fomos todos dormir depois disso, ainda não conhecera esse tal Blaine, que depois de uma semana desde a minha chegada, continuava desaparecido.
“Hey, Wes?” Estavámos deitados os dois, não conseguia enxergar um palmo a minha frente.
“Mhmm?” Ele murmurou preguiçosamente de sua cama.
“O que aconteceu com Jeff para ele ser mandado aqui?” Jeff parecia um retardado mental, mas ele conseguia escrever melhor que a maioria dos pacientes e de alguns funcionários também. Lembro dele chorando na sala de televisão.
Wes pensou um pouco, depois escutei ele se reacomodando no colchão.
“Aos 4 anos, o pai dele saiu para uma viagem de pesca.” A voz dele pareceu rouca. “A mãe dele era louca. O pior foi que ela ficou com Jeff em casa, sozinha.”
Pensei na minha mãe, quando eu tinha 4 anos, ela me fez uma fantasia de homem de palha para o mágico de Oz.
“Ela foi dar banho no Jeff, ela tentou afoga-ló na banheira.” Ele continua, tentando fazer suspense.
“O pai voltou na hora para salvar Jeff. Ele tinha esquecido uma das ferramentas. Depois disso, só sei que ele está aqui a mais tempo que ninguém”
Que vida horrível. Meus olhos se acostumaram com a escuridão do quarto.
“Você já ligou pro tele-sexo?” Tentei quebrar a tensão.
“Tento manter rotina” Ele responde.
“Bem, e você? Por que você esta aqui?” Perguntei sem me dar conta, como se estivesse com isso na ponta da língua faz muito tempo.
“Mentiroso Patológico”
Acho que não voltei a perguntar coisas para o Wes.
“E o que você tem, Kurt?”
“Suponho que esteja deprimido” Tentei ler o pôster colado na parede, apenas consegui identificar o formato das letras, nada mais.
“Cara, estamos em 1967” Escutei ele dizer, tirando minha atenção do pôster. “Todos nós estámos deprimidos.”
Eu concordo com a cabeça, mas sei que ele não pode me ver.
“Pelo menos não vão me recrutar para a guerra.” Comentei, esse tipo de assunto não tinha me chegado em mente ate entao.
“Não tem muita diferença em estar lá ou aqui. Estamos todos fodidos.”
“Porque são os anos 60?”
“Porque somos humanos.” Ele respondeu.
Talvez eu não fosse o único com a mente funcionando na Dalton. Sorri.
“E seremos escravizados por macacos” Meu sorriso se partiu.
Esquece.
“Me conta mais” Fechei os olhos, tentando dormir.
Escutei Wes contar sua teoria de conspiração sobre macacos. Não foi tão louco assim.
No final, não faz diferença nenhuma, estamos todos fodidos porque somos humanos.
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