Korinna
1 Prólogo.
Notas iniciais
—Minha filha... Há algo que eu preciso contar a você antes de eu partir. — A voz de Selene estava fraca, assim como todo o resto de seu corpo. Ela com certeza não resistiria por muito tempo, então precisava informar sua única filha do porquê de aquilo estar acontecendo. —Quando você foi levada por aqueles bruxos e nós te salvamos... Eu e seu pai tivemos que pagar um preço. Para podermos ter você de volta, tivemos que contar para eles todos os segredos e pontos fracos da segurança do nosso reino... Aqueles bruxos estavam vinculados com a realeza do reino de Dubravko, que sempre esteve esperando para atacar o nosso reino. Sabemos que o que nós fizemos foi errado, mas não tinhamos escolha. Após contarmos tudo para eles, conseguimos fazer um acordo e eles a deixariam em paz para sempre. Eu e Ezeckiel éramos os únicos que sabiamos disso, então tivemos que pensar em alguma coisa para nos proteger, para proteger o nosso reino, pois aqueles homens repugnantes com certeza iriam atacar o reino começando por nós. É claro que eles começariam por aqui, nós somos basicamente o que protege e sempre protegeu a família real, todos os vilarejos e até as florestas de nosso reino. Mas o que eu não entendo... É o por quê de você não ter pego a maldição... Mas... Pelo menos você... Viverá... —Sua voz falhou aos poucos, sua respiração começou a parar lentamente, e seus olhos se fecharam.
—Não... Mãe! Você não pode me deixar! Não agora! Por favor... —As palavras de Korinna saíam entre soluços e um choro desesperado. Sua mãe, seu pai, sua família inteira e seus amigos haviam falecido aos poucos, e ela não pode fazer nada. Nenhum feitiço adiantava, nada funcionou. Korinna passava a mão pelos longos cabelos negros de sua mãe, morta. Lágrimas salgadas corriam pelo seu rosto.
Após horas vagando pelas ruas solitárias e sem vida da pequena vila, Korinna chegou a uma decisão. No momento, a última coisa que seus pais iriam querer é que ela ficasse se lamentando a vida inteira. Ela precisa seguir em frente, tomar um novo rumo. E esse rumo seria vingar todos que morreram por pura ganância da realeza do reino vizinho. Korinna mostraria que eles não ganhariam essa luta. Então, andou até sua velha casa onde morou desde quando nasceu, recolheu algumas coisas como roupas, livros, moedas de ouro e pertences importantes em uma velha bolsa de couro e andou em direção à entrada da vila. Deu uma última olhada em tudo o que gerações de diferentes famílias construiram, e então, com um feitiço, atiçou fogo em um amontoado de palha que ficava perto da casa principal, e o fogo se espalhou, logo, tomando conta da vila inteira. Eles não conseguirão mais nenhuma informação sobre os magos mais poderosos do reino de Elsydion.
Korinna observava tudo atentamente, e uma solitária lágrima saiu de seu único olho. Respirando profundamente, virou-se de costas para a vila, que agora estava quase completamente em cinzas e caminhou em direção à floresta, sem olhar para trás. A partir de agora ela apenas focaria em sua vingança, privando-se de qualquer outro sentimento, concentrando apenas o ódio e a tristeza em seu coração.
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