Kuromeido ( 黒メイド) II
16 Especial Ano Novo By: Liselotte
Notas iniciais
Oh, a virada do ano. Um momento de comemoração, para um novo ano. Um ano de expectativas, sonhos, objetivos... Mas eu ainda não entendi o porque Levi está me arrastando para a casa de nossos pais neste exato momento.
— Qual é Levi! Eu não quero passar o Ano Novo com eles. – protesto irritada
— Querida irmãzinha, quer mesmo que seus filhos cresçam com a idéia que não conheceram os avós? – diz ele suspirando – E além do mais, Fred queria muito que você passasse pelo menos um dia com eles. São seus pais!
Suspiro fundo, e olho pela janela da carruagem. Não acredito que Undy concordou com isso, e ainda mais, armou para cima de mim. John e Clary estão sentados no chão da carruagem, brincando com miniaturas da empresa Phantom. Ciel tem sido muito generoso conosco, e dá todos os brinquedos que eles pedem. Essa deve ser a parte boa de ter uma indústria de brinquedos.
— Mãmãe. Como é a vóvó? – indaga Clary
— E o vovô? – completa John
— Bem, por onde começar. Sua vó é cruel...
— Lis! – interrompe Levi – Seus avós são bem legais crianças. Irão adorá-los
— Não minta para meus filhos Levi. Sabe que eles não são legais. Será um milagre se nossa mãe não os jogar pela janela. – digo rispidamente
— Liselotte! – exclama meu irmão boquiaberto.
Clary e John me encaram com expressões vazias, como se tentasse entender o que acabei de dizer. Olho para Undertaker, e vejo que ele está um tanto incomodado com a situação, afinal, ele viu meus pais apenas uma vez, e não teve uma primeira impressão muito positiva.
— Enfim. Lis, tente não assustá-los tanto, até chegarmos lá, certo? – diz Undertaker balançando suas mangas compridas.
— Claro – digo – Falta quanto Levi? Estou ficando enjoada.
— Apenas alguns minutos. Tente não vomitar em mim, certo?
— Não confiaria tanto assim em mim. Você seria o primeiro alvo que pensaria para vomitar em cima hoje. Mas não se preocupe, alguém não me deixou comer hoje – digo olhando para os gêmeos.
— Não temos culpa se o papai não sabe cozinhar – protesta John
— Estávamos te protegendo mãe. Aquela gororoba mataria qualquer um – completa Clary
— É, vocês estão certos. Me salvaram de uma bela encrenca. Agora lembrei porque as pessoas diziam que seu pai não era uma boa pessoa para se casar. Se tivesse aprendido ao menos como cozinhar uma refeição própria para se comer...
— Qual o problema de comer a minha comida? As bonecas não reclamam – protesta Undy cruzando os braços
— Se elas pudessem falar, tenho certeza que iriam dizer: “Por favor pare, apenas pare. Nos mate, mas não nos obrigue a comer mais essa coisa” – digo
Uma explosão de risadas toma a carruagem, e rapidamente paramos na frente da Mansão de meus pais. Fred está parado na frente da grande porta de entrada, com seu terno reluzente e seus cabelos platinados. Os gêmeos correm até ele no momento que o vê, enquanto eu e Undy descemos da carruagem.
— Crianças, por favor, não o façam cair. Se ele sujar esse terno aquele megera vai...
— Lis! – corta Levi – Olá Frederick.
— Olá senhor Levi – diz Fred formalmente – Seus pais estão esperando por vocês na sala de jantar. Vamos entrar.
Fred nos guia dentre a mansão, e nos deixa em uma extensa sala. A mesma de 26 anos antes. A mesma mesa comprida e decoração cafona. Os mesmos candelabros e retratos de pessoas extremamente feias. Não é nada confortável jantar com quadros de pessoas velhas e feias te observando. Na ponta extrema da mesa, meus pais nos aguardam. Minha mãe, está sentada na ponta da mesa, com uma xícara de chá em mãos. Seus cabelos morenos e curtos estão com uma aparência sebosa. Meu pai se ocupa com um jornal com um tom envelhecido, e parece ter no mínimo uns 20 anos. Seus cabelos loiros estão parcialmente bagunçados, mas ele ainda exala uma aura poderosa e gentil.
— Olá mãe – digo – Seu cabelo foi lambido por uma vaca? Porque ele parece tão seboso...
Ouço Undertaker e Levi segurando o riso atrás de mim, enquanto Antonieta me fita com um olhar mortal.
— Que recepção calorosa – diz ela revirando os olhos – E você Liselotte? Esqueceu o número do cabeleireiro? Ou quer encenar Rapunzel?
— Cara, como você é engraçada. – digo friamente – Se não fosse uma ceifadora, seria sem dúvida piadista.
— Liselotte, que bom vê-la – diz meu pai se aproximando de nós – Suponho que esses sejam meus netos – diz ele se ajoelhando na frente de Clary e John – São bonitos como a mãe.
— Que é bonita como o pai – digo sorrindo – Felizmente não puxei nada de minha mãe.
— Como eles são adoráveis – diz Antonieta com um ar falso de gentileza – Tem certeza que eles não são incômodos como a mãe? Um tempo por aqui e seriam livres disto.
— Não deixaria nem minha roupa suja à seus cuidados – digo – E mais, eles receberiam muita energia negativa de uma certa velha ranzinza.
— Então... Hã, pai. O que planeja fazer hoje? – pergunta Levi tentando mudar de assunto.
— Apenas um jantar. Quero conhecer melhor meus netos – diz meu pai se levantando – Frederick, prepare o jantar, certo? Estão com fome crianças?
— Sim! – dizem os dois em uni som
— Você não alimenta esses coitadinhos Liselotte? – diz minha mãe
— Alimento melhor do que você me alimentava quando tinha a idade deles. Não se preocupe.
— Por que não nos sentamos? – diz meu pai
Nos acomodamos na extensa mesa. Eu e Undertaker nos sentamos lado a lado, Levi se senta à minha frente, ao lado de meu pai. Minha mãe se acomoda na ponta da mesa, e Clary e John se sentam no chão perto de minha cadeira, enquanto brincam com suas miniaturas.
— Então Undertaker, no que trabalha no Mundo Humano? – pergunta meu pai dobrando o antigo jornal que antes estava lendo
— Tenho uma pequena funerária – diz ele – A única de Londres.
— Uma funerária? E seus filhos... Ficam com vocês enquanto trabalham? – diz minha mãe boquiaberta – Que educação eles estão recebendo?
— É claro que não – digo – De tarde freqüentam a escola, e de noite fechamos a loja. Não somos irresponsáveis.
— E você Liselotte? Trabalha ajudando ele? – pergunta meu pai interessado
— Normalmente não. Apenas algumas vezes. Na maior parte do tempo, ceifo almas. Já que recebi novamente minha foice...
— Impossível! – exclama minha mãe batendo as palmas das mãos com força na mesa – Você não merece retomar o trabalho! É um assassina!
— Antonieta, se acalme – diz meu pai.
— Você não sabe como é animador ouvir de sua própria mãe que é uma assassina. É por isso que você não recebeu o prêmio de Mãe do Ano. Mas enfim. A Sede reconsiderou, e concluiu que a ausência dos dois Shinigamis Lendários fez muito mal para a Organização de Despacho. Então me re-aceitaram lá. Estou em observação constante, mas é melhor do que mofar em casa.
— O jantar está servido! – anuncia Fred entrando novamente no cômodo com várias bandejas de comida nas mãos.
Ele coloca tudo na mesa, e demoro um segundo antes de processar tudo que está à minha frente. Peru, porco, tortas, massas, sopas, caldos, peixe, frutos do mar, e os mais variados tipos de acompanhamento. Clary e John se sentam à mesa, e eu sirvo seus pratos.
—καλή όρεξη για όλους!– diz meu pai animado
Tradução da fala do Senhor Knight:
Bom apetite para todos
Nota importante sobre meu pai:
Ele ainda tem o péssimo hábito de falar grego quando está animado.
A refeição é estranhamente calma, e conversamos sobre os mais variados assuntos. Quando terminamos de comer, nos dirigimos para a varanda mais alta da casa. Já se aproxima da meia-noite, e todo o Submundo está em festa. Shninigamis também comemoram a virada do ano.
— Um minuto para a meia-noite – diz Levi com o relógio de bolso em mãos. – Façam seus pedidos
Todos fechamos nossos olhos, e damos as mãos. Eu seguro as mãos frias de Undertaker, e as mãos delicadas de Clary. Quando se dá meia noite, todos olhamos para o céu, que é tomado de cores e explosões.
— Ευτυχισμένο το Νέο Έτος! – exclama meu pai
— Feliz Ano Novo! – exclama Levi
Eu abraço meu pai com força, e depois Fred, que estava parado na porta da varanda.
— Não se sinta um empregado agora Fred, você é parte da família. Sempre foi – digo
— Obrigada Lis – diz ele sorrindo – Feliz Ano Novo.
Ficamos mais um tempo na varanda, até que os fogos acabassem. O extenso céu noturno toma novamente minha visão, e a lua cheia ilumina as ruas, juntamente com as estrelas prateadas.
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