Notas iniciais
E aí, galerinha animada, tudo bem? Vim postar mais um capítulo da fanfic e espero que vocês estejam curtindo! Não deixem de comentar, por favor, a opinião de vocês consta bastante para meu desenvolvimento como escritora e, assim, posso deixar vocês mais satisfeitos. >
Boa leitura. :3

Acordei péssima no dia seguinte. Enquanto Meirin me ajudava a me vestir, pois Paula ainda estava a caminho da mansão para me buscar, eu ainda choramingava um pouco. A ruiva tentava me consolar, segurando em minhas mãos e dizendo serena:

-Calma, ficará tudo bem.

Eu não conseguia acreditar:

-Não vai, Meirin. Infelizmente, não vai. Minhas últimas esperanças de que Ciel ainda tinha algo que valesse a pena morreram.

Ela suspirou e especulou:

-Entendo, mas isso que aconteceu não foi por causa das condições que ele se encontra agora?

Eu a encarei e pensei: de fato, um dia ele havia me contado que estava num processo de transição e, de vez em quando, perdia a cabeça por conta disso. Mas, uma voz em minha cabeça dizia que não era para eu perdoa-lo tão fácil. Transição de personalidade é diferente de falta de sensibilidade, responsabilidade, sensatez e muito mais coisas naturais. Na verdade, me sentia tão confusa para pensar a respeito daquilo ainda, que pus as mãos nas têmporas e abaixei a cabeça:

-Eu não entendo mais nada. – murmurei.

Meirin afagou meus ombros:

-Esses dias têm sido confusos para todos nós, lady Elizabeth. Mas, não podemos nos abater. O mestre não está bem também e devemos prezar para que ele consiga cumprir a missão dele.

Eu levantei a cabeça e a encarei:

-Meirin, quando ele cumprir a missão, eu não poderei mais ver vocês.

Ela sorriu de lado e inclinou a cabeça:

-A senhorita realmente acha que ele falou sério?

Eu me levantei da cama e ajeitei a saia do vestido. Disse com indiferença:

-Sério ou não, eu irei mostrar a ele que eu sou uma mulher de palavra.

A governanta ficou séria e depois emitiu hesitante:

-Se é o que desejas...

Eu me senti ridícula em falar aquilo. A encarei e disse pesarosa:

-Não que eu não goste de vocês, mas aquela discussão foi o suficiente para mim. Ele estava certo desde o início, eu devo apenas seguir para o destino que se formou em minha vida logo após ele sair dele... – que seria casar com um jovem irritante e ser mais uma daquelas nobres frustradas que disfarçam suas dores lendo contos dramáticos e se imaginando no lugar das personagens.

-Tenho certeza de que ele não imaginava que isso poderia ser tão sério. – ela tentava apaziguar a minha raiva.

Mas, que raiva era a que eu sentia? Não era raiva, era uma mágoa gigantesca que me fazia ficar indiferente e ríspida. Segurei as mãos dela, a olhei nos olhos e disse sincera:

-Muito obrigada, Meirin.

Ela corou e ficou confusa:

-Pelo que, lady Elizabeth?

Sem explicação, meus olhos encheram-se de lágrimas novamente. Eu respirei fundo e tentei engolir o choro: patética Elizabeth, por que você chora tanto?

Neste momento, ela me abraçou e respondeu:

-Como governanta da família Phantomhive, o que eu não posso fazer pelos meus senhores e seus convidados?

Obrigada, Meirin. Acho que pelo fato de você ser a única mulher dessa mansão e estar ao meu lado agora significa muito para mim.

Sequei as lágrimas, respirei fundo e descemos para tomar café da manhã. No meio do caminho, encontramos Sebastian caminhando em nossa direção e ele tinha um passo apressado. A governanta o perguntou:

-O que aconteceu?

Ele tinha os olhos em mim e disse:

-O mestre ainda não voltou.

Eu e Meirin nos encaramos e depois olhamos para ele:

-Como assim “ainda não voltou”?

Sebastian nos respondeu com uma ponta de preocupação:

-Ontem após a discussão, ele ficou muito abalado com as coisas que ele disse e que te fez sentir-se mal. Eu tentei conversar com ele e convence-lo de que a culpa não era totalmente dele, pois ele está passando por um momento difícil também, mas ele não me escutou e fugiu da mansão. Ele já teve outros momentos de isolamento, porém sempre voltava logo que amanhecia.

Passando por um momento difícil...

Perguntei preocupada para Sebastian:

-Isso tem a ver com a transição de personalidade dele?

-Sim. – ele respirou fundo e passou a mão no cabelo. – Isso acontecerá muitas outras vezes até o lado humano dele ser apagado definitivamente. É como se ele fosse um vulcão e, a cada momento que ele tem uma erupção, chega próxima à hora que ele ficará inativo.

-Entendi. – murmurei. Olhei perdida para Meirin e ele: — Mas, e agora?

Sebastian cruzou os braços:

-Eu já o procurei por todas as partes e não achei. Se ele trombar com Charlie ou outra coisa pior, ele estará encrencado.

Arregalei os olhos e senti um frio na barriga:

-“Outra coisa pior”?

Meirin ficou assustada e pareceu que sabia melhor do que eu:

-É o que eu to pensando que é?

-Sim, enquanto eu o procurava, vi alguns Cérberos caminhando entre a floresta. Acho que aquele anjo maldito já está preparando o contra-ataque. – ele respondeu.

-Desculpe, mas o que são Cérberos? – eu estava perdida.

-São cães demoníacos de dois metros e meio que anjos da morte, especialmente, conseguem controlar. – Sebastian respondeu.

Finny apareceu por trás de mim e me deu um susto:

-Plutooooo... – chorou.

Meirin relembrou:

-Teve uma época que criamos um em casa, mas não sabíamos a procedência dele.

Sebastian disse à parte:

-Por isso que eu odeio cães.

Balancei as mãos freneticamente:

-Mas, o que podemos fazer? Droga, eu não devia ter falado aquilo tudo para ele... – o remorso me acertou em cheio no peito.

Meirin tentou me acalmar:

-A culpa não é sua, lady Elizabeth. Às vezes, as palavras ressentidas acumulam-se demais no fundo de nosso coração e saem de uma vez que pode ser fatal. É humanamente normal.

O remorso ainda me apertava.

Sebastian disse para nós:

-Bem, já fiz o que pude até agora. Depois do café da manhã, quero que todos da mansão me ajudem a procurá-lo. Exceto Elizabeth que voltará para casa.

Eu relutei:

-Isso não é justo! Por minha causa que ele sumiu e apenas vocês ficam responsáveis em reencontrá-lo?

-Paula chegará em instantes para te levar de volta e não queremos que ela nos atrapalhe. – Sebastian disse obscuro.

Cedi:

-Tudo bem.

-Que bom que a senhorita está bem, todos nós estávamos preocupados. Seus pais não vieram por que ainda estão se recuperando do susto... – Paula não parava de falar dentro da diligência. Ela me encarou e perguntou preocupada: — Lady Elizabeth, a senhorita está passando bem?

Eu havia chorado um pouco mais antes dela chegar e não havia dormido direito à noite. Meu rosto devia estar meio inchado e eu estava me sentindo melancólica. Menti:

-Não dormi direito e estava preocupada com vocês. Que bom que todos estão a salvo.

Aquilo soou sem emoção e não era para menos: a pessoa que me preocupava de verdade era Ciel. Meus parentes morreriam de um jeito ou de outro, mas ele ainda tinha chances de permanecer vivo e lutar pela Inglaterra.

Eu escutava não ouvindo Paula enquanto observava a paisagem e a fina neve que caía no campo. Aquele inverno não estava muito definido: às vezes nevava e em outras, aparecia um sol singelo entre as nuvens.

Eu queria muito saber se Ciel estava bem e tentava desenhar em minha mente o perfil de um Cérbero. Será que ele era como o cão da mitologia greco-romana? De repente, imaginei Ciel sozinho de frente com aquele cão gigante, babando e mostrando seus dentes afiados para ele. O garoto tinha os olhos vermelhos e empunhava uma lança.

Fique bem, por favor – era o que eu pedia em pensamentos. Uma vez, nos falamos através de sonhos e antes mesmo disso você me escutava por aquele anel. De alguma forma, devemos estar ligados, mas o propósito ainda é indefinido. Então, fique vivo, pela Inglaterra e por mim. Mais pelo país ou mais por mim, você que escolhe.

De repente, ouvi Paula me chamar séria:

-Lady Elizabeth, acabei de me recordar de uma coisa.

Eu a encarei e me desprendi de minhas preces:

-Sim?

Ela me olhou preocupada:

-Promete que não ficará triste comigo?

Eu me inclinei para frente e balancei a cabeça. Ela sorriu e disse:

-Minha mãe já está em fase terminal. Eu terei que ir à França para vê-la antes dela partir desse Mundo.

-Meus pêsames, Paula. – eu segurei as mãos dela.

Ela balançou a cabeça:

-Obrigada. Mas, eu ficarei lá.

Fiquei perplexa:

-Como assim?

-Meus pais eram proprietários de uma fazenda e com a morte de mamãe o terreno será dividido entre mim e meus quatro irmãos. – ela me explicou. – Não fico feliz com as condições que isso acontecerá, mas finalmente eu terei o meu lar.

Fiquei prestes a dizer um “isso é maravilhoso!”, mas perder a mãe para obter um pedaço de terra não era algo bonito. Apenas balancei a cabeça:

-Entendi.

-Foram anos muito bons trabalhando com a família Middleford. Já conversei com seus pais e achei melhor eu mesma lhe dar essa notícia. – ela abaixou a cabeça e balbuciou: — Desculpe.

-Desculpe pelo o quê? – eu fiquei assustada. Ergui o queixo dela e disse: — Um dia, eu sabia que você não poderia mais ficar conosco. Agradeço muito por todo cuidado comigo desde que eu era criança.

-Mas, você não vai se sentir sozinha? – ela sabia meu ponto fraco.

Eu não tinha muitos amigos, embora vivesse cercada de pessoas, porém eram poucos os que eu contava e, geralmente, tinha mais apatia com Paula. Um lado meu podia desejar o quanto quisesse que ela nunca fosse embora, mas eu sabia que ela não era um bichinho de estimação e devia ser feliz também.

-Você sempre estará em meu coração. – respondi. – Só peço que venha nos visitar de vez em quando, senão eu ficarei triste de verdade.

-Sempre virei. – ela me prometeu.

Logo chegamos a minha casa. Desci da diligência com cuidado para não escorregar na grama e olhei para o céu acinzentado.

Ciel será que você também pode me prometer que nunca irá sumir? Mesmo que eu não possa mais te ver depois que isso acabar, ainda quero que tenham pistas ao meu redor de que você está por perto. Acho que isso já seria o suficiente para me deixar feliz.