Notas iniciais
Olá novamente, meus leitores. Tudo bem? Aqui estou eu com mais um capítulo novinho de Kurohanayome! Espero que gostem. Até a próxima e boa leitura. :3

Ciel me separou de Grell e, sem rodeios, me pôs em suas costas. Antes que eu gesticulasse alguma coisa, ele sorriu e explicou:

-Você ficará para trás se sentar nos acompanhar com esse passo tão lento.

Pensei em protestar, mas cedi, afinal não tínhamos by Savings Sidekick\" href=\"http://animespirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-animes-kuroshitsuji-kurohanayome-400894/capitulo12\">tempo a perder: quanto mais rápido avançássemos pela escuridão, melhor.

Eu não enxergava o cenário ao meu redor, porém sentia o vento sendo cortado veementemente pelo by Savings Sidekick\" href=\"http://animespirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-animes-kuroshitsuji-kurohanayome-400894/capitulo12\">corpo ágil de Ciel e ouvia os passos rápidos do demônio e do shinigami pelo terreno cheio de galhos secos, pedras e neve.

De repente, meu primo parou e ergueu a cabeça. Meu coração disparou: o que estava acontecendo?

Logo, o que chamou a atenção dos sentidos aguçados dele se revelou em nossa frente: outro Cérbero caminhou lentamente em nossa direção e parou há alguns metros de distância.

Grell reclamou:

-Ah, não, mais outro?

-Está tudo bem agora. – Sebastian respondeu do alto da cabeça do animal.

O mordomo desceu das costas dele e, erguendo uma mão, misteriosas chamas se acenderam na ponta de seus dedos, revelando seu belo rosto frio. Ele nos cumprimentou primeiramente:

-Boa noite, Sutcliff e lady Middleford.

-Sebastian! Quanto tempo! – Grell se aproximou dele com os braços abertos e aparente intimidade.

O demônio fez um gesto com a mão livre para que o shinigami desse um tempo e logo ele caiu em si. O ruivo afastou-se um pouco e observou o servo de Ciel se aproximar de seu respectivo mestre e dar as novas:

-Um bando de Cérberos está se deslocando para as redondezas das propriedades da família Middleford. Com certeza Charlie está planejando algo além de homicídio familiar.

-Quantos aproximadamente? – meu noivo perguntou pelos números.

-Uns dez. Porém, eu e os outros já demos um jeito em alguns dos bichinhos de estimação daquele imbecil. – ele sorriu presunçoso.

Bom by Savings Sidekick\" href=\"http://animespirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-animes-kuroshitsuji-kurohanayome-400894/capitulo12\">trabalho – pensei. Entretanto, a resposta de Ciel foi indiferente a aquele ato:

-“Alguns” não é o suficiente. Vamos logo! – contornou Sebastian e meus olhos fixaram-se nos olhos do mordomo.

O mesmo desviou o olhar para seu mestre e disse:

-Vamos aproveitar a nossa montaria. Consegui domesticá-lo. – ele fez um sinal com a cabeça apontando para o cão gigante que estava sentado e com a língua para fora.

Ciel o encarou frio por alguns segundos. Por fim, me soltou com cuidado no chão e respondeu:

-Bem pensado.

-Obrigado. – Sebastian meneou a cabeça.

Ciel não devia ser tão cruel com seu subordinado a ponto de não reconhecer seu trabalho. Talvez, Sebastian fizesse tantas coisas incríveis que nada mais se tornava novidade para o jovem Conde.

Segurei-me firmemente nos pelos brancos do animal quando o demônio de cabelos negros alertou:

-Segurem-se firme, iremos balançar um pouco! – ele bateu no pescoço da fera, que se ergueu da neve e voltou seu corpo para a direção da mansão.

O Cérbero de olhos escarlates uivou soltando uma densa neblina pela boca e correu velozmente para o nosso destino.

Aos poucos, era possível avistar o horizonte, porém a forma pela qual eu o identificava não era boa: alguns campos estavam em chamas e o fogo iluminava os cantos afetados e seus arredores. De fato, os animais estavam por perto como o mordomo informou.

Meu primo estava acomodado à minha frente. Olhei para suas costas, pensando em como faríamos para entrarmos em minha casa e conseguirmos salvar as pessoas sem que elas reparassem que teríamos um assassino fora de série entre nós naquela noite.

O que faremos, Ciel? – essa era a pergunta que eu fazia mentalmente direcionada a ele, me aproveitando daquela ligação que tínhamos, porém não tive respostas. Insisti em fazê-la várias vezes, mas sem resultado. Suspirei e olhei para o lado, apertando melhor meus dedos na pelagem de nossa montaria.

O Phantomhive olhou sobre o ombro e murmurou:

-Nós conseguiremos, Lizzy. Fique tranquila.

Levantei a cabeça e vi que ele tinha uma expressão tranqüila. Apenas balancei a cabeça.

Ao chegarmos perto dos portões da mansão, Sebastian fez com que o cão parasse de correr. Ele obedeceu prontamente e deitou-se com cuidado. Descemos de suas costas e corremos para os muros. Olhei sobre eles e pensei em entrar pelo mesmo portão que utilizei para fugir, mas novamente meu primo me pegou no colo e pulamos sobre o cercado.

-Você devia me avisar antes de fazer essas coisas... – eu reclamei quando estávamos do lado de dentro dos portões.

Ele se fez de desentendido:

-Como?

Cruzei os braços sentindo meu rosto corar:

-Isso mesmo o que você ouviu.

Sebastian se intrometeu com desdém:

-Presumo que agora não seja hora apropriada para isso.

Eu discordei internamente. Corri na direção da janela de meu quarto e, por sorte, ela estava da mesma forma que deixei quando saí. Isso deveria ser sinônimo de que os convidados do jantar daquela noite ainda não haviam chegado. Quando segurei na ponta da corda improvisada, um dos cães apareceu em minha frente e começou a latir.

-Vai pra lá, vai pra lá! – eu resmungava hesitando em me aproximar dele para afugentá-lo.

De repente, ele parou de ladrar, abaixou as orelhas, pôs a cauda entre as pernas e saiu ganindo baixo. Olhei para trás e reparei em Sebastian e Ciel com a mesma expressão fria e olhar perdido.

-Cachorros idiotas... Fingem que são valentes até o momento que você sabe como intimidá-los. – o mordomo comentou.

O garoto de cabelos acinzentados apenas moveu a cabeça em sinal de concordância e depois me perguntou:

-O que você pensa que está fazendo?

Expliquei:

-Se eu subir por aqui, não saberão que tentei fugir... – disse à parte: — Embora, eu esteja usando roupas diferentes. – voltei ao tom normal e continuei: — De qualquer forma, posso tentar distraí-los e irmos para a sala de piano.

Meu primo pôs uma mão no queixo e disse:

-Parece um bom plano. Eu, Sebastian e Grell iremos vistoriar a mansão por dentro e fora a fim de encontrarmos Charlie e deixá-lo longe de sua família.

-Certo! – respondi e quando oscilei a começar a escalada, o jovem tocou em meu ombro e me entregou um revólver. Olhei para a arma e depois para ele de modo confuso.

Ciel me respondeu prontamente:

-A munição desta arma é especial. Use-a em último caso. Tome cuidado.

Guardei o revólver e movi a cabeça novamente:

-Pode deixar.

Subi parede acima com a supervisão dos dois demônios. Quando alcancei a janela e recolhi os lençóis, reparei que eles haviam desaparecido.

Senti um frio na espinha acompanhado por vertigem. Murmurei para mim mesma:

-Fique firme. – fui até a porta do quarto, a destranquei e procurei por meus pais.

O silêncio dos corredores parecia diferente, mas eu não sabia se isso era porque eu estava tensa ou realmente havia uma coisa estranha no ar.

~ Ciel ~

Começou a cair uma neve fina. Aquilo podia atrapalhar a visão ou passos de qualquer um, menos os meus. Concentrei totalmente em todos os meus sentidos enquanto percorria ao redor da mansão. Por fim, subi no telhado e olhei em volta, procurando evidências de Charlie, mas a única coisa que reparei foi o bando de Cérberos desnorteado.

De repente, escutei Sebastian aproximar-se. Olhei para ele e perguntei:

-Viu alguma coisa?

-Não. – ele respondeu.

Senti o vento jogar meu cabelo para trás. Perguntei para mim mesmo:

-Será que os outros irão chegar logo? – me referi aos meus servos humanos.

-Eles estão nos ajudando a impedir que os cães infernais se aproximem demais daqui. – Sebastian me relembrou.

De fato, com servos como aqueles, eu tinha um exército quase perfeito. E esse “quase” devia-se ao fato de que a maioria não era imortal.

Entrei pela janela do quarto de Lizzy – isso já estava virando um hábito que eu teria que rever depois para não repeti-lo quando houvessem pessoas por perto — e olhei ao redor: nada fora do lugar. Percorri pelos corredores, de olhos bem abertos e ouvidos atentos. Aquilo estava calmo demais e isso deixava o ambiente mais suspeito.

Cheguei ao centro da sala de visitas e olhei para as paredes e o teto. Vi que o grande lustre de ouro e cristal estava sobre a minha cabeça. Imaginei que, se Charlie estivesse ali, provavelmente teria feito com que aquilo caísse em minha direção – pelo menos, eu pensaria assim se estivesse no lugar dele.

Então, ouvi algo de vidro se quebrar, ruídos de vozes e um disparo. Aquilo tudo veio em perfeita sincronia de um dos corredores. Fiquei parado tentando identificar de onde que havia vindo exatamente, até o momento que meu mordomo chegou e me tirou daquele lugar.

O lustre havia despencado.

-Mestre, o senhor está bem? – ele me indagou.

Levantei-me rapidamente e balancei a cabeça afirmativa.

Grell surgiu de um dos corredores e gritou para nós:

-Ele está aqui!

~ Elizabeth ~

Há diferença entre apenas suspeitar que tem algo errado e suspeitar e se preparar para o pior. Bem, eu fui reparar nisso tarde demais.

Andei pela mansão inteira com o coração aos pulos, até o momento que cheguei à sala de estar e escutei um solo de violino vindo do final do corredor. A música era suave e encantadora...

Encantadora... Essa parte era suspeita, mas não pude me conter. Fui em direção a ela e reparei que vinha do escritório. Empurrei a porta cuidadosamente e meus olhos se arregalaram ao visualizarem um desconhecido no centro do cômodo tocando um violino de madeira escura, que contrastava com seus cabelos cinzentos e roupas claras. Ele usava uma máscara dourada e tinha um sorriso gentil.

Meu corpo enrijeceu-se ao reparar que era Charlie. A porta se trancou atrás de mim e antes que eu pensasse em pegar a arma que Ciel me entregou, vi que todos meus parentes estavam reunidos naquele cômodo: desde meus pais até o irmão mais novo do noivo escolhido pelos mesmos.

O violinista parou de tocar, olhou para mim e disse cortês:

-Senhorita Elizabeth, que maravilhoso te ver por aqui! Por favor, sente-se e escute minha música.

Arfei e disse hesitante:

-Acho que não é uma boa hora... – olhei ao redor e vi que todos tinham as expressões adormecidas.

Ele inclinou a cabeça de lado e perguntou:

-Por que não?

Aproximei-me de meu irmão e toquei em sua face que estava mais alva do que o normal. Reprimi um grito ao reparar que estava se tornando gélida. Perguntei indignada:

-O que significa isso?

O anjo da morte olhou para o violino e respondeu:

-Os sons de meu instrumento são tão divinos que fazem com que as pessoas tenham um encontro agradável com o Criador aos poucos, até chegar a um momento que não tem mais necessidade alguma de ficarem nesse Mundo tão sujo...

Tudo começou a fazer sentido: pelo pouco que eu sabia, todos os outros nobres que morreram de forma “misteriosa” estavam escutando um tipo de música muito peculiar, que era possível escutar ao longe, de acordo com os relatos dos vizinhos.

-Eu não sou mau, lady Elizabeth. – Charlie me disse em tom inocente. – Eu só quero que as pessoas tenham um encontro com Deus.

Cerrei os punhos e disse entre dentes:

-Você é um demônio.

Ele sorriu fraco e murmurou:

-No corpo de um anjo.

Balancei a cabeça negativamente:

-Suas palavras vazias não me convencem! Você está fazendo todo o trabalho sujo para o rei e trazendo muita infelicidade para os filhos do mesmo Deus que você diz respeitar e encaminhar as almas pecaminosas. Aliás, eu errei... – deslizei a mão na cintura para alcançar o revólver e estreitei os olhos: — Um demônio tem mais valor do que você.

Neste momento, o rosto angelical dele contorceu-se em ira por trás da máscara dourada e ele perguntou entre dentes com voz rude:

-O que você disse, sua insana?

Antes que eu atirasse, algo rubro ultrapassou pelo vidro da janela, estilhaçando toda vidraria e o mesmo ficou entre mim e Charlie. A serra elétrica de Grell estava ligada e ele a segurava em frente ao corpo.

-Finalmente te achamos! – o shinigami bradou. Disse divertido: — Um, dois, três, Charlie! – aquilo remeteu às brincadeiras de esconde-esconde quando achávamos a pessoa que estava escondida.

O anjo deu os ombros e posicionou o violino novamente. Antes de voltar a deslizar o arco pelas cordas, nos desafiou:

-Me peguem se puderem.

Eu e o shinigami nos olhamos.

-Irei chamar os outros. – ele me disse e partiu a porta ao meio.

-Pode deixar que, dessa vez, eu dou um jeito. – respondi enquanto Charlie tocava de modo tranquilo. Mirei o revólver em sua cabeça e disparei contra ele.

O anjo abriu as asas e soltou uma rajada de vento fazendo com que a bala perdesse o rumo. Segurei os floretes e reparei que ali não seria o melhor lugar para um duelo: muitas pessoas podiam sair feridas ou mortas.

-Vamos ver até quando a senhorita também não irá gostar de minha música. – Charlie disse em um tom convidativo.

~ Ciel ~

Seguimos o shinigami e logo reconheci aquela música que tocava. Virei para Sebastian e perguntei para confirmar:

-Essa não é a “Canção do Ninar Eterno”?

Ele parou, escutou e respondeu:

-Sim, é.

Grell virou-se para nós e perguntou:

-O que é isso, exatamente?

-Uma música que anjos da morte tocam para que as pessoas possam morrer “em paz”. – Sebastian respondeu por mim. – Ela drena a energia vital da vítima enquanto a pessoa tem a visão de várias memórias bonitas de sua vida misturadas com surrealismo, porém nem sempre elas encontram Deus no final de sua “viagem”.

Fiquei desesperado: Elizabeth estava lá dentro com os outros, que já estavam sucumbindo, sem munição ou espaço suficiente para atacar o capanga do rei. Tentei pensar em uma solução, mas não conseguia: não podíamos correr o risco de revelar nossas verdadeiras identidades para as pessoas que estavam ali.

-O que faremos? – olhei para Sebastian. O segurei pelos ombros do paletó e o chacoalhei: — Rápido, Sebastian, me ajude a pensar!

Ele sorriu e me respondeu:

-Há uma maneira perfeita.

-Que seja rápida! – fechei a cara e disse severo.

~ Elizabeth ~

Aos poucos, fui relaxando involuntariamente. Eu sabia que aquilo era um mau sinal, principalmente quando notei que meu coração estava tomando um ritmo manso sendo que eu estava preocupada por não ver Ciel atravessar a porta logo.

Parecia que aquela música falava comigo. De repente, me vi criança novamente, naquela tarde de verão na casa de meus tios... O cabelo vermelho de tia Angelina... O sorriso de tia Rachel... O cachorro da família... Meu tio ao longe, sempre ocupado... Meus pais felizes... Meu irmão mais jovem... Campos de flores... Paula comigo em noites de tempestade...

Aquelas cenas começaram a me fazer esmurecer e a frase que eu tanto repetia tornou-se algo sem sentido:

Aguente... Firme...