Kuromeido ( 黒メイド) II
3 Amigas! ( Julietta )
Notas iniciais
Espero que gostem, e nos vemos nas Notas Finais
♥
Esse dia não poderia melhorar, mas eu estava redondamente errada. Uma das coisas que mais gosto é sentar na sala de estar e tomar um delicioso chá com biscoitos. Ainda mais com um clima desses, Londres parece outro lugar. Os passarinhos cantam, as ruas estão silenciosas, o vento está agradável. Ai de mim se todos os meus dias fossem assim.
Ouço uma batida na porta, então pouso de leve minha xícara no pires e desço as escadas para atender a porta. Quando a abro, me deparo com Liselotte, com suas roupas pretas habituais, mas um extenso sorriso estampado no rosto.
— Lis! – exclamo abraçando-a
— Já disse para não me chamar assim – diz ela retribuindo o abraço.
— Me desculpe... Enfim, o que te traz até aqui?
— Tenho ótimas notícias – diz ela animada. – E queria que você fosse a primeira a saber.
— Oh, estou grata. Por favor entre.
Eu a guio dentre a casa, até a sala de estar, onde meu chá está esfriando. A ofereço uma xícara, que aceita com prazer. Sentamos frente a frente, e ela solta um longo suspiro antes de falar:
— Undertaker me pediu em casamento. E eu quero que você me ajude com a organização da cerimônia – diz ela
— I...Isso é ótimo! – digo animada. – É claro que eu ajudo, eu esperei por esse dia por tanto tempo. Pode ter certeza que será um grandioso casório!
— Não use palavras tão antiquadas Julietta! – diz ela rindo – Mas... Não tenho certeza se poderemos fazer algo tão grande. Não temos muito dinheiro para algo imenso. Pensei em fazer uma festa pequena, para poucas pessoas.
— Mas gente! É o seu casamento! Já pensou o quanto isso é importante para ele? E para você?
— E o que você espera que façamos? Dinheiro não cresce em árvore! Principalmente no meio desta crise.
— Não se preocupe com isso, pequeno gafanhoto. Eu irei ajudar vocês. – digo tocando de leve na ponta de seu nariz
— Por favor, pare de me chamar assim – diz ela envergonhada.
— Mas mudando de assunto. O que pensa em fazer depois do casamento?
— Tomar um banho, comer alguma coisa e ir dormir.
— Liselotte, eu estou falando sério! Pretendem se mudar? Ir morar num lugar distante?
— Não... Quero dizer, não imagino uma vida fora de Londres. E ele gosta muito daqui e da funerária.
— Estou perguntando você! Você gosta daquele lugar?
— G...Gosto... Quero dizer, parece assustador, mas me sinto bem lá. Fico bem ocupada cuidando de tudo, e é aconchegante. Mas... Por que a pergunta?
— Só estou preocupada com você. Todo aquele clima de morte. Achei que poderia te fazer mal. Você saber, por causa daquilo.
— Não se preocupe com isso. Eu estou bem. Já fazem 16 anos, já superei.
— Mas mudando de assunto, você tinha me dito que falou com Levi á algum tempo. como vai o relacionamento de vocês dois?
— Bem... Temos nos falado, mas não muito. Nos encontramos á alguns dias numa cafeteria, e colocamos a conversa em dia, mas nada além disto.
— Eu vou ser bem sincera com você. Acho que deveria ter um relacionamento melhor com o Levi. Vocês são irmãos gêmeos! E tenho certeza que vocês dois sentem falta dessa aproximação. Vocês dois não dormiam na mesma cama? Não tomavam banho juntos? Não usavam as mesmas roupas e o mesmo corte de cabelo?
— Nós não tomávamos banho juntos – protesta ela. – Mas de resto... Sim, é verdade. Mas... Muita coisa mudou.
— Eu sei, mas vocês sempre serão irmãos. Pense nisso com carinho, tudo bem? E não faça nenhuma bobagem!
— Você está parecendo minha mãe. – diz ela rindo
— Falando nela... Conversou com ela alguma vez desde que saiu da cadeia?
— Você está maluca? Não irei nunca mais falar com ela! Aquela vagabunda não merece falar comigo!
— Não fale assim da sua mãe Liselotte!
— Vai defender ela agora, Jully? Você sabe que ela nunca se importou comigo. Quando fui presa, faltava ela aplaudir os guardas. Ela não fez nada para tentar impedi-los! Ela nunca me amou! Sou um peso extra que nasceu sem autorização.
— Eu sei disso tudo. Mas... É sua mãe. Pelo menos fale com seu pai.
— Ir para o Submundo só para falar com eles dá muito trabalho.
— Você não vai lá para pegar sua licença de ceifadora? Aproveite e vá na casa deles. Faça isso, por mim.
— Tá legal. Eu faço. Por você. – diz ela segurando minhas mãos – Mas me prometa que irá aprender a assar biscoitos de maneira decente.
— Oh... Passaram do ponto?
— Sim... – diz ela rindo – Um dia eu te ensino a cozinhar. Bem, é melhor eu ir embora. Tenho algumas coisas para fazer antes de anoitecer.
— Já? Que pena... Mas enfim. Pense no que eu te disse, tudo bem? Venha, eu te acompanho até a saída.
Nós duas levantamos e eu a guio até a porta. Falamos mais algumas coisas, e nos despedimos. Quando ela vai embora, fito a porta por alguns segundos, volto para a sala de estar e termino de tomar meu chá e comer meus biscoitos queimados.
Olho diretamente para a grande janela da sala. Observo atentamente cada prédio que me rodeia. Nuvens cinzentas tomam conta do céu, e ventos começam a bater contra o vidro. Recolho toda a louça que usei e fecho todas as janelas da mansão. Ainda me pergunto porque Enzo escolheu uma casa tão grande para apenas nós dois morarmos. Acho que ele é um tanto exagerado quanto a isso. Suspiro fundo e termino de fechar as janelas.
Enquanto faço todas as minhas tarefas diárias, fico pensando em Liselotte. Fazia um bom tempo que não conversávamos sobre seu irmãos, e sobre a cadeia. Ela, diferente de muitos, superou o tempo que ficou presa, e não virou uma pessoa ruim quando foi libertada, longe disso. Ela ficou mais alegre, e aproveita mais sua vida.
Liselotte sempre foi uma pessoa invejável. Além de ser a pessoa mais bonita que já tinha visto, sempre foi inteligente e bondosa. Mas não se dava bem com muita gente. Era anti social, e odiava festas e outros encontros sociais. Eu e ela passamos a maior parte de nossa adolescência jutas, conversando e fazendo planos para o futuro. Me lembro que ela escrevia divinamente bem, e de vez em quando, passávamos horas escrevendo textos sobre nossa vida. Me lembrar desses tempo me dá uma felicidade imensa. Seu sorriso e sua risada não mudaram nada, e espero que não mudem nunca.
Notas finais
Espero que tenham gostado, e até a próxima õ/
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