Kotoba
1 One-shot~
Notas iniciais
- Eu te amo, Yuu. – Olhei assustado para o rosto do loiro, ainda tentando assimilar aquelas palavras que acabara de escutar.
Será que ouvi direito? O Uruha me amava?
Eu simplesmente não podia acreditar. Como isso aconteceu?
Já havia algum tempo que dormíamos juntos, mas não havia sentimento envolvido. Pelo menos não da minha parte.
Há meses já sentia certa atração pelo loiro, ficava fitando-o durante os shows, observando cada movimento dele, e cada vez que ele chegava perto de mim, me arrepiava de desejo, mas nunca havia passado disso: um desejo.
Quando soube que era recíproco, naquele show em que o Uruha me beijou, decidi não mais esconder esse desejo, essa vontade que eu tinha de tê-lo pra mim. Então, a partir desse dia, começamos a dividir os lençóis vez ou outra, e não paramos mais.
Em minha mente não passada de diversão para os dois lados, mas eu havia me enganado. Não percebi o momento em que aquela relação havia passado a um nível superior.
Admito que os toques do loiro eram sempre bastante gentis, a sensação aconchegante dos seus abraços, a intensidade dos seus beijos, sua pele macia em contato com a minha, tudo aquilo era muito bom, muito mesmo.
Mas... Em que momento aquilo tudo virou amor?
Fiquei um pouco irritado com o loiro, como, em tão pouco tempo de relacionamento, ele poderia se dizer apaixonado por mim? Usar uma palavra tão forte? Não estaria ele exagerando?
Sempre considerei um erro falar “eu te amo”, principalmente quando se trata de uma relação tão recente, tão nova.
Se ele havia se apaixonado por mim, eu não tenho culpa; o único culpado seria ele, por ter se deixado iludir, embora eu não tivesse dado nenhum sinal de que aquele relacionamento iria além da diversão. Sempre havia deixado claro que não havia sentimentos naquilo. Nunca havia lhe dado esperanças. Ou será que havia? Será que, mesmo inconscientemente, havia dado a impressão de que... Eu o amava? De que queria algo além do sexo? Isso eu não sei dizer.
Ele poderia estar apenas fascinado com tudo aquilo, pois nosso relacionamento era realmente muito agradável; não só quando estávamos fazendo sexo ou trocando carícias, mas também durante os ensaios, até mesmo quando nos reuníamos na casa de algum dos outros membros da banda, sempre nos dávamos muito bem: as conversas eram sempre agradáveis, ele sempre me fazia rir como ninguém fazia.
Sempre que estávamos juntos, mesmo que com os outros rapazes, era como se estivéssemos a sós. Sentia-me bem ao lado dele e ele me passava algo bom, algo como conforto e tranqüilidade.
Era algo que nunca sentira antes, algo que até me dava medo.
Pensando bem, depois que o loiro disse aquelas palavras, comecei a refletir: estaria EU me apaixonando por ele?
Até o presente momento nunca havia pensado nisso, apenas ignorava toda vez que esse assunto insistia em invadir meus pensamentos.
A ótima sensação que me preenchia quando estava perto dele, a saudade que eu sentia quando eu ia embora do seu apartamento, aquela enxurrada de sentimentos me confundia.
Teria acontecido aquilo que eu mais temia? Apaixonar-me pelo Uruha?
Afinal, ele era meu companheiro de banda, e, além disso, posso dizer que era meu melhor amigo. Se algo desse errado no nosso relacionamento, não seríamos os únicos a saírem prejudicados com isso.
Parei um pouco de pensar na possibilidade de estar com o Uruha, e comecei a pensar na possibilidade de NÃO estar com ele, e simplesmente não consegui me imaginar longe dele, não consegui me imaginar com outra pessoa a não ser ele. Ao pensar em um dia ter que deixá-lo, sentia um grande aperto no meu coração. Eu não agüentaria vê-lo com um outro alguém e também não desejava estar com mais ninguém, se não fosse ele.
Deus... Como foi que algo que era apenas sexo por diversão acabou se transformando em amor?
Eu não entendia, eu simplesmente não notei, e ainda não sei em que momento aquele relacionamento havia passado a ser algo além de diversão.
Nunca imaginei que três simples palavras pudessem mudar completamente os meus sentimentos.
Talvez a partir do momento que comecei a notar o quanto ele era lindo demais, o quanto seus toques eram carinhosos demais, o quanto estar com ele era prazeroso demais, o quanto estar longe dele era ruim demais.
Pude então chegar à conclusão de que, se falar “eu te amo” era um erro, então eu estava prestes a cometer um erro gravíssimo.
Puxei o loiro em um abraço apertado e sussurrei ao seu ouvido:
-Eu também te amo, Kouyou.
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