Notas iniciais
A história ainda não está definida, esse é apenas um esboço de uma história que será desenvolvida, provavelmente sofrerá alterações.

Acordei com leve dormência no braço direito, depois da sofrida insônia que tenho tido em diversas noites nada mais normal do que acordar com alguma dor. O sol já tinha nascido, na verdade, o sol quase não nasce por aqui, está sempre nublado e com clima chuvoso, dá uma impressão de cidade triste combinada com a poluição constante, não é muito difícil ver gente tossindo compulsivamente. Olhei para as paredes e meio que dei uma risada interna, quando meus pais estavam vivos eu achava que eles tinha construído a casa com palitinhos de picolé igual o dos filhos dos burgueses comem, me perguntava qual era o gosto daquilo, ouvia risadas e garotos e garotas correndo com aquilo na mão, sempre observado de longe, após nós mudarmos para outra região, essa pouco menos violenta, perguntei ao meu pai como eles tinham conseguidos palitos tão grandes assim, ele deu uma risada gostosa e me explicou que era uma madeira especial que tinha pontas arredondadas e que era mais em conta do que construir uma casa com tijolos, já que não são acessíveis para nós.

Hoje eu entendo tudo isso. Acordo para a realidade e ando pela casa de quatro cômodos de-não-tão-palito-assim e já ouço barulhos de helicópteros rondando a área, lembro-me que é segunda e que era dia de trabalho e já me visto colocando um vestido estúpido que o sistema me obriga a vestir e que não dá liberdade nenhuma de sequer andar sem se preocupar se a parte saia se levante com o vento, me observo no espelho com olheiras enormes, passei muito tempo no quintal cinzento de casa trabalhando em um robô feito de restos de metais para um menino que vive rondando pela região, ele mora numa cohab mais pobre que a minha, além da insônia que é uma das minhas maiores lutas, não consigo mais contar quantas noites já passei em claro. Meus cabelos lisos estavam cheios de caspa por conta do stress e minha pele estava pálida pela falta de sol na região, o emprego de atendente de uma botica numa região mais favorecida também requeria maquiagem, outro artifício que vamos dizer que não sei usar e muito menos gosto, percebi que precisaria consultar o cabeleireiro e ver a tabela de cabelos permitidos, já que não conseguia mais domar o mostro que é ter fios de cabelo muito fino, meu rosto estava meio deformado já que tenho sono pesado, a maquiagem conseguiu tampar os buracos negros abaixo dos meus olhos. Sai de casa já não muito cativada, seria muito fácil ir de cavalo como os homens fazem, é gracioso, elegante e muito mais rápido do que ir à pé mas mulheres não são permitidas. Entrei na botica e percebi uma movimentação estranha dentro, vinha dos fundos, onde geralmente se encontrava o escritório do meu então chefe não tão burguês assim Jair Pigneli, ignorei e fui ao meu posto de vendedora, todos me diziam que eu era louca por não ter escolhido uma profissão mais adequada por que sou uma “mulher” mas o que me importava era o salário e se ele daria para sustentar, já que não tenho mais papai e mamãe para me manter. Jair saiu em disparada para calçada e começou a fumar em frente à loja, vinha um garoto desconhecido logo em seguida falar calmamente com ele.

– Este lugar está um caos e você sabe disso. – o garoto misterioso exclama – O sistema...

– Eu já sei sobre isso, o sistema atacou mais duas regiões — senti que sua saliva estava estagnada em sua garganta, ele estava omitindo algo — sua mãe estava próxima de uma delas.

O garoto estava tão pálido quanto o clima mas seus olhos estavam tão negros quanto a chuva que ameaçava a cair naquele instante. Senti sua dor. Meus pensamentos foram restabelecidos após um barulho ensurdecedor dos helicópteros malditos. A loja ficava em um centro estratégico junto á um amontoado de lojas de cosméticos, era um ponto movimentado e vi que várias pessoas estavam indo á um só caminho, Jair e então o recém descoberto por mim, seu filho decidiram os segui-los.

– Cristal, feche a loja, agora.

– Monsieur, acabamos de abri-lá e..... — fui interrompida por um guarda, fiquei quieta e apenas obedeci ao meu chefe.

Havia depois de anos um anunciamento, um luto ridículo nacional de vitimas de uma suposta praga que estaria contaminando os campos de colheita, meus olhos começaram a transbordar, eu tinha visto aquilo antes. O icônico e ridículo Caíque começa seu discurso fajuto para uma pequena porção de pessoas que ali rondavam, anunciando novas propostas para a burguesia, que não iriam mais se preocupar com pestes, pragas ou qualquer coisa do tipo que o governo iria impedir que chegasse até eles, e o mais engraçado – ou talvez nem tanto — todo mundo agia como se ele fosse a pessoa mais honesta e que não estaria de proposito matando camponeses para exterminar os "infames pobres" para fazer uma limpeza em Violeta. Tive vontade de vomitar, com certeza a vontade de me juntar aos radicais e fazer uma assassinato bem sangrento naquele momento era ridiculamente atraente, o desgraçado matara minha família e outras milhares para apenas garantir o conforto e uma imagem de dimensão perfeita para sua classe. Acabei me misturando com a multidão, me visto como eles para ir trabalhar, casaco cinzento com pelos sintéticos nas golas, cabelo duro na raiz para não lhe render muito balanço, vestido com tonalidade bege, saltos e uma maquiagem pesada, na verdade me misturei com elas.

Notas finais
Não há datas definidas para o próximo capítulo, dependerá da minha criatividade ou estado de humor no dia.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.