Kurt Hummel, O Mediador.
19 Capítulo 19
Notas iniciais
19
Eu estava fazendo um quadro com fotos. Tinha fotos com Rachel, meu Pai, Quinn/Lucy, com Girafa e com outros amigos não tão próximos de New York. Eu estava cortando um pedaço de tecido vermelho para dar destaque a foto de minha mãe. A cor realmente lhe favorecia, ela parecia ainda mais bonita.
– Chamou? – Blaine apareceu a minha frente.
Eu estava pensando que não teria uma foto dele para colocar ali, o que era uma pena já que ele era uma das pessoas mais importantes para mim no momento. Eu me assustei com a chegada repentina dele que acabei cortando o dedo.
– Ai. – Disse colocando o dedo na boca e sentindo o gosto de sangue.
Blaine veio em minha direção e pegou minha mão. Ele olhou com cautela e depois sorriu. Os dentes brilhando, tipo, de verdade sabe, porque ele tem essa aura de fantasma que faz ele brilhar.
– Nada grave. – Ele me puxou para o banheiro.
Em menos de três minutos meu dedo estava limpo e com um curativo. Eu olhava pasmo para o moreno a minha frente. Ele sorriu e voltou para o quarto.
– Não fique tão surpreso. – Ele sentou na ponta da cama.
– Desculpe, mas você acabou de virar um médico. – Ele ri. – Eu tenho permissão para ficar surpreso.
– É só um corte comum, Kurt. – Sento-me a seu lado.
Termino de recortar o tecido e colo-o no quadro. Finalmente está pronto. Penduro-o na parede ao lado da cama e o observo por um momento. Blaine continua sentado na cama, me encarando. O sorriso estampado nos lábios.
– Que tal me explicar sobre isso? – Levanto o dedo enfaixado.
– Já disse que é um corte simples, Kurt. – Ele se aproxima e me beija.
Eu fico completamente sem ar quando ele me puxa pela cintura. Passo os braços ao redor de seu pescoço e deixo que ele explore minha boca. Depois de nossa conversa passamos a nos ver todos os dias à noite. Quinn sumia sem explicação e Rachel ficava ocupada demais com Girafa.
– Por mais que seja um corte simples, o jeito que cuidou dele. – Ele me beijou de novo. – Pare de me distrair, estou tentando entender porque – Ele me beijou mais uma vez – meu namorado sabe esse tipo de coisa.
Ele parou e me encarou. Sorriu e não pude deixar de sorrir também.
– Eu tinha duas mais novas, e como belas moças elas usavam aqueles sapatos apertados, que causavam machucados em seus pés. Eu cuidava delas. – Ele me puxou para sentar perto da janela. – Eu sempre quis ser um médico, mas depois que meu irmão mais velho foi embora, eu era o responsável por cuidar das terras da família.
– Por isso teria que se casar com aquela lá. – Não queria dizer o nome da ex noiva de Blaine que nos causou tantos problemas.
– Sim. – Ele olhou pela janela e Ariel se colocou próximo a seu joelho, ele acariciou o cachorro enquanto admirava a vista.
O Sol estava se pondo, e o céu tinha um tom alaranjado. Algumas nuvens estavam presentes na imensidão que era o céu. Conforme o Sol ia se indo, as palmeiras iam ficando negras e depois de um tempo era possível apenas ver a silhueta da cidade.
– E nunca contei isso pra ninguém. – Ele me olhou. – Era meu segredo de morte. – Ele sorriu.
Depois daquilo em lamentei ainda mais por não ter uma foto dele para por no meu quadro. Parece fútil, eu sei. Mas eu tinha essa ideia de que uma foto poderia eternizar uma pessoa. E eu queria mais que tudo, que isso que sinto hoje, fosse eterno.
Eu desci as escadas para a cozinha, onde meu pai estava sentado, bebendo uma cerveja. Eu lembrei do dia me que minha mãe estava ali. Senti um frio na barriga. Ele me viu e sorriu.
– Hey, kiddo. – Sentei a seu lado.
– Como está? – Peguei uma maça e mordi.
– Bem, eu acho. – Ele focou o olhar na garrafa. – Sabe quando achamos aquele corpo aqui no quintal? E aquelas cartas?
– Sim? – Arqueei uma sobrancelha e senti meu estomago embrulhar.
– Tudo foi para um centro histórico aqui da cidade, e estão fazendo uma exposição. – Ela me olhou. – Acredita que o corpo era de um garoto, filho de um dos maiores fazendeiros da região?
– Sério? – Minha voz saiu fina.
– É, eles eram franceses, sabe. – Meu pai me olhou. – Devia ir nessa exposição, Kurt.
– Por quê? – Dei um pulo.
– Porque você gosta de franceses, e porque seria bom adquirir um pouco de conhecimento. – Ele se levantou. – Pense nisso, Kurt.
Depois da conversa com meu pai eu decidi ir sim no centro histórico da cidade ver a tal exposição sobre Blaine. O lugar era imenso. Rachel e Quinn vieram comigo e não paravam de brigar.
– Nariguda, por que não cala a boca? – Quinn revirou os olhos quando Rachel começou a falar sobre como um museu era perda de tempo.
– Olha, a menina que amava musicais antigos odeia coisa velha. – Olhei para Rachel rindo.
– Você gostava de musicais? – Quinn arqueou uma sobrancelha.
– O sonho dela era ser uma estrela da Broadway. – Falei e Rachel me encarou com raiva.
– É, quando eu era pequena. – Ela virou para Quinn e jogou os cabelos para trás. – Agora eu sei que não devo viver do passado.
– Por quê? – Rachel foi pega de surpresa. – Nariguda, o melhor que tinha em você era gostar de musicais, e você jogou fora. – Quinn balançou a cabeça mostrando decepção.
Eu deixei as duas conversando ou brigando, sei lá e segui pelo salão. Vi uma espécie de caixa de vidro, onde tinha uma carta de Tina, endereçada a Blaine. Ela não contava nada demais, e eu já havia lido todas as cartas antes. As cartas eram tão tolas que nem parecia que os dois estavam prestes a se casar.
Ela falava da roupa dela e sobre os pais, irmãos e tudo o mais. Fútil.
Vi um vestido de seda azul, com cristais. Era um vestido de Tina. E mais adiante, um colete preto de couro, o letreiro dizia que pertencia a Blaine. De onde tinha vindo tudo aquilo? Eu fiquei pasmo vendo tudo. Mas fiquei mais pasmo ainda quando vi o pequeno pedaço de papel.
O quadro era gigante e continha muitas fotos. Mas aquele pedacinho pequeno, quadrado e quase sem tinta me chamou a atenção. Um Blaine vivo sorria, mostrando os dentes brancos. Os cabelos cacheados bagunçados. As mesmas roupas cafonas de sempre. Ele parecia ter uns 20 anos. A data dizia que a foto era de 1851, o ano em que Blaine morreu.
Meu coração apertou e me obriguei a sair dali. Não só da frente da foto, mas do museu. Rachel ficou feliz e sugeriu que fossemos até a praia. Nós fomos e aproveitamos o dia. Rachel deu a trágica noticia que iria embora na segunda de noite, e era sábado.
– Que pena, nariguda, vou sentir sua falta. – Quinn abraçou Rachel que tentou se livrar da ruiva. Mas eu vi que ela sorria.
Quando o Sol começou a se por resolvemos ir para casa. Mais uma vez o laranja tomava conta do céu. Depois de ontem, toda vez que eu olhasse para o por do Sol eu iria me lembrar de Blaine, e de seu segredo de morte.
Subi para o quarto enquanto todos se sentavam a mesa. Larguei a mochila e a bolsa de Rachel sobre a cama. Olhei pela janela e sorri. Blaine não estava ali, mas ele seria eterno.
Tirei do bolso o pequeno pedaço de papel e colei no meu quadro.
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