Kuroshitsuji III
35 Bitter Afterglow.
Notas iniciais

_Do que me chamou? – indagou incrédulo.
_Sebastian, me desculpe, eu não sei o que aconteceu! – seus olhos, já lilases, marejaram e algumas lágrimas escorreram ao ver o demônio vestindo apressadamente sua peça intima seguido de sua calça negra. Ele suspirou e voltou a olhá-la, seus olhos vermelhos ainda estavam tomados pelo desejo, mas olhou-a também condescendente e quando ia falar algo foi interrompido pela entrada rápida de alguém no quarto.
Undertaker mal adentrou o cômodo e seus dedos já envolviam a garganta de Michaelis, batendo-o contra parede e subindo-o, seus pés já distantes do chão.
** ** ** ** ~Continuação~ ** ** ** **
_O que fez com ela? – sua feição extremamente séria tornou a frase dura.
_Undy! – Lúcifer chamou a atenção do amigo, alertando-o para o que ele estava fazendo. Seu olhar escondido pela franja, analisou o quarto e parou sobre a garota que se encolhia na cama de olhos fechados e a chorar sobre os lençóis que a cobriam. O funerário soltou o demônio, deixando-o cair no chão e foi até a moça, sentando-se junto a ela, envolveu-a em seus braços na tentativa de acalmá-la. Ela o aceitou agarrando a roupa dele e escondendo seu rosto ali, no peito do Shinigami.
Undertaker esperou até que ela se acalmasse mais e então pegou de leve no queixo dela, levantando seu rosto para poder analisa-lo melhor.
_O que houve? – perguntou ele, de uma forma que fez Michaelis olhá-lo surpreso, estranhando aquela feição tão sóbria que o pálido rosto continha. Aquele Ser poderia ser tudo, mas afetivo? É o que o demônio jamais esperaria. Entre tanto, Lúcifer sorria ao ver aquela cena, lembrando-se de algo parecido que acontecera há algum tempo atrás, muito tempo atrás, para ser mais específico.
Sebastian se levantava e ao pôr-se de pé logo viu o demônio mais velho vir em sua direção com um semblante frio e interrogativo.
_Raum, você a... – Lúcifer tentou perguntar, mas o moreno foi mais rápido e o interrompeu.
_Eu não a violentei, se é isso que quer saber. Ambos desejávamos o que aconteceu! Um mais que o outro, no entanto. – falou e pegou sua blusa branca, pondo em si e começando a abotoá-la.
Ciel estava encostado à parede, do lado de fora do quarto, seus braços cruzados, cabeça baixa e olhos fechados, ele ouvia toda a conversa e mantinha-se estático, nem mesmo respirava, ocultando sua presença, em sua face tomada pela indiferença via-se o controle. Ao ouvir as ultimas palavras de seu mordomo, compreendeu que já havia escutado o suficiente. Vagou pelos corredores calmamente até chegar à porta principal da mansão e sem hesitar, deixou-a.
** Ainda no Quarto **
_Mas então, porque ela est... – Michaelis interrompeu-o novamente.
_Chorando? – ele questionou Lúcifer e sorriu de canto. — _Porque não era a mim que ela queria.
Undertaker o olhou de forma interrogativa por baixo da franja. Sebastian sentiu um olhar pairar sobre si e pôs-se a melhor explicar.
_Ao perder-se nos delírios do prazer não foi por mim que ela chamou... – disse e sorriu de canto, direcionando seu olhar às duas figuras sobre a cama. — _Não é mesmo, “irmãzinha”?! – sorriu torto ao pronunciar aquilo, terminou de apanhar suas peças de roupa e a olhou novamente, suspirou pesado e fechou os olhos procurando achar controle e foi saindo do quarto, quando ela o chamou.
_Sebastian, eu... eu... – vendo que ela não conseguiria terminar de pronunciar-se, olhou-a já controlado e sorriu sereno.
_Eu sei. – proferiu apenas e saiu do quarto, sendo seguido por Lúcifer.
O funerário fez menção em levantar, mas Lindsey o impediu, puxando-o de volta à cama.
_Ele disse a verdade. – foi o que ela se limitou a falar e o funerário a abraçou, fazendo com que ela se aninhasse em seu peito esguio.
_Chamar por outro em um momento tão impróprio, é realmente revoltante, mas o mordomo pareceu lidar muito bem com isso. – disse risonho, arrancando um sorriso leve e torto da garota demônio.
_Só agiu de tal forma porque compreende bem minhas aflições. Ninguém me conhece melhor que Sebastian.
_Com isso tenho que concordar! He, he... – o Shinigami disse e ela deu-lhe um tapinha de repreensão no ombro.
_Não foi a isso que me referi. – ela riu.
Undertaker segurou mais firmemente a cintura da garota que estava envolta pó lençóis, seus finos dedos da mão direita foram novamente de encontro ao queixo de Mendy e ele o elevou para que pudesse olhar nos olhos dela, ainda que ela não conseguisse ver os dele. Aproximou-se predatoriamente do rosto da garota e lhe sorriu.
_Antes fosse eu a desfrutar de seus encantos e você com certeza não se arrependeria. – respirou fundo tentando controlar aquela vontade insana de tomá-la para si, mas foi pego de surpresa pela transformação dos olhos dela, que ele pôde acompanhar passo a passo, desde o estreitamento da pupila, até o envenenamento causado pelo sangue, que tomava a cor original daquelas orbes. A transformação ocorreu em milésimos de um segundo, mas ao seus olhos, tudo tornava-se quadro a quadro, podendo ele assim, tudo ver. Gostou do efeito que causava nela, mas, não faria nada que ela não quisesse. Isso era um fato, esperaria pela permissão dela. Permissão essa, que foi totalmente concedida, ao Lindsey envolver-lhe a nuca e puxá-lo para um beijo. Ao seus lábios se tocarem, um choque percorreu o corpo de ambos e se afastaram subitamente. O funerário paralisou ao ver os olhos dela mudarem do vermelho para o verde vívido e deste para um azul anil forte, então as pálpebras bambearam, avisando um desmaio e ele a segurou novamente, observando seus olhos se recomporem e voltarem ao lilás habitual.
~Continua...~
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