Korean Moon
2 Capítulo 2
O natal de Jae estava a ser um pouco aborrecido, apesar de todas as ruas estarem enfeitadas e de todas as pessoas parecerem felizes.
Todos os seus amigos estavam ocupados e Jae, para não ficar sozinho, decidiu ir a um bar que gostava muito de frequentar, o “Dark Boat”. Ao menos, podia usufruir de whisky da melhor qualidade e, como não podia deixar de ser, de miúdas boazonas.
- Oi, J! Bem vindo… — disse o segurança, bem-disposto. – De novo por aqui?
- Olá, Guy… É isso mesmo, os outros abandonaram-me e vim ter aqui para não ficar sozinho.
- Fizeste bem… Afinal de contas, este pub está aberto mesmo para isso e não há muitos bares abertos a esta hora.
- O que interessa é divertirmo-nos e prefiro estar aqui com as miúdas do que em casa, deprimido.
- Ah, mas não tiveste nenhum convite?
- Sim, tive… O Mike convidou-me, mas estava lá com a nova mulher e não quis incomodar.
- Enfim… Uns casam-se e outros ficam solteiros, a vida é assim. Vá, diverte-te.
- Até já, Guy! – disse ele, e entrou.
O ambiente estava igual ao habitual: muito extravagante. As paredes pintadas com as cores natalícias, as luzes normais que incidiam sobre as mesas e as luzes coloridas que estavam espalhadas pelo palco e, claro, o espaço do DJ que estava vestido à Pai Natal, eram já sinais de marca do pub.
- Boa noite, Kare! – disse o empregado do balcão, a gozar com Jae. Tudo isso porque Jae um dia julgara-o gay e agora, como vingança, ele passava a vida a chamá-lo “namorado”.
- Nunca me vais perdoar, pois não?
- Já te perdoei há tanto tempo, querido! – retorquiu ele, e piscou-lhe o olho. – Então, o que vai ser desta vez?
- Por enquanto são só quatro copos de whisky.
- Ah, vieste acompanhado!?
- Não. – Jae explicou. – Estou a tentar bater o meu record pessoal de quantas bebidas bebo num minuto. Ei, Arumi, vem cá!
Mal chamou, uma bonita rapariga asiática cuja roupa se resumia apenas a um top fino e a uma saia que não deixava nada em segredo foi ter com ele e deu-lhe um leve beijo na bochecha.
- Oi, Jae! Por aqui, no Natal?
- É mesmo…. E tu?
- Eu vim ajudar o patrão, ele precisava de funcionárias. É pena abdicar do meu natal, mas é nestas alturas que o patrão é generoso…
- Já percebi. Vai uma bebida? – convidou Jae, e apontou para o banco ao seu lado. Quando ela se sentou e ficaram ambos virados para o balcão, Jae estendeu-lhe uma das suas bebidas.
- É menos uma para o teu recorde, não é? – riu-se o empregado.
- Urusay! – Jae mandou-o calar e começou a falar com Arumi sobre política, até que sentiu o seu telemóvel vibrar. – Espera um segundo, preciso de atender.
Jae correu para a saída e atendeu, mesmo no último instante.
- Estava a ver que não, man! Ando a tentar falar contigo há séculos, porque é que não atendes o telemóvel?
- Estás a ver uma morenaça de olhos pretos e cabelo encaracolado? É esse o motivo.
- Bah! — -ouviu-se do outro lado da linha. – Só pensas nisso. Porque é que não vens cá?
- Já te disse que não, Mike! Não vou fazer de vela enquanto vocês brincam às famílias felizes.
- Mas não vamos estar sós, vai estar aqui também uma amiga da Catarina, que acabou de chegar ao Japão.
- Ela é espanhola? – perguntou, com o súbdito interesse a começar a surgir.
- Hum… — Mike fez-se de misterioso. – Se quiseres saber, tens de passar por cá.
Jae, que não conseguia rejeitar um desafio, aceitou. Ainda por cima, ele tinha uma paixão enorme por espanholas… E se a amiga da Su fosse natural de Espanha? Não pensou mais e foi-se embora dali, acabando por obrigar a sua companheira de bebida a pagar a conta.
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