Koori no Ouji
3 Sentimentos violentos
Notas iniciais
Eles me disseram que seria uma missão, mas no fim acabou sendo só compras.
Uma tarde infernal, essa era a definição exata do que passei com Naruto e Sai no centro comercial, só de lembrar já me dava náuseas. As lojas estavam super abarrotadas e como se não fosse o bastante eu ainda fui arrastada de um lado para o outro pela multidão, por pouco quase não consegui completar a maldita lista de coisas que Sai queria que eu comprasse.
Depois dessa tortura ainda fui obrigada a carregar as sacolas até a sua casa. Sai disse que morava bem próximo dali, sozinho em um apartamento onde a maioria dos inquilinos eram estudantes universitários, disse também que os seus pais enviavam todos os meses uma mesada suficiente para ele sobreviver, mas que seu dinheiro realmente vinha do seu trabalho.
— Então você tem um trabalho de meio período, Senpai ? – Indaguei curiosa, enquanto isso ele tentava abrir com dificuldade a porta, a construção era decadente, parecia que a qualquer momento iria desmoronar.
— Hum, pode-se dizer que sim – Respondeu pensativo.
Ao entrarmos quase cai para trás, tudo estava uma terrível bagunça, bolas de papel praticamente cobriam o chão, varias folhas com rascunhos de desenhos junto com material de pintura estavam jogados pelos cantos, o mais impressionante era a quantidade de pilhas de mangás em cima dos móveis. Um dos desenhos acabou chamando a minha atenção, pegando em minhas mãos o olhei atentamente, por acaso eram dois caras se agarrando? Meu deus, um mangá yaoi, definitivamente era a página de um mangá yaoi.
— O senpai é mangaká – Disse Naruto com naturalidade, como se fosse a coisa mais comum do mundo.
Desde quando mangakás faziam parte de gangues? Peguei outro rascunho ainda não conseguindo acreditar naquilo, espere, eu conhecia aquele mangá, era Pink Garden um mangá yaoi muito popular, isso não era possível, encarando-o chocada perguntei:
— Você é Nakama-sensei?
— Então quer dizer que conhece meu trabalho, que garotinha mais pervertida – Novamente ele tinha aquele sorriso cínico de quando estava no modo Lord Demônio das Trevas, senti o rosto queimar de vergonha, como podia falar aquilo? O verdadeiro pervertido da história era ele, não eu!
— Eu acabei lendo por acaso, não é como se eu fosse uma fujoshi – Respondi com a voz firme fechando a cara, ele já sabia coisas demais ao mesmo respeito, não usaria mais essa informação para me chantagear.
— Era brincadeira, não precisa ficar tão envergonhada – Deu uma risada suave, suas mudanças de personalidade algum dia ainda iriam acabar me matando. Sai derrubou tudo o que estava na mesa fazendo mais bagunça, depois colocou uma bandeja de chá sobre ela e sentou-se no chão – Todos pensam que sou uma mulher, inicialmente era só um hobby, não achei que se tornaria um sucesso.
Ele serviu chá em uma caneca e começou a tomar, parecia estranhamente tranquilo. Eu continuava a ver seus rascunhos, eram magníficos, então até demônios podiam ser normais de vez enquanto, pensei intrigada.
— Eu venho o ajudar às vezes, como pode ver o Sai-senpai é muito desleixado – Disse Naruto rindo, estava tentando guardar as compras, porém parecia quase uma missão impossível, repentinamente soltou um grito fazendo com que eu desse um pulo assustada – Senpai, você prometeu que aquele seria o último!
Extremamente corado, Naruto mostrou um mangá onde uma versão sua e de Sasuke dividiam uma cena romântica, por um instante pensei que meus olhos pulariam das órbitas, Sai-senpai era realmente talentoso, de um jeito maligno, mas talentoso.
— Ah, então foi aí que eu o deixei – Deu um gole em seu chá, ainda tranquilo.
— Esses dois lembram muito Sasuke-kun e Naruto-kun, não? – Eu disse tentando não parecer envergonhada, era óbvio que eram os dois, Naruto parecia estar prestes a explodir, eu também estaria no lugar dele.
— É porque eu os uso como referência – Deu mais um gole – Talvez por serem dois virgens a tensão sexual seja maior, sem contar que aquele beijo no começo do ano foi inspirador.
Be-beijo? Naruto e Sasuke haviam se beijado, nunca imaginei que os dois pudessem ter esse tipo de relação, bem, na verdade Sasuke parecia o tipo de cara que tem relação com ninguém e mesmo assim ainda tinha uma gangue.
— Eu já disse que foi um acidente! – Naruto começou a chorar dramático – Agora nunca mais poderei me casar!
— Sakura-chan daria um bom personagem, é tão máscula e seu corpo nem parece de uma garota – Disse sorrindo com uma ponta de sarcasmo, ele por acaso estava tentando me ofender?
— Faça isso Senpai – Sorri igual a ele – E você será um homem morto.
Ficamos até tarde organizando o apartamento, Naruto disse que no outro dia já estaria tudo igual, Sai ainda nos fez ajudá-lo trabalhando como assistentes, nunca pensei que poderia me divertir tanto fazendo aquilo, talvez ficar junto daquelas pessoas não fosse tão ruim assim.
(…)
Minhas olheiras eram tão profundas que eu parecia um zumbi, mais um dia sem dormir direito e eu definitivamente cairia dura, arrastava-me cambaleante pelo corredor, por que minha sala tinha que ficar tão longe? Quando finalmente consegui chegar encontrei Ino, estava parada em frente à porta como se estivesse esperando por alguém, droga, tinha me esquecido completamente dela, quando me viu ela automaticamente me confrontou:
— Sakura, agora você vai me explicar exatamente o que Uzumaki e aquele garoto queriam com você! – Com as mãos na cintura colou seu rosto bem próximo ao meu, me encarando.
— Oh, bem… – desviei o olhar, não conseguia pensar em nada, maldita hora para meu cérebro não colaborar.
— Bom dia, Haruno! – Kiba me cumprimentou escandalosamente, estava acompanhando de Shino que apenas maneou a cabeça, os dois entraram na sala e Ino me encarou com mais firmeza me fazendo suar.
— Desde quando conversa com Inuzuka e Aburame?
— Então, estamos no mesmo clube – Menti, por que diabos eu tinha que dar explicações para aquela vadia? Um chute e ela sairia rolando, não, precisava controlar meus impulsos.
— Você nunca disse que havia entrado para um clube.
— Foi repentino – Senti meu corpo suar mais, nunca consegui ser uma boa mentirosa nos momentos mais necessários.
— E que clube é esse? – Continuou a me questionar. Por deus, quando iria calar a boca e me deixar entrar, já estava farta da sua insistência.
— Bem…
— Clube de literatura – Sasuke respondeu por mim, acho que nunca fiquei tão feliz em vê-lo.
Ino o fitou encantada, parecia até outra garota, já a minha vontade era de vomitar. Sasuke me lançou o olhar mortal de “fale algo e eu te mato”, rolei os olhos, como se eu quisesse espalhar por aí que estava envolvida com atividades ilícitas.
— Sasuke-kun, eu não sabia que se interessava por esse tipo de coisa, você é tão legal.
Ela realmente estava tentando enganar alguém com aquela atitude fofa? Sasuke como um bom príncipe do gelo que era não se alterou, às vezes me perguntava se aquele garoto realmente era humano.
— Tanto faz – Respondeu com frieza, era um verdadeiro babaca, Sasuke colocou as mãos no bolso e entrou na sala ignorando completamente a boa educação.
Irritada, Ino mordeu os lábios, provavelmente não tinha gostado nem um pouco de ter sido desprezada, estava acostumada a receber atenção dos garotos, para uma pessoa como ela aquilo devia ser como receber um balde de água fria.
— Ele é tão bonito, mas sua personalidade é desagradável – Tentou parecer superior, mas garanto que por dentro estava arrasada, bem feito, cadela – Diferente daquele garoto que estava com você ontem.
— Você está falando do Sai-senpai? – Perguntei um pouco surpresa, será possível que ela havia se apaixonado pelo demônio em pessoa? Que gosto mais terrível para homens.
— Então ele é mais velho? Kya – Ino, empolgada soltou um gritinho irritante – Ele parece um cavaleiro, como Lancelot.
Aquilo me deu uma boa ideia, as engrenagens de meu cérebro finalmente voltaram a funcionar, qual o melhor castigo no mundo do que sofrer nas mãos de um sádico narcisista com transtorno de personalidade?
— Ele disse que te achou muito bonita – A iludi com um sorriso falso, agora sim teria minha vingança.
— Sério, sério? – Seus olhos estavam sonhadores, senhoras e senhores o peixe havia mordido a isca.
— Sim, disse que nunca havia visto uma garota tão bonita – Falei confiante, o quão tola uma garota apaixonada poderia ser.
— Kya – Soltou outro gritinho, dessa vez mais agudo e irritante – Você até que serve para alguma coisa, às vezes.
Ela não imaginava o quanto.
(…)
— Senhorita Haruno, se minha aula não é boa o suficiente pode vir aqui na frente ensinar no meu lugar.
Acordei com um estalo na minha cabeça, droga, estava cochilando na aula de matemática e o professor agora me chamava a atenção, limpei a baba do meu rosto com as costas da mão e me endireitei na cadeira, queria cavar um buraco e me enfiar, ter todos aqueles olhares voltados para mim era extremamente vergonhoso.
— Desculpe, não vai acontecer de novo – Ótimo, além das olheiras agora eu tinha o rosto amassado e todos na sala já estavam fazendo piadinhas, meu dia poderia ficar melhor?
— Como eu estava dizendo, não esqueçam de estudar para o teste de matemática no final do mês, principalmente você, senhorita Sabaku – Temari fez uma careta e todos riram, era de conhecimento geral que suas notas eram péssimas.
Já era hora do intervalo, Sasuke estava saindo da sala, eu precisava agradecê-lo por mais cedo, se bem que o culpado por eu ter me metido naquela confusão para começo de conversa era ele, mas para o mesmo fazer algo por mim devia ter sido um sacrifício, arg, minha cabeça ia explodir, ok, eu iria falar um obrigada por educação e nada mais.
— Ei, Haruno – Kiba apareceu na minha carteira antes que eu conseguisse levantar – Você é boa com essas coisas, quero dizer, que tal formar um grupo de estudos?
— Grupo de estudos é só para pessoas estúpidas o suficiente que não conseguem estudar sozinhas– Ino se intrometeu, olhando para Kiba com arrogância.
— Me desculpe se não sou tão inteligente quando você, Yamanaka-san – Respondeu com a mesma arrogância, fazendo ela o encarar furiosa – Como estava dizendo, você entraria no grupo de estudos, Haruno?
— Hum, acho que não tem problema.
— Ótimo, vou chamar o Shika e o Sai-senpai, quanto mais pessoas inteligentes melhor – Sorriu entusiasmado, a primeira impressão que eu havia tido dele as poucos estava mudando.
— Talvez – Ino voltou a se intrometer, dessa vez menos arrogante – Eu possa ajudar com meu cérebro esse seu pequeno grupo.
Que interesseira, era claro que ela só estava querendo participar porque ouviu que Sai-senpai estaria junto.
— Você não disse que grupos de estudos eram pra pessoas estúpidas? – Os olhos de Kiba faiscavam.
— O que posso fazer se tenho um bom coração – Retribuiu com o mesmo olhar, a sala iria pegar fogo a qualquer momento, era a chance perfeita para eu fugir – Onde você está indo, Sakura?
— Pegar o lanche de vocês, já volto.
(…)
Eu não conseguia mais achar Sasuke, onde ele poderia ter se metido? Procurei em todos os lugares possíveis, minhas pernas já estavam começando a ficar cansadas, ele não poderia ter simplesmente se desmaterializado no ar, talvez fosse melhor desistir, ele era um idiota mesmo.
Espere, e se ele estivesse na sala onde fazia as reuniões da gangue? Bem, não custava tentar, agora só precisa me lembrar onde ficava, depois de me perder entrando em salas erradas finalmente a encontrei, antes de entrar pude ouvir a voz dele e de outra pessoa conversando, não conseguia escutar ao certo do que falavam, mas tinha certeza que era Sai-senpai quem estava com ele.
— O seu plano foi um sucesso – Ouvi Sai dizer com uma voz soturna, grudei meu ouvido na porta para conseguir escutar melhor – A princesa está quase do nosso lado, agora você está um passo mais perto de destruir aquela pessoa.
Aquela pessoa? De quem eles estavam falando? A princesa por acaso era a Hyuuga? Por que eles precisavam dela, e para o que? Perguntas e mais perguntas martelavam minha mente, eu queria entrar e perguntar diretamente, mas minhas pernas pareciam ter fincado no chão.
— Ainda não é o suficiente, preciso de mais poder – Dessa vez era Sasuke quem falava, senti meu corpo estremecer, que aura mais sombria e assustadora, era sufocante mesmo estando longe.
Sai deu uma risada.
— Não seja tão ganancioso, Sasuke-kun, ou o destruído poderá ser você.
— Não preciso de conselhos de um degenerado, só o aceitei para que pudesse manter meus olhos em você.
— Bem, sabem o que dizem: Mantenha os amigos perto e os inimigos mais perto ainda.
Ouvi passos, não daria tempo de correr, fingindo que estava acabando de chegar trombei com Sai, que me segurou.
— O-olá, Sai-senpai – Fingi surpresa.
— Sakura-chan, não esperava vê-la tão cedo – Sorriu me soltando – Cuidado, Sasuke-kun está com um humor péssimo hoje.
Sai foi embora deixando-me mais nervosa, a aura sombria ainda não tinha diminuído, juntando toda minha coragem entrei na sala.
— Eu… Eu estava te procurando – Disse ainda com duvida se deveria ou não tentar conversar com ele – Você sumiu de repetente.
Sasuke me olhou de soslaio, por enquanto não havia demonstrado que iria me matar, isso era bom, me aproximei mais dele, calculava minha defesa caso ele fizesse algum movimento demonstrando que queria brigar.
Sasuke estendeu a mão e disse:
— Celular.
— O que? – Dei um passo para trás, por acaso estava querendo me roubar?
— Me de seu celular, vou trocar nossos números – Sua expressão era de impaciência, como se estivesse falando com uma criança lerda – Me chame caso aconteça alguma coisa, Sai me disse que vocês encontraram a gangue Suna.
— Oh, claro – Espere, ele estava preocupado comigo? Entreguei meu celular, ele digitava o seu número enquanto pegava o meu, essa era minha chance de perguntar sobre o que ele conversava com Sai – Então…
— Hum? – Pela primeira vez olhou em meus olhos, senti um frio percorrer minha espinha.
Não tinha coragem, era melhor só agradecer e dar o fora como eu já havia planejado inicialmente.
— Obrigada, por hoje sabe, você me salvou da Ino.
— Oh, será que você está se apaixonando por mim? – Seus lábios se curvaram em um sorriso maldoso, senti minha voz presa na garganta, como eu poderia estar me apaixonando por alguém que nem ao menos tinha coração, minha vontade era de socar a sua cara.
— Não seja retardado, quem teria coragem de se apaixonar por você – Consegui dizer finalmente, esperava não estar corada.
— Você é bem atrevida em me insultar, testuda – Me jogou o celular, como no nosso primeiro encontro se aproximou falando em meu ouvido: – Lembre-se dessas palavras, nunca se apaixone por mim ou será um problema, já disse que não estou interessado em garotinhas briguentas e sem peitos, igual você.
Dando um leve tapa em meu ombro, Sasuke caminhou para fora da sala, mas antes que ele saísse gritei:
— Eu digo o mesmo, não se apaixone por mim!
— Pode deixar, isso nunca acontecerá – Saiu, me deixando sozinha na sala.
Meu sangue fervilhou, como pude pensar por um instante que ele não era uma pessoa tão ruim, idiota, idiota, idiota, comecei a socar a parede imaginando na verdade ser ele, aos poucos ela foi se rachando, era impossível ficarmos no mesmo ambiente, sempre que estávamos juntos eu não conseguia controlar meu temperamento, além disso, ele ainda não havia me contado toda a verdade sobre a gangue, queria bater nele até que ele virasse purê, parei de socar a parede ao sentir uma dor latejante em meus punhos, maravilha, agora minhas mãos estavam machucadas e tinha um buraco na parede.
— Sasuke, você é realmente um babaca...
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