Kuro Tenshi - Samsara:
5 A conversa:
Notas iniciais
Bem, é isso. Vamos ao capítulo. xD
Passaram-se dois dias depois daquilo. Eu não estava exatamente feliz, mas na época eu não havia percebido que estar num time havia mudado algo em mim. Eu não sabia ao certo o que era. Mas enfim, eu estava deitado na cama, depois de uma sessão de treinamento envolvendo o Chakra Negro. Dei um sorriso malicioso de canto — eu havia conseguido ficar seis minutos e vinte e quatro segundos imerso nesse estado. Se eu conseguisse dominar essa habilidade, logo eu poderia concluir o meu objetivo, assim eu pensava.
Estava de tarde, mas um tanto longe de anoitecer, quando ouvi batidas na porta. Só uma pessoa costumava ir na minha casa, então eu já sabia quem era, até porque consegui sentir um pouco da aura. Dei um suspiro, pois não imaginava a razão dela ter ido até a minha casa naquela vez. Me levantei da cama e me dirigi até a porta, lentamente e sem a menor vontade, e a abri. Fitei a pessoa na minha frente, uma mulher.
A mãe da Yue-san.
- Boa tarde, Higurashi-kun — ela dizia, com uma feição gentil no rosto. Ela era certamente uma boa pessoa, pela a alma que emanava. Isso mesmo, se tratava de Hyuuga Hinata... lembram-se quando eu disse que ela vinha ao meu apartamento para me entregar o dinheiro do mês? Então, é isso mesmo.
- Boa tarde, Hinata-san — respondi formalmente. — Gostaria de entrar? — maldita seja a minha educação, em certos momentos. Naquele dia, eu apenas queria ficar sozinho para pensar.
- Ah, eu posso, Higurashi-kun? — ela perguntou. Abri espaço para ela entrar.
Hinata-san era uma mulher muito bonita, possuía uma pele clara, até um pouco pálida — mas que dava uma sensação de fragilidade e elegância -, um cabelo liso, longo e azulado e olhos perolados, típicos do Clã Hyuuga. Ela vestia um kimono branco com uma faixa azul na cintura. Era uma pessoa muito harmoniosa, provavelmente de baixa auto-estima, mas eu sempre ouvia na Academia histórias sobre como o Hokage mudou a líder do Clã Hyuuga, lhe dando mais confiança e um "jeito ninja".
O apartamento em que eu vivia estava muito bagunçado, como de costume. Eu estava vestido com uma camisa negra desbotada e uma calça negra de ficar em casa. Vocês devem ter percebido que preto era, e é até hoje, a minha cor favorita. Eu não tinha nada contra a Hinata-san, achava ela uma boa pessoa, mas eu não queria companhia. Queria que ela, Yurika-san e Yue-san entendessem e se afastassem. Hoje eu percebo que tudo que aconteceu foi porque tinha que acontecer. Absolutamente tudo.
Não havia um sofá na sala, apenas uma pequena mesa com cadeiras. Puxei uma cadeira para ela e ela se sentou. Me sentei em seguida.
- Então, o que te traz aqui, Hinata-san? — imaginem-me dizendo qualquer coisa com a voz fria e formal. As pessoas que se aproximaram de mim com o tempo costumavam dizer que eu me expressava assim, durante anos — Eu já sou um ninja, farei missões e conseguirei me manter com o dinheiro ganho com elas. Você não precisa mais me entregar o dinheiro mensal.
- Bem, Higurashi-kun... — ela parou um pouco. — Ou melhor, Yori-kun, soube que você está no time da minha filha — ela concluiu.
Estava quase percebendo aonde ela queria chegar.
- Sim, Yue-san te contou? — perguntei, com pouco interesse.
- Sim... ela estava muito animada! — comenta Hinata-san, em seguida soltando um risinho. — Soube também que você está se aproximando da Yuri-chan — quase caí da cadeira. Como ela...
- Por favor, Hinata-san... não diga que eu estou me aproximando dela — pedi. A minha maldita franja ocultou parte da minha face. E a minha voz saiu carregada de uma raiva subliminar.
- Entendo... era aí que eu queria chegar — ela continua. Eu realmente havia decifrado bem a Hinata-san, ela queria falar sobre algo que já havia percebido. Hoje percebo que eu que era óbvio.
Mesmo assim perguntei:
- O que você quer dizer?
- Você odeia a Yurika-chan, estou certa? — ela perguntou, ainda com a voz doce, porém séria. Na verdade, aquela pergunta foi uma afirmação.
Eu abaixei a cabeça, olhando para o meu colo. Apertei o punho direito com força, ela havia percebido tudo, uma pessoa que mal me conhecia! Ela simplesmente se aproximou do nada e descobriu algo que eu queria esconder de todos. O meu ódio irracional pela a pessoa mais pura e bondosa deste mundo. Mas então eu soltei uma risada abafada. Em um momento, comecei a gargalhar alto, havia algo errado, eu não ria desde a tragédia que mudou a minha vida. A minha risada não era de humor, mas sim de perversidade. Hoje eu entendo isso melhor.
Parei de rir e comecei a fitar Hinata-san com um sorriso de canto. Ela não se assustou, apenas me olhou analiticamente, como se entendesse tudo.
- Sim, eu odeio a Yurika-san. Tanto que já pensei em matá-la — confessei.
- Entendo... eu percebi que você a odiava quando eu vi você pela a primeira vez, você tinha sete anos. Você se lembra? — ela dizia. Hinata-san sempre foi uma ótima pessoa, ela nunca me desaprovou. Foi uma das pessoas que sempre me entendeu, mas isso também não é importante agora.
E sim, eu me lembrava... eu tinha sete anos, um ano após chegar em Konoha. Estava num parque infantil observando as crianças brincarem, eu sentia muita inveja. Eu pensava sobre como queria os meus tempos felizes de volta.
E foi a segunda vez que vi Yurika-san. Ela estava acompanhada de Hinata-san e Yue-san. As três caminhavam tranquilamente pelo o parque, sendo que as duas crianças estavam bem animadas. Entretanto, a animação de Yurika-san era mais subliminar, ela era retraída demais. Sempre foi. Eu estava sentado numa pedra que havia no local e os meus olhos, que já eram o Rinnegan, se cruzaram com os dela. Ela me olhou por um tempo, um tanto surpresa. Mas com certeza ela sabia quem eu era, afinal, não era a primeira vez que nos encontrávamos.
Olhei para ela e imediatamente senti sua aura. Como ela podia ser tão pura!? Não podia admitir que qualquer pessoa fosse melhor que a minha mãe em caráter e bondade. Lancei a ela um olhar provavelmente odioso, eu não consegui controlar. Ela se encolheu um pouco.
- Ei, Yuri-chan, o que você está fazendo parada? Venha comigo — dizia a pequena Yue-san, animada como sempre. E Yurika-san foi embora com as outras duas pessoas. Notei que Hinata-san me olhava naquela ocasião.
Deixei de me lembrar do meu passado e voltei a me concentrar no meu diálogo com a minha "conselheira".
- Eu me lembro, Hinata-san — eu disse. — Eu sempre odiei Yurika-san, mas não vou te dizer o motivo — terminei seriamente.
- Eu entendo, Yori-kun — ela disse, se levantando. E bagunçou o meu cabelo, como se eu fosse uma criança. — Se não se sentir confortável dizendo, não diga. Eu vou embora agora, só queria te deixar uma reflexão.
- Que reflexão? — perguntei curioso.
- O ódio é uma forma de amor, especialmente no seu caso.
Soltei um pequeno grito, que logo foi abafado. Ela também entendia! Eu era tão decifrável assim?
Sim, eu queria devorar a bondade e todos aqueles que fossem melhores que a minha mãe. Odiava Yurika-san justamente pela a bondade dela. E o meu ódio nasceu baseado no amor, no que aquilo representava para mim.
Não me lembro do resto do diálogo com ela, somente sei que ela foi embora normalmente. Acho que não houve diálogo, ela me deu um tchau e saiu pela a porta, me deixando estático na cadeira.
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