Korine
2 Capítulo 2
Depois de umas duas horas eu acordei, minha visão ainda estava meio embaçada, mas consegui ver que Tadeu não estava ao meu lado, ao invés disso tinha um bandeja com torrada, suco e um bilhete.
Fui até o parque encontrar Elizabeth, quando acordar vá para la, estamos ao lado do chafaris.
Tadeu Teddy.
Revirei os olhos, como sempre Tadeu estava com Elizabeth. Sempre fomos amigos, mas desde que Elizabeth chegou na cidade, Tadeu passa todo o tempo livre que tem com ela. Não tenho ciúmes deles, mas ele deixou de ir no enterro de meus pais para “Apresentar a Cidade a Nova Moradora”. Comi a Torrada e bebi o suco, estavam ótimos então foi a Sra. Teddy quem havia feito. Levantei-me e fui ao banheiro lavar meu rosto, depois passei pelos fundos a casa de Mona e Derek, eles eram nossos amigos desde pequenos, porém, depois de um certo tempo Derek ficou mais atraente do que eu esperava.
–Mona, Derek? –Bati na porta dos fundos da casa deles, eu estava praticamente sussurando o nome deles, se tia Morgana ouvisse me mataria, literalmente.
Alguns minutos se passaram até Mona aparecer, na porta,perguntei se ela e Derek queria ir no parque e ela disse sim. Assim que chegamos Tadeu estava sentado em um banco com os lábios grudados nos de Elizabeth.
–É melhor o deixarmos aproveitar o momento –Derek puxou eu e Mona para longe.
Quando olhei novamente para Derek, eu não me vi em Korine, era como se eu estivesse em um universo paralelo e assustador. O céu estava nublado, a grama que era verde estava seca e sem vida, haviam corvos nas arvores e lá já não habitavam folhas verdes. Tinham pessoas andando pela rua, porém parecia que eu estava no meio de um Apocalipse Zumbi.
–Penny? –Uma voz doce e suave veio de alguém que parecia estar atrás de mim- Você está morta?
–O que? –Me virei e não acreditei no que eu vi, minha mãe estava atrás de mim, exatamente como meu pai a deixará, com vinte e oito facadas no corpo- Pelos Deuses.
Fiquei atônita, sua face não era como eu me lembrava, aquele rosto doce e meigo, com a pele pálida e os cabelos alaranjados, no lugar tinha um mulher com a pele podre, um de seus olhos fora arrancado por uma lamina muito afiada, sua boca se abria para o lado direito em um corte horizontal. Seu cabelo alaranjado estava vermelho de sangue e com uma parte de seu crânio arrancado. Suas vestes seriam lindas, se não estivessem rasgadas e cheias de sangue. Essa não era minha mãe.
–Você não poder ser minha... Mãe.
–Eu era mais bonita antes de seu pai me esfaquear. –Disse ela e acrescentou um sorriso no final da frase- Como aconteceu querida?
–Aconteceu o que mamãe? –Mamãe? Serio? Ela não é sua mãe Penelope Brokes!
–Korine, não é uma cidade qualquer, querida, é uma cidade infinita, todo o mundo dos mortos é Korine, e quando as pessoas, do mundo inteiro, morrem, vem para Korine. –Ela pôs uma de suas mãos, uma mão gelada e morta, em meu ombro, eu queria abraça-la e dizer o quanto eu senti saudades, porém se eu fizesse isso eu vomitaria em cima dela.
–Eu não estou morta, mamãe –Ela não é sua mãe, lembrei a mim mesma- Eu não estou morta, Katherina, eu fui ao parque com Mona e Derek encontrar o Tadeu, mas eu não sei por que estou aqui agora!
–Isso deve ser coisa de seu pai! Bernard, leve sua filha de volta ao mundo dos vivos! –Gritou Katherina para o vento, alguns corvos voaram das arvores e algumas pessoas que estavam por la correram.
–Eu não quero vê-lo! –Exclamei tirando a mão dela de meu ombro.
–Que pena, filha, mas isto não é uma escolha sua! –Meu pai estava muito diferente, ele não tinha mais cabelo grisalhos, agora ele tinha cabelos negros ondulados e olhos extremamente azuis, ele usava um terno preto, com uma gravata azul, que era exatamente da cor de seus olhos- Você já vai fazer dezoito anos, e eu acho que você já pode lidar com a responsabilidade e os negócios da família!
–Que “negócios da família”? –Eu tinha uma leve impressão de que ele não estava falando da nossa loja, que por algum motivo ficava no mundo dos vivos.
–Estes são os negócios da família! –Ele esticou os braços e deu uma meia volta glorificando o local- Mas, no mundo dos vivos, nosso negócio é outro, pequena, sabe as Funerárias? Pois bem, todo o lucro das Funerárias vem para o bolso do papai, porém, como você vai fazer dezoito anos logo mais, eles também vão ir parar o seu bolso! Sendo assim você tem que aprender a tomar conta dos negócios!
–Então, meu pai é Satanás? –Pergunto, estava confusa, era muita informação para um dia só.
–Deixe de bobagens, garota tola! Eu sou a Morte! –Ele se vangloriava- Sou o senhor das Trevas! Eu escolho quem vai morrer! E você, garotinha bobinha, é minha filha! Você é a princesa das trevas, faca juiz a este título, tem de agir como tal!
–E como a Princesa das Trevas deve agir? –Eu estava tonta, aquela realidade paralela estava girando em volta da minha cabeça.
Quando meus olhos se abriram novamente, eu vi um teto branco, olhei em volta, minha visão ainda estava embaçada. Era uma sala de hospital, Tadeu estava sentado em uma poltrona a uns dois metros longe de mim. Peguei um travesseiro que estava nos meus pés e o joguei em Tadeu.
–Bom dia, Bela Adormecida! –Disse com um tom de ironia.
–Bom dia, princesa! –Ele se levantou, foi até a minha cama e deu um beijo em minha testa.
Ele se sentou na cama ao meu lado, ele me abraçou, e aquilo foi muito bom, pensei em todas as vezes que eu e ele ficamos juntos, aquilo me deixou arrepiada. Eu recuei e nos encaramos por cinco segundos.
–Você passou dois dias aqui –Disse ele colocando meu cabelo para traz da orelha.
–O que aconteceu, eu tive um sonho muito estranho! –Voltei a deitar na maca e Tadeu deitou-se ao meu lado.
Contei tudo o que acontecerá no meu “sonho”. Ele ficou como sempre, deitado do meu lado passando a mão em meu cabelo e ouvindo tudo. E quando eu perguntava se ele estava me ouvindo, ele balançava a cabeça e repetia toda a ultima frase que eu havia dito. Quando eu terminei de falar ele apenas ficou me olhando, encostei minha cabeça em seu peito e ali adormeci, ele massageando minha cabeça e eu em seu peito.
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