Konoha's Next Class

2 Capítulo 2 - Sombras no cemitério


Os três ninjas estavam andando pelas ruas de Konoha, debaixo de um céu estrelado. As lâmpadas dos postes iluminavam bem o caminho, que estava guarnecido por cerejeiras, cujo cheiro das flores era delicioso.

Massageando os galos na cabeça, formados pelos contínuos croques que havia recebido de sua amiga, Shiba olhou para as meninas que conversavam entre si, mais a frente. Por que ele, um pobre garoto simplório, havia se envolvido com a dupla de garotas mais barra pesada da Academia? Haruhi Nara era a delinquente, que batia nos garotos e tirava dinheiro deles, e cujos pais iam com certa regularidade na Academia para ouvirem as reclamações dos professores. Por sua vez Ayama Aburame assustava pela sua atitude impassível e estranha. Diziam que ela tinha feito exalar uma nuvem de moscas de sua boca para espantar uns trombadinhas que queriam roubar sua mochila, mas isto só pode ser mentira... Ou não?

Apesar de tudo, Shiba sorriu para si próprio. Pelo menos com ele as duas sempre foram gente fina. Lembrou-se do dia em que se encontraram pela primeira vez, quando dois meninos brigões tinham pego seu boneco de ação ninja hero edição especial e ameaçavam quebra-lo em dois. Haruhi Nara chegou e brigou com os dois, fazendo-os sair correndo chorando para contar para a mãe deles, e foi Aburame quem pegou o boneco caído e o entregou em suas mãos. Desde então os três sempre andaram juntos, Shiba se beneficiando pelo fato de que era um fracote, protegido pela menina mais delinquente e pela garota mais misteriosa de sua sala. Infelizmente isto tinha afastado qualquer possibilidade dele se dar bem com qualquer outra garota da Academia...

Foi neste momento que Shiba se deu conta da grande amizade que tinha com as duas. Os outros de sua classe sempre isolaram os três, mas de repente este sentimento de exclusão já não importava mais, pois o trio acabou encontrando companhia entre eles mesmos. Brincavam juntos, saíam juntos, riam juntos, choravam juntos. E no seu maior momento de tristeza lá estavam as duas, preocupando-se com ele. Ele parou e falou bem alto:

-Haruhi-tchan, Ayame-tchan... muito obrigado por voces serem minhas amigas! Prometo que vou me esforçar, e me tornar um ótimo shinobi, e juntos formaremos o melhor trio ninja de Konoha! Eu prometo!

A súbita declaração de Shiba pegou as duas de surpresa. Haruhi Nara ficou ruborizada, enquanto Ayame Aburame permaneceu de boca aberta. Com o canto do olho Haruhi viu que Ayame havia se desconcertado tanto, que perdeu o controle e um pequeno besouro voou para fora de sua boca. Rapidamente ela o pegou de volta e o engoliu.

-Gyahh, que nojento Ayame! Não faça mais isso! – reclamou Haruhi, que então se voltou para Shiba e ficou a sua frente, olhando em seus olhos.

Ela subitamente deu um croque dolorido em sua cabeça.

-Shiba-kun, não fique falando estas besteiras. Eu e Ayame sabemos que você é péssimo, mas não se preocupe, a gente vai tomar conta de você! – disse, pondo as mãos na cintura em pose altiva. Furtivamente ao seu lado passou Aburame, que parou em frente de Shiba.

O pobre ninja levantou os braços para se proteger de outro golpe, mas foi surpreendido por um carinhoso abraço.

-Shiba-kun, você é um ótimo amigo. Sempre me faz rir. E também sei que é um ótimo shinobi, o único que não sabia disso é você mesmo – disse, com uma voz que não tinha o mesmo tom monótono de sempre, muito pelo contrário, era até melodiosa.

Aburame encarou Shiba e deu um leve sorriso, que logo se apagou. Deu meia-volta e continuou a andar.

O rapaz e Haruhi permaneceram boquiabertos, com o queixo quase indo ao chão. Um olhou para o outro, trocando mensagens de “voce viu o que acabou de acontecer?” A Nara logo foi atrás de sua amiga para ter explicações, enquanto Shiba ficou ali, parado e pensativo. Sempre me faz rir? Nunca tinha observado isto, Aburame era bem discreta... Mas e aquele abraço? Havia sido tão inesperado quanto gostoso. Ainda mais vindo de Aburame, que ao contrário de Nara era mais jeitosinha. Teria sentido mesmo contra o seu peito aquelas coisas macias que as meninas tem? Já estava começando a babar quando foi atingido em sua cabeça por uma pedra desferida pela sua amiga delinquente. “Deixa de ser molenga, senão a gente vai te deixar ai!”

Os três então se dirigiram para um lugar bem próximo, um parquinho de crianças mal-iluminado e vazio. Sentaram-se nas balanças e conversaram sobre as provas de recuperação que Shiba iria fazer. Ayame Aburame ensinou algumas técnicas de concentração para Shiba usar durante o teste, enquanto Haruhi Nara passou algumas informações pessoais de Iruka-sensei, que poderiam ser usadas contra ele no caso do sensei insistir em não passar Shiba. Informações que o ninja fez questão de esquecer.

Já era tarde da noite quando os 3 jovens resolveram retornar para suas casas, sendo que as ruas de Konoha estavam todas desertas, sem nenhuma viva alma. Depois do ataque da Vila da Areia e da Vila do Som, os moradores de Konoha perceberam que a vila já não era assim mais tão segura quanto antes, e por isso a maioria havia decidido por si só permanecer na segurança de suas casas tão logo caísse a noite. Shiba e as meninas não cruzaram com nenhum vigia noturno, e estavam satisfeitos por isto, dado que isto era algo que eles não queriam de jeito nenhum, pois certamente iriam ser castigados depois na Academia por permanecerem na rua até tão tarde.

Shiba não se incomodava de estar ali no silencio da noite. Sentia até uma certa paz interior e tranquilidade. Olhou para o lado e percebeu que estavam próximos do cemitério de Konoha. Isto logo lhe fez lembrar das inúmeras pessoas que haviam morrido tão recentemente, inclusive o namorado de sua irmã, Gekko Hayate. Extremamente habilidoso no kenjutsu, arte da espada, foi encontrado morto durante os exames de chuunin. E foi sua própria irmã que o encontrou.

Eram informações confidenciais, mas Yuugao Uzuki precisava desabafar com alguém suas dores e mágoas, antes que estes sentimentos lhe consumissem a alma. E na noite em que sofreu sua maior perda, sua irmã resolveu contar-lhe tudo sobre seu namoro com Gekko; os momentos felizes que tinham passado juntos, suas juras de amor e finalmente sua morte, sempre com uma voz tremula e triste, repleta de saudade. O garoto lembrou-se de que quando abraçou a sua irmã mais velha, sentiu que ela estava tão frágil como um copo de cristal, e viu que mesmo alguém tão habilidosa e confiante como ela também tinha seus medos e fraquezas.

CONTINUA...

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.