Korean Moon
21 Capítulo 21
- Oh meu Deus! – Su chorava – E tu que nunca me contaste!
Moon bebeu mais um gole de água e sorriu tristemente. – Não houve necessidade disso. Quando nós nos começámos a aproximar mais, o inevitável já tinha acontecido. – Ela segurou a cabeça entre as mãos – A culpada aqui fui eu, Su. Nunca me apercebi dos seus problemas.
- Problemas?
- Sim… Ele… Ele estava a ter problemas no emprego, a família estava a divorciar-se, os irmãos tinham falecido à pouco tempo… E eu nunca soube de nada. Se eu tivesse prestado mais atenção…
- Catarina… Tu não podes saber o que não te contam, ele nem sequer dava sinais de estar mal, não é?
- Pois… Mas mesmo assim. Eu amava-o. Devia ter um sexto sentido, não?
Su suspirou – E foi só por isso que ele… que ele se suicidou?
- Não. Havia um colega que andava metido nas drogas e o tentava puxar. Por mais que ele negasse, o colega acabou por dizer à polícia que era o João Pedro que o tentava influenciar para o mundo das drogas e não o contrário. – Uma lágrima caiu sob o rosto dela – Eu só soube meses mais tarde. Como estagiário, ele não era credível e era sempre o bode expiatório dos seus colegas e patrão. De uma família rica e credível, como é que um homem daqueles poderia andar metido nas drogas?
Para fugir aos problemas, todos se reuniram e acusaram o João Pedro em lugar do outro homem. E ele, ao que parece, não aguentou o despedimento e o ódio subconsequente de que foi alvo pela sua própria família, já praticamente desmoronada. E foi assim. Não me disse nada, pensou que eu teria vergonha dele e que não seria feliz com ele. Em vez de enfrentar os seus problemas de frente, pôs fim à sua vida e ao capítulo mais importante da minha vida.
Desta vez, ambas estavam a chorar. Su nunca pensara que a amiga poderia carregar um passado assim e Moon não queria perder o segundo homem que amara realmente em toda a sua vida.
- E por isso vais encerrar outro?
- Hã?
- Vais deitar tudo a perder? Não queres ser feliz com o Jaejoong?
- Claro que quero. Mas não posso.
- Dizes-me porquê, já agora? – Su disse, num tom meio ríspido.
- Tenho medo que algo aconteça novamente. Eu sou uma azarada, Su, eu nunca poderei ser realmente feliz… Não como tu, a quem desejo todas as felicidades do mundo, eu sou arrogante e às vezes mal-criada. Tu és gentil e tens um bom coração e mereces tudo o que a vida tem para oferecer.
- Que disparate é esse? – Yoochun apareceu à porta. – Não ouvi nada da vossa conversa, juro, mas essa parte não pude deixar de ouvir. – Ele aproximou-se e sentou-se ao lado de Moon – Moonie Moon, não te conheço há muito tempo, é verdade, mas já deu para ver que és uma pessoa fantástica.
- Não… Não…
- Não me interrompas, por favor. A vida do Jaejoong também não foi nada fácil, Catarina. Mas tu fizeste o que muitas não fizeram. Fizeste-o feliz. E isso, isso prova a boa pessoa que és. Tu mereces tudo e muito mais, Moon. Por favor, não deixes cair esta oportunidade de seres feliz.
- Eu não posso. – Moon já chorava. – Eu arruíno sempre tudo, Yoochun ah. Tenho medo de lhe magoar e…
- Magoar é o que lhe estás a fazer agora, não te parece? Ele ama-te tanto e ofereceu-te a sua mão de coração aberto mas tu recusas por um medo tão inconsciente?
Su acrescentou — És mulher de superstições, Catarina? Achas que és um medalhão de azar ou algo do género?
- Por favor, acorda para a realidade. Para o ciclo do mundo, não és assim tão importante. – Yoochun disse, com ar sério. — Mas para o Jaejoong és a pessoa mais importante do mundo.
Moon olhou para Yoochun e Su. – Acham mesmo?
- Claro.
- Eu amo-o mas… Podemos mesmo ser felizes?
- Claro. Só falta dares um passo.
- Qual?
- Aceitares o seu pedido. – Yoochun sorriu. – Vá lá, não é assim tão difícil. Põe o orgulho de lado e corre atrás dele. Corre atrás da tua felicidade.
Moon levantou-se – Sabes, Yoochun ah, tu bem que podias ser poeta… Ou então, porque não escreves um romance?
Yoochun riu-se. – Assim que tu e o hyung se casarem talvez eu pense nisso.
- Promessa? – ela estendeu o dedo mindinho.
Yoochun estendeu o dele – Promessa!
E, com isso, Moon correu em direcção à rua.
- Achas que vai correr tudo bem? – Su sentou-se ao colo do marido.
- Claro que sim, yebo. Vais ver, daqui a nada já saberemos as novidades. Agora diz-me, — ele acariciou a leve barriga da esposa – como vai a nossa nova filhinha?
- Vai bem. Com saudades do pai. – ela tocou-lhe na face.
- Mas estás a falar da filha ou da mãe?
Su hesitou. — … De ambas?
- Espertinha. – Yoochun beijou-a e, levando-a ao colo para o seu quarto, passaram um longo momento de paixão.
- Jaejoong! Jaejoong! – Moon percorreu o olhar pelo bar à procura. Tinha recebido uma chamada de Junsu a avisá-la do seu paradeiro e correra para lá. Será que ele já tinha saído?
E, de repente, ela viu-o. Estava numa mesa do canto a dormir profundamente. Ela quase sorriu e foi ter com ele.
- Jae… Oppa? Oppa? – ela abanou-o, sem resposta. O coração dela quase parou. – Oppa! Oppa! Oppa! Por favor, não. Isto não me está a acontecer. Por favor, não me deixes!
- Ano… — o empregado apareceu, atrapalhado. – Acalme-se, senhorita. Ele está apenas bêbado, não está propriamente a morrer, acredite. Ele vem cá tantas vezes e ele quando bebe demais fica assim… Por favor, acalme-se.
Moon sentiu que o seu mundo ia parar. Mas no entanto isso ajudou-a a tomar a sua decisão. Ia lutar por aquele amor… Bem, depois de o levar para casa, claro.
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