Kuolema Tekee Taiteilijan
14 Damned and divine pt II
Notas iniciais
HELSINKI, FINLÂNDIA.
25 DE DEZEMBRO
Ela se sentava no chão, o fogo queimava violentamente á sua frente na lareira. Uma pilha de papéis já havia sido queimada. Ela encarou o fogo sem nenhuma emoção.
Um último pedaço de jornal estava em suas mãos. Um obituário. O titulo tentava ser comovente, mas não significava nada a ela. Nem o nome nele impresso. ‘’David Zimmermann é encontrado morto e deixa esposa e amigos. ’’. Ela jogou o papel no fogo e o observou queimar.
Lentamente estendeu sua mão a um caderno no chão ao seu lado. Abriu na metade. ‘’Lista de arrependimentos’’. Sim, era uma coisa sólida. Ela não podia sentir a culpa, e muito menos sabia por que alguém sentiria. Mas se havia algo que tinha aprendido em tantos anos era a fingir. E aquilo a fazia por segundos se sentir um pouco mais humana. Assim como escrever. Ela riscou de sua lista uma coisa a mais da qual sabia que uma pessoa normal se arrependeria. Com o fogo, tudo se vai. Não demoraria muito até que ela jogasse também o caderno ás chamas.
Só uma coisa ela nunca queimaria. A pasta ao lado dela. Passou a mão por ela uma vez mais. Abriu-a. Continha nada menos do que um laudo psicológico sobre ela aos treze anos. Leu a conclusão. Riu conforme a palavra se reverberou em sua cabeça. Nada significava. Ao menos para ela. Ela sabia que se qualquer um lesse aquele papel poderia ter conclusões completamente diferentes. Ao lado do laudo, um novo obituário. Este não seria queimado. Ela pensara em emoldura-lo, mas não queria que tivesse tanta importância para sua vida. Embaixo da manchete a foto de uma mulher alta, morena, jovem. Katherine sorriu. Sim, este era seu nome de verdade. Mas ninguém jamais saberia. Dizem que Seriais killers que guardam souvenires são mais fáceis de serem pegos, mas ela não seria. Sabia que não. Não cometeria um erro jamais. E aquele fora seu primeiro... Caso. Boston. Ela riu ao lembrar-se de como disse que tinha cursado faculdade lá. De fato, fora o que desencadeara toda sua vida, fora seu primeiro aprendizado, mas não era ao todo uma profissão considerada acadêmica.
Ela fechou a pasta e encarou o fogo queimar os últimos vestígios daquele ano. A palavra ainda ecoava em seus pensamentos, ainda que ela nunca a entenderia.
Sociopata.
‘’Feel the shadow of my oblivion
Hoping mercy would show her face
On the road to your own perdition
In the coal-blackened rain
(...)
As the wind takes me away from you
Before the morning light
My sins are fading into view
I'm so weary deep inside’’
Notas finais
Beijos
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