Kurt Hummel, O Mediador.
16 Capítulo 16
Notas iniciais
16
Muito bem. A pior coisa que fiz em toda a minha vida foi deixar Quinn/Lucy morar na minha casa. O motivo? Rachel não parava de reclamar e Blaine não aparecera desde então. Ele ainda vai me pagar por estar fazendo birra.
Ah, não posso esquecer-me de contar do triangulo amoroso que começou na minha casa. Girafa estava interessado em Rachel, mas isso foi antes de Quinn aparecer, com todo o seu charme ruivo, e eu era obrigado a assistir ela flertar com o meu meio irmão.
– Fabray, não quero você dando em cima do meu meio irmão. – Disse lhe encarando.
Passei a chama-la apenas de Fabray depois de um pequeno acidente. Sem querer a chamei de Quinn na frente do Girafa, ele conheceu Quinn e achou estranho. Ele já havia reparado na semelhança das duas, claro, eram a mesma pessoa. Eu disse que tinha me confundido, mas mesmo assim ele me perguntou como, já que eu cheguei depois de Quinn ter morrido.
–Hummel, por favor, pare de pegar no meu pé. – Ela sentou na minha cama.
Meu quarto estava uma bagunça. Um colchão tinha sido posto no meio do quarto para Quinn dormir. Eu tinha lhe dado algumas gavetas da minha cômoda para que suas roupas não ficassem jogadas pelo chão.
– Eu concordo com Kurt. – Disse Rachel séria encarando Quinn, que mais uma vez sustentou seu olhar.
Olhei curioso para as duas e não pude deixar de rir.
– Você só concorda com ele porque quer o grandalhão. – Quinn sorriu irônica.
– Isso não... – Rachel começou, mas foi interrompida.
– E você, — Quinn apontou pra mim. – só está me impedindo porque não quer aceitar outras pessoas com um bom relacionamento, já que o seu está uma merda. – Ela sorriu e lhe encarei sério.
– Kurt? – Rachel sorriu travessa e surpresa. – Você está namorando?
– Oh, você não contou a ela? – Quinn riu.
– Cala a boca, Fabray. – Virei as costas para as duas.
– Pode parando aí. – Rachel se meteu na minha frente. – Como você não me contou sobre o seu namorado? – Rachel sorria que nem uma boba.
– Obviamente porque você não consegue vê-lo, Nariguda. – Disse Quinn ainda sentada na minha cama, sorrindo contente.
– Como assim não poss... – Ela parou e me encarou pasma. – ELE É UM FANASTMA, KURT?
– Não grita. – Disse tapando os ouvidos.
– Kurt, você devia ter me contado. – Não sei dizer se ela estava brava ou contente, quem sabe os dois.
– Eu ia, mas depois que ele derrubou aquela estante em você achei melhor não. – Ela me olhou pasma.
– Ele que derrubou aqui em mim?
– Queria ter visto. – Quinn começou a rir.
– Ele tá aqui? – Rachel começou a olhar por todo o quarto.
– Não, nariguda. – Quinn revirou os olhos.
– Você pode ver ele também? – Rachel arqueou uma sobrancelha.
– O que acha? – Quinn a fuzilou com os olhos.
– Ai, chega. – Disse.
– Engraçado, você se diz a melhor amiga de Kurt, mas ele não te contou sobre o namorado dele. – Quinn sorria travessa.
– Olha aqui...
– CHEGA! – Abri a porta e saí do quarto.
As aulas começariam no dia seguinte, uma segunda feira, que maravilha e eu nem tinha aproveitado minhas férias. Nas últimas semanas, quando o trabalho me deu uma folga, tive de aturar Rachel, e Quinn. Queria um pouco de paz.
Acordei antes de todos e a primeira coisa que fiz foi olhar para a janela. Ela estava aberta, a cortina balançava com o vento matinal. O sol já aparecia, brilhando mais que tudo, iluminando o mar azul cristalino.
Uma dor transpassou em meu peito. A janela nunca ficava aberta. Eu sempre a deixava assim antes de dormir, para refrescar o cômodo, mas um certo fantasma a fechava quando esfriava demais. Isso significava que ele não havia voltado, outra vez.
Saí da cama e chutei Quinn para que acordasse. Não queria chegar atrasado no primeiro dia de aula. Ela resmungou e virou de lado. Fui até o banheiro, escovei os dentes, arrumei o cabelo, mudei de roupa. Quando voltei para o quarto Quinn já estava de pé, vestida e o cabelo era uma bola de nós.
– Rápido. – Disse apontando para o banheiro.
– Sim, senhor general. – Ela zombou e fechou a porta.
Desci e peguei uma maçã, Girafa estava na mesa comendo, como de costume. Fui para a sala esperar a Queen Fabray descer. Não demorou muito e ela estava com os cabelos lisos e ruivos no lugar, um vestidinho branco cinturado sem mangas, tão doce.
– De onde tirou toda essa doçura? – Ela parou na minha frente.
– Muito engraçado, Hummel. – Ela colocou a bolsa no ombro direito. – Vamos logo.
– E é só abrir a boca que a doçura vai embora. – Comecei a rir e saímos de casa.
Chegamos em tempo lá. Mas como no ano anterior tínhamos que rezar antes de iniciar as aulas do dia. E assim fizemos. Muitos olhares passaram espantados por Quinn, alguns até a chamavam de Quinn e ficavam admirando sua beleza.
– Quinn? – Um jogador de futebol chamou.
– Lucy, na verdade. – Ela sorriu. – Olá.
– Por que está sendo tão doce? – Falei puxando-a para um canto.
– Porque a Quinn não era, preciso mostrar que sou diferente da minha versão loira. – Ela olhou para os lados. – Sabe alguma coisa de Noah?
– Ele se mudou pouco depois que você se foi, sabe, se foi mesmo. – Olhos dela caíram.
– Melhor assim. – Ela abriu um sorriso e começou a caminhar pela multidão.
Eu pensei em segui-la, mas fui impedido por uma voz no alto-falante.
Kurt Hummel, comparecer a diretoria.
Mas já? Nem tinha entrado em uma sala de aula e já tinha que ir ver Sue? Por favor. É muito pedir um pouco de paz?
Caminhei até o escritório com pessoas me olhando e rindo. Pensando que eu já estava em uma encrenca, na primeira meia hora na escola. Ótimo.
Quando entrei na sala, Sue logo me mandou sentar e esperar enquanto ela terminava de limpar seus lindos troféus. Ela levou uns dez minutos para voltar a sentar na cadeira atrás da mesa e me encarar.
– Tem algo a me contar, Sr. Hummel?- Ela cruzou as mãos sobre a mesa.
– Não. – Arqueei as sobrancelhas.
– Tem certeza? Nada sobre um beijo? – Ela me lançou um olhar sério.
Eu entrei em pânico. Meu coração acelerou. Minha respiração ficou irregular. Eu comecei a suar.
– Como.. Como? – Eu não conseguia falar.
– Blaine me contou. – Ela relaxou na cadeira.
– Blaine? – Tudo bem, aquilo era novidade.
– Ele veio até mim uma noite dessas, pedindo ajuda. – Ela fez um gesto para que eu fechasse a boca, que até então estava aberta sem eu perceber.
– Ajuda? – Minha voz saiu aguda.
– Não fique bravo com ele. – Ela se voltou para a frente. – Ele acha que pode fazer algum mal a você depois desses beijos, não se sente seguro em morar lá.
– Hã? – Eu não conseguia formular uma frase.
Blaine pediu para ir embora, e não teve a coragem de falar comigo.
– E por que ele não está me falando isso? – Perguntei sentindo a raiva subir.
– Ele tentou, mas suas hóspedes não deixaram. – Sue sorriu. – Não leve ele a mal, ele é de outra década, acha errado viver sob o mesmo teto com o namorado. – Ela apontou para mim. – Ainda acho estranho esse namoro, como...
– Não interessa. – Sem querer acabei gritando. – Ele tinha que vir falar comigo, eu chamei ele nesses últimos três dias e nem um oi ele não deu. Eu fiquei preocupado, e ele estava aqui, pedindo abrigo porque acha errado vivermos sob o mesmo teto? – Me levantei e fui até a porta.
Saí correndo que nem um louco pelos corredores. Bufando de raiva.
– Cuidado pessoal, o touro está a solta.
Quando eu pensei que meu dia não podia piorar. Maldito sorriso. Malditos olhos. Maldita voz.
– Sebastian.
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