Korean Moon

16 Capítulo 16


O avião aterrou às 14h de Portugal, mas já com atraso. Tinham feito escala em Espanha devido ao tempo inconstante que se sentia em Portugal. Eu sinceramente estava já cansada, queria apenas chegar ao hotel, deitar-me e dormir novamente.

Olhei para o Jae, o rapaz que, se antes não o suportava, agora não conseguia viver sem ele. Custava dizer isso, mas estava a apaixonar-me. Ele estava entre mim e a parede, todo esticado. Viva o luxo, pensei… mas também, coitado, só conseguira adormecer depois de o avião levantar voo em Espanha, ou seja, dormira muito pouco.

Antes de dormir, partilhámos imensas histórias e eu contei-me diversos aspectos da cultura portuguesa para ele não se sentir desprevenido.

Vendo que não havia meio de ele acordar por si só, abanei-o, mas ele apenas se encostou mais a mim.

- Jae… — murmurei, deixando na minha voz um tom de aviso. – É melhor que te levantes, ou deixo-te aqui sozinho!

Quando senti um movimento da sua parte, afastei-me um pouco já que pensava que ele se estava a tentar levantar mas afinal não era isso. Ele levantou a sua mão direita e pousou-a na minha face… acidentalmente, essa mão acabara por tocar rente ao meu seio.

A minha cara passara de levemente pálida para bastante pálida, depois corada, depois envergonhada, para depois se fixar em docemente furiosa. Empurrei-o logo e ele bateu contra a janela do avião. – Tarado!

Jae contudo não desistia. Teve a lata de, antes de eu me poder levantar, espalhar-se ao comprido no assento, com a sua cabeça no meu colo. Pior a ementa que o soneto, pensei. Se bem que o que eu realmente queria era ficar assim com ele para sempre, queria afagar-lhe os cabelos com a mão e beijar os lábios que eu podia jurar sentir sob os meus calções compridos. Abanei-o pela segunda vez e ele nem sequer notou.

Quando varias pessoas começaram a olhar para nós, eu não aguentei e afastei-me. Levantei a bagageira de cima e tirei de lá uma mala de mão e o casaco de Jae pois de certeza que, a dormir como estava, rapidamente se esqueceria de verificar se deixara alguma coisa lá.

Saí do avião, fiz o check-out e fiquei à espera das bagagens. Tirei-as todas, incluindo as que tinham um smiley na etiqueta a indicar que eram do Jae e mesmo assim ele não aparecia. Quando algumas pessoas começaram a olhar para trás de mim com ar excitado, eu virei-me a pensar se não encontraria ali um actor famoso… qual não foi o meu espanto, quando vi que esse «actor famoso» não era senão Jaejoong, rodeado de raparigas a perguntar-lhe se ele era alguma estrela de Hollywood, qual era o seu numero de telemóvel, se era solteiro…

- Telemóvelle? Hmmmm, phone mobile?

- Yes! – as raparigas pulavam à sua volta. – Gimme that!

- I can’t…. – Jae respondeu. Eu fui lá ajudá-lo, furiosa.

Afastei a multidão e peguei na mão de Jae. – Afastem-se, meninas. Ele não é de Hollywood e não dá números de telefone a ninguém!

- Quem és tu para dizer isso?.- disse uma miúda que não devia ter mais do que treze anos. Essas pitas de hoje em dia eram muito atrevidas. Pensei em algo rapidamente, mas não me saiu mais nada senão… — Sou a sua namorada! – disse eu e depois esbugalhei os olhos. Que tinha dito eu? E porquê?

Todas elas se afastaram a lançar pragas contra mim, menos uma de dezasseis anos que lá estava.

- Eu sei quem ele é, – respondeu ela. – quem não sabe? E sei muito bem que ele não tem namorada. Querem ver? – começou a bater palmas e a pedir que a imitassem. – Beijo, beijo, beijo!

Rapidamente todo o aeroporto, mesmo as pessoas que estavam apenas a ver e não ouviram nada da nossa conversa anterior o faziam. Eu fulminei-a com o olhar mas ela riu-se maliciosamente. Agora sim, queria mandá-lo de volta. A viagem tinha sido um enorme erro.

- O que estão elas a dizer? – perguntou ele, em inglês. – Não percebo!

A outra avançou e traduziu. – Kiss! Kiss! Kiss! You’re boyfriends, so you should kiss your girlfriend! Kiss!

- Boy…friends? – jae olhou para mim e de seguida para ela.

- Yes, my love… — puxei-o por um braço e belisquei-o, em sinal de aviso. – Do you not know the meaning?

- Claro que sabe! – respondeu a intrometida. – Impossível ele não saber inglês, por amor de Deus, por quem ele é!

Eu podia ver que Jae não estava a perceber nada da conversa e. antes que ele se desmanchasse por completo e porque eu queria ir-me rapidamente embora, decidi agir. – Querem ver? Tudo bem, vejam!

Desta vez, não dei nem tempo para repensar. Puxei Jae, virei-o e toquei os meus lábios com os dele. Ele afastou-se e olhou para mim com um olhar surpreendido mas não durou muito pois os seus lábios procuraram pelos meus de forma mais intensa.

Não sei quanto tempo durou mas sei que pareceram horas até que eu fosse capaz de me afastar. Podia morrer com falta de ar que não me iria importar… mas se morresse, como teria direito a um último beijo?

Quando pude desviar os meus olhos de um Jae sorridente, virei-me para elas. – Então, agora já acreditam?

Todas pediram desculpas e foram-se embora, menos a de dezasseis. – I’m so sorry. I read in a magazine that you were single, so i thought that. I’m really sorry for envolving you in all this mess. Please, can you give me an autograph, Mr. Edward Speelers?

- Mr. quê? – eu desatei a rir-me. – Quem é esse?

- Mas você não vê televisão? Ele é o protagonista do filme «Eragon», o grande e lindo Edward Speelers.

Eu abanei a cabeça. Mas porque raio é que o idiota decidira trazer uma peruca loira na viagem? Até parecia que era assim tão conhecido por cá, não falando no facto de ninguém, para além dos nossos entes mais próximos, saber que estamos aqui. – Está enganada… Pois o seu nome artístico é Hero, ele é Hero Jaejoong.

Ela puxou de um bloco de notas. – Ah, então sempre é conhecido! Muahahah, eu vou pesquisar e pode ter a certeza, irei encontrá-los de novo! Esse borracho famoso – disse ela, passando uma mão pelos lábios de uma maneira que ela achava sedutora – vai ser tooodo meu. Escreva o que lhe digo.

- Sim, está bem. – disse eu e estiquei a mão. Ao ver que ela olhava para mim, eu repliquei. – Dê-me então a sua caixinha dos desejos. Já que não se vai realizar, ao menos pode sonhar.

A rapariga foi-se embora zangada e algumas pessoas do aeroporto riram-se abertamente mas eu estava já a sair. Jae puxou-me por um braço. – Porque não esperaste por mim?

- Porque é que não acordaste quando eu te chamei?

Jae pegou em algumas das malas que estavam e eu levei outras para a saída. – Boa resposta.

Eu bufei e desci as escadas rolantes, com ele atrás de mim.