Krunshi
1 Prólogo
Uma menina andava sozinha, com o scarpin preto batucando no asfalto a ponto de quebrar com seus passos em falso, o vestido preto de paetê colado no corpo, o cabelo que antes estava perfeitamente arrumado agora estava bagunçado e desfigurando o penteado, uma garrafa de cerveja na mão, sendo levada à boca de minuto em minuto. A rua quase deserta, se não fosse por ela e alguns garotos andando de skate no meio da rua.
— Tomem cuidado... ugh, garotos — ela disse entre um soluço ao passar pelos garotos que não deviam ter mais de doze anos. Encararam-na como se fosse um ser de outro mundo. — Hoje a noite pode parecer calma... mas é nessas noites, ugh, de lua cheia que as crianças da noite saem para caçar — ela começou a gargalhar. Uma risada maléfica, assustadora. Os garotos se encararam e reviraram os olhos, murmurando que ela estava bêbada e saíram de perto. — Não me escutam, é?! Deviam olhar para os telhados, elas adoram telhados — ela gritou enquanto eles se afastavam.
Continuou a caminhar aos tropeços pela rua que agora estava deserta. Avistou ao longe um homem, vestido com um longo casaco preto, os cabelos cacheados balançando com a brisa e sapatos sociais que emitiam um som parecido com seus saltos no asfalto da calçada. A menina franziu a testa e cerrou os olhos para enxergá-lo direito já que os efeitos das bebidas que tomara estavam começando a dar as caras. O homem andava com a cabeça baixa, mas estava próximo da menina. Ela continuou encarando-o até estarem praticamente frente à frente.
— Não está com calor nessa noite, senhor? — ela riu ironicamente. O homem levantou o rosto para ela. Uma cicatriz cortava parte de seu rosto, da testa até a metade da bochecha passando por cima do olho direito. Os olhos amarelos, como os de um gato foram tornando-se negros, completamente, sem nenhum mísero espaço em branco ou qualquer brilho, pareciam demoníacos. Ele sorriu para a menina, mostrando os dentes pontudos e afiados, os caninos encostaram na boca, rasgando a pele ao toque afiado do dente e um pequeno filete sangue escorreu vagarosamente pelo lábio inferior. — Adorei a fantasia, pena que não é halloween ainda — ela riu e seguiu em frente, mas foi impedida. O homem segurou-a pela cintura e prensou-a na parede de um muro alto.
— Não é uma fantasia, mocinha — ele passou sussurrou no ouvido dela, passando a língua pelo pescoço da menina. O bafo fétido do homem quase a fez engasgar. Ela se contorceu tentando sair dos braços do homem, mas ele era com certeza muito mais forte do que ela. Ele levantou-a na parede de modo que seu rosto ficasse na altura dos seios dela. A garrafa de cerveja caiu da mão dela no chão, quebrando-se e espalhando o pouco que sobrara da bebida pelo chão.
— Me solta, seu maluco! Eu vou gritar! — ela ameaçou, dando chutes no homem, que não mexia um músculo. Desceu a menina novamente ficando na altura dela e encostou seu quadril no dela, apertando-a fortemente na parede. Uma de suas mãos foi de encontro ao rosto da menina e com a unha enorme e preta que rasgava a pele pálida do homem ele cortou a bochecha dela.
— Grite e eu arranco suas cordas vocais com minhas próprias mãos — ele sorriu mostrando todos os dentes. A menina olhou completamente assustada para as pequenas estacas brancas na boca do homem e tentou gritar, mas seu grito foi abafado pela boca do homem, que colou os lábios nos dela. Os dentes do homem cortavam sua boca e língua e ela sentia o gosto de sangue misturado ao de enxofre e algo morto em sua boca. O homem passou a deslizar as mãos pelo corpo da menina, apertando suas coxas e glúteos com uma força sobrenatural, machucando-a. Quando separou os lábios dos dela, a boca ensanguentada, começou a dar chupões e lambidas no pescoço da menina que tentava gritar mas fora pressionado com tanta força na parede que o ar de seus pulmões se esvaiu. Com o pouco de ar que tinha, ela reuniu forçar para murmurar:
— Pare — mas o homem apenas encarou-a e sorriu novamente. Soltou-a da parede e virou-a de costas para ele. A menina colou o corpo na parede novamente, dessa vez de frente e o homem esfregava-se nela por trás. Ela tentou socar a cara dele para se libertar, mas então ele prendeu os braços dela para cima.
— Vai continuar teimosa? Vou ter que apressar as coisas — ele murmurou com a voz grossa no ouvido dela. A menina não respondeu, tentou chutá-lo de costas, mas sua tentativa foi falha. Ele então puxou-a pela cintura de modo que o quadril da menina ficasse na direção dele e o corpo delineado pelo vestido colado da menina ficasse em um ângulo de 90º, ainda com os braços prendidos na parede.
Ela encostou a cabeça na parede e começou a imaginar o pior. O pior na verdade fora pior do que ela imaginava. O homem escorou-se sobre ela e lambeu sua nuca, puxando o cabelo bagunçado da menina para o lado. Ele finalmente mordeu-a, deixando a marca de sua arcada dentária na nuca dela e levando um pouco de pele consigo. A região onde ele a mordera queimou com força, como se tivessem jogado ácido ali. Ele afastou-se da menina, deixando-a cair no chão em cima dos cacos de vidro da garrafa de cerveja sem nem mesmo conseguir se mexer. Ele pegou-a pelos cabelos e virou o rosto dela na direção dele. Abriu a boca e uma fumaça cinza avermelhada saiu de sua boca adentrando as narinas dela, fazendo-a arquear o corpo.
O homem sorriu ao vê-la contorcer-se no chão e saiu de perto, como se já soubesse o que aconteceria a seguir. Ela apoiou-se nos braços e ficou de quatro fazendo ânsia de vômito. Os olhos da menina estavam completamente abertos, o tom naturalmente castanho das íris estava se tornando amarelo, como os do homem. Ela arqueou as costas e sentiu algo queimar em seu estômago, subindo pelo esôfago e saindo pela boca. Sangue. Muito sangue, o suficiente para fazê-la se engasgar. O homem apenas aproximou-se dela e beijou aonde havia mordido sussurrando algo em uma língua suja em cima da marca.
A visão da menina começou a escurecer, mais nada ela conseguia enxergar, apenas o sangue vermelho escuro no chão que ainda saía de sua boca. Fechou os olhos e esperou que todo o sangue que ainda deveria sair saísse e então caiu no chão, sem nenhuma força, sem ar e sem visão.
Notas finais
Espero que gostem, esse foi só o prólogo. Vou tentar postar o primeiro capítulo assim que conseguir.
REVIEWS POR FAVORRRRRRRRR ♥
Gray Girl xoxo.
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