Última chamada para o Voo número 4 com destino ao Japão.

“Oh god”, pensei. “Já estou atrasada!”

Tentei despedir-me à pressa da minha mãe, que tinha querido vir comigo até ao aeroporto, mas isso não parecia ser fácil…

- Catarina, não te esqueças de lavar os dentes, pus-te aí umas camisolas caso esteja frio, e não andes de saia nestas alturas, se não constipas-te. – disse ela.

- Mãe, olha que perco o avião… Assim é que não vou mesmo e vou ter de desmarcar com a Su tudo o que tínhamos planeado!

- É rápido, meu amor. Se não formos nós, quem é que irá cuidar de ti na nossa ausência? E mais uma coisa: não te esqueças de lavar os sovacos todas as manhãs e de ires cedo para a cama!

- Hum… — Apressei-me a descansar a mãe, super envergonhada porque havia pessoas a ouvir o que a mãe dizia. – Está bem, mãe. Adoro-te. Dá beijinhos ao pai por mim.

- Olha… nada de namoricos, ouviste? – gritou-me, já estava eu quase a entrar nas escadas rolantes.

- Sim, sim… — gritei e segui em frente.

A minha mãe sempre foi assim, super preocupada. Mães – quem as entendia?

- Desculpe, qual é o local de embarque para o voo número 4? – perguntei a um dos seguranças. Ele indicou-mo e eu corri ainda mais rápido e consegui chegar a tempo.

Mal entrei no avião, sentei-me e preparei-me para a descolagem. Estava tão ansiosa!

Passaram-se imensas horas mas foi como se tivesse sido só uma. Mal desmaiava, tal era a emoção.

A seguir vi um ponto saltitante a gritar o meu nome. Semicerrei os meus olhos e vi a Su, toda contente. Tinha vindo buscar-me e rapidamente me dirigi a ela.

- Moon! – gritou ela, abraçando-me. – Estás tão alta, tão gira!

Eu olhei para ela, fascinada. – Digo o mesmo de ti, linda. Estás fantástica!

Continuei a olhar para ela. Então era isso que a maternidade nos fazia…