Kuro Tenshi - Samsara:
1 Prólogo:
Notas iniciais
Olá, chamo-me Higurashi Yori e essa é a minha história. Não tenho muito a contar, não por enquanto, pois a minha vida começou de forma bem simples e feliz. Sim, eu era feliz. Muito feliz. Nunca conheci o meu pai, apenas fui criado pela a minha mãe, em uma vila bastante pobre, mas eu não tinha do que reclamar... afinal, eu vivia cercado de amor, não só por parte da minha mãe.
Pois eu cresci também com dois irmãos. Não, eu não tinha laços sanguíneos com eles, mas eu os via exatamente dessa forma: como irmãos. Akira Hyouma e Katsuo Kumi. Eles eram meus amigos, eu os conhecia desde sempre. Ah, é mesmo, como eu sou esquecido... não me recordei de dizer como eu sou, então vamos para essa parte. Na época, eu era uma criança de pele alva e cabelo liso e escuro, que formava uma franja e possuía, se não me engano (eu sempre me engano, você perceberá isso logo), um par de olhos castanhos-mel.
Eu tinha seis anos quando tudo aconteceu, tudo que mudaria a minha vida para sempre. Mas, como eu disse, eu era uma pessoa feliz.
Hyouma-kun, o meu amigo da mesma idade, possuía a mesma aparência que eu, exceto pelo o seu cabelo de cor branca, até mesmo prateada. E Kumi-chan... bem, ela era a minha bela amiga, também com a mesma idade que eu, com olhos azuis, mas de uma coloração que lembrava a um tipo de gelo, e o cabelo azul-claro.
Mas eles não tiveram a mesma sorte que eu. Definitivamente não. Ambos eram órfãos, isolados do amor de um parente de sangue, então eles viram esse amor em mim e na minha mãe. A minha mãe, gentil como sempre foi, era cuidadosa com eles, meus dois preciosos amigos. Com frequência eles ficavam na minha casa, mas na época, havia algo que me incomodava. Algo que eu não podia deixar de observar, na verdade, era alguém, uma pessoa que eu, na minha inocência de criança, achei assustadora. Mas essa pessoa não era assustadora... era abominável.
Eu não sabia muito bem quem ele era, havia acabado de acordar, no meio da noite, e fui para a cozinha. Antes de chegar, vi a minha mãe chorando. Ela foi a segunda mulher mais bela que conheci, com um cabelo longo e castanho e olhos da mesma cor... e com uma postura gentil, que demonstrava leveza e carinho. Em toda a minha vida, só conheci uma segunda mulher como ela, que acabou se tornando uma pessoa insubstituível pra mim. Mas isso não é importante agora.
Ela estava sentada em uma cadeira em frente a mesa, soluçando e chorando. O meu coração se apertou. Ela colocava as mãos sobre o rosto e continuava a chorar, e então eu percebi que ela não havia notado a minha pequenina presença, afinal, eu tinha o corpo e a mente diminuta de uma criança. Como ela poderia notar esse pequeno brilho?
Me aproximei dela, com passos lentos. Lembra-se que eu tinha seis anos? Eu era uma criança extremamente assustada, não era nenhum tipo de herói. Nunca fui.
- Mamãe, o que foi? — eu disse, completamente preocupado.
Ela virou-se rapidamente, assustada, e arregalou os olhos. Notei um filete de sangue no canto de sua boca. Naquele momento, os meus olhos se encheram de lágrimas e eu chorei. Foi o meu primeiro choro de tristeza, aquele.
Eu sabia que algo muito ruim iria acontecer.
- Filho... — ela disse fracamente.
- Mãe — eu dizia, soluçando -, aquele homem veio aqui, não é? — eu dizia, sem olhá-la.
- Que homem, Yori-kun? — minha doce mãe dizia sorrindo e se aproximou de mim, me abraçando. Em um único movimento, saí dos braços dela e corri até a porta de casa.
Aquele foi o meu maior erro. Eu devia ter sido um filho melhor. Olhei para trás e notei que a minha mãe estava ajoelhada no chão, completamente destruída e consumida por dentro. Eu podia sentir tal desespero dentro da alma dela, um ponto negro no coração da minha amada mãe.
Mas eu precisava sair, mesmo sendo tão tarde. Abri a porta de casa antes que ela pudesse fazer qualquer coisa e corri. Precisava encontrá-los. Acho que mesmo naquela época eu era uma pessoa obscura, afinal, se eu fosse iluminado, eu teria ficado com a minha mãe, mas eu não me importei com isso e a abandonei naquele momento. Foi o meu maior erro.
Corri durante a noite pela a rua da vila, passando por diversas casas, bastante simples, por sinal. Aquela era uma vila simples. Eu sempre ouvia histórias de Konoha, a mais poderosa vila shinobi e em como o lendário Uzumaki Naruto destruiu a corrente de ódio do mundo. Não que aquilo fosse verdade, afinal, se ele destruiu essa corrente, então por que a minha mãe sofria?
Me cansei rapidamente, mas eu já estava afastado de casa. Estava diante de um abrigo que, como eu sabia, não tinha nenhum tipo de luxo. Eu sempre fui uma criança habilidosa, então pulei o portão de madeira de lá e caminhei até a sua porta. Bati nela algumas vezes e esperei por cerca de intermináveis vinte ou trinta segundos. Um homem assustador abriu a porta, ele era velho e possuía uma espécie de barbicha, mas era muito alto (pelo menos para mim na época) e parecia ser bastante forte.
Ele possuía um sorriso malicioso nos lábios.
- O que uma criança tão pequena faz aqui a essa hora? — ele questionou.
Fale com o autor