Kuolema Tekee Taiteilijan

9 My little phoenix pt.V


Notas iniciais
AEAEAE achei tempo hoje, então lá vamos nós postar rapidinho porque essa semana será dificil! Enfim, preparem-se porque o capitulo é grande! Boa leitura!

Ele estava de novo sentado na cadeira de metal. O ambiente escuro e metálico o sufocava. Seu coração corria.

‘’Vou perguntar de novo, Thomas, qual era sua relação com David?’’

A voz vinha de lugar algum, circulando a sua volta.

‘’Por que alguém conseguiu entrar no prédio sem arrombar, Thomas?’’

‘’Quem mais tinha a chave?’’ ‘’ Você deu a chave á alguém, Sr. Yerj?’’

As vozes se misturavam e ficavam mais e mais altas em sua cabeça.

-Eu não sei! Não! Não! Não sei quem mais tinha a chave, pode ter sido qualquer um! – gritou.

As vozes, agora sólidas palavras, se repetiam e giravam a sua volta como um redemoinho mortal. O quarto começou a se dissolver ao seu redor. O teto metálico agora era forrado de madeira, um lustre de tecido pendendo acima de si.

Ele percebeu que abrira os olhos. Estava sonhando, uma vez mais, com o interrogatório pelo qual passara. Passou a mão pela testa, notando que suara durante seu pesadelo e só então notou a liberdade de movimento desta. Ele podia jurar que antes estava abraçando alguém e... Elizabeth. Onde ela estava? A memória da noite passada veio à tona. Ele se sentou rapidamente. Ainda estava no apartamento dela. Com tanto em sua vida, seu coração martelava, preocupado.

Mas não demorou muito até que seus batimentos se acalmassem. Sentada em uma cadeira simples em frente a janela ela observava a noite, quieta. Chovia.

- Nunca tive medo do escuro, sabe? As piores coisas sempre acontecem bem a nossa frente, na luz do dia... Só que muitas vezes as deixamos passar. Nunca achei que você pudesse ter medo, alias. – Disse-lhe, rindo com a expressão de pânico dele e com o suor em sua cara. Ela estava enrolada em um roupão branco.

Ele sorriu, aliviado.

- Não é isso. Só... Só estou preocupado. – respondeu-lhe.

- E com o que?

Ele suspirou. Ela não se moveu.

- Não sei... Há tantas coisas em minha vida agora. E esse assassinato... O interrogatório realmente me assustou. Eles realmente querem algo, sabe?

- Bom... Você não tem nada a ver com isso, tem?

- Não.

- Então, em ultima instância vai precisar de um advogado e um pouco de paciência. Eles não têm nada contra você e nem podem ter, certo?

- Instância... Você está falando como os detetives. – ele riu.

Ela suspirou.

- Não se preocupe. As coisas vão se resolver. Sempre se resolvem, mais cedo ou mais tarde.

Ele a encarou, quieto.

- Eu ainda não lhe contei por que detesto a neve... Ou crianças... Ou nada, certo? É injusto, sabendo o tanto que você já me contou sobre sua vida.

Ele engoliu em seco. Ainda havia muito que ela não sabia, mas decidiu dar uma resposta mais politica.

- Sabe que não precisa me contar se não quiser.

- Mas eu quero. Preciso. – ela sentiu as lágrimas surgirem eu seus olhos, jogou a cabeça para trás e as engoliu.

Ele assentiu.

-Eu era uma criança muito feliz, para começo de conversa. Até mimada, se quer saber. Minha família tinha dinheiro, meu pai ganhara milhões com uma rede de empresas... Em Boston. – ela fez uma longa pausa. – Eu tinha doze anos. Estávamos em nosso chalé de inverno. – Ela bufou – eu falei que fui mimada. A viagem foi inclusive ideia minha. Estava nevando de mais naquele dia. Aconselharam-nos a ficar no chalé, não ir esquiar. Mas meu pai insistiu. Ele me disse para ficar. Obrigou-me a ficar. Ele saiu com minha mãe, e eu como qualquer adolescente teimosa estava completamente irritada. Por que eles podiam ir e eu não? Então... Eu coloquei minhas roupas e fui. Sozinha. Os segui. Eu estava no teleférico quando aconteceu. Foi tudo muito rápido. A nevasca estava realmente forte. Mas eu lembro claramente de vê-la dentre a neve. Dentre a multidão. Uma mulher, alta, morena. Ela tinha um rifle. – ela pausou, mas ainda relatava a história friamente. – Ela atirou a esmo, na primeira vez. A tempestade se combinou com o eco da bala e... Bom, a neve começou a descer a montanha violentamente. Era uma avalanche. E-Eu vi meu pai... Empurrar minha mãe. Bem naquele momento. Dava para ver que foi planejado. Ela caiu, e ele ia sair do caminho, mas... Ele foi atingido. Uma bala. Só uma. Eu caí do teleférico. Um instrutor me puxou antes que qualquer coisa me atingisse, mas eu consegui aquela cicatriz. Ele me segurou, ou eu teria corrido. Meu pai caiu... Nunca acharam o corpo, coberto pela neve. Quem suspeitaria de assassinato? Só eu vi alguma coisa. E quem acreditaria em uma criança? – ela pausou de novo, olhando longamente para fora. – Enfim, no dia seguinte eu a procurei. A mulher. Na verdade, eu a encontrei andando pela vizinhança. Não deveria ter saído, os médicos estavam preocupados. Mas eu não ligava. Não posso dizer que não a procurava. Ela me contou tudo. Detalhe por detalhe. Como ela e meu pai haviam armado para... ‘’tirar sua mãe da jogada’’ assim eles poderiam viver juntos sem perder dinheiro... Ela o pintou como um canalha. E talvez ele fosse mesmo. Mas ela era pior. Ainda assim, ela não precisava ter me dito nada. O testamento dele fora aberto na minha frente naquela manhã. Eu deduzira o resto sozinha. Você vê... Meu pai já havia mudado seu testamento... Idiota... Já a colocara no lugar de minha mãe para receber o dinheiro. Assim, ela receberia milhões. Ela estava, naquele dia em que a encontrei, fazendo compras. Perguntou-me ainda quem acreditaria em uma criança traumatizada pela morte dos pais. Estava certa, sabe? Ninguém nunca me ouviu e depois de um tempo eu parei de falar. Não tinha parentes vivos – nossa família sempre fora pequena e de certa forma devíamos nosso sucesso a isso. Eram poucos os que confiávamos. Quem diria que um destes poucos seria nossa ruina? Nosso maior traidor? De qualquer modo, eu passei por alguns lares adotivos. Fugi de todos eles. Não confiava em ninguém. Não podia confiar. A maioria só me acolhia pois com a minha idade eu já podia me virar sozinha e eles receberiam a bolsa do governo para me manterem, significava mais dinheiro para eles. Assim, acabei ficando muito tempo no orfanato. Depois de um tempo ninguém mais quer as crianças. Os bons pais querem bebês que possam criar como seus. E eu, sendo uma das mais velhas no orfanato só servia para ajudar a cuidar destas crianças. Foi assim que passei a não suporta-las. E claro, assim que eu consegui mais cicatrizes. Quando fiz dezoito anos pude sair daquele lugar e finalmente pegar o dinheiro que era meu por direito. Fiz cursos, entrei em uma faculdade razoável... E o resto você sabe.

Ela se levantou. As lagrimas poderiam ter se apresentado em seus olhos em alguns pontos da história, mas ela não as deixou cair. Já tinha pratica o suficiente em esconder sua dor. Por um momento ela percebeu que nunca alguém soubera tanto de sua vida. Deu de ombros, caminhando até uma prateleira.

- Tudo que eu consegui guardar de minha mãe, guardei. – ela esticou a mão e pegou um pequeno abajur rosa – Este... Ela me deu quando eu tinha dez anos. Disse-lhe que nunca tive medo do escuro, mas por vezes fingi ter só... Só para que minha mãe ficasse um pouco mais comigo. Também te disse que fui um tanto mimada. Ela me deu esse abajur, e me disse que... Que não importava o que acontecesse, ela sempre estaria ali para afastar a escuridão de mim. Veio a calhar. – ela passou as mãos pela base do objeto, repleta de conchas – A madeira estava apodrecendo... Eu tratei e comecei a colar as conchas. Cada uma é de um lugar diferente que eu tenha visitado. – Ela sorriu levemente ao reconhecer a concha bonita que pegara em Barbados, ou a tímida, bem branca escocesa. Colocou de novo o abajur na mesa.

- Talvez você tenha notado, talvez não – começou de novo – que estou sempre com meu cabelo um pouco preso – ela esticou a mão e tirou a presilha que o prendia naquele momento – Pois bem, a única outra coisa que consegui salvar foi a presilha que usava naquele dia. Minha mãe me deu quando eu tinha apenas cinco anos. Eu gostava, usava sempre por causa dos brilhos... – ela chacoalhou a cabeça, e se apoiou no batente da janela, observando a chuva de novo.

Ele se levantou, e foi até ela. Pôs uma mão em seu ombro delicadamente. Respirou fundo.

-Eu já fui casado. – começou. Percebeu que não foi a frase mais bem pensada que já dissera, mas não havia volta. Sentiu-a se contrair ás palavras. – Mary era o nome dela. A conheci no colegial. Nos casamos, nos formamos... Planejávamos ter filhos. Tudo estava perfeito. Um dia, chuvoso como esse, ela saiu. Precisava de alguma coisa no mercado, não sei nem o que. Um motorista bêbado corria de mais e atingiu o carro dela. – ele engoliu as lágrimas que vinham a seus olhos – Ela morreu na hora. Foi por isso que me mudei para cá. Não aguentava mais viver naquele país, naquele local... – ele parou.

Ela se virou lentamente e passou os braços pela cintura dele, afundando a cabeça em seu peito, abraçando-o somente. Ele beijou o topo da cabeça dela. Ela se afastou lentamente e andou até uma porta, abriu-a. Dava para uma pequena varanda onde um banco de madeira repousava ao lado de um vaso simples com uma planta. O espaço era pequeno, mas havia uma bela vista da cidade... E do céu. Ela gostava. Fora por isso que escolhera aquele apartamento. Fez um sinal com a cabeça para que fosse com ela. Ela se apoiou nas barras de ferro, olhando a paisagem. Ele a abraçou por trás, depois se sentou e puxou-a para seu colo. Beijou-lhe o pescoço.

-Faça um desejo. – ela disse, apontando para o céu. Uma estrela cadente cruzava a chuva criando uma mistura interessante.

- Posso desejar ficar aqui para sempre? – ele disse sorrindo.

Ela riu.

- Até poderia, mas agora não mais, bobão. Não sabe que se disser alto não se realiza? – ela bateu brincando no peito dele.

- Tem certeza?

Ele pôs a mão no rosto dela e a puxou para um beijo. Ela se separou dele somente por uma fração de segundos para sussurrar um ‘’não’’.

‘’Robbed of my innocence, had no more time to play.
I sure got my feathers burned, but I'm stronger than the flames’’

Notas finais
Já disse que esse é o útimo capítulo com esse nome? o/
Enfiim pessoa (s?) muito obrigada por ler, eu espero que esteja(m) se divertindo e... Bom, é só. Como eu disse, a historia está se encaminhando para o fim, deve ter mais uns 4 capítulos só, e eu estou muito feliz que alguém tenha lido ^^
Um beijo,
Ju