Kuroshitsuji & Jack Sparrow versus Slender

2 Complicação! Sebastian, o mordomo demônio.


Notas iniciais
Vou sempre pedir desculpas por eventuais erros, eles desgastam, ainda que eu sempre revise tudo que escrevo. Obrigado e se puderem, comentem!

Aquele casarão estava melhor por dentro do que por fora. Móveis lustrados, decoração impecável, nenhum problema na estrutura e o chão, muito limpo, talvez o mais limpo que as botas surradas de Jack e Gibbs já tivessem pisado. O garoto, observavam os piratas, era inabalavelmente disciplinado e se portava como um legítimo nobre, inclusive em sua frieza e arrogância. Por outro lado, e também observavam os piratas, Sebastian, o mordomo, era tranquilo demais, como se sua serenidade não possuísse limites. Os movimentos daquele homem e tudo o que fazia, perfeitos, perfeitos demais até.

–É uma bonita casa. – tentou Jack, gingando de um lado ao outro, se esquivando de alguns móveis e olhando com o mais completo cinismo tudo aquilo.

–De acordo. Os donos com certeza tinham um bom gosto para decoração. – retrucou Ciel, enquanto acomodava-se na cadeira que Sebastian havia puxado.

–Perdão, mas está nos dizendo que essa casa não lhe pertence? – intrometeu-se Gibbs.

–Ficariam surpresos se realmente chegassem a minha casa. – sorriu o garoto, sarcástico, enquanto continuava a ser preparado pelo sereno mordomo.

–Senhores, por gentileza, sentem-se. – pediu Sebastian, logo voltando-se ao garoto – Jovem mestre, o jantar já estará servido. – e retirou-se.

–Tem uma coisa que não consigo entender.

–Apenas uma, senhor Gibbs? – debochou Jack enquanto se sentava ao lado do amigo que outrora tinha se adiantado.

–Quero dizer, olhe só a nossa volta. Olhe essa decoração. As roupas desse jovenzinho e também a do seu mordomo. Nada disso faz sentido, Jack. – e voltou-se para o garoto – Pode nos dizer a data de hoje.

O garoto encostou sobre a mesa o seu cotovelo direito, apoiando no punho semifechado o queixo.

–Quatorze de maio de mil oitocentos e noventa.

Jack arregalou os olhos e pulou da cadeira, batendo com força na mesa.

–Um momento! – só instantes depois, quando os outros dois o olharam abismados, é que ele se recompôs e tornou a se sentar com um sorriso descarado, sem falar no tom gentil que sucedeu-se – Não creio que seja divertido brincar conosco, garoto. Argh! Garoto, garoto, garoto. Você não tem nome? Apresente-se, por favor.

–Ciel Phantomhive. Conde Phantomhive. Agora digam-me – abriu um sorriso – Não seriam vocês a brincar comigo quando dizem isso de serem piratas?

–Não é brincadeira. – indignou-se Gibbs e apontou entusiasmado para Jack – Ele é o capitão do Pérola Negra.

–Pérola Negra, hein...

–Sim, o Pérola – enfatizou Jack com orgulho – Agora permita-me entender a situação em que o senhor Gibbs nos colocou.

–Ora, por que eu, Jack?

–Você é culpado por termos atravessado aquela porta. – respondeu rispidamente.

–Mas Jack...

–Calado! – ordenou com impaciência e o amigo suspirou, chateado – Conde Phantomhive, serei bem sincero, de mim ninguém zomba – em seguida seu estômago roncou e imediatamente Jack pigarreou, continuando – Não, não zomba. Essa história é mirabolante demais. Não podemos estar tantos anos no futuro. E quanto ao meu Pérola?

–Esse navio, supondo que assim seja, está no passado, pois aqui no Reino Unido – Ciel deu uma pausa ao notar as expressões atônitas dos convidados – não houve nenhum rumor de piratas ou desse tal Pérola Negra.

Jack arregalou os olhos. A seriedade com que falava aquele tal conde era absoluta, se estivesse mentindo, seria mesmo um excelente mentiroso. No futuro, em um casarão estranho, com um jovem nobre e seu mordomo, sem falar no atrapalhado Gibbs, o capitão realmente estava numa gelada.

–O jantar está... – iniciou-se Sebastian e nos cinco segundos seguintes, com uma habilidade extraordinária de deixar os marujos de queixo caído, ele lançou na mesa todos os pratos, sem sequer causar escandalosos ruídos e muito rapidamente tudo já estava pronto – Servido. – completou, eficiente.

–Cá entre nós – Jack inclinou-se na direção de Ciel – Com o que você alimenta o seu mordomo?

–Eu... – começou Ciel.

–O jovem mestre é muito generoso – interrompeu Sebastian – Me alimentaria com sua alma em troca de algo tolamente pequeno, se fosse... – cerrou o olhar e sorriu diabolicamente – Necessário.

Ciel arregalou os olhos por instantes e no segundo seguinte mais parecia uma fera selvagem, fuzilando o mordomo com o olhar e até cerrando os dentes. Gibbs riu, mas não havia entendido nada. Jack alternou entre olhar o mordomo e o garoto, ficou evidente para ele, ainda que aquilo fosse estranho, que se tratava de uma alfinetada das doídas. Mas ambos os piratas não perderam tempo em apreciar a refeição muito bem elaborada, talvez a mais saborosa que já tivessem comido em suas movimentadas vidas.

–Tsc... – concluiu o conde com um olhar de desdém para Sebastian – Ao invés de ficar aí parado como um cachorro – e o mordomo logo apagou o sorriso, ainda que mantivesse uma expressão neutra. Ciel pareceu gostar, dado o seu sorrisinho no canto dos lábios – Prepare os quartos de hóspedes. Estou exausto e perdi o apetite. – lançou um olhar reprovativo aos piratas que comiam sem qualquer etiqueta.

–Pois muito bem, concordo com a ideia. E sem querer abusar de vossa hospitalidade, garoto... Oh, quero dizer, conde Phantomhive, peço para que coloque-nos – gesticulou com o indicador do próprio peito à Gibbs – Bem afastados.

–Ora, mas por que, Jack? – estranhou o amigo.

–Sua má sorte poderia me trazer pesadelos. – retrucou com rispidez.

–Mas Jack!

E a próxima interrupção foi assustadora, menos para Sebastian que já se encontrava organizando os quartos. Um grito de terror que parecia ter vindo de uma garotinha lá de dentro da floresta chamou a atenção de todos na mesa. Foi longo, agudo e como se não bastasse, tomou um tom mais grave a cada segundo, se assemelhando a um monstro.

–Mas o que diabos foi isso? – pulou Jack.

–Ela está em perigo! Precisamos ajudá-la! – preocupou-se Gibbs que também já estava de pé.

–Quietos! Assim não poderemos escutar nada! – ordenou com autoridade o garoto, se levantando por último – Vamos!

–Sim, vamos!

–Vamos! Ahn... Espera, para onde vamos? – recuou Gibbs.

–Para onde acha? – questionou Jack como se a resposta fosse óbvia demais – Para a floresta, oras.

Ciel não quis esperar, já deixou o casarão e andou impacientemente rumo à floresta carregando consigo uma lamparina. Logo atrás vieram os piratas, ainda que apenas um deles estivesse tão entusiasmado quanto o conde. O ambiente estava muito escuro e seria quase impossível enxergar algo não fosse o objeto iluminado do garoto. Jack estava com um olhar investigativo, como se esperasse que as árvores fossem cair sobre eles a qualquer instante. O silêncio só não era absoluto por causa das solas dos três pares de calçados que esmagavam as folhas secas e de vez em quando partiam galhos pequenos no trajeto. Mas a situação piora quando a lamparina de Ciel simplesmente se apaga, deixando a visibilidade praticamente zero.

–Era só o que me faltava. Maldito Sebastian, disse que havia trazido a melhor lamparina da mansão... – resmungou Ciel, desistindo do objeto que foi deixado no chão – Vocês bem que poderiam ter um isqueiro ou algo de útil.

Silêncio.

–Ei, não estão me ouvindo?

Silêncio.

–Aonde foram esses desgraçados? – olhou ao redor, mas não viu nada além de árvores e trevas.

Não havia o que fazer, a não ser encarar o único caminho onde a escuridão era menor, aquele cuja a lua quase cheia se encarregava de iluminar. O conde até cogitou chamar por Sebastian, mas estava irritado com o mordomo por causa da troca de farpas. Não queria vê-lo. Aquele sorriso tão debochado lhe dava nos nervos. E depois, se o chamasse, ainda teria que escutar algum desaforo, melhor seguir caminho sozinho e procurar...

–O que estou procurando? Ah, é claro. Bom, já que estou aqui, vou encontrar essa criança ou seja lá o que for e ver o que dá para fazer. Não poderei dormir com outro grito daqueles. Nem quero nada daquele inútil!

Crispou os lábios, estava muito emburrado. Porém, assim que deixou de olhar para a trilha e lançou sua visão mais adiante, arregalou os olhos com o que viu; um homem alto, maior do que seu mordomo e com braços muito longos, as mãos praticamente encostavam nos joelhos, usava terno e...

–Não tem rosto... Não tem rosto! – cerrou os dentes – O que é você? – parecia mais furioso do que surpreso.

A entidade sequer se moveu. Mas Ciel tentou, porém não conseguiu. Suas pernas não se mexiam, seu corpo estava quase todo paralisado, porém ele não estava com tanto medo assim para que isso acontecesse.

–O que está acontecendo comigo? Sebastian! Se isso for coisa sua, vai me pagar muito caro! – ameaçou, porém a entidade continuou imóvel.

Como se não bastasse, assim que Ciel olhou para os lados, num deles viu uma garota com uma aparência horrível. Parecia que estava morta! Sua pele maltratada e seus olhos como os de um recém cadáver. Ela avançava passo após passo na direção do conde e este tentou ao máximo se mexer, mas foi em vão. A garota abriu a boca, os dentes estavam podres e não era possível ver mais do que eles, apenas um buraco negro que emitiu um grito como o de antes, iniciando num aterrorizante agudo e finalizando monstruosamente grave.

–Sebastian! Apareça agora mesmo! É uma ordem!

Do lado oposto ao que se aproximava a garota, veio andando um mordomo com um ar incrivelmente satisfeito no rosto. Ciel e ele trocaram olhares, na ordem, de raiva e deboche.

–Não consigo me mexer!

–Ah, eu sei, jovem mestre...

–Faça alguma coisa com esses monstros!

–Yes... – curvou-se respeitosamente, sorrindo diabolicamente – My lord!